Mandetta revela em livro que Bolsonaro nunca aceitou conversar para encarar a realidade sobre a Covid-19



O ex-ministro da Saúde denuncia em livro que Bolsonaro, além de ignorar a pandemia, sugeriu que fossem feitas alterações na bula da cloroquina para ampliar a oferta
25 de setembro de 2020, 04:38 h Atualizado em 25 de setembro de 2020, 05:28
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(Foto: Divulgação)
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247 - O ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta revela em livro que Jair Bolsonaro se mantinha alheio às discussões sobre a pandemia, enquanto ele debatia o assunto com outros ministros. “Ele nunca aceitou sentar comigo para ver a realidade que o seu governo estava para enfrentar”, diz o ex-ministro.

A afirmação foi feita no livro “Um Paciente Chamado Brasil”, que Mandetta lança nesta sexta-feira (25) pela editora Objetiva, do grupo Companhia das Letras.

Na obra, escrita pelo repórter da Folha de S.Paulo, Wálter Nunes, o ex-ministro narra os 90 dias em que, à frente da pasta, estruturou ações de combate ao novo coronavírus, até sua fritura pública e demissão por Bolsonaro.

O chefe do Executivo ignorou os alertas do ministério sobre a evolução da pandemia. No final de março, as projeções do MInistério da Saúde apontavam de 30 mil mortes (cenário tido como “otimista demais” por Mandetta) a até 180 mil caso não fossem adotadas medidas de isolamento.

Hoje o país atinge 4,6 milhões de casos da Covid-19, com quase 140 mil óbitos.

Apesar do alerta, a preocupação de Bolsonaro era outra. “Você vai elogiar o [governador de SP, João] Doria?”, disse o presidente em uma reunião, segundo o livro.


Em outros trechos, o livro busca mostrar como Bolsonaro passou a contrapor a Saúde em discursos contra o isolamento e a pressionar pela cloroquina, mesmo sem eficácia comprovada contra a Covid-19.

Em uma das ocasiões, Bolsonaro sugeriu que fossem feitas mudanças na bula do remédio por decreto, para ampliar a oferta. A medida foi contestada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“Esse livro vem para mostrar que você pode ter um técnico, mas a política no entorno tem papel preponderante”, diz o ex-ministro em entrevista à Folha, sobre a opção por retratar mais desses bastidores e menos da epidemia em si.


No depoimento que fez a Wálter Nunes, transformado no livro, Mandetta cita episódios que considera "traições" por aliados políticos, casos de bate-boca com o ministro Paulo Guedes e a série de reuniões nas quais achava que sua demissão ocorreria ali.





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