Bolsonaro diz desconhecer hospitais lotados: ‘Não é isso tudo que estão pintando




Estados preparam hospitais de campanha para receber demanda de pacientes doentes contaminados pelo coronavírus. Para ministro, ‘constatação‘ do presidente é ‘muito positiva‘.


Por G1 — Brasília
 

Bolsonaro vê uma competição entre "alguns" governadores para determinar quem toma mais medidas contra a doença. (Foto: Reprodução)
O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira (2) desconhecer "qualquer hospital que esteja lotado". Segundo ele, a crise sanitária provocada pelo coronavírus "não é isso tudo que estão pintando".

Bolsonaro deu a declaração à tarde em conversa sobre a crise do coronavírus com pastores evangélicos na portaria do Palácio da Alvorada, ao retornar para a residência oficial da Presidência.

Em vários estados, devido ao risco de que a rede hospitalar não comporte a demanda, governos locais estão instalando hospitais de campanha em estádios, ginásios de esportes e equipamentos públicos a fim de receber doentes contaminados pelo coronavírus. Segundo estimativa do Ministério da Saúde, os casos de coronavírus no país vão disparar entre abril e junho.

"Desconheço qualquer hospital que esteja lotado. Desconheço. Muito pelo contrário, tem hospital no Rio de Janeiro, o tal de Gazola, se eu não me engano, tem 200 leitos e tem 12 ocupados. Não é isso tudo o que estão pintando", afirmou o presidente.

Bolsonaro vê uma competição entre "alguns" governadores para determinar quem toma mais medidas contra a doença.

Aqui no Brasil a temperatura é diferente. Me parece que houve competição entre alguns de quem toma mais medidas para dizer que está protegendo a tua vida", declarou o presidente.

O Hospital Ronaldo Gazolla, em Acari (Zona Norte do Rio de Janeiro), foi destacado pela Secretaria Municipal de Saúde como referência para casos de internação por coronavírus. Segundo a secretaria, tinha, até esta quinta-feira, 56 pacientes internados com suspeita de coronavírus, dos quais 21 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A unidade dispõe de 128 leitos dedicados exclusivamente para internação de pacientes com a doença e está sendo ampliada para abrigar 381 leitos.

Questionado sobre a declaração de Bolsonaro em uma entrevista coletiva no Palácio do Planalto, o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) disse que o presidente foi "muito feliz" porque, segundo afirmou, está "constatando" que as medidas adotadas pelo governo estão segurando a "espiral de casos".

"O presidente está constatando uma coisa muito boa porque estamos conseguindo evitar que os hospitais estejam superlotados. A partir do momento em que não estão superlotados, é uma constatação muito positiva, muito boa. A gente espera que fique assim durante todo o período", acrescentou Mandetta.

‘Medinho‘

Antes de dar essa declaração sobre os hospitais, o presidente também classificou de "brincadeira" alguém dizer que tem medo de contrair o novo coronavírus.

"Tá com medinho de pegar vírus? Tá de brincadeira. O vírus é uma coisa que 60% vai ter ou 70%. Não vai fugir disso. A tentativa é de atrasar a infecção para hospitais poderem atender", afirmou Bolsonaro aos pastores.
De acordo com o Ministério da SaúdSe, até a tarde desta quinta-feira, o Brasil tinha registrado 299 mortes por coronavírus, além de 7.910 casos confirmados.

Nesta quinta-feira, o número de contaminados em todo o mundo ultrapassou 1 milhão, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos). O total de mortos pelo novo coronavírus, de acordo com o estudo, passa de 50 mil

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