Cada um vê a seu modo - Gonzaga Rodrigues)



 Você ganhou, Romero! Terá sido o primeiro disputante de um páreo que ganha com 5 (cinco) votos tendo 30 (trinta) contra. E não estou bem certo, aliás, se os 30 foram todos contra. Deve existir entre estes, ainda que poetas e escritores, uns líricos, outros muito racionais, quem conceba um voto por dentro e exerça outro por fora, ainda que esse “outro” seja, de ordinário, o que valha.

Deve haver, nesse meio, oh Germano, quem considere, pelo menos, o espírito de harmonia de sua crônica, do seu partido arquitetônico, desse seu apego à geometria da música (assim ouvida por Claudel, segundo um de seus versos) deve haver, sim, quem enxergue em tudo isso algum dom especial, em dado momento ofuscado pelo brilho de outras vitrines.

Sua crônica sempre lírica há de tanger, mesmo de leve, nas harpas ocultas dos que, vindos de outros plenários mais tentadores e robustos, buscaram a serena humildade de uma casa dedicada aos que viveram para a literatura, não a literatura como fábula, mas como uma condição de vida.

Com apenas 5 votos você levanta uma memória estética e espiritual que não trai a natureza da cidade de Coriolano, de Celso Mariz, do Juarez Batista dos “Caminhos, Sombras e Ladeiras”, e do seu próprio avô, Clodoaldo Gouveia, que soube harmonizar a “cidade sutil” do primeiro olhar poético, aquele do holandês Elias Erckman, a da mudança promovida por Guedes Pereira com o postal do Liceu, da Secretaria das Finanças, da Tabajara, sem falar no traçado livre, natural, de forte repercussão na paisagem urbana que nos deu nova lagoa de todos os tempos. Você ganhou, caríssimo Romero, reavivou no povo de suas origens, os migrantes do Juá, do Geraldo, do Canta Galo, do Capim Assu, das margens do Riachão, todos desatolando-se do massapê para as cadeiras que fizeram a glória da nossa terrinha, Alagoa Nova.

Você ganhou, e seu pai, agora em sua verdadeira imortalidade, sabe disto bem melhor que nós outros, pobres ingênuos diante do mistério infinito do olhar da Mona Lisa e, mais terra a terra, mais plural como foi rotulado o da maioria jubilosa dos nossos confrades e confreiras.




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