Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba - Antonio Barreto Neto



 Antônio Barreto Neto- Nos anos 1960, Barreto chegou a escrever diariamente, em uma época de especial efervescência na crítica cinematográfica paraibana.

A partir dos anos 1980, seus textos foram ficando cada vez mais esporádicos, mas escreveu até sua morte. E por estes anos todos, aquelas características citadas no início do texto que podem fazer da crítica uma arte ficaram marcadas na memória de seus leitores.

Vladimir Carvalho, um dos mais importantes documentaristas do Brasil e hoje morando em Brasília, colaborava com críticas de cinema no mesmo jornal quando Barreto começou a trabalhar e às vésperas de assumir o ofício.

“Ele era excepcionalmente dotado desse tipo de coisa. Era o melhor de todos”, afirma. “É aquele crítico que nasceu pronto. E fazia sem nenhuma pretensão, no batente do jornal”. Para ele, o lançamento do livro veio a calhar.

“É oportuníssimo”, comemora. “De certa forma, as novas gerações não conheceram o Barreto. Isso é preservar uma coisa que estava guardada na gaveta do tempo”.
Nas páginas de Cinema por Escrito, Barreto conversa com o leitor sobre alguns dos mais importantes filmes lançados no período que o livro abrange – e vários relançamentos.

Os anos 1960 estão lá com O Homem que Matou o Facínora, de John Ford, ou O Bebê de Rosemary, de Polanski. Os 1970, com O Poderoso Chefão, de Coppola, Guerra nas Estrelas, de George Lucas, A Noite Americana, de François Truffaut, Amarcord, de Fellini. E as reprises dão espaço a Janela Indiscreta, de Hitchcock, A Felicidade Não Se Compra, de Frank Capra, Rocco e Seus Irmãos, de Visconti, e Cidadão Kane, de Orson Welles, entre outros.

Livros imortalizando o trabalho de críticos históricos de vez em quando aparecem: alguns americanos, de Pauline Kael (1001 Noites no Cinema) e Roger Ebert (A Magia do Cinema e Grandes Filmes), chegaram a ter versões brasileiras; Ruy Castro organizou dois volumes com trabalhos de Antônio Moniz Vianna (Um Filme por Dia) e José Lino Grünewald (Um Filme É um Filme); e algumas edições já reúnem parte do trabalho de João Batista de Brito (Imagens Amadas é a mais importante delas). Barreto Neto agora entra para o rol, podendo ser apreciado por quem acha que um texto claro e preciso também é uma arte. E alguém não acha?

Cinema por Escrito – Crítica de Filmes em A União, uma reunião de seus textos sobre cinema escritos no diário entre 1964 e 1981. O lançamento é na Fundação Casa de José Américo.

O lançamento do livro Cinema por escrito - Crítica de filmes em A União. O título principal — Cinema por escrito— já é por si só um achado. A obra de Antônio Barreto Neto (1938-2000) reúne 65 textos críticos, contemplando todos os Grandes Mestres do Cinema e aparecidos neste jornal-universidade, A União, entre 1964 e 1980 — embora Barretim já escrevesse sobre Cinema desde 1960. Três textos adicionais dele complementam a antologia: um sobre Chaplin, de 1978; e dois, de 1981, sobre Gláuber Rocha. Pense num livro imperdível!

A obra foi lançada na noite da segunda-feira, 14 de junho, no totalmente lotado auditório principal da Fundação Casa de José Américo (FCJA).

Não será preciso, aqui, dizer muito sobre a excelência da produção crítico-cinematográfica de Barretim, porque já o fizeram pessoas com as qualificações de Gonzaga Rodrigues, Sílvio Osias, Humberto “1 Berto” de Almeida, William Costa, Linaldo Guedes, Guilherme Lima, Ricardo Oliveira, Renato Félix e até Carlos Meira Trigueiro, em seu movimentadíssimo blog CMTrigueiro, da UOL!

Já com cerca de 30 referências em portais e sites brasileiros (inclusive no TioSam.net), a tendência do livro, lançado para marcar a passagem dos 10 anos de falecimento do Autor.

 

Do livro de Camilo Macedo a ser lançado brevemente

 

 

 

Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba - Antônio Augusto Arroxelas Macedo



Antônio Augusto Arroxelas Macedo –-Nasceu em 6 de Fevereiro de 1939, em João Pessoa. Em 1960 ingressou no curso de odontologia e, ainda estudante, integrou o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi eleito Vereador da Capital em 1963. Foi preso, proibido de estudar e concluir o Curso de Direito.

Arroxelas sempre lutou contra as injustiças sociais, os abusos dos poderosos, sem que, no entanto, precisasse roubar bancos, sequestrar ou explodir bombas, matando inocentes.

Foi cassado devido à Resolução da CMJP nº 5, de 3 de Abril de 1964.
Participou da campanha pela Anistia, ajudou a construir, em 1980, a Frente Democrática e em 1982 conquistou novamente uma Cadeira na CMJP, sendo o vereador eleito mais votado daquele ano.

Arroxelas participou da campanha Diretas Já e foi um dos vereadores que mais contribuíram para a redemocratização do Brasil.

Na época do golpe militar de 1964, teve seu mandato de Vereador cassado pela mesa da Câmara Municipal de João Pessoa e não pelos Militares, como tem sido apregoado ao longo dos anos – tendo sido o ex-vereador Cabral Batista quem, na época presidente da Câmara, ampla e reconhecidamente favorável ao golpe militar, após reunir a mesa, tomara a decisão de cassá-lo.
Fato publicado pelo Jornal o Norte em 04 de Abril de 1964, 30 dias após o Golpe de Estado: com ele, foram cassados também José Gomes da Silva, conhecido como Zé Moscou, e Leonardo Leal.

De acordo com o jornal O Norte de 04 de abril de 1964, o presidente da Câmara, Muncipal de João Pessoa, verador Cabral Batista, após várias reuniões secretas, os vereadores resolveram por unanimidade cassar o mandato do vereador Antônio Augusto de Arroxelas Macêdo, em face do mesmo ter infringido o artigo 48 da Constituição Federal e o artigo 4º do Regimento interno da casa.”

Na solenidade em homenagem a Arroxelas na Câmara Municipal de João Pessoa, a mesma que cassou seu mandato, ele assim se expressou.

“Lutei por uma sociedade mais justa, pelas reformas de base e pela democracia. A lembrança e o esquecimento não são apenas atos da memória humana, mas também fruto das disputas políticas e pelo poder. A quem interessa a pagar da memória a sua própria história? Acredito que ao povo interessa a verdade, e o passado precisa ser superado, mas jamais esquecido”.

Tive a sorte, como suplente de Vereador da capital, assumir varias vezes, uma cadeira naquela casa legislativa e ser liderado pelo vereador Antônio Augusto Arroxelas. Arroxelas, faleceu no dia 25 de Outubro de 2018.

A imprensa da Paraíba, esqueceu de noticiar o fato, sendo este grande líder estudantil, usou toda a sua vida pelas causas sociais, deixando inclusive em assumir ou galgar altos escalões, pelo costume do toma lá dá cá. Em razão da sua coerência de vida politica e social. Apenas, Eu, Zé Euflávio e Cristiano Machado, postamos homenagem a este pequeno grande homem paraibano.

Livro de Camilo Macedo a ser lançado brevemente

 

Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba - Amazan–José Amazan Silva



 

Amazan–José Amazan Silva nasceu em Campina Grande em 05 de Outubro de 1963 e foi criado em Jardim do Seridó, interior do Rio Grande do Norte, onde desde criança já apreciava a Poesia e a boa música nordestina, começando a tocar uma velha sanfona emprestada de seu Primo.

O que parecia brincadeira de criança se tornou parte mais importante da vida profissional de Amazan.

Em Jardim do Seridó (RN) viveu até os 19 anos, quando voltou para Campina Grande.
Na Rainha da Borborema, por volta de 1984, conheceu o grupo de cultura nativa Tropeiros da Borborema e, a convite de Gerson Brito, seu Diretor, passou a ser “tocadô oficiá dos tropêro”.

Como membro dos Tropeiros, Amazan teve oportunidade de mostrar sua arte para vários Estados brasileiros e até para a Europa, sendo o grupo uma vitrine para o seu trabalho e para uma mudança profunda na sua visão do mundo.

O seu fascínio pela Música determinou definitivamente os caminhos pelos quais iria percorrer, e junto com dois outros integrantes formou Os Três do Forró, gravando seu primeiro compacto.

Algum tempo depois este grupo se desfez e um novo trio foi criado, o Festejo Nordestino, tendo mais um compacto gravado.

Era o início de uma definição profissional.

Em 1989, seguindo carreira solo Amazan grava o primeiro LP, Naturalmente, começando assim uma carreira de sucesso crescente.

A poesia chegou primeiro na vida de Amazan. Palavra de Nordestino e Nordeste em Carne e Osso foram suas primeiras empreitadas no mundo literário, mas já aos doze anos escrevia versos de cordel.

Empresário, fabrica seu próprio instrumento ao criar a fábrica de acordeons Leticce e comercializa o instrumento para os melhores artistas do Brasil.

Também é Ator, sendo garoto propaganda da rede de lojas Armazém Paraíba.
Foi o artista participante da campanha junina da Nova Schin, veiculada em todo o país, onde toca sanfona e narra contos engraçados.

Amazan é amante do Forró, enriquecido pelas raízes culturais que lhe deram suporte para buscar estabilidade e autenticidade, mas também pela responsabilidade de levar ao seu público a cultura enraizada nos pilares nordestinos, com amor e respeito ao gênero musical sem recorrer a apelos agressivos.

Nesse caminho, canta e conta paixões, o pensamento e a cultura de um povo, sendo a Música e a Poesia os veículos mágicos para transformar dificuldades, superar tristezas e exaltar a alegria do Canto e da Dança.

Amazan, é um dos representantes do forró no nordeste, destaque em todas as grandes festas na Paraíba e nos Estados vizinhos.

 

Livro de Camilo Macedo a ser lançado oportunamente

 

 

Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba - Amaury Vasconcelos



 Nasceu em Alagoa Grande (PB) em 5 de outubro de 1928 e faleceu em João Pessoa em 21 de Agosto de 2007.

Deixou a cidade de Areia (PB), onde residia, para fixar residência definitiva em Campina Grande (PB).

Sua colação de grau na Universidade de Alagoas, em Maceió, aconteceu em 1953.
O prefeito Plínio Lemos convidou o Bacharelando em Direito Amaury Araújo de Vasconcelos para seu Secretariado no Governo Municipal de Campina Grande.

No ano seguinte, 1954, disputava uma Cadeira na Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba pelo Partido Libertador, porém não se elegeu. Aliás, em seu livro Eu comigo – Memórias II, editado em 2002, relata a sua frustração com a Política.
Voltou a ser candidato a Deputado Estadual no pleito de 1966, doze anos depois, e mais uma vez não foi eleito.

Como Advogado, militante, havia se especializado em Direito da Família, adquirindo este aprendizado em duas importantes instituições de ensino da Europa: a Universidade Católica de Portugal e a Sorbonne, na França.

Herdou do pai o dom da oratória e da vocação para o ensino.

Ingressou no magistério como Professor da Faculdade de Ciências Econômicas de Campina Grande, pertencente na época a UFPB, onde também ocupou o cargo de Diretor e Professore da Universidade Estadual da Paraíba, tendo lecionado no Curso de Direito.

Também foi Procurador Geral, além de Chefe da Casa Civil no Governo Ernani Sátyro.
Como destacado homem das letras, com várias publicações, o Escritor, Poeta e Historiador Amaury Vasconcelos pertenceu à Academia Paraibana de Letras, onde ocupou a Cadeira 19, Patrono Irineu Pinto, tendo sido também Vice-presidente da entidade; foi membro da Academia de Letras de Campina Grande, ocupando a Cadeira 11, Patrono Elpídio de Almeida; membro do IHGP, Cadeira 42, Patrono Horácio de Almeida, e da Academia Paraibana de Poesia, Cadeira 38, Patrono Antonio Bemvindo de Vasconcelos.

No Instituo Histórico e Geográfico de Campina Grande assumiu também a presidência do órgão.

Fundou a Academia de Letras de Campina Grande em 9 de Abril de 1981.
Além dos cargos e títulos já mencionados, Amaury também foi Conselheiro da Seccional da OAB Paraíba por 20 anos, e Conselheiro da OAB Federal por 3 anos; Aluno e Orador Oficial da ADESG na Paraíba; Presidente do Lions Centro de Campina Grande; Governador do Lions Clube na região Nordeste; membro da Academia Brasileira dos Municípios; membro do Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica; membro da Academia Paraibana de Poesia; membro da Associação Brasileira de Escritores, onde recebeu o prêmio Escritor Paraibano de 1983; membro da Associação Paraibana de Imprensa; membro do Instituto Cultural do Oeste Potiguar, de Mossoró (RN), e Sócio Honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri Paraibano.
Recebeu diversos títulos, entre eles de Cidadania, recebidos em Areia, Guarabira e Campina Grande (PB).

Amaury Vasconcelos foi agraciado com a Medalha Argemiro de Figueiredo pela Associação dos Advogados de Campina Grande; com a Medalha Tiradentes pela Loja Maçônica Regeneração Campinense; com a Medalha de Ouro pelo Lions Internacional.
Também recebeu a Comenda José Maria dos Santos, outorgada pelo Instituto HIGP, e a Comenda Mérito Cultural, da Academia Paraibana de Letras. Do Exército Brasileiro recebeu o Diploma de Colaborador Emérito. Com mais de 30 publicações entre livros e plaquetas.

 

Do livro de Camilo Macedo a ser lançado oportunamente

 

 

 

Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba - Alvaro Carvalho



Álvaro Pereira de Carvalho –Nasceu em Mamanguape (PB) no dia 19 de fevereiro de 1885, Faleceu em João Pessoa no dia 5 de outubro de 1952.

Filho de Manuel Pereira de Carvalho e de Francisca Leopoldina de Carvalho, de família pobre, ainda criança transferiu-se com os pais para a cidade da Paraíba, atual João Pessoa. Enquanto aprendia as primeiras letras, ajudava o pai em seu ofício de barbeiro. Fez os estudos secundários no Liceu Paraibano.

Álvaro de Carvalho bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Recife em 1912, sendo contratado no ano seguinte para o corpo docente do Liceu Paraibano, onde passou a ensinar italiano e, posteriormente, francês e inglês.

Em 1916 tornou-se diretor da instituição e, ainda em julho desse ano, nomeado pelo presidente estadual Sólon de Lucena (1916), assumiu a Secretaria Geral do estado, à frente da qual permaneceu até outubro seguinte.

Ingressando na carreira jornalística, em 1903 tornou-se secretário do jornal O Comércio e colaborou em O Combate, órgãos oposicionistas que foram empastelados em julho de 1904, durante o governo de José Peregrino de Araújo (1900-1904).

Os diretores dos jornais responsabilizaram o chefe de polícia estadual Antônio Simeão dos Santos Leal pelo ocorrido, mas o inquérito aberto nada apurou de definitivo.
Ligado ao Partido Republicano Conservador, pertencia, juntamente com João Suaçuna, Celso Mariz e outros, ao grupo dos “jovens turcos”, ala da agremiação considerada rebelde.

Durante o governo de João Suaçuna (1924-1928), foi encarregado de estudar a reforma do ensino no estado, tendo para tanto visitado várias capitais da América do Sul. Convidado para o cargo de diretor-geral da Instrução Pública, não o aceitou.
Eleito deputado federal pela Paraíba em 1927, exerceu o mandato desse ano ao seguinte, quando se elegeu vice-presidente de seu estado na chapa encabeçada por João Pessoa.

Com o assassinato do presidente paraibano em julho de 1930, assumiu o governo do estado, exercendo-o até outubro seguinte, quando foi deposto pelo movimento revolucionário liderado em âmbito nacional por Getúlio Vargas.

Durante sua curta administração, o governo federal resolveu pôr termo à rebelião de Princesa, movimento rebelde liderado por José Pereira Lima deflagrado no município de Princesa, atual Princesa Isabel, em fevereiro de 1930, em oposição ao governo de João Pessoa.

Também em seu governo, em decorrência de grande pressão popular, a Assembleia Legislativa votou lei, que sancionou em 4 de setembro, estabelecendo a mudança de nome da capital do estado de Paraíba para João Pessoa. Entretanto foi destituído do cargo, acredita-se pela sua discordância do nome da capital em homenagem a João Pessoa,

Abandou então a política e dedicou-se ao magistério. Mudou-se para Santos (SP), onde morou durante sete anos, lecionando inglês em colégios particulares e advogando. No campo jornalístico, foi redator de O Combate e diretor de O Comércio.
Daí em diante viveu no ostracismo, viajando para a cidade de Santos/SP, onde se dedicou ao jornalismo e ao ensino, retornando anos depois para assumir sua cadeira no Lyceu Paraibano, onde se aposentou, com misero salário, foi dono de um único modesto imóvel em que morou até sua morte.

Foi também um dos fundadores da Academia Paraibana de Letras. Publicou Ensaios da crítica estética (1920), Revelações do eu (1920), Ensaios da crítica (1924), Nas vésperas da revolução (1932), Educação profissional (1946) e Augusto dos Anjos e outros ensaios (1946).

Conhecido como um dos poucos políticos incorruptível, jamais a historia haverá de contar o menor deslize por ele cometido, tanto em sua vida particular, como no executivo ou legislativo.

Álvaro de Carvalho, mestre, estudioso, publicou diversos livros, Além de vice presidente do estado, foi secretario, deputado federal, o seu caráter e retidão como cidadão e político, não serviram aos muitos que hoje fazem política.
Publicou Ensaios da crítica estética (1920), Revelações do eu (1920), Ensaios da crítica (1924), Nas vésperas da revolução (1932), Educação profissional (1946) e Augusto dos Anjos e outros ensaios (1946).

 

Livro de autoria de Camilo Macedo que será publicado brevemente

 

 

Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba - Altimar Pimentel



Altimar de Alencar Pimentel–Nasceu em 30 de Outubro de 1936, em Maceió, capital do Estado de Alagoas, e faleceu em 21 de Fevereiro de 2008.

Filho do comerciante Altino de Alencar Pimentel e Maria das Neves Batista Pimentel, aos nove anos, em 1945, perdeu o pai, sendo ele o primeiro de seis irmãos órfãos. Sua mãe, de origem paraibana, voltou para morar em João Pessoa.

Altimar foi casado com Cleide Rocha da Silva Pimentel – formada em Letras – de cuja união teve os seguintes filhos: Tatiana, Economista, Altino, Advogado, e Hilda, titulada em Letras e Informática.

Iniciou seus estudos primários ainda na capital alagoana, concluindo o Curso Ginasial e o Clássico no Lyceu Paraibano, antigo Colégio Estadual da Paraíba.

Em 1971 pela Universidade Federal da Paraíba concluiu o Curso de Licenciatura em Letras-Vernáculas e pelo Centro de Ensino Unificado de Brasília. Em 1975 ingressou no Magistério do 2° Grau, tornando-se Professor de Educação Artística no Lyceu Paraibano e na cidade de Cabedelo. Bacharelou-se em Comunicação Social (Jornalismo) em 1976.

Em 1977 ingressa no magistério superior lecionando as disciplinas Evolução do Teatro e da Dança e, em 1979, Introdução às Técnicas de Comunicação, na Universidade Federal da Paraíba.

Professor, Historiador, Escritor, intelectual, dedicado ao Teatro, Altimar fez curso de especialização em Direção Teatral na Federação das Escolas Isoladas do Rio de Janeiro e na Universidade Federal da Paraíba, em 1978.

Foi Diretor do Teatro Santa Rosa, Diretor do Departamento de Extensão Cultural do Estado, Coordenador do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular da UFPB e Diretor da Rádio Correio da Paraíba.

Participou de vários colegiados, entre eles o Conselho Estadual de Cultura, a Comissão Executiva do IV Centenário da Paraíba, o Conselho da Lei Viva a Cultura, na Paraíba, e foi Secretário do Conselho Consultivo de Alto Nível do Instituto Nacional do Livro, no Rio de Janeiro.

Como Teatrólogo, foi autor de inúmeras peças, muitas delas consagradas nacionalmente.

Presidente da Comissão Paraibana de Folclore, ele publicou 17 livros sobre temas folclóricos.

Dedicou-se, também, à história paraibana, com vários livros publicados, sendo o último denominado Cabedelo, alcançando grande receptividade nos meios culturais e educacionais.

No Teatro, entre as peças de sua autoria já encenadas na Paraíba, e em outros Estados, registramos 20 peças, entre elas Auto da Cobiça, Auto de Maria Mestra, Viva a Nau Catarineta, Lampião vai ao inferno buscar Maria Bonita e Coiteiros, com destaque especial para a peça Como nasce um cabra da peste, adaptação da obra homônima de Mário Souto Maior, a qual conquistou mais de 40 prêmios em festivais na Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, realizando vinte apresentações em Portugal e uma em Cabo Verde.

Possui dez peças inéditas.

Sendo essencialmente um homem de teatro, Altimar Pimental foi um dos mais notáveis folcloristas brasileiros do século XX, até o inicio do século XXI.

Pesquisador incansável, ele deixou marcas superlativas em tudo o que fez. É dele – porque a obteve praticamente sozinho – a maior coleta do conto popular realizada no Brasil, assim como a das rondas infantis, feitas em parceria com Cleide Pimentel, sua esposa.

Pesquisou e produziu obras fundamentais sobre Coco de Roda, Boi de Reis e a Ciranda.

Ultimava, com outros parceiros, a edição de um livro dedicado à coleta do romanceiro tradicional ibérico na Paraíba.

Era Membro da Academia de Letras do Brasil e Academia Paraibana de Poesia.
Presidente da Comissão Paraibana de Folclore, Altimar Pimentel publicou 17 livros sobre temas folclóricos, tendo se dedicando também à História Paraibana, com vários livros publicados sobre o tema, o último dos quais Cabedelo.

Bastante premiado por seus trabalhos, era natural seu ingresso como sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, o que ocorreu no dia 22 de Novembro de 2002, quando passou a ocupar a Cadeira n° 10, sucedendo o historiador José Pedro Nicodemos, sendo saudado pelo consócio Guilherme Gomes da Silveira d’Avila Lins.
Além das publicações em revistas e jornais, lançou dezenas de livros. Sobre Folclore, destacam-se O Coco Praieiro: uma Dança de Umbigada, pela Editora Universitária de João Pessoa, sendo a 1ª. Edição de 1966 e a 2ª. Edição de 1968; O Diabo e Outras Entidades Míticas no Conto Popular, pela Coordenada Editora, de Brasília, em 1969; O Mundo Mágico de João Redondo, editado pelo Serviço Nacional do Teatro, do Rio de Janeiro, em 1971; Saruâ, lendas de árvores e plantas do Brasil, pela Editora Cátedra do Rio de Janeiro, em 1977; Sol e Chuva: ritos e tradições, pela Thesaurus, de Brasília, em 1981; O Mundo Mágico de João Redondo, 2ª edição revista e ampliada, pelo Ministério da Cultura, no Rio de Janeiro, em 1988; Incantations, Thesaurus Publishing Co., de Miami, Flórida, em 1995; Contos Populares de Brasília, pela Editora Thesaurus, de Brasília; Estórias de Luzia Teresa, vol. I, pela Editora Thesaurus, de Brasília, em 1995, e o vol. II pela mesma editora em 2001; Barca, Bois de Reis e Coco de Roda, editado Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), em 2005.

 

Tal livro é de autoria de Camilo Macedo e deverá ser lançado brevemente

 

 

Nomes Que Fizeram E Fazem A História Da Paraíba - Alice Azevedo Monteiro



 

Alice Azevedo Monteiro – Foi Professora e Jornalista. Alice Azevedo, notável educadora. Destacou-se na sociedade paraibana Contribuiu com vários artigos e poesias na imprensa da capital, além de participar ativamente na Associação Paraybana Pelo Progresso Feminino no ano de 1933, onde possuía o cargo de secretária.

Seus artigos de cunho feministas foram publicados nos jornais A UNIÃO e A IMPRENSAe Era Nova,Revista do Ensino.

Foi sócia efetiva no conceituado Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, no dia 05 de junho de 1936. Em reconhecimento dos bons serviços prestados à educação da mocidade pessoense, a Prefeitura da cidade de João Pessoa deu seu nome a uma das ruas centrais da capital paraibana.

Sua contribuição à educação paraibana assinala-se principalmente por haver fundado o primeiro Jardim da Infância, a princípio no âmbito particular, em 1932. Em seguida colaborou na criação do primeiro Jardim de Infância oficial, sob a égide da Diretoria de Ensino Público da Paraíba, em 1934.

Como Escritora, destacou-se prioritariamente publicando artigos referentes à educação infantil e aos jardins de infância, grande parte coletada até o presente na Revista do Ensino.

Também publicou poesias e assinou comunicados da Sociedade Parahybana Pelo Progresso Feminino na condição de Secretária, sempre publicados na página Feminina, uma coluna semanal do jornal A União.

Além desse tipo de publicação, poderão ser encontrados escritos seus no Almanaque do Estado da Paraíba sob o titulo de Cidade dos Jardins.

Educadora e Escritora, se voltava também para as ações sociais, sempre mantendo a linha mestra que balizou suas atividades: a Educação e proteção à infância.
Alice Azevêdo Monteiro foi Presidente da Sociedade de Assistência aos Lázaros e Defesa contra a Lepra no Estado da Paraíba.

Na Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922, priorizou a luta pelo voto e o direito à Educação. Onde foi criada A Associação Paraibana Pelo Progresso Feminino (APPF), foi criada em 11 de março e instalada em 11 de abril de 1933 em João Pessoa, capital paraibana, seguindo a orientação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF - 1922), cujo objetivo maior era a luta pelos direitos da mulher brasileira, especificamente no que diz respeito ao direito de votar, estabelecendo como condição precípua para a emancipação feminina o acesso da mulher à educação. Assim como a FBPF, a APPF desenvolveu ações a fim ampliar o acesso da mulher paraibana à educação.

A diretoria era composta por mulheres de destaque na sociedade paraibana por suas atuações no sistema educacional, ao lado de outras mulheres gigantes de seu tempo, como Lylia Guedes, a Secretária Olivina Carneiro da Cunha, Albertina Correia Lima, Francisca de Ascenção, Cunha e Analice Caldas.

Essas mulheres discutiam e escreviam acerca dos direitos das mulheres: moda, novos hábitos urbanos, relação homem/mulher, política, Educação e Poesia, entre outros temas.

Não entendo o porquê da Historia não manter vivos nomes como a da professora Alice Azevedo. Confesso que, desde criança, eu passo diariamente na rua que leva seu nome e só hoje me delicio lendo sobre a vida dessa admirivel mulher paraibana naqueles anos.

O que muito se permitiu àquela mulher, com anuência do pai, foi apenas exercer o magistério, quando Alice já pensava e vislumbrava ser uma mulher livre.
É lamentável que saibamos tão pouco desta e de outras grandes mulheres paraibanas.
Foi sócia efetiva do IHGP, onde ingressou no dia 5 de Junho de 1936.
Além disso, em 1934 foi Vice-presidente da Paraíba, Sociedade de Professores Primários, em 1937 e, em 1939, presidente da Sociedade de Assistência aos Lázaros na Paraíba.Faleceu precocemente, no inicio da década de 1940.

 

Livro de Camilo Macedo a ser lançado oportunamente

 

 

Gente da minha terra - Adylla Rocha Rabello



Adylla Rocha Rabello - nasceu na cidade de João Pessoa em 5 de Dezembro de 1934.
Filha de Francisco Soares Rocha e Anna de Abreu Rocha. Casada com Humberto Lins Rabello, já falecido, são seus filhos Célida, Humberto Flávio, Roberto Cláudio, Gerardo e Celeida.

Seus primeiros estudos foram no Grupo Escolar Tomaz Mindelo, concluindo os cursos de 1º e 2º graus no Colégio Nossa Senhora das Neves.

Graduou-se em Letras (Licenciatura Plena) pela UFPB, por onde se habilitou em Português e Francês em 1982.

Fez Especialização em Língua e Literatura Francesas, concluindo em 1983, quando apresentou uma monografia intitulada À propôs d’um recueil de Paul Eluard.
Em 1989 concluiu seu Mestrado em Letras, abordando o tema Literatura Brasileira, aprovada com distinção e louvor.

Concluiu também os cursos de Língua Francesa, na Associação de Cultura Franco-Brasileira (1970); Língua Francesa (er. degré), pela Universidade de Nancy II, na França, realizado através da Aliança Francesa de João Pessoa (1972); CEPAL, correspondendo a 640 horas (1974); Língua Francesa (2 ème degré), através da Aliança Francesa de João Pessoa (1974); cursou até o 5º Estágio de Língua Inglesa na Cultura Inglesa de João Pessoa.

Entre suas atividades profissionais, exerceu as funções de Professora de Língua Francesa no Sistema Educacional IMPACTO Ltda., em João Pessoa, de Maio a Dezembro de 1980; Professora de Português da Secretaria de Educação e Cultura do Estado, lecionando na Escola Estadual de 1º grau Profª. Luzia Simões Bartolini, em 1981; Guia e Intérprete da Língua Francesa no Museu da Fundação Casa de José Américo, em João Pessoa, de 1982 a 1985, sendo depois Diretora do Museu no período de 1985 a 1986; Diretora de Programação Cultural da FCJA, de 1986 a 2001; Professora do Curso de Literatura Paraibana do Projeto Salas de Leitura e Interpretação de Textos da Fundação Casa de José Américo, de 1987 a 1988.
Exerceu, ainda, a função de Pesquisadora colocada à disposição do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da UFPB; Professora de Língua Francesa no Instituto Padre Malagrida - Juniorado Interprovincial dos Jesuítas do Brasil, em João Pessoa, de 1989 a 1992; Professora de Língua Francesa no Departamento de Línguas Estrangeiras Modernas - DLEM, na UFPB, a partir de 1992; Chefe de Gabinete do Presidente do Tribunal de Contas do Estado – Conselheiro Flávio Sátiro Fernandes, de 2001 a 2002.

Exerceu a Chefia de Gabinete do Conselheiro Flávio Sátiro Fernandes, desde 2003. Pertence ao Conselho Estadual de Cultura e é sócia efetiva da Academia Paraibana de Letras. Além de participar em vários congressos e simpósios como expositora, pronunciou inúmeras conferências e publicou vários artigos no Correio das Artes, suplemento literário do jornal A União, nos jornais da Capital e em revistas especializadas.

Seus principais livros publicados são: Dados Bibliográficos de Ivan Bichara, João Pessoa, Fundação Casa de José Américo (1995); Discurso de posse na Academia Paraibana de Letras, João Pessoa, APL (1996); Abelardo Jurema – De Prefeito de Itabaiana a Ministro da Justiça, João Pessoa, A União Editora (2000); O Verbo amar em três tempos, João Pessoa, A União Editora (2001).Ingressou no IHGP no dia 5 de Dezembro de 2003, tendo sido saudada pelo historiador Flávio Sátiro Fernandes.

 

Do livro ‘Nomes que fizeram e fazem história na Paraíba‘de Camilo Macedo

 

 

Gente da minha terra - Antonio Anta Diniz



 Antonio Anta Diniz - Filho de Quirino Antas Diniz e Micolina Maria Antas, nasceu no sítio Serrinha, Manaíra, em 28/01/1905 - Ainda criança perdeu o pai e, juntamente com três irmãos pequenos, ficou aos cuidados da mãe. Esta, precisou casar novamente para poder sustentá-los.

Com muito esforço e, às escondidas, a mãe conseguiu fazê-lo estudar durante três meses. Foi todo o estudo que teve na vida. Daí aprendeu a escrever, a ler e a fazer as quatro operações matemáticas, que lhe serviram para toda a vida. O padrasto obrigava-os a trabalhar como escravos e, sem suportar os maltratos sofridos, Antônio foi morar sozinho no meio do mato, como índio, vivendo da caça, de frutos do mato e de alguma farinha que, raramente, a mãe conseguia fazer chegar até ele.

Tempos depois consegui plantar uma roça e, do fruto dela, colocou um pequeno comércio. O comércio prosperou e, ainda na adolescência, já conseguiu ajudar a mãe e os irmãos que viviam na penúria.

Começou como vendedor ambulante e foi desenvolvendo o comércio até constituir uma pequena rede de lojas nas localidades de Nova Olinda, Misericórdia e Alagoa Nova. Negociava com tecidos, itens de difícil aquisição no mercado regional como chapéus, máquinas de costura, rádios e também gêneros alimentícios.

Posteriormente, além da agricultura, criação de gado, destacou-se na comercialização de algodão, mamona e cereais. Trouxe para Manaíra o primeiro rádio, que servia para informar à população sobre as notícias do Estado, do País e do mundo.

Símbolo de seriedade, humildade e honestidade, ainda hoje é lembrado por quem o conheceu, como modelo de homem, de pai de família, de comerciante e de político.
Na área política tornou-se o representante de Manaíra, que era uma Vila, distrito vinculado à Princesa Isabel. Foi vereador em dois mandatos e presidente da Câmara, em Princesa. Fez as primeiras obras públicas da localidade, como a “passagem molhada” e arrimo de pedras conhecidos como “Barrocão”; construiu o cemitério que ainda hoje serve Manaíra; estradas e manutenção da Lagoa. Doou o prédio para colocação do primeiro motor a diesel, que gerava energia e iluminava a rua principal no início da noite.

Como presidente da Câmara Municipal de Princesa Isabel, sua principal conquista foi conseguir a aprovação da emancipação política de Manaíra, causa abraçada por muitos manairenses.

Princesa Isabel, várias décadas atrás, muito dependia da economia de Manaíra, principalmente pela produção de algodão, cereais e de gado. Os políticos de Princesa não queriam a emancipação de Manaíra, pois seria prejudicial a eles e à sua Cidade. Após muitas críticas e perseguições, Antônio Antas, em um grande ato de coragem, declarou aos líderes do seu partido: “Nada quero para mim, quero o melhor para o meu povo. Vocês escolham: fazemos a emancipação de Manaíra ou romperemos com o Partido”.

As famílias Diniz e Maia mantinham o controle político de Princesa e não queriam perder os votos de Manaíra, representados por Antônio Antas (UDN) e até os da oposição, representados por Félix da Silva Cabral. Aceitaram, constrangidos, apoiar a emancipação. Foi uma grande vitória para os manairenses.

Em 1959, o vereador Antônio Antas Diniz, o deputado Nominando Diniz e seus assessores elaboraram o Projeto de Lei que foi protocolado com o nº 312/59, na Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba. Formalmente apresentado e defendido por aquele deputado, a Assembleia aprovou integralmente o Projeto, transformando-o no Decreto Legislativo nº 499, de 15 dezembro de 1961.

Segundo o Jornal A UNIÃO (publicação de 23/12/1961), estavam presentes, em João Pessoa, na solenidade da emancipação de Manaíra, além do governador, deputados, líderes políticos paraibanos, os manairenses Antônio Antas Diniz - Presidente da Câmara de Vereadores de Princesa Isabel -, Francisco Antas Cordeiro e Luis de Sousa Primo. De Princesa Isabel, estavam presentes o prefeito Antônio Maia, Nominando Muniz Diniz e o deputado Antônio Nominando Diniz, entre outros.
Algumas das palavras proferidas naquela solenidade, referentes à Manaíra e a Juru, que também estava se emancipando:

Nominando Diniz: “A massa camponesa retoma novos horizontes nesta alvorada, em sua luta contra o esquecimento e a fome”.

O governador Pedro Gondim advertiu aos novos municípios sobre a imensa responsabilidade que lhes pesa, afirmando que as comunas agora criadas já estavam amadurecidas em sua condição social e política.

Para administrar Manaíra, como primeiro prefeito, foi oferecido o cargo a Antônio Antas, que não aceitou a nomeação por parte do governador. Entretanto, ele escolheu o sobrinho Adalberto Pereira Barbosa (Betinho), que teve a concordância do governo e foi nomeado. Formalmente a Câmara de Princesa ofereceu cinco nomes, mas prevaleceu a indicação de Antônio Antas.

O líder manairense gostava de política, pois era uma forma de beneficiar o povo, mas não gostava de cargos ou títulos políticos. Quiseram que ele se candidatasse para o próximo mandato ao Executivo Municipal e ele recusou-se. Após muita insistência, Nominando Muniz Diniz e alguns políticos de Princesa e Manaíra conseguiram arrancar dele uma promessa. Fariam um sorteio entre 10 pessoas e, aquele que fosse sorteado, seria o candidato.

Nominando usou o artifício de preencher as 10 fichas, todas com o nome de Antônio Antas. Feito o sorteio, o resultado não poderia ser diferente, saiu o nome dele. Entristecido, pois não queria candidatar-se, declarou que, mesmo assim, honraria a palavra dada. Somente tempos depois é que ficou sabendo a verdade e já não podia mais voltar atrás.

A campanha eleitoral transcorreu com as irregularidades habituais de muitos políticos, práticas que Antônio Antas não quis utilizar-se. Foram dificultadores de sua campanha: Uso da compra de votos, pela oposição. “Cabos eleitorais” que recebiam dinheiro dos dois lados. Promessa de ajuda financeira feita por Nominando, que nunca cumpriu. Substituição das cédulas de votação no próprio dia da eleição, através do método que era conhecido na época como “voto de rosário”.

O “voto de rosário” ocorre da seguinte maneira: um eleitor da oposição recebe sua célula para votar, deixa-a em branco e não a coloca na urna. Saindo com ela, entrega ao candidato, que está à porta, e recebe um pagamento por isso. O candidato marca o seu próprio nome na cédula e entrega ao próximo eleitor, orientando-o a colocá-la na urna e trazer a nova cédula em branco, momento em que recebe um pagamento pelo “trabalho”. Esse processo ocorreu durante todo o dia. Ainda vivem em Manaíra e outras localidades, várias testemunhas dessa ocorrência.

No final do dia as urnas foram recolhidas em um depósito, para viajar no dia seguinte, quando haveria a apuração. Um afilhado de Antônio Antas chegou para ele e disse: “Meu padrinho, trocaram muitos votos do senhor e compraram as cédulas de votação que foram adulteradas para beneficiar o outro candidato. Estou com a chave do depósito das urnas, tenho as cédulas de votação e, como presidente da mesa, posso assiná-las. Vamos lá, fazer a troca dos votos do outro candidato pelos seus, como ele fez hoje durante o dia”.

Antônio Antas disse: “Prefiro perder a eleição a me servir de uma atitude desonesta”. Essa postura o fez perder o pleito por 63 votos. Endividado, vendeu duas fazendas que tinha, pagou todos os seus débitos e, a partir daí, dedicou-se às suas atividades comerciais e à educação de seus filhos. Perdeu uma eleição que não queria ter entrado, mas ganhou a admiração da família que, com orgulho, hoje pode dizer que teve em seu seio, um dos poucos políticos honrados e honestos do País.

Faleceu em 21 de junho de 1986, em João Dourado, na Bahia, onde foi homenageado com o nome de uma das principais ruas da Cidade.

Em Manaíra, dedicaram seu nome à praça que fica ao lado da Lagoa, à uma rua localizada à margem direita de quem vai ao Constantino. A praça que está entre as escolas Antônia Diniz Maia e Professor Cícero Rabelo, ostenta uma grande placa alusiva aos 50 anos da emancipação política da cidade, contendo seu nome como articulador do movimento que permitiu aquela conquista. A Fundação Antônio Antas Diniz quer ser também uma entidade que visa resgatar sua memória e preservá-la na história dos manairenses.

Do livro: ‘Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba‘. de Camilo Macedo a ser lançado em Agosto.

 

Sady Castor e Ágaba um caso de amor e morte na Paraíba VIII



 Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

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Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

“Como ambos eram equidistantes das facções políticas. (IDEM, p. 61). Destaque para os casos da propriedade de João Pereira”, em Mamanguape, em 1921, e o atentado a vida do padre Aristides, que era deputado em Piancó, vitima de elementos que queriam tomar sua chefia política. Além do Caso Sady e Ágaba, teve outro caso polêmico 130 envolvendo políticos influentes do sertão, em 1926 (IDEM, 2002, p. 61). Em 1928, durante a campanha da Caravana democrática, João da Mata, então como presidente de honra do Grêmio Cívico 24 de Março, representou os estudantes na saudação dos lideres democráticos que visitavam a Parahyba (IDEM, p.53). Segundo Lima, sua aproximação dos caravaneiros apertou os laços das ideias, que já os uniam e juntamente com “Drs. José Pessoa de Brito, Aderbal Piragibe e muitos outros, na capital e circunvizinhança, (...), fundaram, em pouco tempo, a pujante agremiação que foi o Partido Democrático na Paraíba” (1951, p. 54). Em 18 de setembro, é leito para a diretoria provisória do P. D, tendo como presidente o Dr. Otacílio de Albuquerque e vice-dito, o próprio João da Mata. (IDEM, p.54). Em quatro meses de fundação, o Partido Democrático firmou-se de tal maneira que em 31 de dezembro de 1928, conseguiu eleger três vereadores da Câmara Municipal (João da Mata, José Maciel e Aderbal Piragibe), disputando os lugares com uma organização oposicionista, radicada, há anos no Estado, sem mesmo o apoio de um órgão de imprensa próprio, fazendo a apresentação dos candidatos ao eleitorado, por meio de boletins e comícios (IDEM. p.55). Segundo Lima, sua vitória causou sensação até em outras unidades federativas e o jornal O Combate, de Recife (IDEM. p.55). Daí em diante, iniciou uma carreira “meteórica” na política parahybana, interrompida tragicamente em 18 de outubro 1929, num acidente de carro, quando ia para o Recife. Em 1932, os alunos do Lyceu fundariam um Grêmio homenageando seu nome. Sua morte ainda é cercada de mistério, quando voltava de carro do Recife. Seu carro, aparentemente, foi jogado de forma violenta à margem da estrada que ligava as duas capitais, num trecho largo e pouco movimentado (LIMA, 1951, p. 67). Já o bacharel João Duarte Dantas, era filho do Dr. Franklin Dantas, de uma prestigiada família de Teixeira, interior da Paraíba, que teve seu auge político se deu no tempo da Monarquia e no início da República, até perder importância ao longo da segunda década do século XX, principalmente depois do conflito entre os Dantas de Teixeira, e a política de Epitácio, surgido em 1911 e 1912. Nascido em Mamanguape (PB), em 12 de julho de 1888, ficou com os pais até os 16 anos, quando se mudou para a Capital a fim de continuar seus estudos no Lyceu Parahybano. Concluiu o curso de Humanidades em 1907, ingressando logo em seguida na Faculdade do Direito de Recife (MELO, 2002, p.25) Ainda como acadêmico, “na pequena revolução do coronel Rego Barros – chefiada no sertão pelos Drs. Franklin Dantas e Augusto Santa Cruz – foi ele o comandante da coluna que, 131 por alguns dias, ocupou a cidade de Patos em 1912”. Depois desse episódio, João Duarte Dantas se voltou para os estudos, obtendo o diploma de bacharel em março de 1914, aos 25 anos. Nos seis anos seguintes, se dedicou à advocacia no fórum de Monteiro e depois em Mamanguape até 1920, quando voltou para a capital do Estado. (IDEM p. 26). Em pouco tempo, firmou-se como um dos mais competentes advogados do fórum parahybano, trabalhando para a Agência do Banco do Brasil. Junto com João da Mata, trabalhavam no mesmo escritório, instalado no andar térreo do prédio onde funcionava o Correio da Manha, na rua Duque de Caxias. (IDEM, p. 55). Segundo Melo, João Dantas tinha um espírito crítico muito aguçado, “sabendo levar ao ridículo figuras inexpressivas, sem valor intrínseco, que se queriam dar ares de sumidades” (IDEM, p. 57). A seção humorístico de O Jornal – Risos e frisos – estava a seu cargo “e era lida com avidez pela propriedade e graça com que rebuscava, com acerto, o lado risível dos homens públicos de seu tempo (IDEM, p.57). Nunca exerceu função política, muito embora sempre estivesse envolvido nas rixas de sua família com o governo epitacista. Quando do rompimento do ajuste entre o padre Walfredo Leal e o Sr. Epitácio Pessoa, no famoso ano de 1915 (como veremos

mais na frente), João Dantas ficou contra o último, contrário, por princípios, a sua política “saturninina e familiar”, ficando ao lado da política que lhe era adversa. A sua atuação nesse conflito foi moderada e sem incidentes. (IDEM p.58). Na sucessão de Solon de Lucena, porém, cujo candidato epitacista era o Dr. João Suassuna, pai do escritor Ariano Suassuna, João Dantas e João da Mata se juntaram ao sobrinho do Sr. Epitácio Pessoa, o Dr. Joaquim Pessoa Cavalcante de Albuquerque para a fundação de um partido de oposição ao situacionismo paraibano, cujo apoio seria dado por O jornal, criado exclusivamente para fazer sua campanha política. Segundo Melo (2002, p.58), a ideia era lançar como candidato, o Dr. Ivo Soares, médico do então presidente Artur Bernardes, com reais possibilidades de vitória, em oposição ao candidato indicado por Solon de Lucena. Segundo esse autor, “os entendimentos se processavam na Capital paraibana, entre João Dantas e João da Mata, de um lado, e o srs. Joaquim pessoa e Heráclito Cavalcante, do outro”. Estes dois últimos não concordavam com o lançamento da candidatura de Ivo Soares, a presidência do Estado, na esperança, cada qual de ser o candidato do Catete, sem se aperceberem que o apoio do Presidente da República era para seu médico. (IDEM, p.59). 132 Como veremos no próximo capítulo, do lado situacionismo, a homologação da candidatura do Dr. João Suassuna, gerou outros atritos internos. Acontece que a escolha do sucesso não agradou antigos aliados de Epitácio, que reclamaram ao presidente da República. O Presidente, então, estrategicamente, silenciou. A priore Artur Bernardes não gostou da indicação, ameaçando indiretamente com uma possível “degola” que estaria a caminho se o nome de Suassuna constasse na cédula. A situação foi contornada pelo talento de Epitácio para diplomacia, auxiliado por uma crise nacional, a revolução paulista de 05 de julho, que ocupou as atenções no Catete (LEWIN, 1987, p311). Assim, chegava ao fim uma campanha bem conduzida que falhou pela “ambiciosa atuação de dois insignificantes grandes-homens, e que tinha por finalidade por abaixo a política saturnina e familiar do Sr. Epitácio Pessoa” (MELO 2002, p.59). Na verdade, o que eu vou tentar explicar nos capítulos seguintes vai muito mais no sentido de procurar investigar as origens das “animosidades” políticas à época do crime e sua relação com estudantes do Grêmio 24 de Março, diante da crescente politização do assassinato de Sady Castor. Assim, cabe tentar responder a outras duas importantes questões desta pesquisa: quais os ressignificados (políticos) produzidos pelo caso Sady e Ágaba? E, como a morte de Sady Castor foi resgnificada, tanto pelos estudantes como pela oposição, no sentido de justificar a resistência imposta pelos alunos do Grêmio Cívico 24 de Março, representando a “mocidade estudantina” do Lyceu Parahybano. A resposta talvez possa ser encontrada ampliando um pouco mais a lente do microscópio social, ao anos de 1922 a 1923, num contexto de forte insatisfação política e cultural.

O HABEAS CORPUS E O FECHAMENTO DO LYCEU Após as manifestações promovidas pelos estudantes no domingo (24 de setembro de 1923), o Governo decidiu fechar o Lyceu Parahybano e a Escola Normal, pois rondava o boato de que os estudantes do Grêmio 24 de Março planejavam realizar atos público contra monsenhor João Batista Milanez. Por conta disso, e a fim de evitar novas manifestações que pudessem "perturbar a ordem pública", o policiamento foi reforçado e um boletim foi publicado no Correio da Manhã do dia 25 (terça-feira), advertindo das ações policiais em caso de novas manifestações. As ordens eram para que as "justas demonstrações" não saíssem da "orbita da lei", não quebrando a ordem pública que, "a bem dos nossos foros de gente culta", deve ser mantida acima de tudo.209 Vale resaltar que, para os homens da República, a “ordem pública” estava associada à situação do estado de legalidade normal, em que as autoridades exercem suas precípuas atribuições e os cidadãos as respeitam e acatam. O caráter nada revolucionário do movimento republicano brasileiro já era visível no Manifesto Republicano de 1870: seus signatários apresentavam-se

"como homens livres e essencialmente subordinados aos interesses da pátria", que não pretendiam convulsionar a sociedade, muito menos romper com a estrutura vigente. No Decreto nº1, de 15/11/1889, os membros do recém-criado Governo Provisório afirmam repetidas vezes a "defesa da ordem pública" como objetivo maior (FAUSTO, 2013). Como mostrei anteriormente, na primeira República, uma das principais preocupações dos governantes estava direcionada à transformação urbanística da Capital. As chagas da sociedade escravista deviam ser cobertas pelas luzes da Belle Époque (1899-1922). Esse projeto civilizador, inspirado no modelo parisiense, influenciava a todos e impingia um estilo afrancesado de ser como um ideal a ser buscado; no entanto, a missão civilizadora não se restringia ao embelezamento do espaço público e à adoção de políticas sanitárias. Ela também implicou a necessidade de modernização dos aparelhos de justiça (MENEZES, 2003, p. 32). Com a República, os ventos políticos sopraram na direção da criação de um arcabouço jurídico que fosse condizente com as demandas da Federação. De imediato, o código penal republicano, de 1890, tratou de instituir tipos penais que permitissem o controle e a ordenação das classes perigosas pelos governantes. Fazer cumprir a lei, punindo os cidadãos por crimes e 209 Fonte: Arquivo Humberto Nóbrega Jornal Correio da manhã, 25 de setembro de 1923. Imagens Anexas 94 e 95. Referencia PTDC0042PTDC0044. 170 contravenções (a entrada do ‘duplo ilícito’, ou seja, do crime e da contravenção no código penal de 1890, pode ser vista como a contrapartida da elite republicana à liberdade adquirida pelos escravos no período imediatamente anterior” (SANTOS, 2009, p. 105), estava no cerne dos debates proferidos pelas autoridades locais. Assim, aperfeiçoar e tornar efetiva a justiça oficial – como monopólio do Estado – foi umas das preocupações do primeiro período republicano; contudo, no processo de formação do Estado moderno brasileiro, a ruptura do modelo jurídico centralizador e autoritário do século XIX, foi difícil, em razão da herança de uma sociedade elitista, conservadora e patrimonialista. Na transição do Império para a República, as práticas políticas, sociais e culturais constituídas ao logo do Império mantiveran-se atuantes, como um mescla de permanência e ruptura, muito embora, paralelamente, se operava importantes mudanças, indicando que a modernização se impunha de forma irreversível. Com a República, a responsabilidade do Poder Judiciário foi deslocada da esfera do Ministério da Justiça para o âmbito dos estados que passaram a contar com legislação própria (FAUSTO, 2013). Nesse contexto, pouco conhecido e aqui indicado sumariamente, diz respeito ao debate jurídico que acompanhou os desdobramentos do caso Sady e Ágaba. As duas escolas amanheceram o dia da segunda feira fechada (24 de setembro), muito embora não haja, até o presente momento, nenhum sinal que indique que o fechamento das escolas foi em sinal de “luto” ao estudante assassinado ou simples medida de segurança, em virtude dos últimos acontecimentos. O certo é que as autoridades públicas manifestaram o temor de uma nova manifestação que pretendia “ofender” a honra do monsenhor João Batista Milanez, este ainda bastante abalado, e que, talvez por isso, acabou sendo o principal motivo do não funcionamento das aulas, no dia 24 de setembro. Por outro lado, o reforço policial que a priori deferia garantir a “ordem pública”, passou a literalmente impedir qualquer aglomeração de estudantes nas proximidades da Praça Comendador Felizardo Leite, obrigando os estudantes do Grêmio a reagir contra aquela situação. Segundo A União210, a cidade havia passado a segunda-feira em inteira calma, parecia que tudo estava para voltar ao normal. Se tudo ocorresse bem naquele dia (terça – feira 25 de setembro) como no anterior, ambas as escolas reabririam no dia seguinte (26 - quarta-feira). Mais não foi bem isso que aconteceu, apesar de não ter havido mais nenhum conflito entre as forças de segurança do Estado, os estudantes do Grêmio 24 de Março se viram seus direitos constitucionais violados, pois além de serem oficialmente impedidos de estudar, eram 210 Fonte: Jornal A União, Ano XXXX Parahyba - terça-feira 25 de setembro de

1923, num. 200. 171 coagidos pela policia, impedidos de se reunir nos arredores da praça; no entanto, um detalhe intrigou os articulistas d’ A União. Alguns estudantes haviam passado a tarde do dia 24 (segunda-feira) em reunião no escritório do advogado João da Mata, onde também trabalhava seu sócio João Duarte Dantas. Nesse momento, entra em cena o bacharel João da Mata, impetrando uma ordem de habeas corpus em favor do “estudante do Lyceu parahybano”. Vejam que, àquela altura, no fervor das emoções, o Grêmio 24 de Março já falava em nome do Lyceu e, posteriormente, de toda “classe estudantina” parahybana. No mesmo dia, já no finzinho da tarde, (segunda-feira dia 24), os estudante do Grêmio 24 de Março, representados pelos advogados João da Mata e Miguel Santa Cruz, impetram no Supremo Tribunal de Justiça do Estado da Parahyba do Norte uma petição de habeas corpus, com o fim de que "estes - os estudantes - pudessem transitar em frente ao edifício da Escola Normal livremente", como relata o Correio da Manhã de 26 de setembro de 1923 – repetindo a noticia d’ A União de 26 de setembro. 211 "[...] Ontem o Superior Tribunal de Justiça do Estado tomou conhecimento de uma ordem de habeas- corpus impetrada a favor dos estudantes do Lyceu Parahybano, pelo brilhante e jovem causídico conterrâneo, dr. João da Mata Correia Lima.

Sobre isso, João da Mata argumenta que a proibição também não se sustentava com uma possível "inconveniência" ao estabelecimento de ensino que ficava em frente ao local "defeso". Para ele, "amoralidade” e a ordem, nunca havia sido ofendida pelos pacientes (pelos alunos que impetraram a respectiva ordem de habeas corpus), “a respeito do que, alias, nunca foi articulado um fato concreto” (quer dizer, não havia como provar que os alunos do Lyceu fizeram alguma perturbação contra a honra das alunas da Escolar Normal), não precisando, para a sua manutenção, "sacrificar" o trânsito de uma via pública ou coagir a "mocidade escolar" da Parahyba ou lhe "interdite" a "fruição" de um "logradouro". Para ele, medidas de "economia interna" (disciplinares), deviam ser tomadas "intramuros", ou seja, pelas autoridades responsáveis das respectivas instituições escolas, não cabendo esse poder capaz de impedir um direito consagrado na própria lei basilar da organização dos poderes políticos no Brasil e definidora da liberdade dos cidadãos brasileiros, o direito de locomoção no espaço público. 220 João da Matta continua sua defesa, afirmando que desde a fundação daquele instituto, elas (as alunas) se mantiveram "íntegras" sem que fosse necessária até aquela data recorrer aos processos de violência contra pessoas alheias á jurisdição administrativa dos respectivos 219 Fonte: Arquivo do Fórum civil. Petição de habeas-corpus preventiva da Comarca da Capital, em favor do acusado Antônio Carlos de Menezes. 27 de novembro de 1925, p.4. 220 Fonte: Arquivo do Fórum civil. Petição de habeas-corpus preventiva da Comarca da Capital, em favor do acusado Antônio Carlos de Menezes. 27 de novembro de 1925, p.4. 177 responsáveis. No seu entendimento, não cabia à policia "cercear" o direito de locomoção ou a liberdade de uma coletividade constituída pelos "elementos das mais salientes famílias" do Estado, "moços de educação a mais exemplar". Sendo assim, o "egrégio tribunal" estava, pois, em face de um caso claro de coação, sem apoio da lei. 221 O procurador do Estado replicou, sustentando a sua anterior ponderação, discorrendo longamente sobre a função do habeas corpus. Segundo A Imprensa222, o procurador admitia a evolução desse instituto, de seu conceito "clássico" para a amplitude "constitucional". Opinou também que, em tese, a aplicação desse remédio não faria nenhum mal; no entanto, era preciso saber administrar, como ensinava Pedro Lessa, “o nosso mais liberal interprete da instituição”, não confundindo com outros processos judiciais e, sobretudo, não embaraçar por esse meio a "legitima ação repressora". Segundo A União, a providência tomada pela policia colocando um posto de guarda em frente à Escola Normal não impedia propriamente o trânsito, por ali, dos

estudantes. Apenas visava evitar por parte de alguns “menos prudentes" qualquer excesso de amabilidade às educandas, o que foi objeto e reclamação de mais de um pai de família, “e que de sábado para cá necessária parecera a policia uma proibição mais forte quanto a ajuntamentos naquele local”, pois ao certo se sabia que os moços do Lyceu Parahybano, “inexplicavelmente” indignados com monsenhor Milanez, "digníssimo" diretor da Escola Normal, pretendiam fazer-lhe manifestações licenciosas de desagrado.223 Depois de outras muitas considerações, o procurador geral disse que os estudantes queriam o habeas corpus para que pudessem prosseguir nas suas ostensivas hostilidades ao diretor da Escola Normal. Que esse pedido visava a um ajuntamento ilícito defronte daquele estabelecimento de educação, para assuadas e outras formas de desacato àquela autoridade de ensino. Segundo ele, "ninguém poderia duvidar desse propósito, em face dos precedentes da véspera e da atitude que ainda mantinham os impetrantes", acrescentando que, "a salvaguarda da liberdade individual está subordinada ao interesse geral da ordem publica e ao principio da autoridade".224 Por fim, voltou-se para rapazes que apinhavam o recinto do Tribunal, dizendo que

O resultado da seção acabou dando despacho favorável à petição de habeas corpus dos estudantes, tendo voltado a favor, sem restrições, os desembargadores Botto de Menezes, Heráclito Cavalcante, Ferreira de Novais e Pero Bandeira e, com restrições, o desembargador Vasco de Toledo. Vitoriosos, os estudantes "prorromperam" em estrondosos aplausos, aplaudindo o Dr. João da Matta e os membros do Tribunal de Justiça. Na saída, João da Mata ainda foi visto aconselhando os estudantes sobre quaisquer perturbações à ordem. Ainda em clima de vitória, no mesmo dia, a noite, os estudantes promoveram manifestação de apreço aos desembargadores que votaram sem restrição pela concessão dos habeas corpus, interpretando os sentimentos dos seus colegas o moço Luiz Gonzaga Nóbrega, um dos alunos cujo nome constava na petição vitoriosa. Neste mesmo dia, o Governo decidiu emitir um decreto (n. 1206 de 25 de setembro de 1923), fechando temporariamente o "Lyceu Parahybano". Eis o que dizia a nota230, (...) Sólon Barbosa de Lucena, presidente do Estado da Parahyba do Norte, considerando de franca hostilidade ás autoridades constituídas do Estado, a atitude assumida, ultimamente – grifo meu -, pelos alunos do Lyceu Parahybano após o triste ocorrido em à tarde do dia 22 do ano vigente e do qual resultou na morte lamentável do desventurado estudante Sady Castor, e considerando que o funcionamento daquele para proporcionar aos respectivos alunos motivo de reunião para levarem por diante a perturbação a ordem pública, usando da atribuição que lhe outorga o art.36, §1, da Constituição do Estado. Decreta: Art. Único – Fica, desde já, fechado, por tempo indeterminado, até anterior deliberação do governo, o Lyceu Parahybano, revogando as disposições em contrário. O Secretario de Estado faça publicar o presente decreto, explicando as ordens e comunicações necessárias. Palácio do governo do Estado da Parahyba do Norte, em 25 de setembro de 1923, - 35, da Proclamação da Republica.

FIM

 

 

Sady Castor e Ágaba, um caso de amor e morte na Paraíba VII



 Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

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Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

Entre 1877 e 1895, atuou como juiz municipal e juiz de Direito (havia a distinção). Foi juiz federal de 1899 a 1915. Faleceu no Rio de Janeiro a 17 de fevereiro de 1939, deixando vasta descendência. Fonte: http://memorialvirtual.tjpb.jus.br/textos/personagens/personagens-venancio-neiva/ 61 Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa nasceu em Umbuzeiro (PB), em 1865. Aos sete anos de idade perdeu os pais, tendo sua criação ficado aos cuidados de seu tio Henrique Pereira de Lucena, o barão de Lucena, presidente da província de Pernambuco no Império e ministro da Fazenda do governo republicano de Deodoro da Fonseca.Advogado, bacharelou-se pela Faculdade de Direito de Recife em 1886. Participou da elaboração da Constituição de 1891 como deputado eleito por seu estado natal. Em 1894, já no governo de Floriano Peixoto, teve a sua reeleição à Câmara impugnada devido à sua oposição ao governo federal. Em 1898, assumiu o Ministério da Justiça do governo Campos Sales, permanecendo no cargo até 1901. No ano seguinte, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), posto que exerceu até 1912, quando se aposentou por conselho médico. Mesmo assim, nesse mesmo ano, elegeu-se senador pela Paraíba. No Senado teve atuação destacada, ao mesmo tempo que consolidava a sua liderança sobre a política paraibana. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, chefiou a delegação brasileira na Conferência de Paz realizada em Versalhes, na França. Desempenhava essa função quando, em janeiro de 1919, morreu Rodrigues Alves, presidente da República recém-eleito e que não havia ainda tomado posse. O vice- 69 novembro de 1889 a 27 de novembro de 1891. Estes tiveram vida curta. Quando o Governo do Marechal Deodoro da Fonseca62 foi derrubado por Floriano Peixoto63, também é dissolvida a primeira junta governativa estadual (Neiva - Pessoa), e em seu lugar é endossada uma nova, cujo grupo político daria origem à oligarquia “Machado – Leal” ou simplesmente “alvarista”, na figura de seus principais líderes, Álvaro Machado e o Padre Walfredo Leal64. Empossado presidente da Paraíba, em 23 de fevereiro de 1892, e fundador do Partido Republicano Conservador – PRC – da Paraíba, ambos comandaram a política do Estado, se revezando no poder até o ano de 1912. Durante esse período, os venancistas fizeram oposição ao alvarismo, fundando o Partido Autonomista, com sólido apoio de Epitácio Pessoal. Segundo Ferreira (1993, p.101), em razão da característica personalista da representação política desse período, mesmo com a existência de partidos em oposição, no caso o Republicano, de Álvaro Machado, e o Autonomista, de Venâncio Neiva, não havia programas presidente eleito Delfim Moreira assumiu e, após curto período no exercício do cargo, convocou novas eleições. O nome de Epitácio, lançado pelo Partido Republicano Mineiro (PRM), surgiu, então, como alternativa capaz de manter a unidade dos setores políticos situacionistas. Mesmo permanecendo ausente do Brasil durante toda a campanha, devido à sua atuação na Conferência de Paz, Epitácio venceu o candidato da oposição Rui Barbosa no pleito realizado em abril de 1919 e retornou ao Brasil em julho para assumir a presidência da República. Seu governo foi bastante conturbado. Grandes greves operárias que já vinham sendo deflagradas desde 1917, foram duramente reprimidas, com grande parte de seus líderes sendo presos ou deportados. Além disso, sua passagem pela presidência foi marcada pela animosidade na relação entre governo e militares, iniciada quando nomeou dois civis para dirigir as pastas da Guerra e da Marinha, respectivamente Pandiá Calógeras e Raul Soares de Moura. A tensão nos meios militares atingiu proporções maiores durante a disputa pela sua sucessão, que opôs a candidatura situacionista do mineiro Artur Bernardes à do fluminense Nilo Peçanha, lançada pela Reação Republicana, chapa de oposição que contou com o apoio de importantes setores militares. A publicação, pela imprensa, de cartas forjadas atribuídas a Bernardes com referências depreciativas às Forças Armadas e ao presidente do Clube Militar, o ex-presidente Hermes da Fonseca, bem como a utilização de tropas do Exército por Epitácio para intervir nas eleições pernambucanas, contribuíram ainda mais para exaltar os ânimos entre os militares,

principalmente entre os jovens oficiais, os tenentes. A vitória de Bernardes no pleito realizado em março de 1922 acabaria sendo questionada por tais grupos e, na sequência dos fatos, Epitácio ordenou a prisão do marechal Hermes da Fonseca e o fechamento do Clube Militar. Em reação a essas medidas, foram deflagrados levantes militares no Rio de Janeiro e no Mato Grosso no mês de julho, dando início ao que ficaria conhecido como movimento tenentista. Epitácio Pessoa decretou o estado de sítio e, após controlar os focos rebeldes, passou a presidência a Artur Bernardes. No ano seguinte, a convite da Liga das Nações, assumiu o posto que Rui Barbosa havia ocupado na Corte Internacional de Justiça de Haia, deixado vago com a sua morte naquele ano. A partir de 1924, passou a acumular esse cargo com o de senador, para o qual foi novamente eleito pelo estado da Paraíba. Em 1930, apoiou a candidatura oposicionista de Getúlio Vargas à presidência da República na chapa da Aliança Liberal, que tinha como vice o seu sobrinho João Pessoa, também paraibano. Após a derrota da Aliança Liberal, participou de forma discreta das articulações do movimento político-militar que depôs o presidente Washington Luís no mês de outubro, desaprovando, contudo, a participação no movimento dos tenentes que o haviam combatido quando exercera a presidência da República. Empossado o novo governo, foi convidado pelo presidente Vargas a ocupar o posto de embaixador brasileiro nos Estados Unidos, recusando, porém, a indicação. Retirou-se, a seguir, da vida pública. Morreu em Petrópolis (RJ), em 1942. Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001. 62 Manuel Deodoro da Fonseca (Cidade de Alagoas, 5 de agosto de 1827 — Rio de Janeiro, 23 de agosto de1892) foi um militar e político brasileiro, proclamador da República e primeiro presidente do Brasil.O Governo Deodoro foi marcado pelo esforço da implantação de um regime de Estado Republicano, mas foi caracterizado, entretanto, por grande instabilidade política e também econômica, devido às tentativas de centralização do poder, da movimentação de opositores da queda do Império, e por parte de outros setores das Forças Armadas descontentes com a situação política republicana. A crise teve seu ápice no fechamento do "Congresso Nacional do Brasil", o que mais tarde acabou levando à renúncia de Deodoro da Fonseca. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Marechal_Deodoro_da_Fonseca 63 Floriano Vieira Peixoto (Maceió, Alagoas, 30 de abril de 1839 — Barra Mansa, Rio de Janeiro, 29 de junho de 1895) foi um militar e político brasileiro. Primeiro vice-presidente e segundo presidente do Brasil, presidiu o Brasil de 23 de novembro de 1891 a 15 de novembro de 1894, no período da República Velha. Foi denominado "Marechal de Ferro" e "Consolidador da República". Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Floriano_Peixoto 64 Walfredo Soares dos Santos Leal (Areia, 21 de fevereiro de 1855 — João Pessoa, 30 de junho de 1942) foi um sacerdote da igreja católica e político brasileiro. Era filho de Matias Soares Cavalcanti e Maria dos Santos Leal. Começou seus estudos na Paraíba e, em seguida, ingressou na vida religiosa. Foi ordenado padre em Roma e, de volta ao Brasil, foi designado vigário de Guarabira. Devido ao cargo religioso, monsenhor Walfredo Leal teve forte influência no brejo e litoral da Paraíba, chegando a ser eleito deputado constituinte estadual em 1892. Em seguida foi eleito vice-presidente de estado, nos períodos 1893 - 1893, 1894 - 1894, 1896 - 1896 e 1905 - 1908, chegando a governar o estado em várias ocasiões. Foi eleito deputado federal em 1901. Em 1908 foi eleito senador, ficando no cargo até 1917. Nos períodos de 1922 a 1923, 1924 a 1926 e 1928 a 1930, exerceu o mandato de deputado estadual. Depois da revolução de 1930, afastou-se da vida pública. Era tio do ministro José Américo de Almeida, principal advogado do réo, Antonio Carlos Milanez, mais conhecido como Guarda 33. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Walfredo_Soares_dos_Santos_Leal. 70 ou clivagens ideológicas que diferenciassem um partido do outro. Ser oposição significava apenas que estava fora do poder, procurando formas de alcançá-lo. E, por fim, a terceira oligarquia, foi o epitacismo

(antigos venancistas e epitacistas), na figura do ex-presidente da República Epitácio Pessoa, quando assumiu o controle do Partido Republicano Conservador - PRC, em 1912, comandando assim os rumos da política até 1930. O revés político se deu diante da “conjuntura” política do governo de Hermes da Fonseca, favoráveis a Epitácio Pessoa e, por consequência da morte de Álvaro Machado, obrigando Walfredo Leal a entrar em acordo com os venancistas e epitacista, cedendo gradativamente, o ponto de dividirem a liderança do PRC. Nesse ponto, o governo Castro Pinto (1912 – 1915) foi um divisor de águas, na medida em este que tentou conciliar interesse mútuo. Nas eleições de 1915, no entanto, o acordo se tornou insustentável, eclodindo o rompimento definitivo entre as duais facções, reconfigurando o cenário político parahybano, com os epitacistas (PRC-P) vitoriosos e o alvarista - walfredistas (PRC), com um único deputado eleito (Semeão Leal – primo de Walfredo), pelo “Partido Autonomista”. (LEWIN, 1993). O período seguinte (1916 a 1930) testemunhou a ascensão e declínio políticos do grupo ligado a Epitácio Pessoa. O auge da oligarquia epitacista situou-se dos anos de 1919 a 1922, quando Epitácio Pessoa chega à Presidência da República, posto que lhe permitiu desenvolver uma ampla política de infraestrutura e favorecimento da economia algodoeira e de combate às secas no Nordeste, injetando no Estado uma grande quantidade de verbas através da IFOCS - Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas.65 As obras de serviram, também, para beneficiar e cooptar as oligarquias locais, consolidando seu total controle da política estadual. (LEWIN, 1993). Na transição presidencial de 1922 (a saída de Epitácio Pessoa e a entrada de Arthur Bernardes), o País entra em ebulição (político, social e cultural), cujas consequências abriam as postas para a revolução de 1930. Na Parahyba, o assassinato de João Pessoa, por João Duarte Dantas, foi estopim que deflagrou o golpe que derrubou Arthur Bernardes e instaurou o governo getulista por longos quinze anos. Sobre as ebulições de 1922, entrarei em detalhes do capitulo 7, pois diz respeito, mais especificamente, a detalhes da política local que mais se relacionam aos acontecimentos de 22 de setembro de 1923. Nesse contexto, se por um lado a Republica não trouxe grandes mudanças políticas, por outro, aportou germes de futuras transformações que afetaram irreparavelmente a 65 Dentre os órgãos regionais, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas - DNOCS se constitui na mais antiga instituição federal com atuação no Nordeste. Criado sob o nome de Inspetoria de Obras Contra as Secas - IOCS através do Decreto 7.619 de 21 de outubro de 1909 editado pelo então Presidente Nilo Peçanha, foi o primeiro órgão a estudar a problemática do semiárido. O DNOCS recebeu ainda em 1919 (Decreto 13.687), o nome de Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas - IFOCS antes de assumir sua denominação atual, que lhe foi conferida em 1945 (Decreto-Lei 8.846, de 28/12/1945), vindo a ser transformado em autarquia federal, através da Lei n° 4229, de 01/06/1963. 71 economia, a política, as instituições e a própria sociedade como um todo. Entre as principais preocupações dos governantes estava a transformação urbanística das principais cidades. As chagas da sociedade escravista deviam ser cobertas pelas luzes da Belle Époque (1899-1922). Esse projeto civilizador, inspirado no modelo parisiense, influenciava a todos e impingia um estilo afrancesado de ser como um ideal a ser buscado. Esse processo se iniciou nos primeiros anos do século XX e se estendeu ao longo da década de 1920, quando foram finalmente executados os serviços de saneamento da Cidade, há muito tempo esperado, e a implementação do sistema de abastecimento de água, projetos elaborados pelo escritório de Saturnino de Brito (CHAGAS, 2004). Por esse período, a cidade de Parahyba passava a ser considerada de médio porte e começava a respirar os ares da modernidade. Apesar das transformações na paisagem urbana estarem diretamente relacionadas ao processo de desenvolvimento econômico e industrial em torno da agricultura (principalmente do algodão, pois o Estado era o principal produtor no Brasil à época), o surto de urbanização não acompanhou o processo de industrialização. Segundo Joffily (1980, p. 16),

na Capital paraibana, havia apenas uma indústria embrionária que se confundia em muitos aspectos com artesanato em média escala, com cerca de 4.000 operários pouco organizados. Segundo Gurjão (1994, p. 66) “(...) , apesar do movimento operário estar relativamente organizado, este teve sua fragilidade determinada, principalmente, pela estrutura agrária, em suas relações sociais de dominação, de onde provém a absoluta maioria do operariado industrial da Parahyba”, no período da Primeira Republica. Antes do surto urbanístico, a topografia da Cidade era como as demais capitais menores do Império: um aglomerado urbano, dos mais pobres e atrasados. Caracterizava-se pela existência de duas áreas: uma baixa e outra alta. Na parte baixa, encontravam-se o porto e as casas comercias, constituindo-se no núcleo inicio da Cidade. A parte alta era onde residia a pequena elite urbana, tendo em suas adjacências – periferia – os demais moradores residindo em casebres sem qualquer serviço de infraestrutura ou de saneamento. (CHAGAS, 2004) Na Parahyba, o auge dessas transformações urbanísticas foi realizado entre os governos de Camilo de Holanda (1916-1920), mais principalmente, no governo de Sólon de Lucena (1920-1924). (CHAGAS, 2004). Sua época de governo é assinalada por muitas transformações de valores políticos-culturais. Os quatro anos em que esteve no governo, como chefe político local, se portou com extremo cuidado, pautando seus atos dentro de “retilínea” conduta político-administrativa, respeitando acima de tudo a autoridade do chefe 72 político da região, Epitácio Pessoa. Na sua administração, as ideias sanitaristas e de salubridade por que estava passando o Brasil, se tornaram mais presentes. Na gestão do prefeito Walfredo Guedes Pereira (1920-1924), um médico assume a frente destas reformulações, privilegiando a preocupação constante em dotar a Cidade de um aspecto limpo e aberta a novos espaços, dando um significativo impulso no remodelamento e no embelezamento da Cidade, engendrando noções de modernidade e, por conseguinte, de ordenamento urbano (CHAGAS, 2004).

Segundo Souza (998), em seu estudo sobre a Praça João Pessoa, antiga Praça Comendador Felizardo Leite, as transformações urbanas na Capital paraibana, especificamente nas praças, iniciaram-se no ano de 1879. A partir desse momento, o Largo Felizardo Leite, na cidade alta, que, até então, era uma grande área descampada e se denominava Largo do Colégio, em alusão ao estabelecimento educacional que os Jesuítas mantiveram até serem expulsos dali, em 1760, transformou-se em Jardim Público, sendo 75 cercado por um gradil e quatro portões de ferro, tendo ainda, em sua volta, algumas palmeiras imperiais. Sua idealização foi um desejo do Padre Felipe Benício Galvão. A colocação da primeira pedra aconteceu na presença daquela autoridade e de todos os que faziam parte de seu partido político. A construção do Jardim foi realizada em duas etapas. Primeiro, foram plantadas as palmeiras imperiais, construído o muro e colocado o gradil no período de 1879 a 1881. Em 1889, são postos os bancos e edificado o coreto no centro da Praça (AGUIAR, 1993, p. 205). A modernização das cidades e a institucionalização do footing nos primeiros anos do século XX mudaram a forma como as pessoas utilizavam os espaços de lazer e de socialização e, no meio dessas transformações urbanísticas, as praças adquiram um papel importante nesse processo, pois, segundo Chagas, “quem era moderno sai de casa e vai à praça” (2004, p.143); um lugar onde as pessoas podiam se encontrar e exercer qualquer tipo ou forma de lazer. Nesse sentido, a Praça Comendador Felizardo Leite oferecia as condições para as pessoas se divertirem e descansar, inserindo-as, dessa forma, no desenvolvimento social da Cidade, já que era na praça, por exemplo, que as noticias chegavam, eram discutidas, analisadas e defendidas (CHAGAS, 2004). Parada obrigatória dos bondes, onde se realizavam as festas e retretas, a Praça Felizardo Leite era um dos poucos lugares onde era possível se encontrar um espaço voltado a estimulação da convivência entre pessoas, pois abrigava a maioria dos fatos

culturais, políticos e sociais. Nesse sentido, a forma de socialização que mais ocorria era do tipo superficial, em que as pessoas se encontravam conversavam e, muitas vezes, não voltavam a se ver; mas também era um lugar próprio ao tipo de sociabilidade de relações mais duradouras. Como se sabe, muitas pessoas iam as praças no intuito de encontrar um companheiro ou uma companheira, enfim, de experimentar algum tipo de relacionamento. Era um lugar organizado, com bancos, dois coretos, palmeiras imperiais e um jardim. Lá aconteciam diversos eventos culturais, atraindo pessoas de todos os grupos sociais, para passear, descansar, conversar, encontrar os amigos e exercer a arte do flirt, muito embora tenha havido certa vigilância que controla o acesso de indesejáveis, como também punindo comportamentos indevidos, segundo as regras da moralidade vigente.

O Mons. João Batista Milanês nasceu em Guarabira a 13 de outubro de 1881, filho de Lourenço Ferreira de Milanês e d. Joana de Seixas Milanês. Cursou o Seminário Diocesano do Estado da Parahyba do Norte, recebendo o presbyterato em 13 de novembro de 1904. Como religioso, uma de suas primeiras funções fora dedicada ao preparo dos jovens. Primeiro, no Colégio Santo Antônio, em Natal, onde desempenhou varias funções, a principal delas como professor. Já no Colégio Diocesano Pio X, na cidade de Parahyba, Capital do Estado da Parahyba do Norte, exerceu seis longos anos na direção deste educandário “em que empregou o melhor de suas atividades e optidões que eram muitas, de seus esforços, de seu selo e carinho que pediam meças a sua ânsia de fazer o bem”.86 Na administração do Estado da Parahyba do Norte, exerceu o cargo de diretor da Escola Normal, a convite do então Presidente Camilo de Holanda (1916 a 1920).87 No terceiro ano do governo Sólon de Lucena, foi diretor da Escola Normal e diretor da Instrução Pública do Estado. Assim, diante de sua autoridade, em tão altos postos da administração pública, não é de se estranhar que seu pedido tenha sido atendido prontamente pelo chefe de polícia, para por um fim, aos constantes “assédios” por parte de "certos moços" ás alunas da Escola Normal, sendo esta, a principal razão do mesmo ter tomado essa medida extra-disciplinar.

segundo a respectiva folha católica, o jornal A Imprensa, a atitude do padre, logo após o crime do guarda 33, era de indignação e desoladora expressão, sendo visto verberando o policial que exagerou a ordem da autoridade, deturpando as maneiras de intimação e cometendo o deplorável homicídio; no entanto, sabe-se que o guarda 33 foi preso quase que imediatamente após o crime e encaminhado ao comando da Guarda Civil pelo guarda 41, acompanhado pelo Dr. Mariano Falcão. Se for verdade que o monsenhor verberou palavras contra o guarda 33, o mesmo não foi relatado por nenhum outro jornal ou mesmo por testemunhas ao descrever as cenas do crime. O certo é que o mesmo ficou extremamente abatido, sendo dia depois exonerado, a pedido próprio, de ambos os cargos que exercia (diretor da Escola Normal e diretor interino da Instrução Pública) e em seu lugar foi nomeado o cônego Pedro Anísio Bezerra Dantas, como diretor interino da Escola Normal, exercendo, também, interinamente, o cargo de diretor geral da Instrução Publica.95 No mesmo dia de sua exoneração, o Presidente do Estado lhe concede, “atendeu ao que requereu monsenhor João Batista Milanez, dois meses de licença, com ordenado, na forma da lei, para tratamento de sua saúde onde lhe convier”. Durante esse período, recebeu copiosas visitas, principalmente de comitivas de alunas da Escola Normal, como mostra a noticia do jornal A União do dia 28 de setembro de 1923:96 As alunas do 4 ano da Escola Normal fizeram ontem pela manhã, incorporadas, visitas a ilustre sacerdote monsenhor João Batista, diretor daquele conceituado educandário desta capital. As gentis professorandas deste ano já tinham sido precedidas nesse gesto de simpatia

ao esforçado diretor da Escola Normal pelas alunas de varias outras classes. Messes depois, ele voltou as suas funções, permanecendo até o fim do quatriênio João Suasuna.97 Poucos anos depois faleceu, em 12 de janeiro de 1930, às 15 horas, em sua residência, à Avenida João Machado, vitima de “cruel enfermidade” que o prendia ao leito desde muito tempo. Segundo os jornais da época, a sua morte causou profunda consternação em todos os círculos da Capital, provocando verdadeira romaria de amigos e pessoas das suas relações que se iam inteirar da marcha da sua agonia.98 Assim, ciente de que a vida desse religioso e educador não pode ser resumida a estes poucos parágrafos, dada a importância que o teve para a educação parahybana naquele 95 Fonte: Diário Official do Estado. Anno XXXX. Parahyba, 06 de outubro de 1923. N.213. Imagem Anexa 29. Referência: PTDC 0134. 96 Fonte: Diário Official do Estado. A União. Anno XXXX. Parahyba, 28 de setembro de 1923. N.203. Imagem Anexa 30. Referência: PTDC DSCN5600 97 Leitão, Deusdedit. O Ensino Público na Paraíba. Síntese Histórica da Secretaria da educação. p31. 98 Fonte: jornal A União. Parahyba – terça-feira, 14 de janeiro de 1930. Ano XXXVIII, n 10. 99 período, fico no limiar do objetivo deste texto, aguardando outras oportunidades para, quem sabe, um dia, um estudo biográfico possa esclarecer melhor as decisões tomadas. Interessa dizer é que a Igreja exercia forte influência nos rumos da educação do Estado, seja exercendo altos cargos na Administração Pública e ou intermediando a relação entre Estado e Igreja – política e religião - no que tange às diretrizes educacionais da Primeira República. Portanto, o Monsenhor agia de acordo os ditames da Igreja, sem imaginar a repercussão trágica de suas decisões.

João da Mata Correia Lima, considerado o “general da mocidade”. A atuação desde ultimo junto a “classeestudantina” foi tão marcante, que o Grêmio seguinte, pós-Revolução Tenentista, faria homenagem justamente ao professor líder dos estudantes dos anos de 1920, o Dr. João da Mata148. Já João da Mata era filho do Dr. Lindolfo Correia Lima, este ex-deputado estadual, secretário do governo e emérito professor do Lyceu. A época do crime, o Dr. Lindolfo era então diretor do Lyceu Parahybano. Notável advogado, brilhante orador, ex-aluno do Lyceu (turma de

1908), João da Mata mostrou logo cedo suas aptidões intelectuais. Ingressou no Lyceu em 1912, concluindo o curso em 1915. Líder estudantil a sua época, era considerando um aluno excelente. Em 1912, fundou o Grêmio Maciel Pinheiro, onde colaborava para a revista Lyceum. Em 1915, é aprovado no exame de admissão para a Faculdade de Direito do Recife, baicharelando-se em 18 de dezembro de 1919. Segundo Lima, João da Mata atuou em diversos jornais, onde deixou “traços marcantes de sua pena”. Como em “(...) A Noite, onde publicou diversos sonetos sob pseudônimo de “C. L” (1915); Renascença (1916); Correio da Manhã, a partir de 1917, com pequenas interrupções; o Norte; o Comercio da Parahyba; Era Nova; O Jornal; O Diário do Povo (1929) e a Gazeta Humorística”. Foi no Jornal Correio da Manhã porém, onde exercitou sua vocação de jornalista e onde construiu os alicerces de sua carreira política (LIMA, 1951, p. 22). Ao longo de sua formação, atou como jornalista, orador, literato, poeta, professor e advogado, esta última considerada sua maior vocação. No inicio da década de 1920, de volta a Parahyba, trabalhou defendendo causas polêmicas, juntamente com seu amigo e sócio, o Dr. João Duarte Dantas. Segundo Melo “(....) apesar do absoluto contraste de temperamento, era considerado verdade amigo de João Dantas”. Ambos militaram na imprensa, no fórum e na política parahybana, durante toda década de 1920 do século passado (MELO 2002, p.55 e 56). Ainda segundo esse autor (2002. 61), João Dantas e João Mata fizeram da advocacia sua principal profissão, patrocinando inúmeras e importantíssimas causas, sempre conquistando expressivas vitórias.

 

Continua amanhã....

Sady Castor e Ágaba, um caso de amor e morte na Paraíba VI



Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

Filme curta metragem

Adaptação e roteiro – camilo Macedo

PRODUÇÃO E DIREÇÃO – DANIEL RIZZI

Assistente de Direção –

DIREÇÃO DE ELENCO e roteiro – camilo Macedo

Edição - DANIEL RIZZI

FIGURINO - VIVI Lopes

Maquiagem -

Direção Musical -

Fotografia - IGGO NICOLAS DE MACED

Desenho e Arte -

Montagem e edição -

Técnico de Som -

Produtora de Objetos -

Assistente de Produção de Objetos -

Produção de Locação -

Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

 O esquife da “pranteada menina”, até o “campo santo”. Numerosas colegas da Escola Normal, e também, os colegas do seu “inditoso noivo, assim como representantes de todas “as classes” (sociais), amigos, parentes e conterrâneos”.124 Segundo o Jornal Correio da Manhã125.

Ao contrario da imprensa oficial, o evento foi amplamente registrado por diversos outros órgãos de imprensa, considerado um acontecimento tão marcante quanto o de Sady. O “préstito”, chega ao cemitério às nove horas da manhã. Ainda segundo o repórter do jornal Correio da Manhã, era intensa a multidão que ali aguardaria a chegada do féretro, sendo conduzida a mão pelos irmãos da “saudosa” vítima.

Sobre o caixão, continua a folha, viam-se muitas grinaldas, outro tanto conduzindo por suas colegas da Escola Normal, que em grande número se incorporaram ao cortejo. Ao ser feita a “inumação”, isto é o ato de baixar o caixão, discursou o estudante do Lyceu Parahybano, Plínio Lemos, “em palavras repassadas de comoção”, referiu-se ao desolador acontecimento, pondo em destaque as “excelsas” virtudes de Ágaba de Medeiros e a “inexcedível” sensibilidade do seu “amantíssimo” coração. O estudante Plínio Lemos terminou depositando uma grinalda sobre o túmulo de Ágaba, feito de saudade da mocidade estudantina da Parahyba.

Em seguida, discursou o professor João Falcão, em nome da Escola Normal, “produzindo uma sensibilizante oração”. As suas colegas da Escola, choravam copiosamente em fato digno de ser registrado ainda mais pela impressionante circunstância: Ágaba foi sepultada numa catacumba contígua à de Sady. O Sr. José Castor Correia Lima, outro irmão de Sady, estava presente havia ido a Cidade visitar o túmulo do irmão em nome da família, mas, de tão emocionado, acabou tendo uma “syncope” de que foi acometido o seu outro “desolado” irmão. Por ironia ou coincidência, ao lado do túmulo de Sady estava aberto outro, como esperando o cadáver frio de Ágaba, para que os dois “infelizes amantes” fossem, enfim, unidos pela morte.126 A Parahyba cobre-se de luto.

Missas e romarias são oferecidas em prol das almas do casal. Anunciada em diversos jornais (A Tarde, Correio da Manhã, Jornal a União e o Jornal O Norte), a missa de sétimo dia de Sady Castor foi realizada na sexta-feira, dia 28 de setembro na Catedral de Nossa 126 Fonte: Arquivo Umberto NóbregaUNIPÊ. Jornal Correio da Manhã [sd]. Provável 09 ou 10 de outubro de 1923. Imagen Anexas 33. Referências: P2070439. 117 Senhora das Neves, sendo celebrada pelos padres José Coutinho, Pedro Cardoso e Sylvio Mello.

A notícia chamava atenção para a “grande comissão de alunas da Escola Normal” seguida de colegas do morto, que se dirigiam para o Cemitério. No local, além de muitas flores, uma coroa com a seguinte inscrição “Ao Sady Castor, eterna saudade das alunas da Escola Normal”. Durante o ato, houve discursos com destaque para os Sr. Silvino Santos, pelo primeiro ano do Lyceu Parahybano, Cezar de Oliveira Lima, pelo corpo discente do mesmo estabelecimento e o próprio Antonio Benvindo, representando o Centro Acadêmico de Recife.

Dias depois, as mesmas alunas iriam convidar “seus colegas do Lyceu e de outros estabelecimentos de ensino, bem como o povo em geral para celebrar outra missa, a de trigésimo dia da morte de Sady”128. O mesmo aconteceu na missa de sétimo dia Ágaba, primeiramente convocada por sua família, onde agradeciam a “todas as pessoas que acompanharam à ultima morada dos restos mortais de sua desventurada filha.

Algumas noticias falam apenas que foram as alunas da Escola Normal que mandaram celebrar a missa, convocando os estudantes e o povo em geral para a celebração de missa. A missa aconteceu no dia 11 de outubro, também na Catedral de Nossa Senhoras das Neves, às sete

horas da manhã, tendo como oficiante o reverendo Padre José Coutinho. A Catedral estava repleta de normalistas e lyceanos notando-se também a presença da “digna família Gonçalves de Medeiros” e de muitas pessoas da “alta sociedade”.

Depois do ato religioso na Catedral, boa parte dos que estavam presentes, principalmente os estudantes, amigos e parentes das vitimas, se dirigiram, em “comovida romaria”, ao cemitério do Senhor da Boa Sentença, onde foram depositar, junto ao túmulo da “infeliz noiva” de Sady Castor, uma “rica” coroa de flores, “derradeiro preito de sua enternecida saudade pela morta querida”. 130 Segundo o Jornal A TARDE, a coroa tinha o seguinte dizer; “Ágaba, imorredouras saudades das alunas da Escola Normal”. As moças do 3º ano da Escola também ofereceram uma “artística” coroa de flores artificiais, tendo a seguinte inscrição: “saudade de suas companheiras de estudo” .

Em seguida, vieram os discursos, falando a “senhorinha” Corina Novais, em nome do 4º ano da Escola Normal, “expressando, “muito comovida, a saudade das suas colegas por aquela que tão cedo se foi, deixando tão profundo sulco de dor nos seus corações”.

Ao terminar, depositou um ramalhete de flores naturais sobre o túmulo. Em seguida falou o acadêmico Antonio Benvindo, “que no feliz improviso, recapitulou com todas os seus dolorosos transes, a tragédia em que desapareceram os dois jovens patrícios”. 132 Suas últimas palavras “arrancaram dos olhos dos presentes muitas lágrimas”.

Por fim usou da palavra a “talentosa” terceiranista, Josepha Coelho, que em nome do corpo discente da Escola Normal e das suas colegas de turma, oferecia suas grinaldas, como “sincera” manifestação de pesar pelo desaparecimento daquela sua colega, que em vida fora uma boa e dedicada companheira e cuja morte causara profunda dor no seio das suas colegas da Escola Normal.

Terminou pedindo aos presentes para, de joelhos, rezarem um terço diante o tumulo de Ágaba, o que foi feito. Depois foram tiradas fotografias da duas sepulturas e das pessoas que se achavam presentes, tendo em seguida se retirado todos “comovidos” e “calmos” do campo Santo, deixando ali os corpos de Sady e Ágaba.

Bentinha Zácara, sobrinha de Ágaba, em entrevista a Amaury Vasconcelos (em 23 de 1996), explica como a família conseguiu o sepultamento cristão. Segundo ela, “como tinha sido suicídio voluntário, tudo de conhecimento público, o laudo cadavérico foi dado como excesso de barbirúticos”, isto é, por excesso de substância sedativa ingerida por engano, cuja pouca margem entre a dosagem terapêutica e tóxica pode ser mortal. A família negou no início, mas depois admitiu um engano (VASCONCELOS, 2009, p. 185).

Por Ramalho Leite

A guarda civil estava encarregada de manter essa determinação. Um sábado à tarde, Sady Castor, aluno do Liceu, pretendeu ir ao e ncontro da sua namorada, a futura professora Àgaba Gonçalves de Medeiros. Foi admoestado pelo Guarda 33, que fazia o papel de “guardião da honra das moças”, um pernambucano batizado Antonio Carlos de Menezes. O estudante resolveu desobedecer à autoridade e ultrapassou a faixa proibida. Surgiu uma discussão entre os dois, resultando daí a morte de Sady, atingido por um tiro certeiro do destemperado guardião da praça.

Os estudantes do Lyceu Parahybano transformaram sua escola em palco de protesto e revolta contra as autoridades estaduais. O presidente Solon de Lucena se fez representar no funeral pelo secretario geral Álvaro de Carvalho, e substituiu o diretor da Escola Normal pelo seu conterrâneo do Bananeiras, o cônego Pedro Anísio.Nesse dia, a terceira escola ent&atilde ;o existente, a Academia de Comercio, liberou seus alunos que, incorporados, compareceram ao funeral.

Mas não terminaria aí essa tragédia que quase derruba o presidente Solon de Lucena. A jovem Ágaba, inconsolável com a perda do namorado, cometeria suicídio alguns dias depois. Em carta, pediu desculpas àquela que seria sua futura sogra e, revelou suas razões: “ Resta-nos confiar na justiça da terra? Não, confiarei na Divina, pois que aquela falha e esta jamais falhará”. E conclui: “Peço-vos que abençoeis aquela que amanhã irá fazer companhia àquele que soube honrar e fazer-se honrar”.

A inconformada normalista pertencia a família importante da nossa sociedade.

A Paraíba, um dos primeiros territórios a serem ocupados pelos colonizadores portugueses, foi anexado em 1534 à Capitania de Itamaracá. Ia da foz do Rio Santa Cruz, hoje Igaraçu,até a Baía da Traição. Cobria, assim, todo o território do atual Estado da Paraíba. Essa capitania foi doada a Pero Lopes de Sousa. Com sua morte, os franceses e potiguares tinham multiplicado sua ação de domínio, inclusive com audacioso avanço ao engenho 57 Fonte: Jornal Correia da Manhã, 25 de setembro de 1923 [s/n] – A IMPRESIONANTE TRAGEDIA DE SABADO: OS FUNERAIS DO ESTUDANTE CASTOR. AS DEMONSTRAÇÕES DE PESAR DA CIDADE. DISCUSOS E NOTAS. Imagens Anexas 22 e 23. Ref. PTDC0042/PTDC0044. 67 Tracunhaém58. O rei de Portuga, D. Sebastião, assombrado com os acontecimentos e para assegurar a tranquilidade dos habitantes de Itamaracá e Olinda, resolveu criar a Capitania Real da Parahyba, em 1574, compreendendo parte das terras da capitania de Itamaracá. Durante a Colônia, sua importância servia para garantir a segurança política e econômica das capitanias mais ricas, mas foi só no século XVII, no apogeu da produção açucareira e da pecuária (e o algodão entre o século XIX e XX), que a região passou a ter destaque no cenário nacional.(FREIRE, 1974). A futura cidade de Parahyba, hoje chamada de João Pessoa, foi fundada em 5 de agosto de 1585, com o nome de Nossa Senhora das Neves. Durante esse tempo, recebeu uma variedade de denominações, tais como: Cidade de Nossa Senhora das Neves, em 1589, Cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves, em 1600, em homenagem ao rei Felipe da Espanha. Logo após a sua conquista pelos Países Baixos, a cidade passou a se chamar Frederikstad, a partir de 1635. Depois do declínio da Nova Holanda e com a saída dos neerlandeses, a Cidade retoma o nome de Cidade de Nossa Senhora das Neves, de 1655 até 1817, quando passou a se chamar Cidade da Parahyba. Segundo alguns historiadores paraibanos, a localidade já nasceu cidade, sem nunca ter passado pela designação de vila, povoado ou aldeia, visto que foi fundada pela Cúpula da Fazenda Real, uma Capitania da Coroa. Chamou-se Capitania da Coroa porque foi conquistada com dinheiro e soldados do Estado independente e administrada por governadores nomeados pelo Rei. Entre as cidade brasileira, é a terceira capital mais antiga do Brasil e também a penúltima a ser fundada na Colônia no século XVI e adentra o período ainda com uma pequena população, de pouco mais de 3.000 mil moradores, em 1808, passando para aproximadamente 52.900 mil, em 1920. (ALMANAQUE, 1922, p38). Apesar do fascínio pela História paraibana do período colonial e monárquico, é o primeiro período republicano que mais interessa contar (1889-1930), essencial para se poder compreender os significados políticos do caso Sady e Ágaba em meio às tensões faccionais da década de 1920. Neste

capitulo, a intenção é não só contextualizar o nascedouro das richas faccionais, mas, principalmente, ambientar o enredo do caso Sady e Ágaba, desde uma visão panorâmica das configurações políticas ao longo da Primeira República, a luz das transformações sociais trazidas pela Modernidade. 58 O ataque ao engenho Trucunhaém, também conhecido como tragédia de Trucunhaém ou chacina de Trucunhaém foi um ataque de índios potiguaras dirigidos ao Engenho Trucunhaém, próximo a Goiana, Pernambuco, ocorrido em 1534. Neste ataque, toda a população colonizadora da região foi dizimada. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ataque_ao_engenho_Tracunha%C3%A9m 68 Segundo Carvalho (2013), do ponto de vista da representação política, a República não significou grande mudança. Ela introduziu a Federação, de acordo com o modelo dos Estados Unidos, em vez do centralismo monárquico do Império. Os presidentes dos estados (antigas províncias) passaram a ser eleitos pela população. A descentralização tinha o efeito positivo de aproximar o governo do povo via eleição de presidentes de Estado e prefeitos; contudo, a descentralização facilitou a formação de sólidas oligarquias estaduais, apoiadas em partidos únicos, também estaduais que, quando vitoriosos, monopolizavam o controle político e econômico, tecendo uma teia de alianças e rivalidades que se estendia do poder local até instâncias políticas e burocráticas dos estados e da União. Durante a maioria desse período, o poder passou a ser controlado por uma aliança entre as oligarquias paulista e mineira, que se expressava no revezamento de representantes desses dois estados na Presidência da República. Com isso, esse período ficou conhecido como a “República dos coronéis”, ou “política dos governadores”. (FAUSTO, 2013). Na Parahyba, assim como no resto do País, durante a Primeira Republica (1891 a 1930), o poder passou a ser exercido pelos coronéis e suas oligarquias59 (GURJÂO, 1999 p. 53 a 95). Os “novos donos do poder”, passaram a governar a nação com base na dominação da política de seu estado, exercendo uma prática política personalista e patrimonialista (FAORO, 2001). Segundo Linda Lewin (1993, p.73), o Estado da Parahyba do Norte passou por três oligarquias: o “venancismo”, comandado por Venâncio Neiva60 (juntamente com Epitácio Pessoa61), primeiro governador republicano do estado, no período de 16 de 59 Em sua configuração original, a palavra oligarquia indica o “governo” (archein) “de poucos” (oligos). Contudo, o pensamento político ligado à oligarquia não esteve rigidamente submetido a essa única forma de compreensão. Na Grécia Antiga, a expressão oligarquia era negativamente empregada para se fazer referência a todo o regime que fosse comandado por pessoas com alto poder aquisitivo. Desta forma, os governos oligárquicos foram confundidos com o governo das elites econômicas.

Apesar dessa acepção, o termo oligarquia poder ser muito bem empregado em outras situações políticas. Quando observamos, por exemplo, que um mesmo partido político ocupa os mais altos escalões de um governo, podemos identificar o desenvolvimento de uma oligarquia. Em geral, a presença das práticas oligárquicas impede que amplas parcelas da população participem do debate político. Dessa forma, podemos ver que a oligarquia diverge do atual sentido dedicado à democracia. Na História do Brasil, o termo oligarquia é costumeiramente empregado para se fazer menção às primeiras décadas do seu regime republicano. Em tal período, compreendido entre 1894 e 1930, os grandes proprietários de terra utilizavam de sua influência política e econômica para determinar os destinos da nação. Apesar da presença de um sistema representativo, a troca de favores, a corrupção do processo eleitoral e outros métodos coercitivos impediam a ascensão de outros grupos políticos. 60 Venâncio Augusto de Magalhães Neiva, foi Juiz de Direito e o primeiro governador republicano da Paraíba, além de responsável pela instalação oficial do Superior Tribunal de Justiça do Estado do Parahyba do Norte. Tinha cerca de 40 anos quando se proclamou a República no Brasil. Antes e depois de exercer o cargo de presidente estadual, foi por cerca de 30 anos juiz (imperial) municipal e juiz de Direito, além de juiz federal na antiga Província e no Estado.

 

Continua amanhã

 

 

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