O Estado brasileiro virou uma sinecura de castas de senhores feudais



 

 Francis Lopes de Mendonça
19 h ·
Estou cada vez mais convicto de que exercer o meu direito à desobediência civil é a melhor opção diante de um sistema eleitoral que é uma fraude quase explícita.

O Estado brasileiro virou uma sinecura de castas de senhores feudais que usufruem de altos salários e privilégios abusivos. Estão excluídas dessas vantagens e regalias a plebe rude e as massas ignaras, inertes, apáticas, anestesiadas e submissas, que só servem para dar sustentação nas urnas as imoralidades praticadas sob a cínica alegação de que ninguém está fazendo nada ilegal, como se não fosse dentro da legalidade que se fabricassem regalias e mamatas transformadas em “direitos adquiridos”.

Um tabu perpetuador de injustiças contra quem paga a conta: o bobo da côrte comprado, o povo mais pobre. Pois é a maior transferência de renda da História da Carochinha do Brasil - mas dos pobres para os ricos. Parecem duas castas diferentes de cidadãos, não é? Só que tudo é legitimado nas urnas.

Eu poderia citar aqui pelo menos 20 aspectos óbvios para demonstrar que esse sistema é manipulado em favor dos interesses de minorias. Entra eleição, sai eleição, a sensação é de que, em vez de candidatos, eleições, urnas eletrônicas, votos e partidos serem ferramentas para a felicidade da maioria, tais ferramentas estão a serviço de castas que se apropriaram do Estado brasileiro. Essa é a verdade. Tanto é que a troca de políticos ou a troca de partidos continua sendo totalmente inútil.

O tabuleiro do xadrez do jogo político do poder permanece a ser jogado com os mesmos dados viciados em falcatruas, regalias e vantagens tidas como “direitos adquiridos”, o que é uma afronta à essência da representatividade democrática, que nada mais é do que a igualdade entre o representado e o seu representante. Ou seja, a troca de políticos ou de partidos tem apenas o efeito de mudar o estilo do jogo do poder, mas não altera em absolutamente nada a essência do sistema.

Então, já que aqui todos são desiguais perante a lei, vou permanecer exercendo o meu direito à desobediência civil até que haja uma mudança real e profunda no espírito público, afinal a democracia não se faz com candidatos, eleições, urnas eletrônicas, votos e partidos. Estas ferramentas só estão dando a impressão de democracia. O espírito das “Diretas Já”, de 1984, é só uma imagem romântica perdida no tempo. Quando vai acontecer essa mudança real e profunda? Pena. O texto chegou ao fim. Conversarei depois, embora eu saiba que o que escrevo seja mera e frustrante masturbação mental.





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