Historia da Polícia Civil VI

 Pedro Marinho - Humberto Morais de Vasconcelos costumava jogar no lixo os inquéritos em tramitação
O ex-secretário de Segurança Humberto Moraes de Vasconcelos, delegado oriundo dos quadros da Polícia Federal, foi nomeado na gestão do saudoso governador Jorge Teixeira de Oliveira, Secretario de Segurança Pública de Rondônia, para suceder o saudoso Hélio Máximo, que havia sido nomeado Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia.
Humberto, era homem sisudo e de poucas falas e na sua gestão, desagradou muito aos servidores da Pasta, pois nunca fez questão de cativar e fazer amigos nos quadros da Polícia Civil e era muito conhecido pela sua rudeza, constatada em vários episódios.
Quando Humberto chegou a Rondônia, trouxe consigo informações equivocadas sobre nossos profissionais, em razão principalmente da morte do garimpeiro Assis, fato de grande repercussão a época, tendo Humberto demitido alguns delegados sem sequer oferecer aos mesmos o direito a ampla defesa, sendo, porém a demissão mais inexplicável de todas elas, a do competente delegado Smith, que foi demitido apenas porque Humberto já o conhecia dos quadros da Polícia Federal e não simpatizava com ele, tendo ainda cerca de dez policiais por não concordarem com aquela truculenta gestão, solicitaram transferência para Roraima.
Ele o secretário Humberto tinha algumas manias, dentre elas ele do nada aparecia de surpresa nas delegacias da capital e também do interior do Estado e como tinha muita afinidade com os trabalhos cartorários, cumprimentava o delegado titular e logo pedia para ser levado ao cartório e solicitava então para manusear os inquéritos em tramitação.
Naquela época o efetivo era bem reduzido nos cartórios e existiam, portanto, em muitas delegacias fazendo o trabalho que deveria ser de escrivães, agentes policiais ou agentes administrativos nomeados ad hoc, consequentemente o trabalho era bem difícil, razão pela qual se tomava os depoimentos e depois eram colocados juntos e soltos na capa referente aquela apuração, mas sem numeração e as folhas soltas, ou seja, o escrivão só organizava todo inquérito depois do relatório quando numerava e junto com o delegado assinava todas as folhas e encaminhava para a Justiça.
O secretario na sua maneira rude, quando recebia aquela capa com os todos documentos soltos, por absoluta falta de tempo e condições dos incansáveis escrivães, olhava feio para ele escrivão e para o delegado e de rosto contraído rapidamente procurava uma lixeira e dizia: ‘Esse amontoado de papel vai para o lixo, pois inquérito tem formalidades e isso pode ser tudo menos um inquérito’, se retirando em seguida deixando todos atônitos.


Pedro Marinho - A história do hino da Policia Civil de Rondônia
Diz a sabedoria popular que a pessoa só estará plenamente realizada quando superar três desafios na sua vida, ou seja, gerar filhos, plantar uma árvore e escrever um livro.
Dentro deste entendimento, o autor destas singelas linhas, já poderia então se julgar realizado, pois sou pai de três filhos, plantei não apenas uma única arvore, mas diversas delas, sendo o responsável pelo plantio de todas as arvores que ficam na calçada da sede do Sindicato dos Policiais do ex-Território de Rondônia e também as arvores que circundavam a sede do prédio da Central de Polícia em Porto Velho e que inexplicavelmente foram arrancadas, numa das muitas reformas realizadas no velho prédio.
Obtive, portanto grandes conquistas na minha vida e todas me envaidecem muito, porém abro um parêntese no texto, para falar com relação às árvores do antigo Plantão de Polícia, registrando que carrego comigo uma grande tristeza, pois depois que as plantei, não perdia a oportunidade de sempre visitar aquela repartição policial, apenas para observar o crescimento e o progresso das mesmas, verificando com satisfação que as pequenas mudas, obtidas junto a Prefeitura, já estavam adultas e encontravam frondosas, oferecendo sombra e abrigo, a todos aqueles que trafegavam por ali, até que um dia as encontrei no chão, derrubadas pela falta de sensibilidade de alguns.
Mas voltando ao tema da crônica, além dos filhos e das árvores, completando as três exigências, escrevi um livro biográfico com duzentas páginas, sobre o músico e compositor paraibano Joaquim Pereira, considerado pela critica musical, como um dos maiores compositores de música marcial do nosso país em todos os tempos, cujo trabalho, possibilitou o meu ingresso como musicólogo, na Cadeira nº 6 da Academia Paraibana de Música, bem como o livro denominado ‘Procissão das Pedras’ uma coletânea de mais de 200 artigos escrito ao longo dos anos.
A minha alegria e satisfação poderiam ter parado por ai, pois afinal de contas, havia superado essas três etapas – que dizem completam o ser humano – porém o meu contentamento foi mais além, pois verificando que em todas as solenidades a instituição Policial Civil, se ressentia de um hino para enaltecer os seus valores, bem como levantar o ânimo de seus componentes, fui provocado por alguns colegas e amigos para escrever o hino.
Aceitei o desafio e atrevidamente, sem nunca ter escrito um único verso, com as dificuldades próprias dos noviços, incursionei como letrista, elaborando quatro versos, mais o estribilho. Trabalho, em que procurei da melhor maneira possível, enaltecer a instituição, que tive a honra de pertencer por quase três décadas.
Concluída a letra, faltava então compor a melodia, missão inteiramente impossível, para uma pessoa como eu, que não tive na vida a ventura de identificar uma única nota musical, sendo incapaz de executar um simples instrumento musical, como por exemplo, um reco-reco. Porém, depois de muito esforço, com a letra pronta e com melodia na cabeça, procurei o então regente da Banda de Música da Polícia Militar, Tenente Celestino e o seu auxiliar Sargento Neves, tendo ambos com a grandeza e a sensibilidade próprias dos músicos, após ouvir a minha intenção e ouvindo a melodia que precariamente cantei, os dedicados músicos passaram a fazer as partituras e os seus arranjos.
Finalmente estava pronto o Hino da Polícia Civil de Rondônia. De posse da base gravada pela Banda da Polícia Militar, procurei o nosso saudoso colega Messias Viveiros, que tinha na sua residência um modesto estúdio e ele encantado com a composição, lá mesmo na sua residência utilizando a base musical que eu havia levado, fez questão de mesmo precariamente cantar e gravar o hino.
Superada a etapa de criação, faltava o ponto principal, o reconhecimento por parte do Governo do Estado, o que se tornou possível, graças o empenho do então Secretário de Segurança Pública Walderedo Paiva, que encaminhou o assunto ao Governador José Bianco, que prontamente através do Decreto nº 8803/99, oficializou a nossa composição, tendo depois disso o Secretario de Segurança Paulo Moraes, publicado uma portaria regulamentando sua execução em todas as solenidades da Policia Civil.
Tenho agora, portanto agora, não apenas três razoes para me sentir realizado, mas quatro grandes motivos, sendo o último deles, exatamente a ventura de ter escrito o hino, em que declaro o meu amor e respeito a esta instituição policial de tantas tradições em nosso Estado de Rondônia.

Pedro Marinho - O dia em que um seqüestrador telefonou para o secretário da Casa Civil do Governo de Rondônia
No ano de 1996 dois indivíduos ousados assaltaram um posto bancário que funcionava exatamente no prédio do Fórum Criminal de Porto Velho, cujo órgão era sempre muito movimentado, inclusive freqüentado por policiais que faziam escolta de presos.
Naquela ocasião dois policiais que estavam participando de uma audiência saíram em perseguição dos mesmos e dado voz prisão dois aos ladrões quando eles tentavam fugiam numa moto, tendo o individuo que viajava como carona atirado e no revide dos policiais sido morto, enquanto o condutor da moto, no nervosismo perdido do controle e caído e ao se levantar, corrido e invadido o escritório do advogado Miguel Roumiê, que funcionava ali nas proximidades do fórum.

O famoso advogado rondoniense foi tomado como refém, ficando o mesmo sob a mira do revólver do assaltante por quase 20 horas, com a imprensa e curiosos cercando o imóvel onde se desenrolava o drama.
O saudoso delegado Cézzar Pizzano assumiu as negociações e para manter contato com o sequestrador e como quase ninguém possuía telefone celular naquela época, ele pediu o celular do secretário da Casa Civil que passava por ali. O telefone ficou sendo utilizado durante horas Pizzano usando o telefone do secretário e o seqüestrador o telefone celular do sequestrado Miguel Romier. Já à noite tudo foi resolvido, ficando acertado que o individuo que mantinha o advogado nessa difícil situação, a receberia um automóvel e poderia deixar o local, libertando o refém mais adiante, sendo o delegado Pizzano sido informado que o aparelho teria que ser devolvido ao usuário, no caso o secretário da Casa Civil.
Depois de sair do local com o refém dirigindo o seu próprio automóvel, o ladrão percebeu que estava sendo seguido pela polícia (policiia enviados pelo delegado Pizzano - enquanto trafegava pela BR-364, nas proximidades do Cemetron, o mesmo bastante assustado, ligou do celular do refém para o delegado:
“Alô, doutor Pizzano....o senhor não está cumprindo o que prometeu. A polícia está atrás de mim, preciso de tempo necessário para fugir conforme combinado’.
Sem entender absolutamente nada da conversa, o secretário da Casa Civil bastante assustado pediu detalhes, ao que o ladrão bem zangado respondeu: ‘Porra, doutor, aqui é o seqüestrador”
Após essa informação, o secretário mandou um assessor levar rapidamente o celular de volta ao delegado Pizzano. Naquele momento, o Dr. Miguel Roumiê ja havia sido libertado e o sequestrador fugido no meio do sapezal. Meses depois esse perigoso delinqüente foi morto, ao tentar realizar um assalto em Manaus/AM.
Com relação ao telefone utilizado nas negociações com o marginal, depois do susto que passou o secretário Chefe da Casa Civil sequer o quis de volta.


Pedro Marinho - O dia em que o cantor Tim Maia precisou da Polícia Civil de Rondônia
Numa das vezes em que eu ocupava o cargo de Diretor de Policia Metropolitana o telefone tocou e do outro lado ouvi uma voz muito forte, que me pareceu bem familiar. Ao falar a pessoa foi logo dizendo: Dr. Pedro Marinho, aqui é Sebastião Maia e eu gostaria de denunciar que ai em Porto Velho, estão anunciando indevidamente um show meu sem que isso seja verdade. Então eu falei: ‘Espera, mas quem fala ai’, tendo o mesmo para a minha surpresa respondido: ‘Dr. É Tim, Tim Maia o cantor, quando então finalmente pude comprovar que efetivamente conhecia aquela voz inconfundível.
Superada de minha parte a surpresa inicial, Tim foi acrescentando que tomara conhecimento que existiam umas faixas na cidade de Porto Velho, anunciando um show seu para determinada data e ele logo foi dizendo ‘Dr. Eu já levo fama de não comparecer aos meus compromissos profissionais devidamente assinados, imagine se for comparecer um show que sequer ocorreu algum contato? Peço ao senhor, portanto, que apure, pois tem alguém ai querendo lesar as pessoas.
Ainda no mesmo telefone, considerando que naquela época as comunicações eram precárias, informei ao Tim Maia de que necessitava algo escrito para levar avante a investigação e disse ao mesmo que aceitaria até mesmo que fosse feita a queixa via telex, pois assim ficaria embasado para adotar as providencias cabíveis.
Minutos depois o telex enviado por Tim maia chegou as minhas mãos e como existia uma faixa estendida na Rua Carlos Gomes desse pseudo show, fui até lá e verifiquei que a anunciante era a sempre correta profissional Jussara Gottlieb e logo percebi que deveria estar ocorrendo algum equívoco.
Naquele momento poderia a ter chamado a meu gabinete, mas percebendo que a mesma poderia ter sido induzida a erro, fui até o Jornal Estadão, onde a mesma Ela Jussara, escrevia uma famosa coluna social, sendo carinhosamente pela mesma, quando mostrei a denuncia vinda via telex e Jussara como sempre muito correta nas suas atividades profissionais, ficou perplexa e explicou que havia sido enganada por alguém de São Paulo que havia se apresentado como empresário de Tim Maia, inclusive solicitado um adiantamento em dinheiro, mas que diante da mina informação ela iria imediatamente suspender toda a publicidade sobre o show e iria enviar toda aquela documentação para Tim Maia, para as providencias junto as autoridades policiais do Estado de São Paulo.
Visando esclarecer a identidade do autor daquele estelionato, ajudei e Jussara no que foi possível para o encaminhamento da documentação, ficando ela apenas com o prejuízo financeiro, já que nunca mais conseguiu o ressarcimento, pois esse tipo de estelionatário é sempre muito astuto.
Já Tim Maia, dias depois tornou a telefonar para me agradecer e disse que quando fosse para algum show no Estado de Rondônia faria questão de me procurar para dar um abraço e me trazer sua vasta coleção de sucessos - acho que naquela época os discos eram de vinil - o que infelizmente jamais aconteceu, mas valeu a pena pois ajudei a amiga Jussara Gottlieb num momento difícil e ao meu ídolo de ontem de hoje e de sempre Tim Maia.





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