Historia da Policia Civil IV

 SERÁ QUE ESSE É UM CAUSO VERDADEIRO? Só eles pra confirmarem.
.ERA BALA ...Muita bala....Sei, não! Vamos ler.
(03-09-2007)

Estimados colegas policiais

Agora vou contar um causo, que se deu em meados dos anos 80, quando funcionava o presídio na ilha de Santo Antônio, onde certo dia houve uma fuga em massa e fomos convocados para fazer parte de uma equipe que iria em busca dos presos.
Faziam parte, além de mim, João Paulo, Leite, Norberto, Jaime, Duarte, Índio (Ji-paraná), Dr. Jandir e outros, que não me recordo.

Já fazia oito dias que nós estávamos na mata, nas proximidades de Mutum-Paraná, todos cansados e com fome, quando, ao amanhecer, avistamos uma casa e ao tentarmos nos aproximar, fomos recebidos a bala por três fugitivos que estavam na mesma, quando revidamos e partimos em direção à casa,.foi quando, de repente, ouvimos o grito do João Paulo: ME ACERTARAM, ME ACERTARAM.

Eu e outro colega fomos socorrer o mesmo, quando notamos que um galho de goiabeira havia cortado o supercílio dele e não um tiro.

Foi uma gargalhada só! E, alegria maior ainda foi quando chegamos à casa, encontramos duas latas de conserva e aproximadamente meio quilo de farinha...
Era tanta a fome que comemos como se estivéssemos deliciando um filé. Os presos só foram capturados dois dias depois, um deles baleado no pé.

Companheiro João Paulo, você também, com certeza, faz parte da História da Polícia Civil do Estado Rondônia.

Muito obrigado por sua amizade e por suas lembranças e me desculpe à brincadeira.

Pedro Marinho, conta a sua história na polícia
Quando cheguei a cidade de Guajará-Mirim no Início dos Anos 80, a mesma já estava há muitos anos sem delegado de polícia, já que ninguém aceitava ser lotado ali, em razão do forte tráfico na fronteira com a Bolívia e do garimpo muito trabalhoso com milhares de garimpeiros atuando nas imediações da cidade.
Em razão da falta de um delegado quem exercia tal responsabilidade, era o agente administrativo, o saudoso Américo Abiorana, que posteriormente foi transposto para agente de polícia.
Apesar dos cuidados de Américo e dos bons quadros ali lotado, eles os policiais, desejavam alguém que nas dificuldades o apoiassem, pois se sentiam inseguros para o exercício das atividades policiais. Logo na primeira reunião realizada, disse aos mesmos que agissem sem nenhum receio de eventuais poderosos da região, sendo tal promessa literalmente cumprida, pois todas as vezes que ocorreram dificuldades no exercício do trabalho, ou choques com as autoridades locais, sempre me posicionei a favor dos policiais, estando muito deles vivos e assim poderão confirmar estas minhas colocações.
Mas vãos a história, certo dia, o policial Apolônio Silva, mais conhecido por todos como Vaca Brava e que solitariamente trabalhava no Distrito de Surpresa como subdelegado, bastante aflito, passou um rádio em que pedia para falar comigo. De pronto atendi o mesmo que me relatou que estaria se sentindo desmoralizado, pois um reservista, recém saído do Exército, havia desacatado ele Vaca Brava, em razão de um som alto que estava sendo reclamado pelas freiras, informou ele que tinha ido até o local, para pedir ao barulhento para diminuir o volume, tendo o dito cujo se rebelado e sem respeitar o servidor e muito menos a idade do mesmo, informado que não diminuiria o volume e ainda na presença de todos, utilizando palavras de baixo calão, mandou o policial para a PQP.
Naquela oportunidade, ainda no rádio Vaca fez ver que estava se sentindo desmotivado e desmoralizado e sem condições de permanecer naquela localidade, pois como trabalhava só, no momento de agressão verbal, só teria um caminho, sacar sua arma e fazer valer a sua autoridade, mas ai tinha pensado na sua esposa Emilia e no seu filho pequeno, razão porque optou em não reagir. Disse ainda que depois dessa desmoralização preferiria deixar a localidade de Surpresa, me solicitando um substituto, quando então disse ao mesmo que se alguém tivesse que deixar aquela localidade, com certeza não seria ele e que o mesmo ficasse quieto pois eu com alguns policiais estaríamos chegando ali para localizar e prender o atrevido, o que de fato foi feito, ainda no mesmo dia, utilizando uma voadeira, eu, Eguiberto e Lucena, enfrentamos seis horas de viagem subindo o rio até chegar a localidade.
Em Surpresa, verificamos que Vaca tinha falado demais e o sujeito estava foragido, havia se embrenhado no mato, ate que o encontramos escondido num sitio abandonado e o levamos para o centro da vila para que todos vissem quem realmente mandava e que, portanto, mereceria todo respeito. Na presença dos moradores, demos aquele tratamento vip no mesmo, o algemamos e o fizemos entrar no barco até Guajará-Mirim, ele apavorado pedia para não ser morto.
De volta a Guajará, novamente tivemos aquela conversa amistosa com ele e o trancafiamos na solitária, até o dia seguinte para lavratura do flagrante o que efetivamente foi feito e ao liberar o mesmo o avisei que se chegasse a Surpresa e olhasse ao menos de lado para o subdelegado, a sua situação iria piorar muito, pois quando nos subíssemos a sua situação ficaria bem ruim e, portanto ele que escolhesse o melhor para si.

Pedro Marinho conta a sua terceira história na Polícia Civil
Nos anos 80 em data que não consigo relembrar, fui chamando as pressas no Gabinete do Diretor Geral da Policia, Francisco Esmone Teixeira e ali fui avisado de que teria de imediatamente, acompanhado de um escrivão e de um agente de polícia, ir de avião até a Mineração Oriente Novo, nas proximidades da cidade de Ariquemes, pois um individuo havia invadido a área de mineração daquela empresa e tentado furtar um saco de 30 quilos de cassiterita, quando foi surpreendido pelos seguranças e preso. Informou o diretor, que nós deveríamos levar apenas o material para lavrar o flagrante, pois usaríamos usando a maquina de escrever da citada mineração.
Naqueles tempos, os recursos para deslocamento e diárias dos policias era bem escassos e a mineradora sempre que necessitava de algum apoio, pagava aos policiais generosas diárias, que normalmente eram pagas aos seus técnicos, quando em deslocamentos pelo Estado de Rondônia, razão pela qual eram sempre bem vindas, considerando ainda que os nossos salários eram bem pequenos. O fato é que naquela ocasião, foi dito que nos três receberíamos três diárias, quando lá chegássemos.
Ao chegarmos à Mineração Oriente Novo, descemos do pequeno avião e fomos recebidos pelo chefe da segurança, que nos levou para o local onde se encontrava recolhido o ladrão. Ao se abrir a sala, com surpresa, verificamos que o sujeito tinha aberto um buraco no telhado do prédio e fugido do local e o pior, levando consigo o saco de cassiterita, que desnecessariamente e estranhamente, havia sido deixado com ele, para segundo os seguranças da empresa, caracterizar o furto quando da nossa chegada.
O fato é que diligenciamos por toda área da mineração e pelas estradas adjacentes e o sujeito jamais foi encontrado e muito menos a res furtiva, o que deixou os seguranças numa situação bem complicada, para não dizer hilária.
Depois de uma excelente estadia, acomodados em confortáveis dormitórios e recebendo refeições de muito boa qualidade, preparadas por especialistas da cozinha, voltamos já no seguinte para Porto Velho. Como de praxe, na hora da partida, recebemos cada um da equipe, um envelope branco com as três diárias no seu interior e embarcamos no avião, levando conosco o engraçado episódio e junto com o piloto da aeronave, demos boas gargalhadas daquela surreal situação, que definitivamente marcou a minha história na Polícia Civil e dos dois companheiros policiais de viagem, que hoje infelizmente não recordo quem eram e quais os seus nomes.

Pedro Marinho conta a sua quarta história na Polícia Civil
Em mês e ano que infelizmente não recordo, sabendo apenas que foi no final dos Anos 80, me encontrava como diretor da Polícia Metropolitana quando fui chamado fui chamado urgente na Diretoria Geral da Polícia, recebendo a determinação do Diretor Francisco Esmone Teixeira, para embarcar urgente num helicóptero no hangar do governo e seguir um veiculo gol branco com três homens que haviam assaltado um comprador no centro da capital e empreendido fuga pela Campos Sales seguido de perto por uma viatura do 4º Distrito Policial, porém ao chegar na entrada da rodovia que leva a Abunâ, eis que faltou combustível, posto que naquela época a cota diária era de apenas de 10 litros por viatura, tendo o veiculo gol se evadido.
Naquela ocasião, foi dito pelo diretor, como a aeronave não transportava muita gente, eu deveria perseguir os criminosos levando apenas o policial Aldenis, que na época fazia a segurança do secretário, cujo policial morreu anos depois, vitima de acidente de transito na Avenida Jorge Teixeira de Oliveira, tendo Aldenis, se apresentado a mim portando na cintura como eu um revolver 38 e trazendo ainda duas metralhadoras Iná, para a operação que foi iniciada imediatamente com a decolagem do helicóptero.
Após alguns minutos, eu bem ansioso, pois jamais tinha me deslocado num helicóptero, eis que nós avistamos um gol branco, ou seja, com as mesmas características, em grande velocidade pela rodovia, tendo o piloto a meu comando, executado alguns vôos mais baixos, para assim tentar fazer com que o veiculo parasse e os assaltantes se entregassem, num momento de muita apreensão, pois ele mergulhava de frente o helicóptero e como o mesmo é todo envidraçado eu sentado ao seu lado no banco da frente,, tinha a impressão que iria atravessar o vidro e cair embaixo, uma sensação muito desagradável, para quem como eu jamais tinha utilizado um helicóptero.
Depois de vários ataques, eis que o motorista do gol adentrou no Distrito, hoje submerso pelas águas, Mutum -Paraná e parou a cerca de 20 metros, descendo os ocupantes do Gol, todos com as mãos para o alto, quando então o piloto fez descer o helicóptero, levantando toneladas de areia vermelha e estragando definitivamente os almoços de dezenas de pessoas que naquela hora comiam nas muitas barracas ali existentes.
Ao saltar do helicóptero com as metralhadoras apontadas para os três e prevendo possível reação, gritamos muitos para eles: ‘Para o chão’.... ‘Para o chão’....‘Para o chão’. Oportunidade que as três pessoas se jogaram de bruços no chão, ficando todos cobertos pelo barro vermelho ali existente.
Logo que com as devidas cautelas, nós aproximamos, os mesmos começaram gritar que não eram bandidos e sim o motorista e dois engenheiros da Ceron, que estavam ali serviço da empresa, num veiculo gol alugado e sem identificação. Na oportunidade então os revistamos e sacamos dos bolsos dos mesmos os respectivos documentos, verificando ainda no interior do veiculo, que não existiam armas e nem muito menos ouro e sim apenas o material de trabalho dos dois engenheiros, que foram ali fazer um trabalho de observação e medição da fiação elétrica.
Desnecessário dizer o constrangimento de todos nós, ou seja, do piloto e policiais, dos donos das barracas de alimentos e das pessoas que perderam seus almoços e muito principalmente dos servidores da Ceron, que devem ter perdido as roupas que vestiam na ocasião, em razão da impossibilidade de tirar delas depois aquele vermelho do bairro impregnado no tecido e também pelo demorado banho que tiveram que tomar para se livrar de sujeira por todo corpo, principalmente nos cabelos.
Quanto aos quilos de ouro roubados, os ladrões jamais foram encontrados, se imaginando que fugiram para a região de garimpo, para o Acre ou até mesmo para Guajará-Mirim e dali para a Bolívia.

 

Pedro Marinho, conta a sua quinta história na Polícia Civil
Entre os anos de 1987 e 1988, quando me encontrava mais uma vez como Diretor de Polícia Metropolitana, fui procurado por um grupo de senhoras e estudantes, reclamando que não podiam caminhar pelas proximidades da conhecida e antiga Boate Tartaruga, no centro da cidade, pois segundo elas, ocorriam ali muita bebedeira, exploração de menores de idade e as senhoras e estudantes que passavam ali por perto, eram assediadas pelos frequentadores e que, portanto, alguma providencia teria que ser tomada, pois as mesmas já tinham recorrido a diversas autoridades e nada tinha sido feito para resolver a grave questão, que ocorria diariamente e a luz do dia. Depois de ouvir a mesma e de formalizar um Boletim de Ocorrência, prometi ao grupo que em 24 horas aquele problema de décadas seria finalmente resolvido.
Já no dia seguinte solicitei para ficar a minha disposição o ônibus da garagem e mais duas viaturas veraneio e requisitando cerca de 15 homens com seus respectivos revolveres e três armas de grande porte.
Por volta das 15 horas quando o movimento dos freqüentadores da Boate já era grande, solicitei que o ônibus ficasse atravessado na rua na parte de cima e que as duas Viaturas Veraneios, se posicionassem na outra extremidade da rua, evitando assim quaisquer fugas, fossem de indivíduos suspeitos, fossem de menores de idade.
Na verdade existiam duas boates na final da rua, quase defronte uma casa da outra. Na primeira que adentrei com parte da equipe não verifiquei nenhum anormalidade, tendo então me dirigido a Boate Tartaruga e ao adentrar ali, já pressenti um clima bem desagradável entre o motorista da Metropolitana, o policial do Estado Claudinei que trabalhava diretamente comigo e dois sujeitos alterados e desacatando os policiais presentes.
Tais pessoas em pleno expediente e embriagadas se diziam soldados da Polícia Militar e que eles sim entendiam de policia e que nós não sabíamos de nada, quando então os rebati, dizendo que se eles eram tão entendidos assim em atividades policiais, era bem estranho que fossem ainda dois soldados rasos, quando então o mais forte não gostando da gozação que fiz com ambos, veio na minha direção, mas ficou só na vontade, pois o zeloso Claudinei, que tinha cerca de 1.80 de altura, passou voando próximo ao meu ombro e deu uma voadora acertando o peito do militar o jogando longe, quando então ordenei que ambos fossem algemados dentro do ônibus e encaminhados a Central de Polícia para as providências legais, bem como outros freqüentadores irregulares e as menores, tendo naquele dia a Boate Tartaruga encerrado de forma definitiva as suas atividades naquele local, são sabendo eu se ressurgiu em algum outro local da cidade. Penso que não.
Com os policiais militares algemados no cano da Central de Polícia determinei que fossem adotadas as providenciam legais contra os mesmo e fui para meu gabinete informar ao comando da Polícia Militar sobre o acontecido e solicitando a presença do Oficial de Dia para levá-los para o quartel paras providencias administrativas. Qual não foi minha surpresa quando momentos depois fui rapidamente chamado pelo delegado de plantão, pois dois aspirantes que tinham chegado ali, atrevidamente usando as suas próprias chaves estavam tentando abrir as algemas dos dois soldados, desrespeitando os delegados e policiais presentes, quando então adentrei no recinto gritei ‘Alto lá’ e dei uma lição de moral nos dois, pedindo que ambos se retirassem e retornassem para o quartel, pois não entregaria os militares presos a eles, que não souberam se conduzir como graduados na casa alheia e que eu iria fazer um relatório sobre a conduta dos dois soldados e deles oficiais, o que de fato cumpri no mesmo dia.
Novamente liguei para o quartel e o próprio Oficial de Dia um capitão louro, cujo nome infelizmente não recordo que veio pessoalmente buscar os soldados e lamentou todo ocorrido, principalmente a conduta do dois aspirantes a Oficial e disse ali na Central na presença de todos, que as providências com os quatro militares seriam com certeza rigorosas, mas entretanto jamais soubemos o que aconteceu com os mesmos. Talvez absolutamente nada, mas tenho certeza que cumprimos o nosso dever e nos impomos.
Esta é mais uma das tantas histórias que nós policiais vivenciamos mesmo com as dificuldades próprias daquela época, Deixo aqui de citar nomes dos demais policiais civis envolvidos, pois infelizmente não recordo e também por temer cometer injustiças.

 





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