SALVAR A FALÉSIA DO CABO BRANCO 10 LIÇÕES – Engenharia, vamos assumir o protagonismo!!!



Por Santos, engenheiro civil

1ª LIÇÃO Litoral: ambiente vulnerável, naturalmente,

É cediço, no meio científico, que a ZONA COSTEIRA é uma área de transição entre o domínio do mar e o domínio do continente, onde se trava um embate permanente e em ciclos, ao fim dos quais, via de regra, o mar sai “vitorioso”, ou seja, a LINHA DE COSTA é constantemente pressionada em direção ao continente, e recua.

A FALÉSIA DO CABO BRANCO está inserida nesse ambiente: há décadas, convive com essa vulnerabilidade, experimentando o fenômeno natural da EROSÃO, devido ao avanço do mar, que provoca o desbaste de seu talude, que é consideravelmente friável.
A situação só tende a piorar!

Segundo os estudiosos do clima, a previsão é a intensificação dos fenômenos meteorológicos extremos. A nível global, teremos ventos mais fortes que atuarão nas variáveis meteorológicas e na dinâmica oceânica capazes de alterar os padrões da circulação atmosférica na Terra, até porque, com nos assevera Dieter Muehe “ O oceano é fundamental, mesmo porque toda mudança climática maior tem muito a ver com a circulação oceânica, tanto a de superfície como a de fundo”.

Nesse cenário, a situação da FALÉSIA DO CABO BRANCO continua, sim, a agravar-se: isso porque tudo o que foi feito (ou proposto) até agora, em termos de proteção efetiva à barreira, não tem sido eficaz, por dois motivos principais: primeiro, as medidas não atacam as causas; segundo, porque as estruturas propostas não são suficiente e adequadamente concebidas para o embate com o mar, que avança agressiva e impiedosamente.

O professor Williams Guimarães, que dispensa apresentação, com base em dados da Fundação Apolônio Sales (2007-2010), admitiu, embora empiricamente, que, se nada for feito, e considerando uma projeção anual de um metro de recuo da LINHA DE COSTA, o acesso ao Farolo do Cabo Branco ficará inviável.

Nesse passo, propõe o cientista que a solução deve consistir “[…] em intervenções pontuais onde a erosão está bastante acentuada. Para isso, teria que fazer um levantamento de toda área para saber onde se poderia colocar um tipo de intervenção que estabilizasse aquele setor”, que deve ser estendido, digo eu, a outros pontos, como, por exemplo, a Praça de Iemanjá e a Praia do Seixas. Implantadas as estruturas, passaria a ser feito um MONITORAMENTO CONTÍNUO, no local e nas áreas adjacentes.

Em complemento às corretas e pertinentes afirmativas do geógrafo, é preciso, também, compreender que as intervenções pontuais capazes de interromper, não o avanço do mar – que é inevitável – mas o recuo da LINHA DE COSTA, somente serão efetivas e longevas mediante a execução de ESTRUTURAS DE ENGENHARIA DEFENSIVAS, concebidas e dimensionadas adequadamente.

Em outro giro, concordo com a preocupação do professor em relação às obras de drenagem em execução naquele conflagrado setor, no sentido de que o correto “[…] seria redirecionar a rede de drenagem para outro local e não deixar onde estar atualmente […]”. Em complemento, diria: se não houver outro ponto de lançamento, isto é, se o destino das águas pluviais canalizadas for, unicamente, a praia, que essas águas sejam lançadas no mar dissipativamente, não diretamente no plano sedimentar como está sendo executado pela Prefeitura de João Pessoa. É tudo o que esse ambiente vulnerável não quer é mais ENERGIA. Um absurdo, para dizer o mínimo, o que a nossa edilidade está fazendo!!!

Próxima lição: Principais causas do avanço do mar.
Perdão pelo termo lição: puro e despretensioso eufemismo.





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