Não há absolutamente nada nos diálogos criminosamente violados - Francis Lopes de Mendonça



Acabo de ver o teor das conversas e, francamente, não há absolutamente nada nos diálogos criminosamente violados e publicados a inquinar de ao menos antiética a fala do Juiz e do Promotor. O fato de procuradores (e seus amigos próximos) referirem-se a réus condenados, por eles investigados, como "mafiosos", isso me parece bastante normal. Estranho seria se eles os considerassem inocentes nas suas conversas particulares.

A acusação assacada a Moro por ter feito sugestões ao procurador, ora, o cara era o juiz encarregado de autorizar as operações. Como fazer isso sem esclarecer dúvidas e trocar ideias com as pessoas envolvidas? E quanto ao pedido que o procurador fez a Moro (de que julgasse rápido uma denúncia), o pedido foi negado, e mesmo que tivesse sido aceito, parece-me que esse tipo de coisa (num país em que juízes recebem em seus gabinetes os advogados de defesa dos réus) não chega nem ser uma falta ética leve.

E finalmente, quanto aos procuradores expressarem suas dúvidas e receios (inclusive em relação à mídia e à opinião pública) em suas conversas particulares: sério que alguém vê nisso alguma transgressão funcional? Trocando em miúdos, as conversas privadas divulgadas até aqui em nada indicam uma parcialidade "política", juridicamente danosa, dos procuradores e do juiz Moro, cujo único mal foi o ter saído da liderança da operação mais potencialmente profunda e abrangente da corrupção que esse país já teve notícia, para se expor na linha de frente desse governo de merda que está aí. Além do mais, não é possível admitir que, depois de submetido à diferentes Cortes, composta por diferentes magistrados, e que absolutamente todos eles pronunciaram sentenças bastantes assemelhadas, levante-se dúvidas sobre o caso em questão.

Realmente, estamos diante de mais uma típica campanha de desinformação, desmoralização da Lava-Jato e de chantagem emocional. Mas o que mais me espanta é ver gente que eu reputava inteligente dando espaço ao “jus sperniandi” de uma organização criminosa travestida de partido que, se a lei eleitoral tivesse sido aplicada de verdade, já devia ter sido desmontada e extinta a bem do povo brasileiro junto com outras facções criminosas da marca do PSDB e do MDB que tirou o “P” de propina.

E antes que alguém seja levado à suposição de que minhas opiniões críticas são movidas por partidarismo, gostaria de deixar claro que não tenho nada de pessoal contra Lula e Jair, nem nenhum compromisso partidário, eleitoral ou ideológico com nenhum dos referidos políticos, nem com o tiozão babaca e inoportuno, que se faz de desentendido para encobrir os deslizes morais dos seus filhos escrotos, e nem com o vovozão pilantra que se diz perseguido pelas elites brancas pelas quais chegou ao poder fazendo alianças espúrias nos bastidores e dividindo as falcatruas com essas mesmas elites. O vovozão pilantra devia permanecer no xilindró e o tiozão segregador devia ser internado no manicômio.





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