Último giro do ponteiro. Começa a contagem regressiva pra que Ricardo saia do Governo do Estado e entre pra história da PB



 

Por: Aldo Ribeiro

Com o passar dos anos os ídolos da infância vão transformando-se em referências. Comigo é mais ou menos assim que funciona. E minhas referências fogem um pouco da obviedade. Não por querer ser diferente ou pretencioso. Longe disso. Minhas referências tem defeitos (e que bom que os tenha), e são de carne e osso. Acho que tem mais haver com afinidade de valores meus, que de repente também enxergo neles. Ou valores que vejo neles e que gostaria de ter, ou potencializar na minha personalidade. Talvez seja um pouco de tudo isso.

Meu ídolo de infância e juventude no futebol, era o centroavante Evair do Palmeiras. Dos grandes atacantes dos anos 90, talvez o mais improvável daquela época. Tínhamos o Romário, Edmundo, Bebeto, Ronaldo e mais uns 20 caras infinitamente mais midiáticos que o “El Matador”, Evair. Mas era dele que eu gostava. Era dele que eu tentava imitar a cobrança de pênalti. Era no estilo de jogo dele que me espelhava pra tentar inutilmente executar nos jogos e campeonatos juvenis. Era a postura dele fora de campo que eu admirava. Ele era tímido, de poucas palavras e meio antipático também. Vai entender. Mas foi atleta e homem exemplar na sua trajetória de atleta. Inconscientemente acho que isso também pesava pra mim.

Na música, hobby que tem na minha rotina uma importância acima da média, escuto de tudo. Mas a obra do Humberto Gessinger e sua banda Engenheiros do Hawaii, é quase que extensão da família.

EH/Gessinger sempre foram uma espécie de “patinho feio” BROCK anos 80. Os críticos da revista Bizz, e quase todas as outras revistas especializadas do país detonavam a banda. Nem mesmo quando estouraram de vez com o progressivo disco “O Papa é Pop”, deram-lhes sossego. Eles eram uns gaúchos fechadões, de poucas palavras e meio antipáticos também. Iam na contramão da onda New Wave e punk da época. Eu poderia ter me identificado com a Legião, com os Paralamas, com o RPM, com os Titãs e com mais uma dezena de bandas da época. Mas não, a banda que fez minha cabeça foi Engenheiros do Hawaii. Umas letras esquisitas, uns arranjos mais bem trabalhados e também esquisitos, uns caras que não se drogavam e pouco se metiam em polêmicas do mainstream do rock nacional. Estavam “longe demais das capitais”, e faziam questão de continuar assim. Acompanho a carreira solo de Gessinger, e admiro demais a dignidade com que conduz sua carreira e tudo que o cerca. Muito tímido, por vezes é taxado de antipático ou coisas do tipo.

Na política não é muito diferente. O hoje governador Ricardo Coutinho, talvez tenha sido o primeiro político que eu tenha tido de verdade algum contato, já como um jovem moleque cidadão apto a votar. Eu estudava na Academia de Comércio, ali na frente ao Pavilhão de Chá. Acho que o ano foi 1996. Devia ter uns 16 pra 17 anos. E eis que num dia qualquer na volta pra casa, sou abordado pelo Mago, que panfletava em frente ao Paraíba Palace Hotel. Mas minha principal lembrança desse encontro, não foi a simples entrega de um santinho. Foi um educado e embasado pedido de voto. Aquilo era novo pra mim. Pediu o voto e explicou resumidamente o que iria defender na Câmara Municipal. Me marcou. A partir dali, comecei acompanhar sua trajetória, e por conseguinte, ainda que de forma tímida, a política de um modo geral. Ricardo virou minha principal referência na política.

E, aos olhos desse ilustre desconhecido sonhador, o que há em comum entre Evair, Gessinger e Ricardo? Viajei na maionese? Não. Acompanho a trajetória desses caras, e sei que existem mais coisas em comum do que diferenças. Cada um na sua onda. Cada um na sua vibe. “Paralelas que se cruzam em algum lugar”.

Decantar tudo o que Ricardo fez nesses oito anos pela Paraíba, é repetitivo nesse momento. A hora é de agradecer. Agradecer pela coragem de quebrar paradigmas. Agradecer por transformar essa nave chamada Paraíba, numa máquina pronta pra voar. Agora é com João. Não tenho dúvidas que daremos o grande salto pra consolidação de um projeto que virou realidade.

Não sou mais aquele moleque do já longínquo 1996, mas carrego comigo o melhor dele, a sua essência. E observando daqui, Ricardo também já não é mais aquele aguerrido militante do PT que encontrei no Ponto de Cem Réis. Mas sua essência…ahhh, essa eu tenho certeza que ele carrega até hoje.

Quem perde a essência, morre em vida. Na política também funciona assim.

Saúde e vida longa, Governador. Nos cruzamos por aí.




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