Doria trocou certo por duvidoso, indica Datafolha




Josias de Souza 16/04/2018 05:13

Eduardo Knapp/Folha

Ao trocar a poltrona de prefeito pelo palanque de governador, o tucano João Doria pode ter se metido numa encalacrada. Jogou pela janela dois anos e sete meses no comando da maior cidade do país. E começa a perceber que será dura de roer a disputa pelos quatro anos à frente do Palácio dos Bandeirantes. No momento, o principal adversário de Doria é a expressão “por outro lado”.

No cenário mais provável, Doria lidera a disputa com 29% das intenções de voto, seguido por Paulo Skaf, que amealhou 20%. Poder-se-ia dizer que a dupla é favorita. Por outro lado, Doria e Skaf lideram também o ranking de rejeição: 34% dos eleitores paulistas informam que jamais votariam em Skaf. O bloco que refuga Doria soma 33%.

Considerando-se que o governador Marcio França, outro pretendente ao trono estadual, aparece na pesquisa num longínquo terceiro lugar (8%), tecnicamente empatado com o petista Luiz Marinho (7%), parece até que a eleição acabou. Por outro lado, França é um ilustre desconhecido.

Nove em cada dez moradores do Estado não sabem que Marcio França herdou a poltrona de Geraldo Alckmin. E ele dispõe do governo do Estado mais rico da federação para levar à vitrine uma pose capaz de seduzir parte do eleitorado. Cavalgando a máquina estadual, monta uma coligação que lhe dará tempo de propaganda na TV e prefeitos para cabalar votos no interior.

A movimentação de Márcio França pode dar em nada. Por outro lado, o Datafolha informa que, a seis meses da eleição, há muito território a ser desbravado por candidatos desconhecidos. Numa pesquisa espontânea, quando o eleitor é convidado a revelar sua preferência sem ler os nomes dos candidatos numa cartela, nada menos que 62% afirmam não saber em quem votar. Uma legião de 21% revela-se disposta a votar em branco ou anular o voto.

Suprema ironia: em 2016, a pedido de Alckmin, coube a Marcio França montar a coligação partidária que facultou a Doria partir de um dígito nas pesquisas para conquistar a prefeitura no primeiro turno. Hoje, Doria continua fazendo cara de empresário avesso à política. Por outro lado, o tucano acha que é uma coisa. Mas o eleitorado o enxerga como outra coisa bem diferente.

Doria passou a representar quase tudo, menos o novo. Além da alta taxa de rejeição eleitoral, ele carrega sobre os ombros um índice de reprovação à sua gestão como prefeito de 47%. Pior: a expressiva maioria dos eleitores residentes na capital (66%) reprova a saída de Doria da prefeitura com apenas um ano e três meses de mandato.

O ex-prefeito poderia argumentar que José Serra também abandonou o mandato de prefeito em 2006 e conquistou o governo do Estado no primeiro turno. Por outro lado, a decepção do eleitorado com Serra era menor: 45% disseram na época que ele fez mal em deixar a poltrona de prefeito antes da hora. Mas 46% aprovaram a decisão de concorrer ao governo paulista.

Doria celebrará em público os números do Datafolha. Por outro lado, o jogo está longe de ser jogado. A eleição está aberta. Doria dispõe de tempo para se reposicionar em cena. Por outro lado, se a ex-novidade não se cuidar, arrisca-se a migrar do triunfo de 2016 para a condição de candidato favorito a fazer de um dos seus rivais o próximo governador de São Paulo.




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