Ex-prefeita de Conde usava vigilante como laranja para desviar dinheiro de desapropriação de terrenos

walla santos

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Tatiana e o ex-procurador do município foram presos na manhã desta terça-feira na primeira fase da Operação Condessa

Manoel Cassimiro Neto, promotor do Grupo de Ações Especiais contra o Crime Organizado (Gaeco) (Foto: Walla Santos)
A ex-prefeita da cidade do Conde, Tatiana Lundgren Correa de Oliveira e o ex-procurador do município, Francisco Cavalcante Gomes, teriam usado o nome de um vigilante que prestava serviços para a Procuradoria para lavar o dinheiro referente a uma desapropriação de um terreno onde estaria sendo construída uma escola municipal.

De acordo com o promotor do Grupo de Ações Especiais contra o Crime Organizado (Gaeco), Manoel Cassimiro Neto, todo o processo da desapropriação conteria irregularidades que apontavam para a realização de crimes de responsabilidade, peculato e falsidade ideológica.

"O terreno teria o valor para desapropriação avaliado em R$ 400 mil. O proprietário entrou com um processo civil referente ao terreno, pois uma escola estava sendo construída ali, e ele exigia uma indenização ou o embargo da obra. Foi aí que o procurador, junto da prefeita, fizeram uma manobra para adquirir o terreno. Eles estabeleceram o valor acima do que estava avaliado em R$ 620 mil e começaram a efetuar pagamentos, como se este dinheiro fosse para o proprietário. No entanto eles pagavam a uma terceira pessoa. Alguns cheques ainda foram usados para comprar coisas para pagar para o proprietário verdadeiro, mas a maior parte ia para um terceiro. Foi uma manobra para encobrir uma situação que eles estavam fazendo para adquirir o terreno", explicou o promotor.

Cassimiro ainda destacou que este crime inicial abriu as portas para todos os delitos que foram cometidos depois. "Situações como desvios de recursos públicos, peculato, inserção de dados falsos no Sagres, tudo para justificar o crime inicial. Eles fizerma manobras para que o processo do proprietário não tivesse um desfecho, para que a situação continuasse em aberto e isso beneficiava eles", explicou.

Um laranja teria sido usado para se passar por proprietário do terreno. Um vigilante da procuradoria do município foi o escolhido. Este vigilante foi inquirido pelo Gaeco e revelou que não reconhecia a assinatura que estava nos documentos apreendidos durante a Operação Condessa.

"Alguém endossava os documentos se passando por este vigilante e o dinheiro passava para a ex-prefeita e o ex-procurador. O dinheiro era usado para aquisição de bens, veículos, tudo o que eles quisessem", explicou o promotor.

Durante a deflagração da Operação Condessa vários documentos foram apreendidos pelo Gaeco junto do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil. "Estes documentos serão investigados e, dependendo das informações encontradas, novas fases da operação podem ser deflagradas. O Gaeco e o Goe não investigam pessoas, investigam fatos. O que existia da operação deflagrada hoje eram indícios que apontavam contra os dois presos. Esta foi a primeira denúncia concreta e só conduzimos o pedido de prisão porque existia prova material e indício forte de autoria, e o Gaeco não faz denúncias sem provas consistentes. Quem for responsável pelos fatos, será responsabilizado", concluiu o promotor.




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