MEMÓRIA PESSOENSE: Nininho, o “Fiapo de Ouro” - Sérgio Botêlho



Assim, fora do campo, andando pela rua, quem olhava pela primeira vez aquele rapaz franzino, vindo de Jaboatão dos Guararapes, para jogar futebol em João Pessoa, jamais imaginaria se tratar de um atleta.

Pequeno, olhar irrequieto, magrinho, Nininho, cujo apelido de “Fiapo de Ouro” diz tudo sobre a sua compleição física, no entanto, enquanto jogou no “Belo”, o glorioso Botafogo Futebol Clube, de João Pessoa, só deu alegrias à enorme torcida do clube.
Em campo, Nininho tanto driblava com grande desenvoltura quanto avançava na direção da área deixando os colegas na cara do gol e os adversários desconcertados, favorecendo memoráveis vitórias do então alvinegro pessoense.

Em virtude de sua enorme importância para o sofrido time pessoense, na época, aquele pernambucano de enorme magia futebolística logo tornou-se ídolo da entusiasmada torcida do Belo.

Quando falo “sofrido”, considero o clube nos anos 60, pois, em 1968, não havia vencido um campeonato sequer na década que estava se findando, com os times campinenses dominando o cenário do futebol paraibano.
Para quem não viveu a época, convém lembrar que, de 1960 a 1965, os campeonatos paraibanos foram, todos eles, vencidos pelo Campinense Clube, que se tornou hexacampeão, sendo o de 1966 ganho pelo Treze, para novamente, em 1967, o Campinense voltar a ser campeão.
Eram, dessa forma, oito anos de jejum para o Botafogo da Paraíba, o time que, desde sempre, reuniu o maior número de torcedores da Capital paraibana, sem, contudo, conseguir formar uma equipe, naquela década, que se impusesse sobre o poderoso futebol de Campina Grande.

Pela esperança de ver quebrado o domínio campinense, o “Fiapo de Ouro” envolveu de tal forma a torcida que rapidamente tornou-se um dos nomes mais conhecidos e festejados em toda a Grande João Pessoa.

Eram os tempos de futebol jogado, na Capital, nos estádios José Américo de Almeida, no Bairro dos Estados, e no Leonardo Vinagre da Silveira (Estádio da Graça) em Cruz das Armas, que se revezavam como palcos para espetáculos inesquecíveis dos grandes do futebol da Paraíba.

Finalmente, com Nininho, e, mais, Fernando, Lando, Lúcio Mauro, Toinho, Edson, Zezito, Lula, Nido, Dissor, Roberto, Zito Camburão, entre outros, o Botafogo da Paraíba alcançou o título de campeão paraibano, provocando uma festa espetacular em João Pessoa, no dia da vitória final contra o Treze.

Chamando a atenção de olheiros cariocas, Nininho ainda chegou a ser levado para treinar no Flamengo do Rio de Janeiro. No entanto, seus dribles e sua desenvoltura encantaram menos os dirigentes flamenguistas do que seu corpo franzino.

Mas, tivesse sido apenas a decepção de não ter emplacado num grande time do futebol brasileiro, tudo estava bem para Nininho. O tamanho do amor que lhe devotava a torcida botafoguense e o povo pessoense, por extensão, bastava para que ele fosse feliz até quando terminasse o seu futebol.

No entanto, em novembro de 1969, ao se submeter a uma operação corriqueira, complicações levaram Nininho à morte, com apenas 23 anos, provocando imensa comoção na cidade de João Pessoa.

Nininho, um pernambucano de Jaboatão de Guararapes, assim, é parte da história pessoense, ídolo permanente da torcida do Belo, herói dos campos de futebol da Paraíba, e, ainda, hoje, uma imensa saudade.

(A foto é do Blog do Professor Zezinho. Nininho é o último à direita entre os agachados)




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