MEMÓRIA PESSOENSE: Italianos e seus descendentes em João Pessoa - Sérgio Botêlho



Meus avós João Galdino de Lima Botêlho e Adélia Medeiros de Lima Botêlho residiram até o final da vida de ambos na histórica Rua da República, na parte mais de cima da via, bem pertinho da Praça Venâncio Neiva, onde está o famoso Pavilhão do Chá.
Nessa parte da rua, e, ainda, na praça (os Sorrentinos), moravam famílias italianas que eu, menino, gravei na memória, até hoje. E, na decisão de escrever essas memórias pessoenses, não poderia deixar de discorrer sobre a forte presença de italianos, em João Pessoa.

Fui amigo, de residir na mesma rua, na Santo Elias, dos irmãos Gim e Marco Cantisani, eles e família moradores naquela via do Centro, já bem perto da Dom Pedro I. Na Arthur Aquiles, fomos vizinhos do casal Humberto e Consuelo Di Pace, e a filha Líbia Giovanna Di Pace.

Giana Sorrentino foi colega de colégio de minha filha Mariana, no IPEI, e, posteriormente, na UFPB. E, no movimento estudantil, construí amizade com Silvana Sorrentino, casada com o jornalista Fernando Moura. Na Reitoria da UFPB, a partir de parceria no trabalho, forjei amizade com Marcondes Timóteo.

Meu prezado amigo, Silvino Espínola, desde os bancos do Lins de Vasconcelos, passando pelo Astrea e pela vida universitária e cultural, até hoje, é outro desses descendentes italianos que tive a sorte de conhecer. Os irmãos Piccolli, chegados a João Pessoa vindos de Porto Alegre, na década de 70, são amigos, também. Perazzo, colega de Pio XII, é outro.

Os irmãos Franca são mais descendentes de italianos com quem estabeleci amizade, desde que fui colega de Damásio (Zito) Franca Filho, no Pio XII, até a administração de Chico Franca, da qual participei, na Prefeitura de João Pessoa. O saudoso vereador Di Lorenzo Marsicano foi amigo de lides políticas e de quem privei da amizade até o final de sua vida, assim como o atual deputado estadual Trocolli Junior.

Outro amigo construído ao longo da vida foi Roberto (Bob) Záccara, cuja família é tradicional residente da praia de Tambaú, ele, que foi dono do Parahyba Café, no Centro Histórico de João Pessoa, já alvo de nossas memórias. Na universidade, fiz amizade com Fernando e Selma Lianza, pelos quais tenho o maior apreço, e que continuam amigos aqui no Face. E, ainda, os Chianca, da Santo Elias, que chegam a ser contraparentes por conta do parentesco com primos meus.

Pessoalmente, conheci, também, o arquiteto Mário Glauco Di Lascio, ele, descendente da família Di Lascio, filho do também arquiteto Hermenegildo Di Lascio, o que me obriga a registrar a influência italiana começando pela arquitetura pessoense.
Assim, nas pesquisas que fiz, para bem fundamentar a postagem, terminei encontrando a presença italiana em vários dos prédios na capital paraibana, ainda, hoje bastante significativos, enquanto construções singulares.

O marcante prédio que abriga o Grupo Thomaz Mindello, entre a rua General Osório, a avenida Guedes Pereira e a Praça Aristides Lobo, por exemplo, é obra de um italiano, o arquiteto Pascoal Fiorilo, chegado a João Pessoa, na década de 20, diretamente da Itália.

Segundo a providencial Wikipedia, em verbete intitulado “Imigração italiana na Paraíba”, a influência italiana pode ser notada em outros prédios antigos da capital, a exemplo da Academia de Comércio Epitácio Pessoa, do coreto da Praça da Independência, da Associação Comercial da Paraíba ou da Loja Maçônica Branca Dias, assim como em construções da avenida General Osório.

Na cultura, segundo o livro A Presença Italiana na Paraíba, de Alfio Ponzi (citado pela Wikipédia) há a seguinte passagem sobre o progresso trazido pela comunidade para a capital paraibana: (...) na aurora da cinematografia paraibana, italianos como Stefano Conte, Giovanni Petrucci, Vicente Rattacaso e Grisi faziam-se proprietários dos primeiros cinemas da capital paraibana de nomes Morse, Popular, Pathé e Rio Branco. Destes, o Rio Branco, inaugurado em 1911 e precursor do cine Rex, que somente cerraria as portas na década de oitenta.

Na expectativa de que a publicação deste post - rápido, como devem ser os textos nas redes - possa provocar mais contribuições, reproduzo aqui a maioria dos sobrenomes italianos que passaram ou constituíram família e descendência em João Pessoa, segundo o livro de Alfio Ponzi: Abenante, Andrea, Doia, Apratto, Belli, Bichieri, Bocarelli, Cahino, Cantalice, Cantisani, Carbone, Cariolo, Castor, Cesarino, Chiacchio, Chianca, Ciraulo, Cirne, Congliere, Conte, Cosentino, Cozza, Creosola, Crudo, Dalia, D‘Andrea, Di Lascio, Di Lorenzo, Di Pace, Dore, Espinola, Falcone, Faraco, Franca, Fenizola, Fiorentino, Gerbasi, Germoglio, Giacomo, Gibelli, Gioia, Grillo, Grisi, Grecca, Guadagni, Guarnieri, Iaceli, Imbelloni, Iorio, Italio, Lauria, Lascio, Lianza, Lombardi, Lorentino, Magliano, Marsicano, Pavan, Pecorelli, Perazzo, Petrucci, Picorelli, Pizza, Poggetti, Ponzi, Protto, Primola, Prota, Rattacaso, Ricucci, Ritondale, Rivello, Sabella, Scarano, Sibelino, Sorrentino, Spinelli, Timoteo, Troccoli, Valentino, Visani e Zaccara.




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