MEMÓRIA PESSOENSE: Paulo Miranda - Sérgio Botêlho



 

Para se escrever a história da urbanização da área da Praia de Cabo Branco, o escrevinhador há de se lembrar de um cidadão pessoense de São José de Mipibu (sem qualquer contradição, nisso), chamado Paulo Miranda, que, até o final da vida, morou em casa construída em amplo terreno já perto da subida que leva à Praia do Seixas.

Lembro ainda de nosso herói destas linhas de agora, já do alto de seus mais de 90 anos, dirigindo um fusca, naquela subida para o farol do Cabo Branco, sob a apreensão de parentes e transeuntes em geral.

Mas, destemido, não queria largar o doce prazer de guiar seu automóvel por aquelas paragens que, em tempos de antanho, havia sido todas de sua propriedade.

Entre as irmãs, Paulo Miranda tinha Alaíde Miranda, mãe de uma ruma de Mirandas, muitos deles, entre os meus amigos do Face; porém, a ampla maioria, amiga de infância, alguns deles, no entanto, já encantados por outros planos.

Falo de Floriano, Golinha, Cecília, Elizabeth (Bebeta), Sandra, Betânia, Sânia, Paulo de Tarso e Diana. E, ainda, do primo deles, e sobrinho de Paulo Miranda, o velho amigo Ruy Barroso. Sem esquecer da amiga cabedelense Jânia Miranda.

Segundo Ruy Barroso, Paulo Miranda, ao correr de sua longa e lúcia existência de 106 anos teve cinco filhas (Jane, Judy, Janette, Jady e Jacy) as duas primeiras já falecidas. Netos, uns 25, e bisnetos são muitos, tataranetos uns cinco.

Conta a história – boa parte, creio, beirando a lenda – que Paulo Miranda estendia seus domínios iniciais até os confins do Cuiá, passando pelo atual território de Mangabeira, dividindo limites com terras dos Santos Coelho, da praia da Penha e adjacências.

Mas, de acordo, ainda, com Ruy, os domínios de Paulo Miranda eram “um pouco menor”, indo do edifício Borborema, no final da Beira Rio, até parte dos atuais territórios de Mangabeira e adjacências, o que inclui, ainda, o Jardim Cidade Universitária.

Impossível, assim, não levar em consideração a existência de uma figura, dessa maneira, tão importante para a formação urbana da cidade de João Pessoa, mais fortemente a partir de quando a cidade chega à orla, se expandindo ao longo da barreira do Cabo Branco, para o lado direito da Epitácio Pessoa, que abriu caminho da Praça da Independência até aqueles mares dolentes e tépidos, ao gosto de qualquer um.
Um dos netos de Paulo Miranda, o empresário Roberto Machado de Campos, tem, segundo li em matéria escrita pela jornalista Tereza Duarte, em seu blog turismodesenvolvimentopb, se ocupado da tarefa de preservar a memória do avô, no Parque Ecológico Bosque Dos Sonhos, próximo ao Farol do Cabo Branco, onde foi criado o Memorial Paulo Miranda.

O nosso herói do texto de agora, como se pode observar no soneto “O Cabo Branco”, registrou, em versos, seu amor pelo Cabo Branco. “Separado pelos ventos de outros mundos, e gerado na existência de outras eras, o Cabo Branco na passagem dos segundos, vai assistindo o passar das primaveras. Desafiando a própria natureza, sua ponte ligando o continente; sublime, senhor dessa grandeza, banhado pela luz do sol nascente. E a sutiliza das ondas lhe beijando, vai uma vem outra se evolando, se esvaindo no espaço cor de anil. E do verde da flora ele se veste, recebe o soprar do vento agreste, este acidente geográfico do Brasil!

A bem da verdade, é bom que se inscreva nessas memórias pessoenses, Paulo Miranda chegou a presidir a Academia Paraibana de Poesia, e deixou dois livros de sua autoria, Raios de Sol e Memórias de um Poeta, unindo-o definitivamente à cultura literária da capital paraibana, afora, é claro, à própria história de João Pessoa.
Essa figura de destaque da história pessoense, ao menos no seu caso, tem, nos descendentes, o cuidado com a preservação de sua memória, conforme a gente pode perceber, o que é muito importante para a própria preservação da memória da capital paraibana.

(A foto é do TripAdvisor)




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