MEMÓRIA PESSOENSE: Edifício Santo Antônio e a década de 60 - Sérgio Botêlho




Na década de 60, a juventude vivia um sonho internacional de liberdade movido pelo rock and roll. No Brasil, mandava a Bossa Nova e a Jovem Guarda, movimentando os jovens brasileiros que rompiam com tradicionais costumes.

Em João Pessoa, não era diferente do restante do Brasil e do mundo. Tambaú começava a ser conquistada e os jovens eram os desbravadores daquela praia maravilhosa, reunindo-se em tribos ao longo de Tambaú, propriamente dita, e Manaíra.

Evidentemente, sem esquecer as praias de veraneio da Grande João Pessoa, principalmente as praias do Poço, Formosa e Ponta de Mato. Ali, também, nas épocas de férias, as turmas se formavam para curtir a vida que se estava descobrindo.
Lembro, mais fortemente, do pessoal que se encontrava na calçada do Edifício Santo Antônio, de calça Lee e pés descalços (a pegar bicho de pé pelo caminho) para tocar violão e cantar as músicas da Jovem Guarda, ocupando culturalmente a vetusta, embora, na época, recentemente habitável orla marítima de João Pessoa.

Sempre bom lembrar que a orla pessoense somente foi alcançada pelos habitantes da capital, assim, de maneira mais sistemática, com a construção de habitações definitivas, a partir do início da década de 50, com o calçamento da Epitácio Pessoa.
Na década de 60 o processo de urbanização de Tambaú, Manaíra e Cabo Branco estava ainda bem no começo. Havia inúmeros terrenos vazios além de água à flor da terra, por força da baixa posição da terra com relação ao nível do mar.

Dessa forma, nos tempos de inverno, em Tambáu, Manaíra e Cabo Branco, além, é claro, da longínqua e comprida praia do Bessa (esta, até pouco tempo), formavam-se lagoas extensas, com direito a peixe e rã, não mais que de repente.

Muriçoca, então, nem se fala. Aquilo era um imenso território de insetos, e, ainda, algumas doenças tropicais, naturalmente. Mais antigamente, ainda, até impaludismo fazia com que os pessoenses preferissem Poço, Formosa e Ponta de Mato para veraneio. Falo até a década de 40.

Pois bem. Naquela década de 60, um grupo grande de jovens, a maioria, residente ali por perto, outros, ainda, veranistas de João Pessoa e de Campina Grande, se reuniam naquele pedaço de praia, curtindo, também, as areias que um dia seriam cobertas pelo Hotel Tambaú.

Na beira mar, os barcos, os pescadores e uma bela e saudosa caiçara são testemunhas das curtições daquela juventude, durante o dia e a noite (assim, em tempo integral, nas épocas de férias), na beira do mar.

Por trás do Santo Antônio, havia um imenso terreno vazio. No local, pontificava um belo campo de voleibol que sediava torneios inesquecíveis, reunindo equipes escolhidas na hora. Uma maravilha.

Mais fantásticos ainda eram os assustados, aos moldes da época. A turma se reunia, vitrola e bebidas debaixo do braço, chegavam de surpresa na casa de alguém. Não me lembro de pais reclamando. Ao menos de público!

Nos assustados rolava dança até certa hora, tudo puxado pela onda da Jovem Guarda. Os pais preparavam “ponche”, à base de frutas. Mas, a turma, como já disse, não relaxava de levar alguma bebida que era consumida do lado de fora da festa.
Em junho, então, havia a festa mais esperada do ano, o São João, com direito a quadrilha ensaiadíssima, e a público cativo. Tempo bom, tempo bom, que não volta mais, aquele da década de 60 nas calçadas do Edifício Santo Antônio, da praia de Tambaú.




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