MEMÓRIA PESSOENSE: Kay France e a travessia da Mancha - Sérgio Botêlho




Foi em 1979 que a Paraíba comemorou uma das maiores conquistas internacionais empreendidas por gente da terra. Naquele ano, uma garota de 17 anos, filha de um professor de Educação Física, ex-pugilista, entrava para o seleto grupo de maratonistas mundiais que atravessaram o Canal da Mancha, na Europa.
A menina de 17 anos, de nome Kay France, filha do professor Sales, paraibana de João Pessoa, cruzou a nado um braço de mar que separa a Inglaterra da França, vencendo um trecho de 33 quilômetros.

Na oportunidade, 19 de agosto daquele ano de 1979, Kay France enchia de orgulho paraibanos, nordestinos, brasileiros, latino-americanos, mulheres e jovens atletas do mundo inteiro pois era a primeira paraibana, nordestina, brasileira, latino-americana e mais jovem maratonista, em todo o mundo, a cumprir o trajeto.

O espetáculo esportivo durou 11hs36min, entre a praia de Shakespeare, em Dover, na Inglaterra, e Wissant, na França, segundo registro para a história na fabulosa Wikipedia.

Durante o trajeto, Kay foi acompanhada por um barco que levava além de seus pais, o observador do Channel Swimming Association (CSA) responsável por atestar que a atleta fez a travessia e que as regras foram cumpridas, e uma equipe da TV Globo.
O feito pode ser creditado a um extraordinário exercício de força de vontade aliada à destreza, à confiança e à perseverança que marcaram a trajetória de Kay, desde o momento em que ela, com 12 anos, e sem saber nadar, ainda, decidiu que faria a travessia.

Nesse meio tempo, em um de seus treinos no litoral pessoense, ela desapareceu no mar, em pleno carnaval, deixando a capital paraibana aflita, para, à noite, reaparecer nas ondas que banhavam a Praia do Poço, sã e salva, dando seus pulinhos para tirar a água dos ouvidos, evidentemente. A notícia reanimou a folia.

Sobre o trajeto em si, no Canal da Mancha, em declarações dadas à imprensa, na época, a nadadora paraibana chegou a minimizar o esforço. Para ela, havia sido mais fácil atravessar o braço de mar que une os mares do Norte e Atlântico do que chegar até a Inglaterra para cumprir o feito.

Em 1996, Kay France perdia o pai, seu grande incentivador. Ao falecer, o professor Sales guardava duas alegrias: a de ter visto a filha realizar aquele grande feito internacional, e, na sequência, a de ela haver se formado em Medicina, segundo consta, bastante decepcionada com o esporte, então.

Hoje, além de médica conceituada Kay France empresta o nome a uma prova de maratona aquática, na praia de Cabo Branco, reconhecida pela Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos, mas, sobretudo, é nome paraibano inscrito definitivamente no panteão da glória esportiva do nosso estado.

Ano que entra, 2019, exatamente em agosto, o feito de Kay France completará 40 anos, e, mais uma vez, deverá ser alvo de reportagens lembrando a conquista. Bom que a Paraíba possa, na oportunidade, prestar novas homenagens a Kay a fim de que ela se consolide como inspiração, não somente a atletas, mas à juventude estudiosa, como um todo.

Por tudo isso, Kay France não poderia ficar de fora das memórias pessoenses que temos postado nesse extraordinário meio de comunicação internacional, que é o Facebook, mas, que proximamente, terminarão, a Deus querer, em livro memorialista.




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