MEMÓRIA PESSOENSE: Bar da Fava, da Treze de Maio - Sérgio Botêlho



Nas décadas de 70-80 brilhou ali na rua Treze de Maio um barzinho, pequeno, estreito, um verdadeiro bafon, do francês bas-fond, barraco, bagunça. Pois era mais ou menos, assim, o Bar da Fava.

Aliás, é de empreendimentos desse tipo que alguns apreciadores da cachaça com um bom tira-gosto preferem. E, naquele barzinho, havia uma fava que era uma beleza – aliás, motivo maior do nome do bar, como se pode perceber.

O Bar da Fava sobre o qual me reporto ficava bem perto da Padre Meira, e era inteiramente lotado, de segunda a sexta-feira, a partir das 11 horas da manhã até mais ou menos 20 ou 21 horas.

Parte de seu público era formado por estudantes universitários, ainda que funcionasse assim, distante do campus universitário. Além da cachaça, a velha cerveja, bem gelada, compunha o cardápio das bebidas.

Ali, se conversava de tudo, desde os assuntos do dia a dia, passando pelos temas da Academia, até os temas políticos, intelectuais e ideológicos os mais diversos e sob as óticas mais díspares e conflitantes.

Às vezes fico imaginando quanta conversa rica em sabedoria perde-se nas mesas dos bares da vida. Tenho certeza de que se tudo resultasse gravado e, após a devida transcrição, acabasse editado em forma de livro, teríamos obras interessantíssimas circulando por aí.

No Bar da Fava essas conversas eram disparadas em mesas juntas umas das outras de forma que quase não se podia ouvir alguma coisa porque se ouvia tudo ao mesmo tempo e na mesma hora num vozerio parecido com uma Torre de Babel.

Na verdade, as conversas eram quase na base do grito, em meio aos pedidos de mais uma cerveja ou caninha ou de um tira-gosto, que, é bom esclarecer, não se restringia apenas à peça de resistência do bar.

Para esclarecer: não eram apenas estudantes que frequentavam o Bar da Fava, mas, também gente de todas as espécies e profissões, em manga de camisa ou em palitós advocatícios ou em jalecos médicos. Jornalistas, estes também eram contumazes frequentadores.

Por sinal, a diversidade é o que predomina nesses barzinhos da vida, com especial destaque para as sextas-feiras, no chamado horário do happy hour, a conhecida hora feliz que marca o fim do último dia da semana de trabalho, para muita gente.

No Bar da Fava o happy hour era mesmo no final de todos os dias, e, nesses horários, o refúgio da Treze de Maio estava sempre lotado. Mas, como já afirmei, a partir das 11 horas da manhã a frequência já era muito boa.

O bar sobre o qual estamos falando concorria com outros bares da cidade especializados em fava. Um deles, cujo nome esqueço, mas que oferecia uma superfava, na esquina da Nino Lima (continuidade da João Machado) com a Rodrigues Chaves, no Cordão Encarnado.

Então, e, assim, atendendo a pedidos, fica registrada, nessas memórias pessoenses, o Bar da Fava, da Treze de Maio, num prédio onde hoje existe a livraria Semeador da Bíblia no Brasil. Ali ficava o outrora famoso Bar da Fava.





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