MEMÓRIA PESSOENSE: Feira dos Municípios, na Praça da Independência - Sérgio Botêlho




Eita! Era uma feira boa danada a que acontecia na Praça da Independência em alguns anos da primeira metade da década de 80, em João Pessoa. Os stands ocupavam todo o espaço da praça representando a ampla maioria das cidades paraibanas.
A iniciativa aconteceu durante pelo menos uns dois ou três anos, no governo Wilson Braga, e se constituiu, enquanto teve vez, num espaço privilegiado para a cultura do estado e, particularmente, para o artesanato.

A apresentação de artistas do interior e da capital era um dos pontos altos da Feira dos Municípios, e milhares de pessoas circulavam pelos stands, diariamente, se a memória não me trai, por cerca de uma semana.

Os stands onde eram apresentados os trabalhos dos artesãos tinham, naturalmente, o apoio das prefeituras, e eram ocupados por obras artesanais que alcançavam, em representação, todas as regiões do estado.

Não apenas pessoenses e paraibanos em geral circulavam e fechavam negócios na Feira dos Municípios, mas, também, os turistas, sinalizando que, em se tornando uma tradição, hoje em dia teria atingido elevado prestígio.

Para a realização da Feira dos Municípios, não havia lugar melhor, uma vez que permitia o acesso de um público que vinha de todos os bairros. Ali perto, na Lagoa, paravam, e, ainda param, ônibus de todas as regiões da capital, quando não, na própria praça, conforme ainda ocorre.

Rendeiras, com seus bilros, os artistas que trabalhavam a arte primitiva com o barro, seguindo a tradição do mestre Vitalino, de Pernambuco, as redeiras, muitos desses artesãos, executavam suas habilidades, ali mesmo.

A música nordestina também pontificava na Feira dos Municípios, com pífanos e trios de forró se apresentando para o público, num riquíssimo espetáculo de arte popular, nas barracas e no meio da praça, ao vivo e a cores.

Recordo bem do jornalista querido e saudoso, Raimundo Nonato Batista, secretário de Cultura do governo Wilson Braga, como um dos principais organizadores da festa e certamente o maior responsável pelo seu brilho, enquanto durou.

A principal característica da Feira dos Municípios, ocupando a Praça da Independência, é que o evento era absolutamente escancarado ao público, e não poderia ser de outra forma, já que a “praça é do povo como o céu é do condor”.
A festa acabou por conta de um debate malconduzido sobre estragos ao meio ambiente, na praça. Mas, pelo que lembro, toda a grama do local era replantada pelo governo, tão logo a festança tinha fim. E as árvores, esparsas, continuavam, sempre, nos mesmos lugares.

Quero crer que um evento semelhante, daquele jeito, em praça pública, e, se possível, na mesma Praça da Independência, possa ser realizado, novamente, um dia. Porque, aquele da década de 1980, deixou saudade.

Dessa forma é que inscrevo a Feira dos Municípios que havia na primeira metade da década de 80, em João Pessoa, na histórica Praça da Independência, como uma das melhores iniciativas, na Capital, de promoção da arte e da cultura popular paraibana. Parte indiscutível das boas memórias pessosenses.





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