MEMÓRIA PESSOENSE: Red Cross - Sérgio Botêlho



Em 1952, o campeonato paraibano foi disputado por seis times: de João Pessoa, havia três clubes, a saber, o Auto Esporte, o Botafogo e o Red Cross; de Campina Grande, o Paulistano; de Guarabira, o Guarabira; e de Rio Tinto, o Rio Tinto.


Evidente que essa versão do campeonato estadual não faz parte da minha memória, já que, na época, tinha apenas dois anos de idade. Mas, importa informar que, nesse ano, o campeão paraibano foi o Red Cross. E, aí, chega o tempo de minhas lembranças: a do Red Cross.

Confesso que andava esquecido do velho Red (na tradução do inglês, Cruz Vermelha), mas, as recordações mais vivas logo vieram após ser chamado a atenção pelos velhos amigos Armando Ribeiro, Lourenço Adolfo e Marcelo Borges.

Então, me pus, imediatamente, a pesquisar histórias sobre o Red Cross para ajudar minha memória, presa nas goleadas sofridas pelo clube ao longo da história do campeonato paraibano, sofregamente acompanhado por mim, a partir da adolescência.
Em 1964, por exemplo, o Red Cross levou uma goleada fenomenal do Campinense Clube (este, a caminho do hexacampeonato estadual, conquistado um ano depois), pelo placar de 11 X 0, um dos mais impiedosos placares da história do futebol paraibano.
Foi desse jeito que conheci, e que me lembro, do velho Red Cross, ou seja, um verdadeiro saco de pancadas, sempre figurando entre os lanternas do campeonato, uma equipe mais para gozação do que para glorificação.

Contudo, tem mais, muito mais sobre o Red Cross. Para os que não sabem – e eu não sabia – o clube está entre os que fundaram a Lyga Parahybana de Foot Ball, no dia 05 de março de 1914. Antes da Lyga, o Red já havia sido campeão paraibano pela primeira vez, em 1912.

Esses primeiros clubes de futebol da Paraíba surgiram da iniciativa de estudantes paraibanos em outras cidades do país que, ao voltarem à terra natal, trouxeram com eles uma bola de futebol e a paixão pelo esporte.

Dessa forma, a gente fica sabendo que o Red Cross foi, na verdade, duas vezes campeão paraibano de futebol, antes de virar aquele saco de pancadas que caracterizou o clube, principalmente na década de 60.

Mas, também foi o Red Cross que revelou um dos jogadores de futebol mais festejados, em todas as épocas, na Paraíba, que foi o velho e saudoso Coca Cola, um capítulo à parte das memórias pessoenses.

Ei a formação do Red Cross em 1959: Peixoto; Pedro Paulo, Louro; Orlando, Baiano, Vasconcelos; Zeca, Cidinho, Vadinho, Tiquinho, Coca-Cola. Nesse ano, o Red ficou em terceiro lugar no Torneio Início do campeonato, uma disputa que não existe, mais.
O Red Cross, como Lourenço Adolfo e Marcelo Borges fazem questão de lembrar, pertencia à constelação jaguaribense das grandes iniciativas da história social de João Pessoa, ao lado do Estrela do Mar, também, ex-campeão paraibano, formado a partir da Cruzada do Frei Albino.

A sede do Red Cross, durante bom tempo, funcionou na Primeiro de Maio, em Jaguaribe, endereço, também, do complexo religioso representado pela Igreja do Rosário e pelo convento dos franciscanos alemães, onde, justamente, surgiram e frutificaram a Cruzada e o Estrela do Mar.

Fica, então, registrado nas memórias pessoenses que venho escrevendo, a existência, por longos anos, na Paraíba, do Red Cross, um clube de futebol, hoje, lamentavelmente extinto.

(A foto, de um recorte do jornal O Norte, de 1952, está em História do Futebol – A enciclopedia do futebol na Internet)





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