MEMÓRIA PESSOENSE: o Santos de Tereré - Sérgio Botêlho



 

Existe uma história, das antigas, em João Pessoa, que, de tão repetida, transformou-se em verdade. Contam que uma família pessoense foi embora para o Sudeste do país, São Paulo ou Rio, não sei dizer bem, com os filhos ainda pequenos. O pai da família havia sido jogador de futebol, na categoria dos amadores.


Tempos depois, uma das crianças dessa família, que havia se tornado um adulto, e jogava futebol, despertou o interesse de um clube local. Quando foram ver, o rapaz tinha os direitos federativos ligados a um clube de futebol paraibano.
Puxa documento para cá, puxa documento para lá, telefone vai, telefone vem, e, afinal, ficou confirmado que o rapaz tinha mesmo vínculo com um clube paraibano, mais precisamente, de João Pessoa.

Tratava-se do Santos Futebol de Clube, dirigido pelo desportista José Walter Marinho Marsicano, mais conhecido como Tereré, clube fundado em 1949 e que desde a primeira metade da década de 50 disputava o campeonato paraibano com atletas na condição de semiamadores ou amadores pura e simplesmente.

Garantem os “folcloristas” que, mal a criança nascia, e era filho de um bom jogador, Tereré já providenciava “assinar” o menino com o clube. Evidentemente que há exageros. Mas, a fama correu os quadrantes esportivos paraibanos.

As diversas histórias que perfilam Tereré como protagonista, todas elas apenas servem para eternizar o seu nome, não somente na história do próprio Santos, como, acima de tudo, na própria história do futebol paraibano.

Nas reuniões mais importantes envolvendo o esporte, ocorridas na Federação Paraibana de Futebol, lá esteve, por anos a fio, José Walter Marinho Marsicano, a opinar, e muitas vezes, a oferecer votos decisivos.

Genro do ex-presidente da FPF, Genival Leal de Menezes, figura de alta relevância na história do futebol paraibano, Tereré teve, muitas vezes, de enfrentar dificuldades como dirigente do Santos, por conta desse parentesco, a serem creditadas na conta das naturais ciumeiras.

Com a imprensa, Tereré sempre teve um bom relacionamento, garantindo boas entrevistas, e, aqui e ali, um furo ou outro sobre os encaminhamentos dados ao futebol paraibano; afora, é claro, informações sobre o próprio Santos.

Seja lá como tenha se passado verdadeiramente essas histórias de Tereré, no Santos, o fato é que o clube estava sempre participando do campeonato paraibano, mesmo que nunca tenha vencido nenhuma de suas versões. Tudo a ser capitalizado em favor do seu dirigente maior.

Desde o final da década de 1990 que o Santos Futebol Clube decidiu não mais disputar o campeonato profissional paraibano, após ser rebaixado para a segunda divisão e não conseguir ascender à primeira na versão seguinte do campeonato.
Contudo, pelo que significou para a história futebolística paraibana, especialmente como um dos representantes da Capital, ao lado de Botafogo e Auto Esporte (e, em alguma versões, pelo efêmero União), merece o Santos Futebol Clube, o Santos de Tereré, figurar com destaque no quadro das memórias pessoenses.





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