MEMÓRIA PESSOENSE: O velho estádio José Américo Sérgio Botêlho



Em 1969, mais precisamente no dia 14 de novembro, o Santos Futebol Clube veio a João Pessoa jogar contra o Botafogo Futebol Clube, de João Pessoa. Bicampeão paraibano, caberia ao time liderado por Carlos Alberto Torres enfaixar a equipe pessoense.

Além de Carlos Alberto Torres, o velho e saudoso “capita” que, menos de um ano depois, comandaria a Seleção Brasileira no tricampeonato mundial de futebol, no México, o Santos tinha entre suas fileiras simplesmente Pelé, que, da mesma forma, estaria na Copa 1970.

O Santos vinha de um jogo em Recife, contra o Santa Cruz, onde Pelé fizera o gol de número 998 de sua carreira, e, com mais dois, ele chegaria ao seu milésimo gol. A vítima poderia ser o festejado goleiro campeão paraibano, do Botafogo, o velho e saudoso Lula.

Esse jogo, realizado à noite, aconteceu no antigo Estádio José Américo, no bairro Pedro Gondim, inaugurado em 1957, localizado no Bairro dos Estados, com a frente para a bela casa da Fazenda Boi Só, hoje tombada pelo Patrimônio Histórico. E eu estava, lá.

{O Estádio José Américo transformou-se, depois, no Centro Integrado de Educação Física e Desportos (antigo DEDE). Hoje, no local funciona a Vila Olímpica Ronaldo Marinho. Mas, em seu arco de entrada, ainda está escrito Estádio José Américo}.
Para resumir o espetáculo, o Santos venceu o jogo por 3 x 0, sendo o terceiro gol marcado exatamente por Pelé, e, portanto, oficialmente, o gol de número 999 do rei do futebol foi feito em João Pessoa.

Depois do gol, Pelé passou à condição de goleiro do Santos. Comentaram depois que isso aconteceu para que o milésimo gol fosse marcado em outra praça maior. Centenas de jornalistas estavam acompanhando o time do Santos em excursão pelo Nordeste.

Dois dias depois, o Santos ainda jogou na Bahia, contra o Bahia, e Pelé quase faz o seu milésimo gol, com um zagueiro do time baiano salvando o tento na linha fatal. O milésimo gol, reconhecido pela CBF, foi feito no Maracanã, no dia 19 de novembro, em cima do goleiro Andrada, do Vasco.

Décadas depois, o jornal Folha de São Paulo, após meses de intensa pesquisa, descobriu que, por um erro de contagem, o gol contra o Botafogo-PB teria sido, na verdade, o milésimo gol de Pelé, ocorrido, pois, no velho Estádio José Américo.
No erro de contagem, um gol, acontecido em 1959, quando Pelé servia ao Exército, e jogava pela seleção das Forças Armadas Brasileiras, num campeonato sul-americano militar, não havia sido computado na contagem oficial.

Durante muito tempo, o Estádio José Américo foi o palco dos jogos pelo campeonato paraibano, em João Pessoa, com destaque para os times locais do Botafogo (então, alvinegro) e Auto Esporte (alvirrubro).

Levado por meu pai, ainda criança, assisti muitos jogos do Botafogo-PB, o Belo, no Estádio José Américo, principalmente numa época, a década de 60, em que o Campinense Futebol Clube acabou hexacampeão paraibano.

Era um tempo de semiprofissionalismo nas equipes de futebol paraibanas, com forte entrosamento entre torcedores e jogadores, marcado, esse tempo, por grande participação dos torcedores mais abastados no assalariamento dos jogadores.

Assim, fica registrado nessas memórias pessoenses que venho escrevendo, os dias de glória do velho Estádio José Américo, sucedâneo de outro velho estádio, o do Cabo Branco, em Jaguaribe, como palco central do futebol da Paraíba.

(A foto é de Pelé, no Gol do Santos, em 14 de novembro de 1969, no Estádio José Américo, em João Pessoa, contra o Botafogo-PB, depois de ter feito o seu verdadeiro milésimo gol, direto do blog Leoa Alvinegra)





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