MEMÓRIA PESSOENSE: as tardes de xadrez no Cabo Branco - Sérgio Botêlho




Havia mais tempo que a sede central do Cabo Branco era ocupada por enxadristas. Pelo que pesquisei, isso acontecia, desde a década de 50. Cheguei no final da década de 60 e início da década de 70, e parte da turma era a mesma, onde pontificava o doutor Arnaldo Tavares.

Segundo tomei conhecimento pelas pesquisas que fiz - evidentemente, para saber mais sobre o assunto -, eram contumazes frequentadores, desde o princípio, Fernando Amaral Marinho, Jeová Mesquita, Romero Peixoto, desembargador Espínola, Arnaldo Carneiro Leão e Herul Sá. Muitos desses continuavam nos fins de 60 e começo de 70.
Eu não gosto de citar nomes nesses artigos que faço de memória já que frequentemente esqueço de quem não deveria esquecer, e, nesse sentido, espero ser corrigido por quem de direito que venha a ler essa crônica.

Das pessoas com quem convivi nas disputas de xadrez no Liceu Paraibano e na Federação de Xadrez, em Manaíra, lembro de Fernando Melo (presidente da Federação), de Frank Lins (enxadrista mais festejado da época), Washington Rocha, Ivo Bechara, Silvino Espínola, José Mário Espínola, Rômulo Marinho, Arnaldo Tavares (filho) e Flávio Tavares... e, a memória falhou, pois tinha muito mais gente.

Jogar xadrez no Cabo Branco do centro não era privilégio somente dos associados. Desde que o eventual interessado tivesse a mínima noção do que estava fazendo com as pedras no tabuleiro, era muito bem-vindo.

O importante era o jogo, que era jogado da maneira mais rápida que existe na modalidade, o chamado xadrez relâmpago, onde, em cinco minutos, ou o sujeito conclui o jogo ou o jogo estava perdido. Dois relógios, um para cada contendor, avançam ou param ao toque da mão do jogador.

O combinado era esse a fim de que houvesse oportunidade à todos, já que era elevada a quantidade de jogadores que ficavam por ali, peruando, esperando sua vez. O silêncio era a regra geral, mas, quem podia impedir as gozações dos jogadores, eventualmente?

A sala ocupada pelos enxadristas era a primeira sala, à direita, logo depois do hall de entrada onde se postavam aqueles sócios mais antigos do Cabo Branco, diariamente, a rever amigos de velhas jornadas e jogar conversa fora.

Na parte de cima do Cabo Branco ficava o pessoal do carteado e da sinuca, estabelecendo, no conjunto, um grande movimento, ainda mais com o restaurante que funcionava no térreo, ao pé da escada, na parte final da sede.

De vez em quando chegava em João Pessoa algum enxadrista famoso nacionalmente e o Cabo Branco servia de local para a realização de partidas chamadas simultâneas, por conta de o famoso jogar com vários enxadristas ao mesmo tempo.

É uma forma de jogar que exige bastante daquele que está se exibindo, como grande-mestre que tem de ser no jogo de xadrez, ainda mais pelo fato de os competidores não serem, embora teoricamente mais fracos, tão bobos, assim.

Hoje a sede do Centro não pertence mais ao Esporte Clube Cabo Branco, pois teve de ser leiloada para honrar dívidas, embora esteja, graças à intervenção do Estado, em pé, e intocável, a provocar saudades, nos velhos frequentadores ainda vivos, em função dos momentos de glória patrocinados por um dos dois clubes sociais mais famosos da história de João Pessoa.

E foi acatando a sugestão da amiga Neuza Cavalcante, leitora que é dessas mal traçadas memórias pessoenses, que resolvi adiantar o assunto, já no prelo. Ao passar pela sede central do Cabo Branco, nesses dias, bateu um banzo em Neuza, e, ao me fazer a comunicação do referido banzo, ela acabou me contagiando.





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