MEMÓRIAS PESSOENSES: Bandas marciais de 60 - Sérgio Botêlho



Os desfiles colegiais de Sete de Setembro, em João Pessoa, eram cercados de muita beleza plástica, com as escolas secundaristas se esmerando no fardamento, nas alegorias e nas evoluções. Uma beleza!

Em meio a tudo isso, havia as bandas marciais, um espetáculo à parte! E, nesse tempo aconteciam, mesmo, os concursos envolvendo as bandas, o que geralmente significava uma disputa de grande competitividade.

No meu tempo, as três bandas que mais fortemente disputavam a preferência de eventuais jurados, e, aplausos do povo, eram as do Getúlio Vargas, do Liceu Paraibano e do Lins de Vasconcelos.

Também havia as bandas do Pio XII (esta, aqui e acolá, fazia bonito) e da Escola Técnica Federal (que também não fazia feio), que eu lembre. Cheguei a participar das bandas do Lins e do Liceu.

Falo, deixe esclarecer, dos desfiles de Sete de Setembro até os anos 60, uma vez que, após os anos 70, uma nova banda de um novo colégio particular acabou incluída entre as melhores, que foi a do IPEP.

Além dos movimentos coletivos sincronizados, das batidas diferenciadas e corretamente executadas, dos novos dobrados (simples, porque feitos para instrumentos de sopro sem grandes possibilidades musicais), algumas dessas bandas tinham suas balizas.

No caso, as que mais se utilizavam da apresentação de belas moças, a provocar a felicidade da rapaziada, eram as bandas dos colégios particulares, principalmente as do Lins de Vasconcelos e do Getúlio Vargas (onde brilhava minha amiga, querida, Marilda Macedo).

À frente de toda a banda, incluindo o maestro, as balizas realizavam acrobacias e deslocamentos sincronizados diversos, envolvendo muitos dos movimentos da ginástica artística, revelando força, equilíbrio, concentração e graça.

As balizas compõem, ainda hoje - porque as bandas marciais não morreram - um conjunto visual que ajuda bastante no desempenho da banda como um todo, podendo ser consideradas como expressão mais em evidência do espírito do grupo.

Os desfiles de Sete de Setembro eram geralmente realizados no conjunto urbano composto pelo circuito interno do Parque Solon de Lucena e avenida Getúlio Vargas, com o Cassino da Lagoa servindo de palanque para autoridades.

Alguma vez, o circuito envolvia a Praça da Independência, a Corálio Soares de Oliveira, com dispersão na Getúlio Vargas. Houve ano, ainda, que o palanque das autoridades foi armado na Getúlio Vargas. Tempos depois, é que a Beira Rio foi utilizada.

Ao menos três instrutores de banda me vêm à memória, e eles eram disputados pelos colégios da mesma forma que são os técnicos de futebol: Velosinho, Inácio e Luis da Banda. Mas, havia outros que a memória resolveu trair.

Afora os desfiles de Sete de Setembro, na capital, outros momentos de belas disputas entre as bandas tinham vez na cidade de Carpina, em Pernambuco, quando se apresentavam bandas de outros estados nordestinos.

Ficam, assim, registradas, nessas memórias pessoenses, as bandas marciais dos colégios pessoenses que brilharam, principalmente na década de 60. E quem lembrar mais, que conte.




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