MEMÓRIA PESSOENSE: Cavaco chinês - Sérgio Botêlho



Armado de um cilindro, às costas, e tocando sem parar um triângulo, o vendedor de uma iguaria bastante famosa, principalmente nas décadas de 50 e 60, em João Pessoa, se anunciava com boa distância.

Não tinha menino que não ficasse alvoroçado para que os pais comprassem aquele alimento, cujo gosto mais se parecia com o da hóstia distribuída pelos padres durante as comunhões, só que, no caso, mais marronzinha.

Tratava-se do conhecidíssimo cavaco chinês, principalmente por quem viveu essa época, ofertado como se fosse uma espécie de canudo, bem sequinho e crocante, mas, que, uma vez na boca, se desmanchava como se fora mesmo uma hóstia.
O cavaco chinês, que, conforme pesquisei, não tem nada de chinês, podendo ter origem portuguesa ou indiana, é classificado na categoria dos biscoitos e feito por meios quase artesanais, mantendo aqauele gosto suave.

Nas décadas de 50 e 60, os vendedores de cavaco chinês se misturavam a outros vendedores de porta em porta, além dos prestadores de serviços diversos, cada um com uma forma diferentes de se anunciar.

Além dos cavaqueiros, vamos chamá-los, assim, tinham os amoladores de tesoura, os soldadores de panelas, os encanadores, os compradores de vidros quebrados ou inteiros, e de tudo o que fosse de velharia imprestável, em casa.
Alguns desses, até, já mencionei em artigo de outro dia, aqui, mesmo, no Face, a exemplo dos compradores de jornais velhos, e dos próprios prestadores de serviços, agora relembrados, neste artigo do momento.

Lembro, por exemplo, que verduras, frutas, inhame, macaxeira, tudo isso era vendido na porta das casas, pelos verdureiros animados e de vozes empostadas, tais quais locutores experimentados de rádio.

Ao redor de João Pessoa, havia um imenso e saudável cinturão verde, em sítios espalhados pelo Roger, Mandacaru, Jaguaribe, Cruz das Armas, Marés, Oitizeiro, Rua do Rio, principalmente, a produzir hortaliças e frutas em módulos familiares.

Isso garantia aos pessoenses, então, diretamente, na porta de casa, adquirir produtos absolutamente desprovidos de agrotóxicos, que, por sinal, nem era coisa que se ouvia falar naquela época.

Registre-se que João Pessoa - assim como todo o Litoral e regiões mais próximas - sempre foi beneficiada por muita chuva, possuindo, portanto, terra fértil e muito própria à agricultura, hoje, infelizmente, inteiramente ocupada pelo avanço da urbanização.
Sem falar no tradicionais leiteiros, que, a partir desse mesmo cinturão verde, levavam leite do peito da vaca, como se costuma dizer, também às portas das casas. O cuidado era, apenas, para não se comprar leite com água. Já tinha muito malandro na época! rsrsrsrs

Mas, pelo menos não era leite pasteurizado ou mantido em caixas à base de conservantes misteriosos. Lembrando que até soda cáustica já foi encontrada, um dia desses, em inspeções realizadas pelos órgãos de controle do Estado




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