MEMÓRIA PESSOENSE: Árvores que fizeram história - Sérgio Botêlho




As árvores, quanto mais ligadas às experiências coletivas, mais históricas elas se transformam. Há casos, até, de experiências individuais que acabam transformando as árvores em seres eternos, como é o caso do pé de tamarindo imortalizado por Augusto dos Anjos.

Há, pelo menos, três dessas árvores, na cidade de João Pessoa (ao menos, das que me recordo mais fortemente) que guardam enorme ligação com a vida pessoense, por décadas a fio, e que permanecem vivíssimas na memória de várias gerações da nossa capital.

De comum, elas possuíam um elevado porte e se erguiam majestosas no cenário urbano da Cidade da Paraíba, derramando sombra generosa por vasta área onde haviam fincado suas enormes e portentosas raízes.

Uma dessas árvores ficava bem no caminho que muitas vezes percorria quando retornava do Pio XII ou, mais tarde, do Lins de Vasconcelos, para a minha residência, ali, mesmo, no Centro da cidade.

Falo num belo pé de ficus que existia na Praça Rio Branco, mais para a Duque de Caxias, bem em frente à antiga Rádio Patrulha e ao lado da Delegacia da Receita Federal. Era um verdadeiro monumento da natureza.

Passaram-se décadas – podendo, mesmo, ter chegado à condição de árvore centenária – da existência daquela imensa árvore naquele pedaço da área central de João Pessoa, a desafiar a passagem do tempo e a urbanização da capital paraibana.
A outra, é uma gameleira que havia no Roger, também, por décadas, e que passou a ser referência a moradores e a quem quisesse melhor se achar naquele tão tradicional bairro de João Pessoa.

A gameleira do Roger é uma dessas árvores de maior carga poética na história da cidade das Acácias, fazendo parte da memória espontânea, não apenas da população local, como, ainda, de todos os que, um dia, passaram por baixo ou ao largo de sua sombra.

Em sua existência, no cruzamento da Gama e Melo com a Dom Vital, a gameleira do Roger acabou substituindo o próprio nome da rua, já que a Dom Vital passou a ser conhecida, durante o tempo de vida da árvore, como rua da Gameleira.

A outra dessas árvores ficava no início da praia de Manaíra, na altura do antigo Elite Bar, e, certamente, alcançou mais fama que as outras duas sobre as quais estou falando, já que fez sucesso na Paraíba e outros estados.

A gameleira servia de refúgio contra o sol a quem procurava a praia, em João Pessoa, vindo dos mais diversos municípios do estado, e, também, é claro, da própria capital paraibana. Era ali perto o ponto final do bonde e dos ônibus urbanos com destino a Tambaú, e das ‘sopas’ turísticas que chegavam do Interior.

O tempo, junto com o crescimento da malha urbana pessoense, aí incluídas, é claro, as calçadas e o asfaltamento das ruas, se encarregaram de matar esses espécimes da flora que, por muito tempo, embelezaram João Pessoa.

Há outras histórias de árvores famosas em João Pessoa, especialmente, em Jaguaribe e Cruz das Armas. Mas, infelizmente, não fazem parte da memória que foi captado por minhas retinas, na querida João Pessoa.
Quem souber, que conte mais...




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