Memória Pessoense: o Lins de Vasconcelos - Sérgio Botêlho



Depois de estudar por 10 anos no Pio XII, fui para o Lins de Vasconcelos. Foi lá que terminei a quarta série ginasial e cursei o 1º ano científico, ali, do outro lado da pracinha que dividia as duas unidades de ensino, em frente à Igreja de São Francisco.
Falar do Lins de Vasconcelos é lembrar, inevitavelmente, das figuras ímpares de professor Nery e dona Creusa, que se confundem com toda a memória que um ex-aluno, ou não, possa ter daquele educandário.

Mas, também é impossível esquecer de Dona Maria, uma espécie de bedel altamente disciplinadora que nem os donos do colégio ousavam contrariar, assim, na chincha, no bate-pronto. Dona Maria é outra das personagens inesquecíveis do Lins.
Sair do Pio XII para o Lins de Vasconcelos foi um choque cultural inevitável. O Lins, para começo de conversa, era totalmente laico, muito diferente do meu ex-colégio, de forte orientação católica.

Enquanto o Arquidiocesano tinha o papa Pio XII, expressão máxima do catolicismo internacional, na denominação oficial do colégio, Lins de Vasconcelos, da escola de frente, havia sido um espírita, nascido em Teixeira-PB, e que ficou famoso nacionalmente.
No Lins de Vasconcelos foi possível entrar, de corpo e alma, no espírito olímpico colegial, em virtude da importância dada pelos seus proprietários e diretores aos jogos escolares de então, onde o colégio competia para valer.
Lembro de uma partida de futebol de salão, naquele ginásio do Sesc, na Souto Maior, em que o Lins, sob o comando de Quinca (de Brito), e o Liceu Paraibano, na base de um vira-vira tão emocionante que só não matou gente nas duas torcidas porque eram todos muito jovens.

Nenhuma das diferenças entre Lins de Vasconcelos e Pio XII desmereciam ou faziam merecer demais nem um nem outro. Eram, apenas, diferentes, já que disciplina, na época, os tornava absolutamente iguais.

Foi no Lins de Vasconcelos onde pela primeira vez - eu e centenas de outros colegas - tomei conhecimento da existência da tentativa de se criar uma língua universal, a ser falada por todos os povos do mundo: o esperanto.

Versado no idioma criado artificialmente por um médico judeu de nome Ludwik Lejzer Zamenhof, o professor Neri fazia o maior esforço do mundo para ensinar a tal língua a seus alunos.

Não lembro, contudo, de nenhum dos estudantes do Lins que tenha acabado doutor em esperanto, justificada, sempre, pelo professor Neri, como uma saída possível no caminho da paz universal.

O Lins de Vasconcelos foi, durante bom tempo, em João Pessoa, uma das principais referências em termos de ensino primário e secundário, e os nomes de professor Neri e dona Creuza eram bastante festejados pelos alunos do colégio.

Do Lins, saiu muita gente para os bancos da UFPB, e, ainda, da Universidade Autônoma, que estava sendo criada, na época, por ex-padres, que ainda continuam à frente da instituição, hoje chamada de Unipê-Centro Universitário de João Pessoa.
Dessa forma, não poderia deixar de inscrever o Lins de Vasconcelos nessas memórias pessoenses, esperando que, como sempre acontece com essas crônicas diárias, os amigos do Facebook enriqueçam-na com mais informações, com mais detalhes.
Afinal de contas, o Lins é, simplesmente, inesquecível.




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