MEMÓRIA PESSOENSE: Fogo no posto de gasolina Sérgio Botêlho




Exatamente, na hora, eu estava assistindo a um filme, no Cine Plaza, sobre o qual, não existe a menor possibilidade de eu me lembrar, quando interromperam a sessão, acenderam as luzes, e mandaram evacuar a sala.

Ao chegar lá fora, o quadro era de horror. Havia fogo em um posto de gasolina, na Praça 1817, que durante muito tempo existiu ali, em frente ao Banco do Brasil, esquina com esquina com a Praça João Pessoa, ao lado do velho prédio de A União, onde depois foi construída a Assembleia Legislativa.

Corri para casa, ali pertinho, na Arthur Aquiles, e, ao chegar, mamãe estava num grande desespero, e já havia chamado um carro de praça (como eram chamados os táxis, então). A notícia era de que o Centro inteiro iria explodir.

Antes de fugirmos de casa, mamãe, desesperada, entronou uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, da qual era devota, em cima de um móvel da sala, e pediu para que a santa tomasse conta do nosso lar. E fomos, todos, para a casa de tio Leonardo Ugulino, em Miramar.

Somente depois é que ficamos conhecendo os detalhes - aliás, outro dia relembrados, em seu blog, por Pedro Marinho - daquele nefasto acontecimento, que marcou bastante a vida de João Pessoa, então.
O fogo havia começado no momento em que um caminhão de abastecimento de gasolina, que exercia o serviço exatamente no posto, pegou fogo. Porém, o detalhe mais impressionante em meio a todo o acontecimento viria na sequência.
Tomado por uma coragem, não apenas perigosa para ele, como, também, para quem estivesse no caminho, o motorista do caminhão assumiu o volante, desceu a 1817, dobrou na Padre Meira, e fez carreira para a Lagoa, inclusive, passando em frente a outro posto de gasolina que funcionava em frente à Igreja das Mercês.

A foto foi destaque nas edições dos jornais diários do outro dia, alguns, até, em edições extras, como era comum acontecer - já que não havia blogs nem portais nem Internet, claro! - revelando o drama pelo qual João Pessoa tinha passado.

Falo do flagrante do caminhão de combustível mergulhado nas águas da Lagoa, de ré, ainda mais, uma foto dramaticamente reveladora da coragem daquele cidadão, que, segundo Pedro Marinho, tinha o apelido de Sivuca, e, depois disso, ainda dirigiu carro de praça na nossa capital.

Com muita segurança, digo que tal ocorrência se deu entre 1965 e 1966, uma vez que, nessa última data, nós nos mudamos da Arthur Aquiles para a Santo Elias, e, no incêndio do posto, nós ainda morávamos no primeiro endereço.

Por muito tempo, depois disso, debateu-se, em jornais e rádios pessoenses, a viabilidade de postos de gasolina em zonas tão densamente povoadas, como o Centro da capital paraibana. Houve até quem dissesse que o subsolo, por conta do posto, era lotado de tanques de gasolina.

Sendo esse um fato efetivamente marcante, por sua singularidade e caráter dramático, na vida de João Pessoa, é que o inscrevo nessas memórias pessoenses. E não há qualquer pessoa que tenha vivido aquele momento, em nossa cidade, que dele não se recorde.




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