MEMÓRIA PESSOENSE: Miss Paraíba 1975 Sérgio Botelho



 

Há um fato da história social pessoense que ficou na memória de quem viveu o instante. Por conta de ter ocupado largos espaços nos jornais, da época, e de ter se mantido como assunto marcante, por muito tempo, é impossível não ser lembrado quando se pretende escrever memórias pessoenses.


Concorreram ao Miss Paraíba 1975 duas belas (da mesma forma, ainda, hoje, 42 anos depois) jovens de famílias tradicionais pessoenses: Else Quinderé e Solange Gusmão, essa última, com a clara preferência da plateia, manifestada desde os primeiros momentos do desfile. Mas, para o júri, a parada não era fácil de decidir, dada a igualdade de condições.

Solange representava o Campinense Clube, numa época de impertinente disputa entre João Pessoa e Campina Grande, o que aumentava o calor da disputa. Dois anos antes, em 1973, Solange já reinava no ambiente universitário do país, quando, representando a Paraíba, foi eleita Miss Jogos Universitários Brasileiros, daquele ano, realizado em Belém do Pará.

Nunca houve, na história do Esporte Clube Cabo Branco uma afluência tão grande de público a um concurso de miss Paraíba. Quando o veredicto do júri foi anunciado, com Solange em segundo, o tumulto foi enorme.

Após ter perdido o concurso na Paraíba, Solange Gusmão ainda disputou o Miss Pernambuco, representando a cidade de Vitória de Santo Antão, no mesmo ano de 1975, onde também ficou em segundo lugar, muito mais por não ser pernambucana, segundo foi noticiado, na época.

Presentemente, não há mais o brilho de antigamente nos concursos de miss. E, não poderia ser diferente, em virtude das mudanças enormes que aconteceram nas cabeças das pessoas, e nos contratos sociais, daqueles tempos, até hoje.
Vigora, atualmente, conceitos sobre o papel da mulher na sociedade que diferem completamente dos tempos de glória dos concursos de miss, os quais, apesar de tudo, resistem, com menos paixão, evidentemente.

Naqueles tempos de brilho dos concursos de Miss, não foram poucos os que, inconformados com a derrota de Solange Gusmão, lamentavam possível chance de a Paraíba se dar bem na disputa do Miss Brasil, daquele ano, o que jamais ficaremos sabendo.

O concurso de Miss Paraíba de 1975 é, portanto, um dos fatos marcantes das lembranças de João Pessoa, de um dia desses. E, portanto, merecedor de estar entre as Memórias Pessoenses que envolvem pessoas, fatos e datas, que estamos escrevendo.

(Com informações de reportagem da época, de O Norte, intitulada “Nunca tão poucos votaram contra a decisão de tantos”, e do livro “Elas só citavam O Pequeno Príncipe”, de Willis Leal, em trechos reproduzidos por Daslan Melo Lima, em seu site passarelacultural.blogspot.com.br).




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