Curso para corruptos – II - Marcos Pires



Na coluna anterior comecei a contar sobre o curso que vai preparar os novos corruptos, evitando prisões e delações premiadas. No primeiro ponto, relativo a dinheiro, a recomendação dos professores é a de que os corruptos tenham várias amantes e coloquem em nome delas uma terça parte de todo o dinheiro que furtarem, porque mesmo que algumas das amantes os traiam, sempre vai sobrar uma grana.

Com relação ao segundo terço do dinheiro roubado, recomendam que os próximos corruptos adotem jovens que já tenham CPF para serem seus laranjas, porque se torna impossível rastrear o parentesco, mas terão que evitar transferências bancarias de suas contas para o adotado. Só dinheiro vivo.

Igualmente importante será os corruptos identificarem parentes “gulosos” das autoridades honestas, porque na hipótese de um iminente escândalo o corrupto irá ameaçar Sua Excelência com as bolsas Chanel dadas à madama da autoridade sem o conhecimento do até então honesto.

Enfim o futuro corrupto deve investir a terceira parte da grana em gado ou cavalos. Garantem os professores que essa é a maneira mais fácil de esconder dinheiro, porque animais não falam nem chamam tanto a atenção como objetos de arte, além do que e ao contrário das obras de arte, os animais podem se reproduzir para justificar o aumento do patrimônio.

Encerrado o plano de aulas relativo ao dinheiro, passam os professores de corrupção a ensinar como evitar delações premiadas, mas isso será mais explicado durante o curso. Aqui apenas o “cardápio”.

Porém uma última informação se faz necessária; o preço do curso. Apesar de ser algo novo, o curso para preparar os novos corruptos é bastante caro. Mesmo porque os professores são os melhores do mundo (covardia, já que Brasil é campeão mundial na matéria), com especialização em cofres públicos e receitas desviadas. No currículo deles constam inúmeras denúncias e nenhuma condenação, diversos inquéritos de desvio de verbas inconclusos ou arquivados. Por ser tão caro é que eles estão oferecendo aos alunos uma opção de pagamento; ao invés dos 500 mil reais à vista, módicos 11% do que os futuros corruptos vierem a roubar. Quando perguntei o por que desse percentual, explicaram: “- É que 10% é coisa de garçom. Nós ofertamos o próprio banquete”.

Ah, Brasil!




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