Coach - Marcos Pires



  marcos@piresbezerra.com.br

 

Eu já confessei nesta coluna que sou apaixonado por palavras. E como sou brasileiro tenho um ciúme enorme das nossas palavras, o que me leva a detestar a utilização de “palavras do estrangeiro” (como dizia meu avô) em nossas vidas.

Vez por outra a moda pega. Ultimamente eu já vinha invocando com as pessoas que começam respostas com um ENTÃO, totalmente desnecessário e incabível. E olha que o tal então é bem nosso.

Pois agora eu descobri que a moda é ser Coach. Ora, que eu saiba isso aí significa treinador. Acontece que no Brasil ninguém está aprendendo um ofício para se tornar treinador, e sim fazendo um dos milhares de cursos que já existem aqui para serem treinadores. De que? Sabe-se lá. Ou seja, os cursos estão ensinando a ensinar.

No meu tempo havia o bom e velho professor, que em sua formação exigia estudo e aplicação. Agora não, num curso de fim de semana o cidadão já se torna Coach.

Por conta disso foi que iniciei uma conversa com um amigo americano que está querendo voltar ao Brasil e precisa contratar dois professores para aprender prosaicos ofícios, os quais ele confessa não existirem nas terras do tio Trump.

Nossa discussão se deu porque uma terceira pessoa nos interrompeu e sugeriu a contratação de Coachs e não de professores, e eu, idiota de carteirinha e papel passado, emburaquei contra.

O paciente amigo americano acompanhou tudo morrendo de rir, porque não estava entendendo bem qual a duvida que havia no Brasil sobre o tema, já que nas terras dele os tais Coachs são mais ligados a esportes, ao contrário do Brasil onde servem para tudo. É verdade, até o cara que tira cocos na praia...sabem aquele sujeito que sobe nos coqueiros sem escada, com os pés amarrados numa peia? Pois é (aqui bem caberia um ENTÃO, né?), até ele está montando uma estrutura para ensinar sua arte. Me garantiu que fez um curso e é Coach.

Mas voltemos ao amigo americano. Depois de uma discussão enorme, eu e o idiota que queria empinar a coalcherização em tudo tivemos uma mesma ideia; perguntar ao sobrinho de Trump o que é que ele queria aprender.

“- Ah, my friend, eu gosstarrria de aproveitar essa moda de coisas exóticas e ensinar aqui na América como se faz dindim de marrrracujá e como ser político ladronnn sem ser preso”.

Danou-se!




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