Tragedia no Teatro Santa Roza - Edival Toscano Varandas



O que era para ser uma noite de espetáculo terminou em uma tarde de pavor e morte
Inaugurado numa noite de vivas ao imperador D. Pedro II, a 3 de novembro de 1889, o Teatro Santa Roza integra de forma eminente, um dos mais belos e imponentes monumentos da Praça Pedro Américo, no centro de João Pessoa, capital do estado da Paraíba.

De estilo arquitetônico neoclássico, apresentando influência da arquitetura greco-romana, foi concluído na administração do presidente da província Francisco Luiz da Gama-Roza, de onde origina seu nome.

Em seus dez primeiros anos de inaugurado, várias companhias convergiam para a Paraíba, proporcionando à comunidade paraibana, momentos de entretenimento e lazer.

No dia 12 de junho de 1900, uma tragédia abalou a capital do Estado. Era anunciada para a noite daquele dia, uma apresentação do famoso artista sueco John Balabrega Miller (1857-1900), em um espetáculo de encanto, música e magia.

À tarde daquele dia fatídico, encontravam-se no palco do teatro, ensaiando nuances luminosas para a célebre “Dança das Serpentinas”, o mágico John Balabrega e seu assistente Lui Bartelle. No momento em que o mágico Balabrega manuseava um projetor movido a querosene, em precário estado, este explode, matando-o instantaneamente junto com seu assistente, que se encontrava bem próximo. Foi um estrondo estarrecedor que ecoou por toda a Praça Pedro Américo. Com o impacto, as ondas de choque estraçalharam os corpos de Balabrega e Bartelle, atingindo o primeiro na região toráxica e, o segundo, na cabeça.

De tão macabra a cena, que se propagou um pânico no recinto devido à forma brutal como tudo aconteceu. Fragmentos do corpo de Balabrega, feito uma massa disforme a impregnar o palco e algumas fileiras da platéia, atingindo a algumas pessoas que assistiam ao ensaio geral. Maquinista, lanterninha e alguns membros da equipe de produção ficaram encharcados de sangue, ao mesmo tempo em que se entranhavam nas roupas e nos cabelos destes resquícios das vísceras do mágico. Uma das orelhas do assistente Bartelle jazia ao chão, ao lado da mão, que certamente fora leva à cabeça no momento do impacto.

Ao cair da tarde, as portas do teatro fecharam-se, abrigando uma das mais tristes e horripilantes tragédias já verificadas na capital paraibana, retornando às suas atividades teatrais somente em 1901.

FONTE: Texto baseado em: ARAÚJO, Fátima. Santa Rosa. Um teatro centenário, 1989; RODRÍGUEZ, Walfredo. História do teatro da Paraíba. Só a saudade perdura, 1960.
CRÉDITO DAS FOTOS: Teatro (http://mapio.net/pic/p-46899089/); Balabrega (https://www.magictricks.com/bizarre-deaths.html)




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