Diferença abissal - Lourdinha Luna




Após 39 anos de convivência com as tarefas burocráticas no Poder Legislativo da Paraíba, aposentei-me das funções de Secretária das Comissões Temáticas. Rejubilada do cargo atendi ao chamado do Ministro José Américo de Almeida, por via de sua sobrinha Nina Lemos, e lhe ofereci minha disponibilidade, como modesta conhecedora do idioma português, e datilografa aplicada quanto ao aspecto físico do texto.

No segundo turno, quando não me era conferido trabalho na cidade, ou acompanha-lo a eventos, eu lia para ele. A vista fatigada não lhe permitia o exercício da leitura, nem com o auxilio de lupas de ótica ampliada. Ao ouvir-me, sempre me interrompia para fazer observação sobre pessoas e o tempo em que as cenas se desenrolaram.
Recapitulava, comovido, capítulos da redemocratização de 1945. Citava pelos nomes os que, na primeira hora, se empenharam na volta do regime democrático pleno, para o nosso país. Feliz e saudosista afirmava que, por formação, valor intelectual e probidade, qualquer um deles estava apto para governar o Brasil.

Hoje, onde encontrar um candidato com títulos abonadores para ser candidato à Presidência da República, em 2018? Voltar ao passado lastimoso, seria uma causa sem gloria.

Estimulada pela explanação citada, eu falava sobre atos edificantes de deputados paraibanos, numa fase difícil para o Brasil e o Nordeste. E aludia aos que se envolveram pela paz no campo, quando da tumultuada vigência das Ligas Camponesas, cada qual com as armas de que dispunha.

Felizmente a Paraíba não está sendo citada nas investigações da Lava Jato, e permita a Deus que jamais seja lembrada em ato desabonador, para que não desminta a fama que alcançou de pátria – Altaneira e brava.

Lourdinha Luna – Memorialista
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