A geração perdida fã do breganejo, do forró plastificado - Francis Lopes Mendonça



O Brasil é um país de analfabetos. Mas não um analfabeto que não sabe ler: analfabetos funcionais que sabem ler, mas não sabem interpretar, não entendem o texto lido. Também pudera, o mundo cultural brasileiro é Ratinho, Fátima Bernardes, Sabrina Sato, Rodrigo Faro, Patrícia Abravanel, Faustão, novelas.

Claro que há umas novelas muito boas, é verdade. Mas há milhares e milhares que todo ano zeram a prova de redação do ENEM. É a geração perdida fã do breganejo, do forró plastificado e do funk vazio e seus miasmas cujos arautos desse lixo sonoro se aproveitam das circunstâncias, só porque, no momento, os grandes chefões do agronegócio do sul operam, principalmente, a serviço desses gêneros conjugados ao lucro sem nenhum critério.

Pois tanto faz a cultura enquanto fruição para esses chefões que buscam apenas encher os bolsos, nem que para isso dominem os grandes centros urbanos para dar as cartas na escolha das atrações musicais das festas de massa, utilizando a mídia (via canais de internet, FMs e TVs abertas) que cumpre o papel escroto dela: botar a bolada no bolso e provocar ibope, empurrando para as novas gerações descerebradas de juízo crítico e de bom gosto o consumo desse baixo nível melódico que há tempos atormenta os ouvidos sensíveis e delicados com seus "cantores" de voz de taquara rachada, em letras paupérrimas e melodias capengas que não acrescentam absolutamente nada e só empobrecem ainda mais a cultura de raiz nacional. Essa pobreza, essa indigência generalizada é muito triste.




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