Eu corro - Marcos Pires



 
Em 2009 eu estava numa loja da TAM e ouvi algumas pessoas perguntando quando custaria o pacote para a Maratona de Paris. O rapaz respondeu que incluindo hospedagem num hotel 5 estrelas por sete noites, passagens de ida e volta e mais algumas vantagens, sairia por 4.000 reais, ou 10 prestações de 400.

Claro que me interessei, principalmente porque para usufruir daquela pechincha não era necessário correr, sequer ser atleta. Dias depois eu e Mãe Leca embarcamos com centenas de brasileiros para participarmos da Maratona de Paris. Passamos a semana aproveitando os extras do pacote, que iam desde passeio no Sena a jantares regados a bons vinhos. No domingo seguinte decidimos assistir à largada da prova. Colocamos as roupas que nos deram, inclusive as camisetas numeradas e os chips, e nos misturamos entre mais de 30 mil corredores no Arco do Triunfo. Foi tanta emoção que esquecemos que não éramos atletas, e disparamos...até a esquina seguinte, onde paramos exaustos. Tomamos um taxi e fomos à missa. Quando voltamos para devolver os chips, nos deram medalhas de participação. Dali em diante nos tornamos “clientes” dessa modalidade barata de turismo.

Nas primeiras corridas eu confesso que logo depois da largada sempre tomava um taxi até próximo da linha de chegada, onde descia, derramava agua no corpo para simular suor e recebia minha imerecida medalha. Lembro de uma corrida São Silvestre onde o motorista correu bastante e ao retomar à prova fiquei pau a pau com os quenianos...por uns 5 segundos.

Mas enfim segui Mãe Leca que entrara na equipe de corridas ZK e comecei a correr as provas inteiras. Para marcar essas conquistas, sempre compro um troféu que me dou de presente ao final. Nas gravações está escrito: “Prova tal, a data, CAMPEÃO, categoria: nascido no Miramar e filho de Creusa Pires”. Nessa categoria sou imbatível.

Eu adoro correr. As três melhores sensações que já senti na vida são: 1- começo de namoro; 2- sexo e 3- final de corrida. Sempre que tenho problemas ou algo a comemorar, ao invés de ir a bares beber, eu corro. Além disso, fazemos amizades maravilhosas, até mesmo aquele “exagerado”. Me contou que estava esperando o ônibus, mas o motorista queimou a parada. Mesmo de sapato social ele tranquilamente conseguiu chegar antes do coletivo na parada seguinte.

Deve ser o Bolt da Paraíba.




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