O problema do Estado é saber se haverá mais ou menos Estado - Leila Araujo



 O Estado cria problemas para vender outros problemas que nas campanhas eleitorais e nos programas políticos costumam ser chamados de ‘soluções’ – ou, mais precisamente: impostos.

Quando eu era menina, assistia ao desenho “Os Jetsons” e acreditava que no ano 2000 haveria carros voadores, roupas autolimpantes, coisas desse tipo. Chegamos em 2017 e o “detentor do monopólio da força” nos proíbe de usar um tipo específico de transporte, como se fosse nosso papai, como se fosse nossa mamãe.

O sentimento é de que o vereador da cidade se importa mais comigo (com meu bolso, por amor à verdade) que meu falecido paizinho. Quase chego a me comover. E não adianta muito listar os representantes que votaram desse ou daquele jeito, porque o sistema todo é viciado, e os saltimbancos trapalhões continuarão no mesmo picadeiro.

Há quem não compreenda que o problema político não é o regime, sistema ou forma sob o qual se governa, mas o próprio governo. O problema do Estado não é saber se haverá mais ou menos democracia.

O problema do Estado é saber se haverá mais ou menos Estado. Lembro-me de que na escola havia “educação moral e cívica”. Nossos professores nos ensinavam como ser bons cidadãos, pagar os impostos direitinho, votar com muita consciência, cantar o hino nacional, cobrar dos nossos representantes. Hoje precisamos (aprender e) ensinar desobediência civil aos nossos filhos.




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