Estamos ainda cheio de amor e felicidade, mas não sabemos mais o que fazer deles, deixamos que o ódio governe as nossas desesperanças - Gilvan Freire




DONA MARISA - Morreu uma operária pobretona, casado com outro operário pobretão, que ocuparam juntos o palácio mais grã-fino do país, onde outros pobres podiam entrar como convidados especiais. Viraram príncipe e princesa plebeus, rasgaram os manuais da grã-finagem brasileira. A História do Brasil parou para recomeçar depois deles. O resto é de menos.

LULA, VIÚVO E ÓRFÃO - O metalúrgico que tomou o Poder das elites pelo voto direto e pela bravura dos excluídos de todas as raças livres, possuia como força interior Marisa e a memória da origem gêmea dos dois - uma saga completa com aspectos épicos e heróicos. Ela própria era a heroína dele e, como todas as esposas resistentes e bravas, em alguns momentos era também filha e mãe do esposo : conselheira, protetora, líder e liderada.

Lula certamente ainda não sabe o que será feito de si sem Marisa. Seu espírito combalido de tantas adversidades pode ficar frágil demais para resistir e avançar, como fazia com ela a seu lado.

Ou age pela revolta diante de seus próprios erros, repudiados pelo grosso da população, ou baixa a guarda para reconciliar-se com as maiorias que conquistou e perdeu seguindo o receituário petista de governar - um laboratório de criminalidade , improbidade e desmandos , fruto do socialismo barroco e obsoleto da esquerda senil brasileira.

Se dona Marisa pode ter morrido pela pressão dos fatos que a atormentavam tanto nos últimos tempos, isso é apenas uma concausa periférica, e não a causa principal da morte. A falência moral e ética do lulopetismo é a causa eficiente da sucumbência mortal de dona Marisa, assim como da morte lenta de Lula, não outras causas tomadas por empréstimo dos açougueiros humanos pelo PT et Caterva.


Esse agrupamento dos aloprados petistas semeou o ódio e colhe ódio agora, nessa dura queda de braço entre a delinquência pública partidária e a sociedade civil acuada e raivosa. Nem seus próprios cadáveres escapam da ira coletiva que espalharam antes e recolhem de volta hoje como um bumerangue sem juízo.
O PT não pode mais usar Lula como um Dom Quixote ferido e machucado para enfrentar uma população insultada, agredida e enfurecida, porque não haverá vitória nenhuma, e sim o colapso total do que resta desse exército de moribundos insanos.
Mas, se o coração de Lula amolecer pela morte de sua heroína e penitenciar-se de seus desvios de conduta perante o povo e o país, a alma dela será salva primeiro que
a sua, e ele próprio poderá ser indulgenciado pela cristandade dos que já o amaram.
Se não, o grande Satã tomará conta de seu destino, com o castigo de não salvar a alma de dona Marisa, nem nós outros estaremos a salvo, só porque não fomos capazes de amar a uma mulher humana e esposa fiel - uma dama pobre do bem, como milhões de mulheres pobres e dignas do mundo, somente pelo fato dela ter contrariado as nossas paixões políticas.

Se a morte de dona Marisa servir contudo para aplacar o rancor que corrói atualmente a nossa alma, seu legado de esposa e mãe não será em vão. E o país vai precisar disso para se erguer das cinzas. Assim como cinzas de paz ela será. Guardo meu choro também para ela. Não quero perder a minha humanidade.




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