Há uma revolução social em marcha no Brasil



 
SÉRGIO CABRAL E GAROTINHO SÃO UM ESTOPIM A MAIS
Só gente muito bacana, autoridades e gravatudos, burgueses, ricos e ricaços, encastelados nos mais imponentes prédios da capital da república ou nos ambientes granfinos dos principais centros financeiros do país, não se tocam de que a sociedade brasileira chegou à exaustão em sua paciência e leniência.

No meio da população, até pouco tempo atrás, parecia que o povo aceitava os desgovernos e a corrupção, simplesmente porque, apesar da degradação geral, as pessoas tiravam algum proveito da farra, coisa mínima como emprego e renda, ou mesmo uma pontinha nos negócios desonestos realizados na promiscuidade.
Esse inchaço da máquina pública corrupta, que nega serviços básicos ao povo, foi capaz de alimentar a economia, que tornou-se próspera, até que se descobrisse que tudo era maquiado para esconder o fracasso da gestão estatal e o envolvimento de centenas de autoridades com as quadrilhas de ladrões do Tesouro.

De repente, os castelos de areia ruíram e os usurpadores do patrimônio público se viram descobertos e expostos à luz, olhados de perto pela sociedade que já não os achava honestos, mas nem imaginavam que fossem delinquentes de tamanha periculosidade, especialmente aqueles escolhidas pelo próprio povo para lhe representar perante o poder público.

É evidente que foi no ambiente de tolerância social e leniência coletiva, em que todos cidadãos pecam por uma espécie de cumplicidade geral, onde se formou essa onda de criminalidade desenfreada que pôs o país a pique e ainda tributou à população o encargo de tapar os rombos nas contas públicas saqueadas.

O antro da gatunagem estatal está agora estourado e devassado parcialmente, e se tem uma ideia ampla de como funcionava a engrenagem criminosa e quais são os setores e autoridades relacionados, flagrados quase todos os deliquentes entre os mais nobres nas hierarquias de todos os poderes e no topo do mundo empresarial.

Os poderes públicos no Brasil, de cima para baixo, verticalmente e horizontalmente, estão apodrecidos, não obstante existirem muitos de seus integrantes que não aderiram ao regime consensual de permissividade, mas, mesmo assim, poucos se revelam dignos de reagir diante da bandalheira dominante.

Alastrado mas identificado, o banditismo reinante na esfera pública do país está sob ataque da população irada e de certa forma sob cerco de outras autoridades que se levantam contra as hordas organizadas. Elas reagirão em blocos para sobrevier às artilharias populares, mas é quase certo que serão vencidas.

De qualquer forma, embora seja possível a celebração de um pacto dos poderes para amenizar o combate duro à corrupção, mediante mecanismos e medidas de autoproteção das castas criminosas, a sociedade não de move em defesa dos ladrões. Até no sistema carcerário, outros delinquentes não querem saber deles.

Está pois estabelecido um gravíssimo confronto social entre os grupos marginais do setor público e a sociedade que foi lesada, insultada e desmoralizada por eles. Com a diferença de que o povo sabe exatamente o que eles pensam e fazem, mas essas quadrilhas, que ainda dominam o país em seus postos de comando , não sabem o que o povo pensa e será capaz de fazer. A democracia tem de sair dos esgotos.





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