Quem ganhou dinheiro com o governo do PT - Virgolino de Alencar


Para responder à pergunta “Quem ganhou com o governo do PT?”, precisa-se, primeiramente, observar que sequer os empresários (como, aliás, muitos outros importantes segmentos nacionais), que estão ganhando com os ventos favoráveis da economia brasileira, sabem distinguir a diferença entre a era do governo Lula e a gestão do presidente ex-operário e de sua sucessora.
A economia no mundo começou a bolha do crescimento desde a queda do muro de Berlim, o soterramento do pesadelo socialista e a introdução da agenda liberal, nos anos 90, onde o mercado livre e competitivo tomou as rédeas da condução dos sistemas econômicos.
A situação do Brasil, nesse aspecto, começou a receber os sopros desses ventos a partir da mesma época e teve maior impulso com a adesão, meio envergonhada de seus políticos ditos de esquerda, ao novo modelo e, mais ainda, com a introdução do Plano Real.
A partir de 2002, as potências do G-8, elegeram, para carrear maciçamente seus investimentos, os mercados de nações que apresentaram certo nível de desenvolvimento, circunstância em que os países do chamado BRIC(Brasil, Rússia, Índia e China e África do Sul), por suas características econômicas, foram escolhidos como os maiores clientes dos investidores externos. E são esses capitais vindos do exterior, em troca de elevados juros, principalmente os juros do Brasil, que alavancaram as economias locais.
Assim, de 2002 para cá, todas as economias em organização ganharam com o mercado globalizado liberal, que também passou a dar as cartas políticas, impondo um regime econômico com feição de certo modo singular, independente do matiz ideológico das chefias de Estado.
No Brasil da era lulista/dilmista/petista, o governo entregou a gestão à banda esperta do mercado, muita gente está enriquecendo, o sistema financeiro lava a égua, enquanto os gestores petistas zanzam pelo mundo, dizendo e fazendo o que lhe dá na telha, sem interferir na ação econômica, mas fazendo um belo marketing com a situação e tirando dela dividendos eleitorais.
Nossos chefes de Estado são, e não é leviandade, uns ergófobos, birôfobos, uns ociófilos, aerófilos, não gostam de ficar sentado na cadeira de presidente, administrando, decidindo, gerindo o país, demonstrando não ter os pés plantados na realidade, preferindo flutuar, tal nefélios, no mundo da lua, contemplando o cosmo sideral.
Portanto, não se deve ao governo o que acontece com nossa economia, mas às circunstâncias universais do final do século passado e início do presente século. O inconveniente disso, e aí mostra a fraqueza dos governos locais e particularmente do nosso, é a concentração de renda, o aumento da exclusão, a falta de ação na educação, na saúde, na segurança, na previdência, na infraestrutura, porque as riquezas estão sendo carreadas para as mãos dos poucos que não mais precisam tanto delas.
Se olharmos a economia por setores, na realidade não há um específico que tenha perdido dinheiro nesse período. Quando um setor ameaça ruir, o próprio mercado aciona os governos, concede-se generosos benefícios e a crise é debelada. Isso ocorreu com o sistema financeiro, com o sistema de construção civil, a indústria automobilística, e até com a moderna área de informática, dentro dela o fascinante setor de celulares, e muitos outros setores.
Entretanto, quando se olha para empresas e empresários, individualmente, é imenso o número de gente que quebrou, saiu de cena, ficando à margem do mercado e sem ter pra quem apelar. Os casos de desastre pessoal não aparecem, não interessam ao sistema, porque não abala os seus pilares.
O Brasil, que é um dos países que mais recebem investimentos externos(aqui, dólar está saindo pelo ladrão), porém, por outro lado, é o que menos cresce entre seus assemelhados(Rússia, Índia e China e África do Sul), é o de inflação mais elevada, por não saber tirar proveito dos recursos aqui internados, como o fazem seus irmãos do BRIC e o de maior carga tributária.
O perfil de distribuição das riquezas, no Brasil, que hoje está, praticamente, com 200 milhões de habitantes, é o mesmo de quando o país tinha lá seus 50 milhões de viventes. 10% dos brasileiros detêm 90% do PIB, consequentemente, 90% ficam com 10% desse Produto.
No meio de campo, fruto do desenvolvimento resultante de esforços pessoais, há uma camada classe “B” mais forte do que anos atrás, mas é essa camada que sustenta o mercado e o governo com seu consumo e seus impostos, não recebendo a contrapartida em boa educação, saúde, segurança, infraestrutura, aplicando parte de sua renda naquilo que é obrigação do Estado.
A carga fiscal-tributária em cima da classe média leva, considerando-se todos os encargos obrigatórios e compulsórios, valor próximo de 60% da renda, restando 40% para usufruto pessoal.
Por fim. Embora não se identifique setor econômico com perdas significativas, o modelo penaliza individualmente e quem sofre, como servidores públicos, aposentados públicos e privados, segmentos de trabalhadores que não têm sindicato com força de reivindicação, não são bolsistas e cotistas, sofre calado, porque o oba-oba de que tudo está uma maravilha é tão forte e tão barulhento que abafa a voz de quem reclama isoladamente.
E tudo parece um céu de brigadeiro, quando na realidade há é um céu pra urubu.





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