Os espertos demais e a aposentadoria compulsória - Tião Lucena

As vezes é preciso o recolhimento voluntário para percebermos o quanto este mundo está de pernas pra cima.
Nós, jornalistas, por exemplo, convivemos diariamente com uma classe chamada política que é a escória das categorias.
Mas a gente não nota, não percebe, não desconfia, exceto quando se recolhe.
Como eu estou percebendo agora, recolhido aqui na solidão de Bananeiras.
Estamos assistindo a um espetáculo deprimente, vergonhoso, nojento e seboso, protagonizado por homens públicos que se dizem representantes do povo.
Estes homens, todos grisalhos e tidos como responsáveis, assumiram compromissos com um governador, prometendo apoiá-lo até debaixo d”água. Em troca, receberam benesses governamentais, empregaram parentes, aderentes e similares, além de outros favores.
A moeda de troca, a contrapartida, porém, não foi entregue como devido.
No meio do caminho apareceu a candidatura do senador Cássio Cunha Lima. Os espertos, achando que Cássio está eleito, correram em debandada atrás da nova sombra, esquecendo os compromissos, as promessas e a palavra empenhada.
Assombrado ficou quem não conhece essa turma. Eu conheço e não fiquei.
Esses deputados que correram aos braços de Cássio negaram-lhe um bom dia não faz muito tempo. Alguns deles cortaram de calçada para não cruzar com o senador, quando o senador vivia a incerteza de assumir a cadeira no Senado. Isso ele mesmo disse em entrevista e em confidências.
O próprio senador sabe que não pode confiar nessa turma, mas não pode se dar ao desfrute de desprezar apoios. Principalmente apoios oferecidos.
Ao governador Ricardo Coutinho resta o consolo de se ver livre desses leprosos. A partir de agora tem a tranqüilidade para conversar diretamente com o eleitor, que já conhece os espertos e decerto lhes concederá a aposentadoria compulsória em outubro.





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