Sem Campina Grande fica difícil - Chico Pinto


O governador Ricardo Coutinho, caso queira permanecer no espaldar da cadeira principal do Palácio da Redenção precisa, urgentemente, direcionar o seu olhar e incrementar as suas ações para a cidade de Campina Grande, segundo colégio eleitoral do Estado e “berço esplêndido” de nascimento e de conquistas eleitorais de Cássio Cunha Lima e de Veneziano Vital do Rego, seus dois prováveis adversários nas eleições deste ano.


Após a redemocratização do País, com o advento das diretas já, a história recente das eleições para o governo da Paraíba registra que, com exceção de Wilson Braga, em 1982, até a data de hoje, ninguém conseguiu sentar-se no tal espaldar da cadeira palaciana, sem antes ganhar às eleições na cidade de Campina Grande. Braga, foi o único governador eleito que perdeu naquela cidade para o então candidato Antônio Mariz, que galgou o comando do Palácio da Redenção.

De lá pra cá todos os governadores eleitos da Paraíba, por via direta – Tarcísio Burity, Ronaldo Cunha Lima, Antônio Mariz, José Maranhão, Cássio Cunha Lima e Ricardo Coutinho -, foram vencedores em primeiro e segundo turnos com expressiva e decisiva maioria na Rainha da Borborema.

Diante desse registro é fundamental que o governador Ricardo Coutinho, fique bastante “antenado” com aquela cidade, volte sistematicamente as suas atenções para as aspirações e desejos daquele eleitorado, sob pena de vê os seus sonhos de permanecer à frente dos destinos da Paraíba irem por água abaixo.

O próprio Ricardo é sabedor desta vantagem, usufruiu dela no pleito passado, quando os votos obtidos por ele, com o apoio sistemático de Cássio, em Campina Grande, sem sombras de dúvidas, foram preponderantes pela fragorosa derrota que impôs ao seu então adversário José Maranhão.

Pesa contra o atual governador o compromisso que Campina Grande sempre assume quando um dos seus entra na disputa eleitoral a nível estadual.

Diferentemente de João Pessoa, aquela cidade quando quer – e sempre tem tido esta vontade – se enche de orgulho e até mesmo de um certo bairrismo na defesa dos seus representantes.

Enquanto isso, aqui na Capital, os votos são flutuantes e, geralmente, são diluídos entre os candidatos, por se tratar de uma cidade polivalente onde a maior parte do eleitorado é procedente de outras regiões e só tomam a decisão de escolha na reta final da campanha.

Um exemplo: a eleição de Luciano Cartaxo, para prefeito só tomou folego faltando poucos dias para o pleito.

Pode também ser citado como exemplo a eleição passada para o Governo do Estado. Apesar de Ricardo Coutinho ter nascido em João Pessoa, no Bairro de Jaguaribe, no segundo turno da eleição passada ele obteve 58,17% do votos válidos contra 41.83% do seu adversário José Maranhão.

Já em Campina Grande, também no segundo turno, ele foi contemplado com 62,89% do votos contra apenas 37,11% obtidos pelo seu antagonista.

Para não me alongar nesta peroração e também para não cansar os meus três ou quatro leitores, vamos aos números registrados nos arquivos do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, que por si só, comprovam o ponto principal da arguição, que é aquela que se deseja transmitir:

Quando não se ganha em Campina Grande o caminho fica difícil, arenoso e, talvez, até impossível.

Vamos aos números:


No pleito de 1986, Tarcísio Burity obteve em Campina Grande 67.478 votos, correspondente a 61,65%, enquanto que Marcondes Gadelha, ficou com 34,53%, ou seja, 37.796 votos. Uma diferença de 29.682 sufrágios.

Na eleição seguinte, em 1990, no 1° turno, Ronaldo Cunha Lima, foi contemplado com 85.602 votos, correspondente a 74,33% dos votos válidos. Wilson Braga, seu principal adversário obteve 20.423 votos, ou seja, 17,73%. No segundo turno, Ronaldo aumentou a votação para 106.735 votos (82,84%) enquanto que Braga alcançou 22.116 votos (17,16%). A diferença pró Ronaldo foi de 84.619 sufrágios.

Em 1994, vei a eleição de Antônio Mariz que tinha como opositora a deputada Lúcia Braga. No primeiro turno, Mariz obteve, em Campina Grande, 66.841 votos (63,11%). Já Lúcia Braga ficou com 26.455 (24,98%). No segundo turno, Mariz aumentou para 92.582 votos (75,97%) e Lúcia foi para 29.292 (24,03%). Uma diferença de 63.290 votos.


Em 1998, José Maranhão, eleito no primeiro turno, obteve naquela cidade, 81.936 votos (72,74%), contra apenas 26.901 ( 23,88%) dados ao deputado Gilvan Freire. Diferença de 55.035 votos.

Já em 2002, Cássio Cunha Lima, no primeiro turno, obteve 111.332 votos (64,46%), ficando Roberto Paulino com 35.971 votos (20,83%). No segundo turno, Cássio aumentou a votação para 138.799 (74,24%) e Roberto Paulino foi aos 48.156 votos correspondentes a (25,765). Um placar de 90.643 votos de diferença.

No pleito seguinte, em 2006, Cássio Cunha Lima, no 1° turno, conquistou 136.706 sufrágios (66,71%) e José Maranhão ficou com 63.970 votos (31,21%). No segundo turno, Cássio foi aos 143.112 votos (69,25%) e Maranhão obteve 63.562 (30,75%). Diferença de 79.550 votos.

Na eleição passada, em 2010, o candidato Ricardo Coutinho, no 1° turno, foi aos 130.157 votos (64,22%) enquanto que José Maranhão, ficou com 68.784 votos, ou seja, 33,94%). Já no segundo turno, Ricardo Coutinho, obteve 135.833 votos (62,89%) e Maranhão foi contemplado com 80.145 votos, correspondente a 37,11%). Ricardo ganhou com uma margem de 55.688 votos de diferença.

Quem melhor definiu Campina Grande foi o tribuno Alcides Carneiro, através de uma das suas famosas exaltações à cidade:

“Um dia afirmei, em fervorosa exaltação, que Deus fez a Paraíba com o braço e Campina Grande com o coração.”




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