BRASIL POLÍTICO - HISTÓRIA MONOLÍTICA

Brasil político – história monolítica

Vejam esta Exposição de Motivos de um Ministro de Estado para o Chefe de Governo brasileiro:
“É hoje fato reconhecido que o funcionalismo público não está organizado de modo conveniente ao serviço do Estado. O sistema das passadas administrações consistia em encher as repartições de pessoal, nem sempre idôneo, mas sempre excessivo e conseqüentemente mal remunerado.
São óbvios os inconvenientes que de semelhante sistema têm resultado. Para remediar tanto quanto for possível este mal, tenho um plano de reforma das repartições do ministério a meu cargo que será realizado parcialmente, depois de detido exame acerca das condições especiais de cada repartição. Tem esse plano por bases: 1) Aumento de vencimento, sem aumento de despesa; 2) Redução de pessoal; 3) Coação do trabalho;
4) Simplificação dos serviços, acelerando o expediente”.
O documento acima terá sido assinado por algum recente ministro da economia e encaminhado à presidente da República do Brasil de nossos dias?
O assunto calha muito bem no Brasil de hoje, de agora.
Contudo, a Exposição de Motivos é da lavra do Ministro da Fazenda Rui Barbosa, encaminhada ao Marechal Floriano Peixoto, Chefe do Governo provisório, em 21 de janeiro de 1890.
Decididamente, a história do Brasil político é monocórdia, é samba de uma nota só.
Vale repetir: No Brasil político, o processo de mudança tem coeficiente zero. Isso aqui é um país cujas transformações são desenhadas para que tudo fique como está. O amanhã(futuro), com certeza, terá cores do hoje(presente), como o hoje tem cores de ontem(passado).
Tudo muda para o mesmo, a nação se desloca do nada para a coisa nenhuma. Novos, na política do Brasil, só os chavões que, na essência, definem velhos conceitos. O novo já nasce envelhecido e o velho se apresenta como novo. É um círculo vicioso, onde tudo gira em torno de si mesmo, caminhando sempre para o ponto inicial.
Nisso, o Brasil é bastante original. É o sapiente criador do nada. E ao criar o nada, confirma a frase de que “nada se cria, tudo se copia”. É a xerocultura, a página nova é apenas a xerox da página velha. Assim, vamos sem ir e ficamos como se estivéssemos indo.
É o nada sendo tudo e o tudo dando em nada.
Que nó!




Comentários


Comentar


Sidebar Menu