Bipolaridade Jurídica - Virgolino de Alencar

 Não sou Bacharel em Direito, sou laico portanto, mas não sou leigo. A minha atividade profissional envolvendo Direito Administrativo, Financeiro, Comercial, Tributário, enfim, Público de um modo geral, obrigou-me a fuçar no arcabouço de leis, nos compêndios de juristas e na jurisprudência de tribunais.

Depois de muitos anos na batalha e pouquíssimos anos na Rede da Internet, cheguei à conclusão, aqui no Face, com pensadores de todas as correntes, de que minha cabeça está tendo comportamento, em matéria jurídica, contrário e favorável a tudo.

Um dia louvo o Supremo, seguindo os mais entendidos do que eu. Noutro, me decepciono, também seguindo argumentações de especialistas. Um dia eu quero trucidar bandidos. Noutro, penso no ser humano que entrou por uma senda perigosa, levado pelos mistérios insondáveis da vida.

Um dia quero aumentar a carga de penas previstas no Código Penal. Noutro, entendo que as penas já existem bem dosadas(vide comentário abalizado de Albergio Gomes Medeiros, hoje aqui no Face) e é apenas um problema de aplicação.

No STF, há Ministro bom e Ministro mau? Qual então? Depende da posição emocional de cada um.

Absolutamente racional, não vejo ninguém, me desculpem. Há uma luta com dois lados bem definidos.

E o meu, para mim, com a cabeça que estou, é o certo.

Não vou dissecar qual, até porque quem acompanha o Face já sabe bem qual é.

Nem venham os psicoterapeutas de boteco alegar que é problema de personalidade. Esta minha é única, a que Deus me deu, e nenhuma filosofia, ideologia, religião mesmo, lava meu cérebro.

Mas não sou aquele burro que, quando bota a cabeça para um lado, não há focinheira que a faça voltar para o outro. Capto as bandas que entendo positivas em todas as bandas.

Brucutu extremista, não sou. E respeito, acima de tudo, o contraditório, a livre expressão do pensamento, a ampla liberdade de opinião, o amplo direito de defesa para todos.

Na minha vida profissional, sempre acatei e cumpri decisões da Justiça. Mas, expressei de público, em artigo publicado com destaque em importante jornal do Estado, escrito e assinado com meu nome de batismo e de identidade civil, minha irresignação, em julgado que quase acaba com o pão da minha categoria, a de Auditor Fiscal.

Acho-me cidadão que luta pela cidadania, sem desrespeitar nem pessoas e nem opiniões, e quando estas me convencem eu corro atrás para beber do seu ensinamento.

Concluo. É por isso que me sinto com bipolaridade em matéria jurídica. Direito é bonito na sua filosofia, na teoria geral que o fundamenta, mas está muito feio na prática e nas decisões





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