Tuma Junior tira o esqueleto do armário - Chico Pinto

 
Confesso que não sei até onde vai à credibilidade do delegado Romeu Tuma Júnior, ex-secretário Nacional de Justiça, no governo do presidente Lula, mas tenho que admitir que se trate realmente de um homem corajoso, perspicaz, ou em última hipótese, de um samurai em busca de restaurar a sua honra, mesmo que para isso, seja necessário trazer à tona, alguns segredinhos despudorados arquivados nas entranhas da política nacional.

 

 

Tuma Júnior acaba de lançar um livro intitulado “Assassinos de Reputações: Um Crime de Estado”, cujas páginas contém um arsenal de denúncias contra a cúpula do PT, acusada por ele, de ser a responsável por uma fábrica de dossiês contra adversários políticos. Até mesmo o ex-presidente Lula é acusado de ter sido informante do seu pai, o ex-senador e delegado do Dops Romeu Tuma, nos tempos obscuros da ditadura.

 

 

Samurai ou kamikaze o certo é que Tuma Júnior, em entrevista a Revista Veja, desta semana, tira o esqueleto do armário e não esconde a sua disposição de querer provar tudo o que está inserido no livro. Inclusive, diz que está disposto a ir ao Congresso Nacional, de posse de vasta documentação, selecionada e arquivada por ele, durante o período em que esteve à frente de um dos cargos da mais alta esfera do Ministério da Justiça.

 

 

Consta no livro de Tuma, e foi dito na Veja, que o ex-presidente Lula passava informações para o seu pai, na época delegado do Dops.

 


Estarrecedora e de suma gravidade esta revelação.

 

 

Veja só o que ele afirma: “O que conto no livro é o que vivi no Dops. Eu era investigador subordinado ao meu pai e vivi tudo isso. Eu e o Lula vivemos juntos esse momento. Ninguém me contou. Eu vi Lula dormir no sofá da sala do meu pai. Presenciei tudo. O Lula era informante do meu pai no Dops”.

 

 

Tuma insinua, mesmo alegando não possuir provas a respeito, que algum relatório do Dops da época tenha registrado informações atribuídas a um certo informante de codinome “Barba”. “Era esse o codinome de Lula, junto aos órgãos de repressão”, afirma

 

 

É ou não é nitroglicerina pura?

 

 

E, vai mais além, quando afirma ter recebido ordens do governo para criar dossiês contra uma série de inimigos políticos do PT. Um dos alvos teria sido Marconi Perillo, governador de Goiás. “Só porque ele avisou o Lula da existência do mensalão”, diz Tuma. Outro alvo teria sido o ex-senador cearense Tasso Jereissati, também adversário do ex-presidente.

 

 

O livro promete, ainda, colocar o dedo em feridas ainda não cicatrizadas no PT, como o caso da morte do prefeito de Santa André (SP) Celso Daniel e o mensalão.

 

 

É fundamental que se aprofunde as questões colocadas por Tuma no livro. Elas não devem ser desprezadas. Mas, sem sombras de dúvidas, deve haver pelo menos por enquanto, um pouco de precaução até que ele seja ouvido pelo Congresso Nacional e que os fatos revelados, cheguem até a Procuradoria Geral da República. Isto é, se realmente existem.

 

 

Todavia, diante da gravidade do tema e antes de qualquer conclusão apressada, é preciso ver se ele realmente tem documentos que possam dar credibilidade às denúncias.

 


No momento, sabe-se que ele é um policial experiente e seria uma desastrosa tolice “colocar m... no ventilador” sem ter algum material que comprove as acusações.

 


É fundamental também não esquecer que a mesma Revista Veja que hoje abre as suas páginas para Tuma Júnior dedilhar as suas denúncias contra o PT, tempos atrás, abria manchetes cavernosas contra o delegado, acusado de convivência com a máfia chinesa do Brasil.

 


Está feito o estrago e isso não pode acabar bem, a opinião pública deve se inteirar dos fatos, pois a biografia de muita gente está indo pro lixo e de forma bastante desprezível.

 

 

Que se investiguem tudo e condene quem for culpado, como bem disse Dilma “doa a quem doer”.




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