O verbo é roubar - Chico Pinto

 De todos os imutáveis flagelos brasileiros o pior de todos é a nefasta e impregnada corrupção. O mal tomou corpo, se expandiu feito metástases cancerígenas, espalhadas por todos os recantos deste País. De norte a sul, de leste a oeste o “cancro” fez morada e, a cada dia que passa, ele mostra as suas garras de forma gananciosa e atrevida.

Atrevida por que se rouba em pleno dia, de cara descoberta e deslavada, sem temer represálias e os ditames da lei. É gananciosa pelo fato de se afanar, descaramento, as poucas migalhas que sobram para a população.

Roubam-se até os parcos recursos destinados aos carros-pipas que levam água para matar a sede dos nordestinos, cedentes por uma gota d’água potável, mesmo sendo eles (os recursos) fiscalizados pelo Exército.

Afrontam-se à lei e a segurança nacional!..

A roubalheira é permanente e demasiadamente recalcitrante. Roubar o dinheiro público virou regra e há tempo deixou de ser uma exceção. Os escândalos vão das pequenas Câmaras Municipais até o Congresso Nacional.

No executivo tanto faz roubar os recursos destinados às obras estruturantes, de grande porte; como roubar o dinheiro do remédio ou da merenda de uma pequena escola do interior.

Roubar virou banalidade, se tornou natural e quase ninguém mais se indigna. Pelo contrário, o que não falta é quem defenda estes ladrões do dinheiro público com unhas e dentes. Tanto isso é verdade que eles, na maioria das vezes, mesmo flagrados com a mão na “botija”, com o butim nas cuecas, se arvoram de paladinos da moralidade pública.

O verbo roubar pode ser conjugado tanto no passado como no presente. Não se sabe quem roubou mais. O pior é que a cada dia que se passa a roubalheira mais se alastra e se cria um novo tipo de corrupção. Quando não se bota diretamente a mão no dinheiro do contribuinte ele é desviado através das licitações e das propinas.

 

 

Tem uma frase atribuída a Theodoro Roosevelt, que tem uma definição perfeita e que cabe muito bem por aqui. Sentencia o ex-presidente americano que “O problema não é haver corrupção. Corrupção é inerente à espécie humana. O problema é o corrupto poder exibir o seu sucesso, o que é subversivo”.


Para evitar que os corruptos não possam mais exibir o seu sucesso é imperativo apenas, que a lei seja estabelecida, que a impunidade se acabe e que se deixe de ter “piedade” destes ladrões.


Eles têm que mofar na cadeia e devolver aos cofres públicos o produto do roubo.

 

 

Somente assim, acredito, deixaremos de conjugar o verbo roubar no presente e, talvez, no futuro também.




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