O descalabro é coletivo e pluripartidário - Chico Pinto

 O Brasil desde os seus primórdios nunca foi considerado um país sério no quesito honestidade. Do império, até a presente data, a sua folha policial é intensa e multifacetada. Os escândalos são incontáveis e se adaptam, facilmente, a todos os artigos do Código Penal. O descalabro é gritante, coletivo e pluripartidário.

Gritante por que nos deixe perplexos e impotentes diante dos absurdos; coletivo por ser praticado, na maioria das vezes, por formadores de quadrilhas; e pluripartidários por encontrar guarita nas diversas instâncias partidárias. Quase nenhuma agremiação política, com registro do TSE, está isenta de possuir e de acobertar nos seus quadros larápios do dinheiro público.

Os incontáveis escândalos - o mais recente ocorre na Prefeitura de São Paulo -, são praticados por agentes públicos, colocados em pontos estratégicos da arrecadação por indicação partidária e/ou agentes políticos. São postos nestes cargos como prepostos, cuja principal incumbência é executar ou facilitar falcatruas prá si e também praqueles que os indicaram.

A vítima principal das ações nefastas desses quadrilheiros é o contribuinte que, diariamente, vê os recursos da saúde, da educação, do transporte, da segurança, das obras de infraestrutura escorrerem pelo ralo nefasto da corrupção. E, o pior nisso tudo, é que se rouba descaradamente e ainda se apresentam como paladinos da moralidade, quando na realidade, não passam de pústulas oportunistas, ladrões da nação.

Diariamente, o brasileiro se depara com um novo escândalo o que o faz esquecer o da semana anterior. Virou rotina e banalidade! Só que este tipo de excrescência causa profundo prejuízo aos cofres públicos. O dinheiro roubado, desviado pelos larápios deixa de ser aplicado em benefício da comunidade.

Por este Brasil afora o que mais se vê são obras inacabadas onde foram investidos milhões e milhões de reais sem que elas cumpram a sua finalidade. Da Transamazônica passando pela Transnordestina, pela Transposição do Rio São Francisco e da maioria das obras de engenharia espalhadas por todos os Estados da Federação, todas são subfaturadas e a maior parte dos recursos desviado.

O descalabro e a degradação ética têm levado o Tribunal de Contas a União a determinar a paralisação de dezenas de obras com indícios de irregularidades graves. Quando não são projetos inadequados, superdimensionados prevalece à má gestão, a falta de gerenciamento e, mais ainda, a corrupção.

Por negligencia, incompetência e até mesmo por falta de honestidade, esquece os governantes, que obra cara é obra parada. Uma obra paralisada penaliza a população duplamente: pela ausência da obra e pelos recursos já aplicados, sem falar na riqueza que se deixa de produzir, em prejuízo do desenvolvimento econômico e social do país.

A influência da propina, ofertada por empreiteiros corruptos, é quem vem definindo os destinos dos nossos recursos. Ou se cria mecanismos coibidores do desperdício de dinheiro público ou a nossa população será levada a conviver impassivelmente com a roubalheira.

Diante desse alarmante quadro a sociedade brasileira precisa ficar mais atenta, mais ativa, pois, há muito tempo, ela vem sendo tragada pela corrupção encastelada onde não devia. A improbidade a cada dia toma corpo e se alastra por todos os recantos da nação.




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