MEMÓRIA PESSOENSE: Nau Catarineta, em Cabedelo - Sérgio Botêlho



O folclore sempre foi muito forte na cidade de João Pessoa, especialmente em bairros como Torre, Cordão Encarnado, Roger, Mandacaru, Tambaú, e nas cidades de Bayeux, Conde, Alhandra, Pitimbu, Baía da Traição e Cabedelo, tudo parte da Grande João Pessoa, e quase tudo conurbado.

Mas, das minhas lembranças, com relação ao folclore, de infância e juventude, uma das mais fortes, ao lado dos cabocolinhos, no carnaval de rua, é a da Nau Catarineta, em Cabedelo, geralmente encenada no Forte de Santa Catarina, mas, também, nas tradicionais festas de São Sebastião, padroeiro cabedelense, na segunda metade do mês de janeiro.

O passeio a Cabedelo, algumas vezes, feito como tarefa escolar, outras, por puro prazer, já, de maior idade, nos punha em contrato com uma das mais belas e tradicionais manifestações culturais de origem portuguesa, largamente espalhadas pelo país.

Estive pesquisando, até para reavivar a memória, e acrescentar informações à lembrança da Nau Catarineta, e descobri que no bairro da Torre (originalmente, Torrelândia), havia um grupo popular que encenava a Nau Catarineta sob o nome de Barca, devidamente pela expedição folclórica coordenada por Mário de Andrade, em 1938.
Aliás, essa manifestação popular, que conta histórias dos tempos da navegação lusa pelos mares afora, toma vários nomes, além de Nau Catarineta, como barca, marujada, fandango e chegança-de-marujo.

“Truléu, léu, léu, truléu da Marieta, que nós somos marinheiros dessa Nau Catarineta”. Ao som dessa e de outras cantigas, cordões de marujos e de oficiais dançam marcada e dramaticamente reproduzindo dificuldades ou batalhas em alto mar.

Interessante anotar - diante dessa recordação de nosso folclore, hoje, tão relegado a segundo plano frente à globalização da cultura – isso, que estamos fazendo, ou seja, que essas manifestações populares já foram valorizadas a nível, mesmo, de obrigações incluídas em nosso sistema escolar.

Outra anotação: o insigne paraibano, Ariano Suassuna, inclusive, tem, entre suas obras, um musical armorial, à base de pífanos e rabecas, dedicado à Nau Catarineta, muito bonita de se ouvir, e que pode ser tranquilamente acessada pela Internet.
Estive, ainda ontem, conversando com a amiga Jânia Miranda, cabedelense de quatro costados, e soube que a Nau Catarineta continua se apresentando em Cabedelo, normalmente, o que é sensacional.

Principalmente, quando sabemos do declínio absoluto das manifestações folclóricas em João Pessoa, o que é péssimo não apenas como decepção por conta de um mero saudosismo, mas, como enfraquecimento dos nossos traços culturais.

Recordar a Nau Catarineta, tão expressiva como lembrança de infância e adolescência, é, obrigatoriamente, evocar os trabalhos um dia desenvolvidos por Altimar Pimentel, tenente Lucena, José Nilton, Dadá Gadelha, Osvaldo Trigueiro, entre outros, que dedicaram ou que continuam dedicando suas existências ao estudo e à preservação da cultura popular, na Paraíba.

Fica então marcada entre as memórias de João Pessoa, que venho postando, aqui, no Face, as excursões a Cabedelo, que, durante um certo período da infância, era distrito pessoense, para ver e ouvir, com deleite, as apresentações da Nau Catarineta.

MEMÓRIA PESSOENSE: Café Alvear - Sérgio Botêlho



Há uma obra definitiva sobre o significado do Café Alvear para a vida social e intelectual de João Pessoa, e ela foi escrita pelo mestre Gonzaga Rodrigues, um dos mais importantes cronistas brasileiros, em estilo e inspiração.

Em sua obra, Gonzaga rememora a importância sociológica e emocional do espaço onde se degustava o café, além de outras culinárias típicas de um Café, ali no indefectível Ponto de Cem Reis, hoje, tão dessemelhante.

O cronista mor de nossa província revisitou, em sua obra, uma época em que o Café Alvear servia de ponto de encontro para políticos e intelectuais de vários matizes, além de outras figuras, nem tanto, assim.

O Alvear servia como uma espécie de liquidificador de ideias, cujo resultado terminava por influir, mesmo, no mundo da política e na cabeça de jovens jornalistas ou idealistas na consolidação ou desmanche de teses em conflito no mundo real.

A impressão de Gonzaga, transmitida em sua obra, justamente de nome Café Alvear, são as de um jovem já imerso no campo das letras e das ideias, sobre o alcance sensível daquele ponto comercial tão cheio de significantes para a formação da vida pessoense.

Me limito a recordar outro aspecto do Café Alvear, este, extraído da memória de uma criança da década de 50, exatamente, eu, acostumado a levantar cedo pronto para uma vitamina de banana, um cuscuz Bondade, um pão da padaria Paraibana e uma xícara de café Alvear. Assim fortalecido, só restava zarpar para o Pio XII.

A gente acordava com o cheiro vindo da fábrica do Alvear, o preferido das donas de casa da época, que funcionava na Miguel Couto, bem próximo ao então Foto Condor, de Ariel e Arion, e daquelas barbearias, ali, algumas, ainda em plena função.

O nosso café do dia-a-dia era comprado naquela pequena fábrica onde o grão passava pela moagem, transformando-se naquele pó - pronto para, em casa, virar um delicioso café - a ser comercializado para o cidadão comum da velha capital paraibana.

Esse processo final da produção do café em pó era feito, ali mesmo, no Centro de João Pessoa, com a chaminé espalhando aquele aroma tão característico, e inconfundível, que já se tornara uma característica odorífica da cidade.

Evidentemente, falo de uma outra João Pessoa, que não a de hoje em dia. Era uma João Pessoa menos numerosa, evidentemente, mais romântica, mais devagar, e, por tudo isso, mais permissiva a uma fabriqueta dessas no Centro de sua urbe.

Para nós, que morávamos nas redondezas, a fábrica do café Alvear era uma mão na roda, não apenas por aquele cheiro de todas as manhãs, mas, sobretudo, pela proximidade geográfica entre a nossa casa e o ponto de venda.

Um dia, o Alvear fechou, e, lembro de minha mãe reclamando de que seria difícil encontrar, dali avante, um outro café em pó que merecesse a confiança das donas de casa de João Pessoa.

Louvava-se, já na época, a vantagem, em gosto e pureza para os consumidores, sobre outros cafés industrializados. Mas, acabou, e, hoje, faz parte, apenas, da saudade. Saudade de uma época em que João Pessoa tinha, em pleno Centro da cidade, uma fábrica de café.

MEMÓRIA PESSOENSE – Pindobal - Sérgio Botêlho




Uma das ameaças mais fortes e eficazes às crianças pessoenses nas décadas de 50 e 60 era Pindobal. “É bom estudar senão você vai para Pindobal”, diziam os pais, estabelecendo um verdadeiro estado de pavor a quem se revelasse preguiçoso para o estudo.

A chantagem acabou criando, sobre a Escola Correcional de Pindobal e o adjacente Abrigo de Menores Jesus de Nazaré, imagem de verdadeiro campo de concentração onde só deviam existir anjos do mal.

As duas instituições funcionavam no município de Mamanguape, na Fazenda Pindobal, que tem esse nome, certamente, por conta de abundante existência, no local, de palmeiras chamadas pindobas, nome dado pelos índios.

Era um horror! O nome Pindobal estabeleceu-se entre a criançada como algo na categoria de um verdadeiro inferno, onde crianças eram colocadas para sofrer, sem parar, apenas por não se disporem ao estudo.

Quem, durante certo tempo, dirigiu Pindobal foi o tenente Lucena, figura extraordinária e sobre a qual já dediquei um desses artigos sobre as memórias pessoenses publicadas aqui nesse espaço do Facebook.

Pois bem. Quando publiquei a memória do Tenente Lucena, tive o prazer da participação, por meio de um post, da amiga, também deste Face, Rosa Virgínia Lins, que, justamente, havia sido aluna do Abrigo de Menores Jesus de Nazaré, e pegou o período da direção do tenente.

Depôs, Rosa, naquele momento: “Concordo em tudo descrito ....episódio a parte...como interna do abrigo de menores Jesus de Nazaré onde tivemos oportunidade de cantar em um coral criado por ele {Tenente Lucena}, contávamos os dias para os ensaios pois nos trazia grande alegria...nos ensinou muito e até criou um meio empolgante de falar cantando nome da instituição nos dando prazer era assim ‘Abrigo de Menores Jesus de Nazaré xiiiiiiiiiiii doooooo’ era só alegria aqueles momentos...”.

Bom. Vocês estão vendo que o cenário de Pindobal não devia ser exatamente o que os pais daquela época pintavam a respeito, se constituindo em abrigo a histórias de pessoas que acabaram tendo, ali, fortes experiências de vida. E mudaram seus futuros.
E, vejam só, encontrei na maravilhosa Internet um manifesto bem recente da autoria de pessoas vinculadas a uma ONG, de nome Pindobal, em Mamanguape, se colocando contrárias à criação, pelo governador Ricardo Coutinho, de um sistema prisional na Fazenda Pindobal.

“Aquele lugar tem história em nossa cidade, onde diversas pessoas de lá saíram e conseguiram uma vida digna”, apelam os signatários da carta, em determinado trecho, revelando o carinho com que Pindobal é tratado pelo povo mamanguapense.

Decorre da argumentação a certeza da existência de muita gente de bem, hoje, a exemplo da amiga Rosa Virgínia Lins, com fortes e positivos depoimentos a serem dados, em função da vida encaminhada ou reencaminhada nos bancos de PIndobal.
Creio, mesmo, que aquela experiência, que nos foi tão mal transmitida, um dia, possa receber cada vez mais apoio das autoridades, e, quem sabe, servir como belo argumento para um filme de elevado perfil artístico-educacional.

Pindobal, em Mamanguape, é memória pessoense, também.

MEMÓRIA PESSOENSE: Árvores que fizeram história - Sérgio Botêlho




As árvores, quanto mais ligadas às experiências coletivas, mais históricas elas se transformam. Há casos, até, de experiências individuais que acabam transformando as árvores em seres eternos, como é o caso do pé de tamarindo imortalizado por Augusto dos Anjos.

Há, pelo menos, três dessas árvores, na cidade de João Pessoa (ao menos, das que me recordo mais fortemente) que guardam enorme ligação com a vida pessoense, por décadas a fio, e que permanecem vivíssimas na memória de várias gerações da nossa capital.

De comum, elas possuíam um elevado porte e se erguiam majestosas no cenário urbano da Cidade da Paraíba, derramando sombra generosa por vasta área onde haviam fincado suas enormes e portentosas raízes.

Uma dessas árvores ficava bem no caminho que muitas vezes percorria quando retornava do Pio XII ou, mais tarde, do Lins de Vasconcelos, para a minha residência, ali, mesmo, no Centro da cidade.

Falo num belo pé de ficus que existia na Praça Rio Branco, mais para a Duque de Caxias, bem em frente à antiga Rádio Patrulha e ao lado da Delegacia da Receita Federal. Era um verdadeiro monumento da natureza.

Passaram-se décadas – podendo, mesmo, ter chegado à condição de árvore centenária – da existência daquela imensa árvore naquele pedaço da área central de João Pessoa, a desafiar a passagem do tempo e a urbanização da capital paraibana.
A outra, é uma gameleira que havia no Roger, também, por décadas, e que passou a ser referência a moradores e a quem quisesse melhor se achar naquele tão tradicional bairro de João Pessoa.

A gameleira do Roger é uma dessas árvores de maior carga poética na história da cidade das Acácias, fazendo parte da memória espontânea, não apenas da população local, como, ainda, de todos os que, um dia, passaram por baixo ou ao largo de sua sombra.

Em sua existência, no cruzamento da Gama e Melo com a Dom Vital, a gameleira do Roger acabou substituindo o próprio nome da rua, já que a Dom Vital passou a ser conhecida, durante o tempo de vida da árvore, como rua da Gameleira.

A outra dessas árvores ficava no início da praia de Manaíra, na altura do antigo Elite Bar, e, certamente, alcançou mais fama que as outras duas sobre as quais estou falando, já que fez sucesso na Paraíba e outros estados.

A gameleira servia de refúgio contra o sol a quem procurava a praia, em João Pessoa, vindo dos mais diversos municípios do estado, e, também, é claro, da própria capital paraibana. Era ali perto o ponto final do bonde e dos ônibus urbanos com destino a Tambaú, e das ‘sopas’ turísticas que chegavam do Interior.

O tempo, junto com o crescimento da malha urbana pessoense, aí incluídas, é claro, as calçadas e o asfaltamento das ruas, se encarregaram de matar esses espécimes da flora que, por muito tempo, embelezaram João Pessoa.

Há outras histórias de árvores famosas em João Pessoa, especialmente, em Jaguaribe e Cruz das Armas. Mas, infelizmente, não fazem parte da memória que foi captado por minhas retinas, na querida João Pessoa.
Quem souber, que conte mais...

MEMÓRIA PESSOENSE: Polícia Mirim - Sérgio Botelho



Na década de 60 deu-se início, em João Pessoa, a uma malfadada experiência no campo da repressão a menores. Note-se que a violência envolvendo menores, naquela época, tinha alguns, porém, bem menos parâmetros a ver com a violência de hoje.
Era uma violência, para início de conversa, em meio a uma população muito menos numerosa que a de hoje, embora, pelas mesmas razões, fincadas na miséria. Mas, ainda, sem a motivação extra no tráfico de drogas.

Os meninos de rua, na década de 60, eram poucos e conhecidos pelos nomes. Ao menos, os que se aventuravam a perambular pelo Centro, furtando aqui e ali. Em geral, viviam nos cinturões de pobreza, como sempre, nos limites as áreas periféricas da capital paraibana. Ou seja: regiões onde as famílias passavam, e, ainda passam, por dificuldades extremas para sobreviver.

Porém, achou-se, na época, que era necessário vestir meninos como soldados, arma-los com cassetetes, e solta-los nas ruas para prender outros meninos que, na mesma situação deles, os policiais mirins, também eram muito pobres.

A sede da Polícia Mirim, se não me falha a memória, ficava na Diogo Velho, ao lado da então Faculdade de Enfermagem hoje Residência Universitária Feminina, já bem perto da esquina com a Pedro II.

Não precisa dizer o medo que a pirralhada tinha da tal Polícia Mirim, especialmente as crianças que moravam no Centro, ou no Roger, Cordão Encarnado e Jaguaribe, caminhos naturais desses meninos vestidos de policiais.

Para nós, que não sabíamos exatamente o que aqueles policiais mirins combatiam, qualquer coisa que estivéssemos fazendo - e as crianças do Centro brincavam muito nas ruas e nos parques, principalmente na Lagoa - era motivo de apreensão.
Decorrente desse estado permanente de apreensão, a Polícia Mirim conseguiu estabelecer um certo estado de beligerância entre a ‘corporação’ e a criançada. Não foram poucas as escaramuças havidas entre crianças, nos bairros, e os policiais mirins.
De vez em quando, a gente escutava, nos colégios, façanhas contadas, por colegas, de brigas ocorridas em vários bairros da cidade. O fato é que forjou-se uma forte animosidade das crianças para com a Polícia Mirim.

O final da Polícia Mirim, em João Pessoa, é como um enredo de desfecho previamente sabido, pois, acabou em uma tragédia que continua sendo chorada por todos quantos dela (da tragédia) se recordam.

A indelével marca ainda hoje pode ser vista à direita de quem entra pelo principal portão do Cemitério Senhor da Boa Sentença, representada pelo túmulo de uma menina de 13 anos, um dos mais visitados do nosso principal ‘campo-santo’.
A sepultura, lotada de ex-votos e velas acesas, sempre, é de uma criança chamada Maria de Lourdes, que, acusada de roubo por seus patrões, acabou sendo levada à Polícia Mirim, “para confessar o crime”.

Depois de seviciada, foi morta a porretadas por aqueles despreparados policiais-crianças, sob o comando de algum celerado, louco para arrancar uma confissão capaz de agradar a família acusadora.

Pena que, mesmo após essa, e outras tragédias que tais, ainda exista quem considere que o caminho para combater a violência é a violência, e, não, o investimento em escolas e na melhoria de vida das populações mais necessitadas.

MEMÓRIA PESSOENSE: Os velhos ‘cinemas’ - Sérgio Botêlho



A minha mais forte e saudosa lembrança das salas de projeção cinematográficas da João Pessoa das décadas de 50 e 60 é a representada pelas matinais de domingo no Cine Rex, que funcionava na esquina da Duque de Caxias com a Peregrino de Carvalho.

Antes, tínhamos que ir à missa, logo bem cedo, celebrada pelo Padre Juarez na vizinha Igreja da Misericórdia. Depois, vinha a diversão, no cine Rex, onde uma das atrações que mais prendiam as crianças eram os cine-seriados.

Do lado fora (na calçada da Peregrino de Carvalho) do “cinema”, denominação normalmente usada para designar as salas de projeção de... cinema, havia a venda ou troca livre de figurinhas que preenchiam os contumazes álbuns vendidos pelos “fiteiros” (bancas de revista).

Na sequência, as sessões eram barulhentamente acompanhadas pela meninada, especialmente nos velhos filmes de faroeste ou de aventuras. Depois de prender a respiração nas cenas em que os bandidos pareciam se encaminhar para uma indesejada vitória, a criançada explodia em palmas e vivas e pancadas nas cadeiras acolchoadas do Rex quando o “artista”, enfim, vencia a parada. Era uma alegria maravilhosa!

Com a inauguração do requintando Cine Municipal, em 1965, o Centro de João Pessoa passou a abrigar seis salas de cinema: o próprio Municipal e o também requintado Plaza (ambos, na Visconde de Pelotas), o citado Rex, o Cine Brasil (na descida da Guedes Pereira), o Cine Felipeia (na esquina da rua General Osório com a da República) e o Astoria (também na Rua da República). Confesso que não lembro perfeitamente se quando da inauguração do Municipal o Astória ainda funcionava. Mas, na década de 50, sim.

Na cidade baixa, vizinha ao Centro, havia, ainda, o Cine São Pedro, na São Miguel, nos limites do Cordão Encarnado, bem próximo ao Cemitério da Boa Sentença.

Praticamente cada bairro de João Pessoa tinha a sua sala de cinema, ente as décadas de 50 e 60: em Jaguaribe, o cine Jaguaribe, o São José, e o Santo Antônio (este, mais confortável); na Torre, o cine Torre e o Metrópole; em Cruz das Armas, o Bela Vista, o Glória e o Guarani (este, em Oitizeiro); e o São Luiz (em Mandacaru). Enfim, o cine Santa Catarina, em Cabedelo, que, à época, era distrito de João Pessoa.

Na década de 70, após a inauguração do Hotel Tambaú (em 1971) surgiu o Cine Tambaú, que passou a fazer parte do rol das mais chiques salas de cinema da capital paraibana. Mas, nesse tempo, grande parte dos cinemas de bairro ou haviam fechado as portas ou estavam em franca decadência.
O quadro revela a importância que a arte cinematográfica sempre teve em João Pessoa, o que, certamente, inspirou cineastas paraibanos, até as décadas de 50-60, desde Walfredo Rodrigues, passando por Linduarte Noronha, Wladimir Carvalho, Ipojuca Pontes, Carlos Aranha, João Ramiro, com forte motivação para a existência de vários cineclubes entre as décadas de 60 e 70, na capital paraibana.

Foi todo esse amor pelo chamada sétima arte o que forjou críticos de cinema das estirpes de Willis Leal, Barreto Neto, Jomard Muniz de Brito, João Batista de Brito, Carlos Aranha, Jurandy Moura, Sílvio Osias, entre outros, que enriqueceram a memória escrita sobre filmes, atores e cineastas em João Pessoa e no Brasil.
Um dia, essas salas de cinema espalhadas pelos bairros se acabaram. Hoje, elas até chegam a ser bem mais numerosas, na capital paraibana e em outras capitais e grandes cidades brasileiras, que passaram por fenômeno semelhante.

Falo das salas de cinema espalhados pelos shoppings de todo o país, a acolherem filmes aos borbotões produzidos por uma indústria cinematográfica cada vez mais produtiva e mais rica, em vários países do mundo.

É que o cinema, desde que foi criado, passou a enfeitiçar a humanidade que dele tomava conhecimento, desde que os irmãos Lumière exibiram as primeiras imagens em movimento obtidas pelos seus cinematógrafos, no final do século 19 (1895).
Agora, duvido que as salas de cinema dos shoppings tenham a capacidade de incluir, de forma massiva e democrática, a maioria da população dos bairros, como era o caso dos velhos ‘cinemas’, em João Pessoa.

MEMÓRIA PESSOENSE: a Missa do Galo, na Catedral - Sérgio Bôtelho



Neste ano de 2017 não haverá, como em tempos pretéritos, a Missa do Galo, na Basílica de Nossa Senhora das Neves, no centro da cidade de João Pessoa. Aliás, conforme vem ocorrendo há alguns anos, na capital paraibana.

O consolo é que essa é a história que vem sendo escrita na esmagadora maioria das cidades brasileiras, especialmente, as maiores, que estão sacrificando tradições tão sagradas, porque ligadas à religião.

A verdade é que a violência está matando a Missa do Galo, uma prática cristã que remonta ao primeiro século depois do nascimento de Jesus, e que faz parte desse ritual católico, sempre à meia noite, entre 24 e 25 de dezembro de cada ano.

Conta a história cristã que à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo teria cantado de maneira mais forte que o normal, para anunciar o nascimento de Jesus, e, por isso, muitas igrejas, especialmente as mais antigas, têm um galo em seus campanários.

Quando éramos pequenos, ainda, íamos, todos, à Missa do Galo, logo após o jantar de Natal (servido de forma um pouco antecipada) sempre celebrada pelo arcebispo, na, ainda, Catedral de Nossa Senhora das Neves, a igreja-mor do catolicismo, em João Pessoa.

Nos arredores da catedral, as ruas eram repletas de gente moradora daquelas residências, todas, da General Osório, Duque de Caxias, Ladeira da Borborema, Visconde de Pelotas, Praça do Bispo, Roger, Conselheiro Henriques etc. etc.

As irmãs do Colégio das Neves, que, nessa época do ano, estavam de férias, e, em retiro, marcavam presença na Missa do Galo, juntamente com os alunos do Seminário Arquidiocesano, que funcionava onde hoje existe o Colégio Estadual do Roger.

O Centro inteiro era totalmente habitado - e, principalmente, não havia o medo que hoje está instalado por força de uma violência, sem fim -, o que transformava a área central de João Pessoa numa imensa festa, com epicentro na Catedral.

Para enfeitar as noites de Natal, a decoração da cidade, sempre esperada com grande expectativa, pela população, transformava a ocasião em um instante de felicidade, comentado pelo resto do ano.

Neste ano de 2017, resta, à população pessoense, e de tantas outras capitais e grandes cidades do país, se contentarem com a Missa do Galo, direto do Vaticano, celebrada pelo papa Francisco.

Contudo, para a data não passar em brancas nuvens, o arcebispo Dom Delson estará celebrando uma missa de Natal às 18 horas, deste domingo, 24. Não é a Missa do Galo. Mas, paciência!

MEMÓRIA PESSOENSE: Parahyba Café - Sérgio Botêlho



 
Não é necessário ter existido há décadas para que uma coisa qualquer seja lembrada com saudade. Às vezes, nem é preciso ter deixado de existir para que a tal coisa seja ligada a uma época, por exemplo, que deixou saudade.

No caso em pauta, o Parahyba Café, de Bob Záccara, empreendimento recente, coincidindo com o início do Século XXI, não existe, mais. Mas, existiu e marcou um intervalo particularmente interessante da vida cultural pessoense.

As noites no Parahyba Café, movidas a um bom whisky, cerveja ou vinho, e tira-gostos requintados, fizeram da Praça Antenor Navarro, na cidade baixa, um ambiente efervescente nos primeiros anos da primeira década de 2000.

Incansável na tarefa de reerguer a vida social naquela parte mais histórica da capital paraibana, bem pertinho de onde nasceu a Cidade Real de Nossa Senhora das Neves, em 05 de agosto de 1585, Bob Záccara comandava o empreendimento, integralmente.
O espaço interno do Parahyba Café não era dos maiores, e, ali, eram dispostas poucas mesas, mesas trabalhadas, elegantes. Mas, para fora, tomando uma parte da praça, não somente havia muitas mesas como elas eram bastante disputadas.

Bob, com sua empreitada, acabou atraindo outros equipamentos turísticos ao local. Na esquina da praça com a parte lateral da Igreja São Pedro Gonçalves, por exemplo, o vereador, compositor e cantor, Fuba, montou seu diretório cultural, com bar e tudo.
O jornalista Fernando Moura foi outro que se deslocou para a Praça Antenor Navarro, com seu escritório da Texto-Arte, atraindo clientes para a vida cultural que ia se abrindo naquela maravilhosa parte da urbe pessoense.

No primeiro andar, do prédio vizinho ao Parahyba Café, passou a funcionar, por algum tempo, um espaço para shows, com direito a dancing, onde se apresentavam bandas locais, com casa cheia, nos dois ambientes conjugados.

Lembro bem de que, em visita a João Pessoa, o então governador de Rondônia, José de Abreu Bianco, curtiu bastante um show dedicado à Jovem Guarda. Com ele, estávamos eu e Floriano Miranda, responsável pela ida do rondoniense.
Foi também naquela época que o projeto Folia de Rua inscreveu a Praça Antenor Navarro como roteiro de suas manifestações, sendo exatamente, lá, onde se encerravam as programações anuais do pré-carnaval de João Pessoa.

Tendo tudo a ver com o ambiente sócio-cultural que ia se formando, do outro lado da praça, existia a Fundação Cultural de João Pessoa-Funjope, vinculada à Prefeitura de João Pessoa, um dos órgãos municipais responsáveis pela vida na praça, onde foi construído, inclusive, um palco para shows.

Infelizmente, o projeto de revitalização da Praça Antenor Navarro não progrediu o suficiente para que todos esses empreendimentos continuassem de vento em popa, e, um dia, Bob teve de fechar suas portas, transferindo-se para a Usina Cultural, em Cruz do Peixe. Depois, cansou, de vez.

Contudo, foi o Parahyba Café um acontecimento importante da vida pessoense, enquanto existiu na Praça Antenor Navarro. Um espaço urbano que precisa ser efetivamente revitalizado, o que somente será possível com a construção de escolas, universidades, e, sobretudo, de moradias. Fica o registro.

MEMÓRIA PESSOENSE: Balbino - Sérgio Botêlho




Como imaginar que naqueles tempos mais tranquilos de João Pessoa, calma, devagar, com índices de criminalidade muito abaixo do que hoje esteja definido como limite para mensurar a violência pudesse ter entre suas figuras mais famosas, de então, um lutador-policial.

Na verdade, a sua tarefa de lutar esportivamente era para as horas vagas, quase um hobby, pois imagine o que é ser um combatente profissional – no caso do nosso herói, no jiu jitsu, e, não de boxe, como era mais comum, então – em tempos onde preponderava o amadorismo em quase todos os esportes, na Paraíba. Até o futebol estava mais para coisa de amadores.

Na verdade, a profissão que garantia o sustento da família do cidadão de quem estamos falando era a atividade policial, ainda que com soldos ínfimos, exatamente na sua parte mais exposta, que era a do policiamento ostensivo, no combate frontal ao crime.

Estou a lembrar de uma figura quase lendária para quem viveu, principalmente, as décadas de 60 e 70, na capital paraibana, e pode acompanhar, ao vivo ou por meio de histórias as mais incríveis, umas verdadeiras outras puras lendas, a atuação de Balbino.
Lembro bem da figura de Balbino, um negro de compleição física atlética, estatura mais para alta do que para baixa, a se destacar, pelo porte e pelo semblante, de seus demais colegas de farda quando das rondas da Rádio Patrulha.

Isso, mesmo, da Rádio Patrulha, que era a denominação dada a esse destacamento da polícia militar, mais ou menos ao estilo dos Bopes de hoje, porém, muito, mas, muito mais romântico e menos espetacular que seus similares contemporâneos.

A Rádio Patrulha funcionava ali na esquina da Rua Duque de Caxias com a Braz Florentino, de frente para a Praça Barão do Rio Branco, muito perto da Samdu, que ficava na rua da Catedral (a respeito do qual já escrevemos uma dessas crônicas memorialistas), e, ainda, do Hospital de Pronto Socorro. Tudo a ver.

Em sua atividade desportiva, Balbino, o mais das vezes, achava a cobertura de gente mais ‘e$tribada’, bem mais pela paixão pelo esporte do que pela rentabilidade que as lutas, então, costumavam proporcionar. A não ser, por exemplo, quando as lutas serviam de campo para apostas, com resultado financeiro. Ai, Balbino virava figura importantíssima.

A presença de Balbino nas rondas da Rádio Patrulha, geralmente, em cima de caminhonetes de bancos laterais, com exposição total dos policiais, era motivo de respeito por parte da bandidagem. Menos, porém, se essas rondas envolviam gente ‘da sociedade’, numa época em que o sobrenome de família soava quase equivalente a uma patente militar.

Contudo, creio que não exista um cidadão, adulto ou, mesmo criança, que tenha vivido a época de Balbino que dele não se lembre, e, de muitas de suas histórias, umas de glória e outras, mesmo, de derrota. Quem sabe, a maioria.

De qualquer forma, é impossível escrever memórias pessoenses sem inscrever o nome de Balbino, junto com a da Rádio Patrulha, que deve ser outro, digamos, assim, verbete em meio a essas histórias que venho escrevendo. Acho, mesmo, que Balbino merecia uma dessas estátuas a perpetuar as nossas figuras mais populares. Tenho absoluta convicção disso.

MEMÓRIA PESSOENSE: La Távola e Cartier - Sérgio Botêlho



 

Otto Navarro e José Carlos Coelho postam para lembrar dois empreendimentos que, apesar de não terem tido vida longa, deixaram suas marcas na vida social pessoense, ambos, no Centro da cidade e relativamente pertos um do outro.

O primeiro (não falo de ordem cronológica, já que não a guardo na memória) foi o La Távola, se o espírito não me engana, na Almirante Barroso, que proporcionou momentos vertiginosos, aos seus convivas, em algumas de suas noitadas.

Há quem diga que o La Távola, num desses momentos de vertigem, abrigou um strip espontâneo e gratuito, de bela criatura que se deixou enlevar, maravilhosamente, em uma de suas noitadas, pelos atiçamentos de Baco.

Os eflúvios do vinho (vamos generalizar, assim, as várias espécies de estímulos alcóolicos, embora a extraordinária bebida puxada da uva ainda não figurasse entre as preferidas do paraibano), terminam dando coragem a tais excessos, que se tornam inesquecíveis.

O La Távola, enquanto durou, e enquanto do Centro de João Pessoa ainda emanavam propostas de lazer interessantes, encantou boa parte dos amantes da felicidade e do prazer da comida e da bebida.
O outro empreendimento, este, que me foi lembrado por Otto, é o do restaurante Cartier, que funcionava no Parque Solon de Lucena justamente num prédio que hoje serve (ou servia, não sei mais) de Anexo Administrativo da Prefeitura de João Pessoa.
Rivalizando diretamente com o Cassino da Lagoa, com fama estruturada ao longo das décadas, na capital paraibana, o Cartier, mesmo assim, atraiu uma boa freguesia, especialmente na hora do almoço.

Além do bom atendimento, o cardápio do Cartier o aproximava de restaurantes renomados, e você ainda podia acompanhar os pratos com uma boa dose de whisky ou um copinho de cerveja, aproveitando para esticar os almoços às sextas-feiras.

Fui algumas vezes ao Cartier, na maioria delas, com o saudoso amigo Ricardo Batista, irmão de Nonato Batista (Bola) e filho do também saudoso jornalista Raimundo Nonato Batista, todos, figuras carimbadas da minha infância, e de José Carlos Coelho, também.

Quero crer que tanto o Cartier quanto o La Távola (estou a acreditar piamente que o La Távola é anterior ao Cartier) deixou saudades em alguma gente de João Pessoa, pelo que prometiam ser, com o tempo, e, acabaram não sendo.

Mas, nem por isso, podem deixar de frequentar qualquer registro da Memória Pessoense que a gente vai construindo, aqui, pelo Facebook, com a prestimosa ajuda de todos os que vivem e amam nossa querida cidade de João Pessoa.

MEMÓRIA PESSOENSE: La Verità, da Desembargador Souto Maior - Sérgio Botêlho




Outro dias falamos sobre o restaurante Cordon Bleu, da Duque de Caxias, ressaltando, entre outras coisas, de que, por um certo tempo, aquele empreendimento, mistura de bar e restaurante, havia se tornado point de jornalistas.

Lembrança de outro dia, no mesmo sentido, foi do restaurante Gambrinus, em Tambaú, que, durante boa parte dos anos 90, serviu de parada obrigatória, especialmente às noites de sexta-feira, para a turma da mídia.

Na mesma época, década de 90, outro ponto, no Centro de João Pessoa, virou ambiente noctívago para a turma da imprensa. Falo do La Verità, na Desembargador Souto Maior, na descida de Tambiá para a Lagoa.

Ainda estávamos vivenciando a época do jornalismo romântico, em que era comum aos profissionais da imprensa, após o ‘fechamento’ dos jornais impressos ou da s TVs ou das rádios, buscarem se encontrar acompanhados de uma boa cerveja gelada.
Não que o restaurante fosse exemplo de cozinha sofisticada. Entre as especialidades, a pizza e a macarronada, coisa mais para o fim da farra. Durante a zoada, com mesa longa e cheia, valiam tira-gostos especiais para aqueles momentos.

O papo que rolava geralmente vinha do noticiário do dia, com ênfase na política, uma vez que a maioria dos repórteres que ia ao La Verità tinha alguma ligação com o setor, o que servia para determinar a pauta da conversa.

Aliado histórico do jornalismo da terra, o médico Paulo Soares fazia o contraponto irônico a cada informação, sendo figura imprescindível, sempre, às tertúlias dos trabalhadores da notícia em jornais, rádios e TVs pessoenses.

Duas outras figuras, estas, que inspiram muita saudade, frequentadores assíduos do La Verità, foram Jacinto Barbosa e Erialdo Pereira, ambos, profissionais que marcaram história na TV paraibana, o primeiro, na TV Tambaú, e o segundo, na TV Cabo Branco.
O ambiente tinha o condão de relativizar, rapidamente, quaisquer diferenças políticas entre os jornalistas, mesmo que fosse época de campanhas eleitoral, com muitos desses profissionais de imprensa envolvidos com candidaturas adversárias.

Lembro perfeitamente da campanha municipal de 1996, quando equipes de imprensa dos dois principais candidatos à Prefeitura de João Pessoa, que eram Cícero Lucena e Lúcia Braga, cansavam de se encontrar no La Verità, sem registro algum de confusão ou mesmo bate-boca mais acirrado.

Pelo que La Verità representou para tais instantes de encontro da imprensa paraibana é que inscrevo aquele restaurante e bar entre as boas coisas que fazem a memória pessoense, que venho buscando reconstituir.

MEMÓRIA PESSOENSE: "Você faz o Show" e a TV do Recife, em João Pessoa - Sérgio Botêlho



As gerações bem mais novas não têm a menor ideia de onde eram geradas as imagens da TV aberta que chegavam a João Pessoa, em uma data não tão distante, assim. Estou falando até o início da segunda metade da década de 80.


Pois bem. A programação de TV que os pessoenses assistiam eram geradas, ou retransmitidas, principalmente, pelas TVs Rádio Clube e Jornal do Comércio, do Recife, e chegavam até a capital paraibana por meio de repetidoras.

Isso, em João Pessoa, porque em Campina Grande, desde o ano de 1966, que o umbuzeirense Assis Chateaubriand havia inaugurado a TV Borborema, com parte da programação gerada localmente, afiliada à rede Tupi, dos Diários Associados, do próprio Chateaubriand.

Também, em João Pessoa, havia Diários Associados, mas, como vingança pela derrota que sofrera na disputa por uma vaga no Senado Federal, em 1954, com destaque para o resultado na capital, 12 anos depois, em 1966, Chateaubriand inaugurou uma emissora de TV em Campina Grande, e, não, em João Pessoa. Na verdade, a TV Borborema já funcionava, em caráter experimental, desde 1963.

Somente em 1986, 20 anos depois de instalada a TV Borborema, em Campina Grande, foi inaugurada, em João Pessoa, a TV Cabo Branco, originalmente, afiliada à Rede Bandeirantes, e, mais tarde, à rede Globo, até hoje.

Contudo, desde a década de 60, quando os pessoenses começaram a instalar os primeiros aparelhos de TV, em casa, com amplíssima participação da chamada TV Vizinho, onde os vizinhos, principalmente, crianças, se organizavam pelas calçadas em frente às casas que possuíam os referidos aparelhos de TV, a programação televisiva dos pessoenses era gerada no Recife.

Vigilante Rodoviário, Bonanza, A Feiticeira, Perdidos no Espaço, Papai sabe tudo, Jeannie é um Gênio, O Fino da Bossa, Jovem-Guarda, Balança mas não Cai, Praça da Alegria (com Manoel da Nóbrega), Reporter Esso, os tradicionais desenhos animados, os festivais de música, Hebe Camargo, a novela O Direito de Nascer, as primeiras novelas com Tarcísio Meira, Glória Menezes, Regina Duarte, são algumas das atrações, da década de 60, que assomam à memória, neste momento.

Talvez pouca gente saiba, mas, pesquisando descobri, e, acabei lembrando, de uma novela produzida em Recife – aliás, pioneiramente, no Brasil – chamada A Moça do Sobrado Grande, que tinha, em seu elenco, o paraense e humorista Lúcio Mauro. Marco de muito sucesso em Recife e João Pessoa.

Porém, o programa da TV recifense de maior prestígio, nos anos 60, com repercussão enorme em João Pessoa, era o de Fernando Castelão, intitulado Você Faz o Show, nas noites de domingo, na TV Jornal do Comércio, com enorme sucesso nas duas capitais. Era aldeia global, na época.

Lembro de que cheguei, ainda menino, a assistir, ao vivo, um desses programas, na oportunidade em que alunas da Academia de Acordeón Mário Mascarenhas, de minha tia Zilinha, sobre a qual já falei, foram convidadas a se apresentar no Você Faz o Show.
Foram, assim, os primeiros tempos da televisão, em João Pessoa, e ficavam, ali, no Ponto de Cem Reis, as primeiras lojas com aparelhos de TV, à venda. Uma delas, no Paraiba Hotel, de ‘seu‘ Walfrido; e, outra, de ‘seu‘ Aragão, esta, em frente ao Cine Plaza.

É o que lembro. Quem souber da época, que conte, mais.

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