O roubo dos precatórios - Marcos Pires



 

marcos@piresbezerra.com.br

Precatório é quase igual a safadeza, para ser, no mínimo, bem educado. Imagine, indignado leitor, que amassaram seu automóvel e houve condenação na justiça ao pagamento do conserto. Mas ao invés de entregar o dinheiro, começam a encher linguiça com tudo de podre que nem a saúde pública consegue identificar, porque juntam recursos, impugnações de cálculos, novos recursos e outros recursos; ou seja, papelão, cabeça de bode e areia.

É que o governo, todo poderoso, só paga o que deve através de precatórios, porque temos um Congresso frouxo, que não se preocupa em votar leis em favor do povo. Se quisessem, em seis meses acabavam com essa vergonha, que só existe no Brasil, como a jabuticaba.

Mas voltemos ao assunto.

Ocorre que muita gente, mas muita gente mesmo, dona de seus precatórios, não tem ideia de que eles existem, seja porque os esqueceram ao longo dos muitos anos de tramitação das ações nas quais eles foram emitidos, seja porque o titular do direito faleceu mas seus herdeiros tem os mesmíssimos direitos, seja porque o advogado mudou-se, aposentou-se, saiu do ramo, morreu ou seja porque um sindicato pode ter dado entrada na ação em nome dos seus filiados e nunca avisou aos beneficiários que fizera isso.

O que importa destacar aqui é que existem quase nove bilhões de reais depositados em favor dos credores de precatórios cujos titulares nunca foram sacar a grana.

E sabe o que vai acontecer com essa grana? O governo vai se apropriar dela. O risonho Ministro Meireles e o bronzeado Presidente Temer estão ultimando providencias para garfar esses bilhões que não são deles, que tem donos, e usar o dinheiro para tampar buracos feitos pela corrupção.

O povo tem o direito de saber quem são os beneficiários desse dinheiro para que seus titulares ou herdeiros possam sacar. A OAB tem a obrigação de reclamar a divulgação dos nomes.

Mas como sempre procuro ser engraçado, vai aqui uma informação; sabem qual é o único Estado em dia com seus precatórios? O Rio de Janeiro, no meio de todo aquele caos. Não é piada.

Na verdade o governo está querendo bancar o herói da nação pagando a dívida de seus sucessivos ataques ao cofres públicos com o dinheiro que surrupiará dos precatórios. É mais ou menos como querer ser Tiradentes usando o nosso pescoço.

O supermercado de órgãos - Marcos Pires



 Doar órgãos é sublime. Na doação de órgãos não estamos oferecendo uma parte dos nossos corpos para que um desconhecido possa viver. É o oposto; um desconhecido está oferecendo o corpo dele para que uma parte de nós sobreviva. Sou doador e acho que todos deveríamos ser, até mesmo os canalhas. Se o cara não fez nada de bom em vida, que o faça depois de morto. Só tenho pena de quem receber o fígado de meu amigo fulano. Por pior que seja a situação de quem precisa, aquele fígado já recebeu tanta cachaça que deve estar em estado pastoso.

Porém acho que no futuro, além da doação de órgãos na forma como existe hoje, as novas tecnologias permitirão que troquemos algumas partes do corpo tal qual fazemos com os automóveis. Meus queridos leitores com certeza já desejaram ao menos uma vez trocar uma “peça” do corpo. Trocar o motor do veículo seria algo como fazer um transplante de coração, o que já é realidade há bastante tempo.

Mas me refiro a órgãos mecânicos, sintéticos, fabricados desses materiais que todo dia são inventados. Eu mesmo gostaria imensamente de melhorar meus índices nas corridas. Começaria escolhendo um bom joelho esquerdo e se sobrasse dinheiro ainda arriscaria pulmões um número maior.

Minha amiga K. quer um coração que não se apaixone.

Olhos teriam uma procura extraordinária. Ao invés de lentes de contato ou óculos, olhos nus e de preferência verdes ou azuis. Já pensaram um afrodescendentão como eu com olhos azuis?

Pernas. Pernas grossas, bem torneadas, fariam sucesso entre as mulheres. Alfacinha me segredou: “- E pernas que não precisem jamais de depilação. Aquela cera quente é terrível”.

Peitos de atarraxar ou encaixar, de modo que as mulheres usassem no dia a dia um modelito 38 ou 40, mas pudessem trocar por um 46 quando fossem à praia ou festas. No quesito intimidade, para elas a (vocês sabem) quase virgem e para eles o (vocês também sabem) sempre vivo.

Mas de todos os órgãos humanos há um que tanto as mulheres como os homens disputariam às tapas, cada qual querendo um mais gordinho. Não, não se trata disso que você está pensando, criativo leitor. Trata-se da parte do corpo humano que segundo o ex Ministro Delfim Neto mais perturba, o bolso.

Quem não desejaria usar bolsos que já viessem recheados de grana?

Seremos milionários em breve - Marcos Pires




Marcos Pires

Eu e Petrônio, o bom, estamos tentando criar uma sociedade que vai nos transformar em milionários. Milionários de verdade, em dólares, padrão Forbes.

Há algum tempo estabelecemos que nossas idades não permitem mais tentar industrias, lojas ou o agronegócio. Optamos pela área da informática, onde fortunas são feitas rapidamente, como é o caso do nosso futuro colega milionário Mark Zuckerberg, que inventou o facebook.

Na nossa sociedade eu entro com a ideia e meu futuro sócio a transforma em um tal algoritmo, que eu não tenho a menor ideia do que seja mas diz ele que dará certo.

Minha primeira ideia foi criar a extensão dos telefones celulares. Ao invés de irmos para as caminhadas, shows e outros locais passiveis de assalto levando nossos caros aparelhos, levaríamos apenas um pequeno clone, com o mesmo número, que permitisse conversas e mensagens simples. Perdido ou roubado, o prejuízo seria de menos de cem reais.

Mas o tal algoritmo encrencou e não deu certo. Agora eu tive a segunda grande ideia que vai nos fazer milionários. Um dispositivo que venderemos a bancos e financeiras do mundo inteiro. Toda vez que um automóvel for objeto de financiamento esse item será acoplado ao motor e quando o cliente atrasar uma prestação, seu veículo será automaticamente bloqueado.

Nerivan, que faz parte do conselho consultivo da futura empresa, disse que seria uma coisa de se ver, o transito da avenida Epitácio Pessoa totalmente travado tantos seriam os carros bloqueados. Outros palpiteiros meteram a colher. Bessa disse que seria um bom negócio comprar caminhões reboque para atender à demanda do serviço, porque é muito grande o índice de prestações atrasadas entre os ricos.

Já o menino Aquino pretende comprar extensas áreas para estocar esses veículos, também apostando que a inadimplência o transformará no marajá das buscas e apreensões.

Foi quando o Z, garimpeiro de oportunidades, deu o xeque-mate: “-Pois eu vou ganhar muito mais dinheiro. Na hora que colocarem esses dispositivos que bloqueiam os motores dos carros com prestações atrasadas, encomendarei ao Dr. Caroca, em Campina Grande, um desbloqueador. Pelo potencial das broncas, em seis meses vai dar para comprar o facebook e ainda levo o instagram de lambujem”.

Lá vou eu atrás de outra ideia.

Como era o carnaval - Marcos Pires



 

marcos@piresbezerra.com.br

 

Desde muito novo, com 4, 5 anos, eu já frequentava as matinês do clube Cabo Branco. Lembro de fantasias do Zorro e do patrulheiro Todd. O destaque era para as lanças perfume Rodouro, que usávamos em batalhas no salão de baile.

Como é que nunca passou pela cabeça daquelas crianças cheirar as lanças perfume?

Mais taludos, eu e meus amigos tínhamos um roteiro imutável. De manhã íamos às matinais da A.A.B.B.. À tarde era a vez do corso. Uma coisa de se ver. As nossas famílias alugavam jipes sem capota ou kombis das quais tiravam as portas, nos quais fazíamos continuas voltas que iam da praça João Pessoa ao palácio do Bispo procurando molhar e sujar com talco os passageiros dos outros automóveis que faziam o mesmo percurso. Isso em tese. Na pratica a agua não era assim tão limpa e o talco era substituído por outras substancias melequentas, que desciam numa gradação da Maisena à graxa de sapato.

Chegávamos em nossas casas imundos e passávamos um bom tempo tirando aquela porcaria porque à noite havia sempre o Cabo Branco. Era nos bailes do clube que as paqueras do corso prenunciavam namoros.

Esses bailes eram engraçadíssimos. Todo mundo rodando pelo salão numa mesma direção, um movimento que lembrava as pás de um moinho. A isso chamávamos dançar. O salão ficava tão cheio que se você levantasse um pé, era difícil achar espaço para baixa-lo depois.

Os encrenqueiros teimavam em ir na contramão e logo eram retirados pelos membros da Diretoria, que naquele tempo serviam de seguranças. Havia um encrenqueiro mais conhecido, de uma família de encrenqueiros, que um dia descalçou os sapatos no meio do salão e disse que quem pisasse naquele chulé iria se ver com ele. Era cômico ver aquela multidão dançando e arrodeando o par de sapatos, como se fosse um poço sem fundo.

O danado era a quarta-feira de cinzas. Terminado o carnaval as moças ficavam esperando em suas casas a possível chegada do seu par, naquela dúvida atroz; “- Será que eu estou namorando, será que não estou?”.

Uma enorme amiga me falou dessa angustia: “- Marquinho, seria maravilhoso que para cada falso namoro desses, o pinto do cabra-safado diminuísse um centímetro”.

Ui!

Na Marquês de Sapucaí - Marcos Pires



marcos@piresbezerra.com.br

Há alguns anos e graças ao convite do amigo Efraim Morais fomos ao camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro assistir o desfile das escolas de samba. Antes já tínhamos visto o espetáculo, mas ocupando uma frisa, comprada por um preço exorbitante, somente porque ficava em frente ao camarote da Brahma, palco das celebridades. Ali eu presenciei a Marquês de Sapucaí gritar em peso quando a atriz Suzana Vieira, recém abandonada pelo namorado, adentrou o camarote: “- Côrna, côrna”! Horrível. Pior ainda foi chegar e sair do local. Longos trechos a pé para conseguir taxis, a insegurança latente e mesmo na frisa, o serviço de bar era péssimo e caríssimo.

No camarote a agua se transformou em vinho. E vinho raro. Fomos até a belíssima sede da Prefeitura em Botafogo (antiga embaixada inglesa) de taxi, e essa foi nossa última despesa. Recepcionistas belíssimas nos entregaram camisetas personalizadas e em seguida fomos ao salão principal, onde começou o derrame de uísque e champanhe das marcas e safras mais raras existentes. Canapés de caviar e outras preciosidades culinárias eram servidos à larga.

Saímos da embaixada inglesa em direção ao sambódromo escoltados por motociclistas. Em cada Van iam somente dois casais. Nossas companhias eram o (então) Deputado Ronaldo Caiado e sua esposa. Desembarcamos direto no camarote, e lá finalmente entendemos a enormidade do presente que recebêramos. O camarote ficava ao lado do espaço do recuo das escolas, com ar condicionado central, dois restaurantes (comida internacional e comida japonesa), cabeleireiros, massagistas, garçons prestativos e muito, muito uísque e champanhe.

Gente famosa, mas famosa mesmo, em cada metro quadrado. O espetáculo das escolas de samba poderia esperar porque sempre existem vídeos, mas aquelas pessoas bonitas, ricas e famosas, bebendo e comendo do melhor, com aquelas conversas que eu jamais escutei por aqui, quase me convenceram de que ser rico e famoso é bom.

Ao final dos desfiles, nós todos ganhamos caixas enormes de vodca Gray Goose e luxuosos estojos de maquiagem MAC.

Quando enfim uma limusine nos deixou no hotel, Leca me segredou: “- Negão, sabe que eu seria capaz de me acostumar com isso? ”.

Os gringos chegaram - Marcos Pires



Sou rato de praia. Todos os dias nado meia hora na praia de Tambaú e por isso tenho amigos que trabalham na beira mar. Eles me avisaram que os turistas estrangeiros finalmente começaram a chegar por aqui. Como já era esperado fizeram o maior sucesso nas nossas praias. Meus amigos contaram seis americanos, quatro canadenses, dois franceses em lua de mel e um japonês. Ivan, que é garçom e serve os clientes até dentro do mar, me impressionou por sua cara de pau. Estava atendendo dois gringos que pediram agua de coco. Nosso garçom levou um coco verde e outro amarelo. Eles perguntaram a diferença e Ivan, “inocente”, informou que o coco amarelo era o dobro do preço do coco verde, sem explicar porque. Os gringos passaram o resto da semana exigindo somente coco amarelo, supondo ser mais saudável e engordando os bolsos de Ivan.

A comunicação entre gringos e locais se dá das maneiras mais incríveis, quase sempre no gestual. Lembra muito as conversas dos surdos mudos. E isso foi ponto de discussão entre meus informantes. Depois que acabou a temporada dos gringos, Ivan indagou a Sidney (um gaúcho que se diz operador do ramo de comida orgânica e molecular, mas que na verdade vende sanduiches naturais) se já não era hora deles aprenderem alguma língua; inglês, francês ou mesmo espanhol. Ao que o outro replicou: “- E de que adianta, tchê? Esses gringos sabem todas essas línguas, e adiantou de alguma coisa? A gente ficou sem entender do mesmo jeito”. Ivan suspirou: “- Eu devia ter nascido nos Estados Unidos, porque agora já estaria sabendo falar duas línguas, português que eu já sei, e inglês, porque tinha aprendido quando era pequenininho morando lá”.

De qualquer maneira as histórias ficaram. O casal de franceses em lua de mel fumava maconha à beira mar todas as tardes. Meus amigos estavam espantados. Perguntei a razão, e eles me confessaram que fumar maconha ali era comum, mas dois homens se beijando na boca era novidade.

E o japonês, hem? Meus amigos resolveram gozar com o nipônico. Valmir, que vende folhetos de cordel, estava irritado porque não conseguira vender nada ao Xingling. Perguntou-lhe se era verdade que o...como direi..., o seu órgão reprodutor era bem pequeno. O japonês fez cara de envergonhado e devolveu: “- Ah, senhor me desculpa. Mas deve ter sido sua esposa que lhe contou?”.

Bem feito!

Trump, Prefeito de João Pessoa - Marcos Pires



marcos@piresbezerra.com.br

As camareiras do Flat onde moro são fantásticas. Conversamos muito e sempre me procuram para esclarecimentos jurídicos.

Dia desses elas estavam conversando sobre a eleição de Donald Trump e uma delas, mais entendida, começou a elencar os supostos absurdos pretendidos pelo Presidente americano. Como as demais não estavam entendendo, ela exemplificou: “- Mulé, faz de conta que o galego tá no lugar de Luciano Cartaxo. A primeira coisa que ele ia fazer era construir um muro separando João Pessoa de Bayeux. Depois ele ia proibir que o povo do interior tomasse banho de mar...”. Foi interrompida por Terezão, uma lavadeira com quase dois metros de altura, muito querida no Flat. “- Oxente, Dorinha, e por que esse negócio de muro em Bayeux? Eu moro lá e sou decente, viu? Essas coisas que inventam com as mulé que mora lá é inveja”. Antes que Dorinha respondesse, Jessyca (a popular Gegê) atacou: “- Mas pia, proibir banho de mar? Ele acha que a gente é imunda, é? ”.

Dorinha retomou a frente da conversa: “- Não, Terezão, tem nada a ver com chifre. É para que as coisas fabricadas em Bayeux fiquem lá. Caranguejo, dindin, essas coisas vão ser fabricadas em João Pessoa também, pra dar mais emprego pro povo daqui. Agora esse negócio de proibir banho de mar sei não, deve ser porque na praia não tem como esses políticos roubar, né? ”. Gegê estava pra coisa: “- Tem sim, que político rouba em qualquer lugar, até de calção”.

Começou uma quizomba grande, porque se há um lugar polarizado pela política é o meu Flat. Grande parte favorável a um lado, a outra banda contrária, cada uma dizendo que seu político não era ladrão, até que Dorinha gritou: “- E essa confusão toda porque vocês nem imaginam que o galego ia expulsar o povo que mora no Valentina e proibir o xangô”.

Não aguentei e chamei a líder das camareiras para um particular. Que loucura era aquela? “- Ôxente, Doutor, e um muro no México não é igual a um em Bayeux? E não é pros americanos só comprarem os caranguejos que eles faz lá? E ser xangozeiro né a merma coisa de ser muçulmano não? ”.

Assim fica difícil.

Para o bem do povo de Bayeux e seus caranguejo espera-se que Donald Trump não tenha a brilhante ideia de desistir de sua reeleição nos Estados Unidos para tentar suceder Luciano Cartaxo aqui em João Pessoa.

Quer emagrecer de verdade? - Marcos Pires



 marcos@piresbezerra.com.br

Não conheço nenhuma mulher, por mais magra que seja, que não queira emagrecer ao menos um quilinho. É verdade. Quando está gorda quer emagrecer; quando está magra continua querendo emagrecer; e quando já emagreceu a olhos vistos e dizem isso para ela, faz um ar inocente e diz: “- Sabia que eu nem percebi? ”, só para matar as amigas de inveja.

Nesse assunto eu sou campeão. Saí dos 122 quilos para 97 quilos, relaxei e voltei aos 108 quilos. Em 75 dias cheguei aos atuais 95 quilos e daqui ninguém me tira. É que fiz uma pesquisa e descobri que nenhum velho é gordo.

As pessoas me param na rua e perguntam o que eu fiz para emagrecer. Tenho dezenas de respostas, mas se um chato me indagar, direi que estou comendo o pão que o diabo amassou. Ainda bem que o único chato que conheço é magro e não vai perguntar isso. Eis outra constatação; alguém conhece um gordo chato? Eu não.

Outra pergunta comum é saber se eu estou feliz. Parece que na cabeça das pessoas ou você faz dieta ou é feliz. As duas situações não cabem num mesmo ser humano. Já viu ex gordo triste, leitor? Só na hora em que vai comer, porque não tira os olhos dos pratos alheiros. Algumas pessoas me transmitem seus problemas para emagrecer, do tipo: “- Querer emagrecer eu quero, mas a fome não deixa”. Outros se confessam impotentes: “- Marcos, na verdade eu como de tudo e fico esperando um milagre”. Vá esperando.... Será que eles pensam que calorias são uns bichinhos que moram no armário e se divertem apertando as costuras de nossas roupas à noite?

Da minha experiência pessoal, identifiquei 5 ideias que as pessoas precisam esquecer para poder emagrecer: 1 - Se você comer alguma coisa escondido, esse alimento não tem calorias; 2 - quando você come com outra pessoa, se ela comer mais do que você, suas calorias não contam; 3 - experimentar a comida dos outros não conta; 4 - se o seu ingresso no cinema vem com uma pipoca grátis, a pipoca não tem calorias e 5 - todo alimento que você dividir em pedaços menores contem menos calorias.

Por falar em comidas, lembrei que minha nutricionista fazia uma palestra demonstrando o perigo que as sobremesas representam e perguntou à plateia se alguém poderia citar um tipo de sobremesa que traz problemas e sofrimentos por muitos anos. Um velhinho de 80 anos levantou e disse: “- O bolo do meu casamento”.

Quer emagrecer? Coma a metade e exercite-se o dobro. O resto é espuma.

 

Agrodroga - Marcos Pires




Um grupo do agronegócio havia marcado reunião porque queriam assessoria jurídica para um empreendimento que iriam iniciar aqui na Paraíba. Que legal, pensei. Isso significaria recursos para nosso sofrido Estado, a abertura de muitos postos de trabalho e honorários sempre muito bem-vindos.

Quando voltei do almoço passei bem rápido pela recepção onde uns jovens deveriam estar esperando por um dos nossos associados. Qual o quê! Eles eram os empresários que haviam marcado comigo. Nada contra, mas eu estava esperando gordos burgueses vestidos em caros ternos feitos à mão, e, no entanto, ali estavam 3 jovens magros, cabeludos, vestindo jeans e sandálias.

“- Doutor, nós precisamos constituir uma empresa, mas a Junta Comercial só registra o contrato social se um advogado assinar o documento. Também precisamos de sua assessoria para as licenças”. Pedi detalhes. A qual ramo do agronegócio eles iriam se dedicar? À plantação de cana de açúcar, abacaxi, talvez soja?

“- Não, Doutor, vamos plantar maconha, e tudo de acordo com a lei nova”.
Caí na risada, impossível conter-me. O empreendedor sentiu o clima e foi em cima: “- Ôxente, Doutor, a partir de agora maconha não é mais droga. Droga é essa maconha que andam vendendo por aí.

Fiz ver a eles que eu não era assim um... digamos, especialista na área. Agradeceram a sinceridade e continuamos a conversar, porque confesso meu interesse pelo futuro dessa juventude nos novos tempos muito doidos que virão por aí. Ao final, talvez tentando me cativar para a causa, um deles contou que até Jesus Cristo pretendeu conhecer a realidade das drogas no mundo e mandou seus apóstolos descerem à terra para trazerem os diversos tipos aqui existentes. Depois de duas horas voltou João: “- Eis aqui, Senhor, a cocaína da Bolívia”. Pouco depois voltou Tiago: “-Senhor, trouxe maconha do Brasil”. Em seguida chegou Pedro: “Eu te trouxe, Senhor, haxixe do Nepal”. Até que se ouviu um toc toc na porta do céu: “- Quem é?” perguntou Jesus. “- Ó senhor, sou Judas”. Então Jesus perguntou: “- Ó Judas, o que trazes?”. “- Senhor, trago a Policia Federal”.

Se eles queriam me conquistar para a causa com essa “parábola” idiota perderam tempo, mesmo porque depois que eu emagreci 27 quilos num regime violento, morro de medo da tal “larica”.

Mas não sou contra, nem a favor.

Demitindo o Deputado - Marcos Pires



 marcos@piresbezerra.com.br

Acho que em consequência desse “amor infinito” que nutro pelos políticos corruptos, fui convidado para uma reunião onde alguns militantes das redes sociais pretendiam fundar uma associação nacional destinada a modificar o sistema político brasileiro. Como cheguei depois do horário, imaginei que nem teria onde sentar, porque o local deveria estar apinhado de revolucionários.

Qual o quê! Eram 4 cidadãos dotados da maior boa vontade, recheados de patriotismo e absolutamente desligados da nossa realidade. Um deles, com uma camiseta onde aparecia o rosto de Che Guevara usando orelhas de Mickey Mouse estava propondo a ideia geral do movimento; nada mais, nada menos, do que demitir os políticos que não correspondessem às expectativas dos eleitores.

Ele explicou que a demissão era a única figura jurídica que se aplicava porque para um político ter seu mandato cassado, sempre dependerá do Judiciário, e no caso, além de demorado, esse processo não permite que os eleitores tenham qualquer participação.

Funcionaria assim; através de uma reforma constitucional, o voto que é secreto poderia opcionalmente ser identificado pelos eleitores que assim o desejassem. Ou seja, o eleitor optaria na hora de votar pelo sigilo do seu voto ou pela identificação do mesmo. Depois de votar, se tivesse optado pelo voto aberto, o eleitor receberia um papel onde ele estaria identificado, bem como todos os candidatos nos quais votara.

Isso serviria a dois propósitos; o primeiro deles era confirmar se aquela urna fora fraudada, porque haveria como provar que o voto dado a seus candidatos não aparecera no resultado oficial, acabando de vez com aquela desculpa de que o eleitor se confundira na hora de votar.

O segundo e principal propósito seria o de permitir que quando a maioria dos eleitores que votaram em determinado candidato não concordassem mais com seus encaminhamentos políticos, simplesmente juntariam a prova de que votaram nele e o demitiriam do mandato, “que afinal é nosso, sendo ele somente nosso representante”, disse o rapaz.

E por aí foi a conversa até que me perguntaram o que achava. “- Eu acho é graça, porque no dia que vocês conseguirem convencer os Deputados e Senadores a votarem algo contra seus interesses, como é o caso desse projeto, vai estar bem pertinho do Sargento Garcia prender o Zorro”.

Fui expulso do recinto.

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