Sady Castor e Ágaba, um caso de amor e morte na Paraíba - III



 Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

Filme curta metragem

Adaptação e roteiro – camilo Macedo

PRODUÇÃO E DIREÇÃO – DANIEL RIZZI

Assistente de Direção –

DIREÇÃO DE ELENCO e roteiro – camilo Macedo

Edição - DANIEL RIZZI

FIGURINO - VIVI Lopes

Maquiagem -

Direção Musical -

Fotografia - IGGO NICOLAS DE MACED

Desenho e Arte -

Montagem e edição -

Técnico de Som -

Produtora de Objetos -

Assistente de Produção de Objetos -

Produção de Locação -

Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

CENA 15 –

O CRIME - Na ocasião, o estudante Sady Castor tinha “estacionado seu carro” de frente à escola, na calçada da Praça, aguardando o término das aulas da Escola Normal. Esperava a saída de Ágaba Medeiros.

Onde é abordado pelo guarda-civil número 33, Antônio Carlos de Menezes, incumbido naquela ocasião de “vigiar e punir” qualquer aproximação masculina às moças da Escola Normal.

Então, teve início uma áspera discussão entre os dois, culminando na morte do estudante, atingido com um tiro no abdome.

GUARDA 33 - Ei rapaz, quantas vezes devo lhe dizer, que é proibido ficar aqui, soltando gracinhas as moças de família.

SADY – Você tá me vendo fazendo graça para alguém... Estou apenas esperando minha noiva, que não tarda em sair, ao termino da aula. e vou acompanha-la até sua residência.

GUARDA 33 - Aqui você não acompanha ninguém, faz chispando daqui agora mesmo. Tenho ordens e estas serão cumprindo, andando, vai circulando.

SADY – Com você pensa que está falando, me respeite seu puxa saco do Monsenhor João Batista, aqui é um lugar público, ele manda lá dentro e na Igreja, aqui não, tenho o direito de andar e estar na via pública.

Tenho ordem do chefe de policia, para cumprir a determinação do Monsenhor João Batista, e aqui você não fica. Ordem é ordem.

A discussão chamou a atenção de pessoas que transitavam pelas imediações da praça, paravam para ver a discursão, alguns funcionários da Escola Normal, passaram a observar pela janela da secretaria o que se passava. O funcionário público do Estado, Joaquim Herculano de Figueiredo, que, no momento da discussão entre o guarda e o estudante, estava no interior da secretária da Escola Normal.

Narrar o que aconteceu. Conta que, ao ouvir alguns “rumores” do lado de fora da escola, foi até à janela e notou que em frente à mesma, junto aos portões do Jardim Público, havia qualquer coisa entre um guarda civil e um rapaz.

Em seguida, volta-se para dentro da escola, chamando a atenção de outros funcionários – mais especificamente, o bibliotecário arquivista Aluísio Xavier e José Pires -

avisando-os do que acabara de ver. Em seguida, todos se dirigiram para a balaustrada em frente à entrada principal.

GUARDA 33 – Pois bem, se não quer cumprir a ordem, você está preso por desacato a autoridade. ( o guarda pega-o pela cola do paletó).

Você deve ser um destes comunistas que andam por ai. (Sady, tenta se desvencilhar das mãos do Guarda 33 – Já com a ajuda de alguns colegas, consegue tomar o cassetete de uma da sua mão).

JOAQUIM HERCULANO – Alguém tem que intervir, isso pode acabar mal. Ei não atire no rapaz.

ALUISIO XAVIER – O que é isso, o que tá acontecendo, eu falei para o monsenhor Batista, que esta ordem ia acabar em confusão.

JOSE PIRES – Ta maluco seu guarda, guarde esta arma. Eu vou lá ( Saia da sacada da janela).

O guarda 33 insiste na prisão ao estudante que se recusava seguir preso, o guarda investe para Sady Castor, procurando agarra-lo pela gola do paletó; que o estudante se desvencilhou das mãos do guarda, e já com outros colegas avançam para o guarda. Ali estavam Plínio Lemos, Adalberto Cézar, Nilton Lacerda, Nenézio Palmeira e irmão.

FIGURANATES - I – Preso nada, solta ele. ( e avançam contra o guarda 33 – Sady aproveita e toma o cassetete do guarda e avança contra ele). FIGURANATES - I – Solta o cassete Sady, não bata nele, se não você perde a razão.

FIGURANTES II E III – (avançam também contra o guarda 33).

GUARDA 33 - ( recua e saca uma pistola, e tenta agarrar Sady, pela gola do paletó ).

GUARDA 33 - Segurando–lhe sempre na gravata, conseguiu encostar a rama na região umbilical, mais ou menos e detonou a arma, digo, detonou a mesma arma.

Aconselhado pelos colegas em não bater no guarda Sady, joga o cassetete no chão.

O guarde 33 – saca da arma e aponta para Sady, que se atraca com ele e rolam pelo chão, aos gritos funcionários da Escola Normal, e os transeuntes gritam para que o guarda não atire no rapaz, ele encosta a pistola na barriga de Sady e efetua o disparo.

O estampido do tiro causou espanto e horror a todos por perto. O guarda ainda com a arma na mão recua alguns passos, enquanto que, Sady, ferido, com a mão sobre a ferida, cambaleia por alguns segundos e cai dizendo: “matou-me”.

Um guarda próximo, mais especificamente, aqueles de plantão nas proximidades do Palácio do Governo, esquina com a Escola Normal, veio em seu auxilio. 42 após o disparo, o guarda 33 tentou evadir-se do local do crime, no entanto, naquele exato momento chegava outro guarda civil.

O Guarda 33 foi “preso em flagrante pelo Dr. Mariano Falcão,

DR. MARIANO FALÇÃO – Onde pensa que vai, o Sr. Está preso, não tente fugir, não me responsabilizo pela sua segurança.

Neste momento, chega o guarda civil de primeira classe, n. 41, Nicolau Florentino das Neves, saltava do bonde bem frente à Escola Normal, para render o guarda ali destacado.

Nesse momento, o guarda 33 se aproximou do guarda 41, dizendo ter sido agredido nas imediações na praça. Em seguida, olhou o estudante estava caído.

O guarda 41 viu o moço ferido na altura do umbigo postado no chão, com metade do corpo sobre o calçamento e metade sobre a calçada, cercado de pessoas que tentavam socorrê-lo, passando a ouvir das mesmas que o autor do disparo fora o guarda 33.

Sabendo quem teria sido o responsável pelo disparo, o guarda 41 deu voz de prisão ao guarda 33, tomando lhe sua pistola “Mauser ”44, que realmente se achava com uma cápsula deflagrada.

CENA 16 -

Ágaba, que se encontrava assistindo aula, ao saber do ocorrido, tentou correr em direção ao local do fato, quando foi contida pelas colegas em seguida desmaiou.

GUARDA 41 - Meu deus, você ficou louco 33 – Você está preso, me entregue a pistola, (Houve um inicio de tensão entras as pessoas presentes, que clamavam por justiça, obrigando o guarda 41 a conduzir imediatamente o acusado preso).

GUARDA 41 - Vamos se ponha a andar, e entre neste carro de aluguel. Voce não só acabou com a vida desse rapaz, acabou com a sua também.

( O guarda 33, assustado, entre o carro de aluguel e é conduzido ao quartel da guarda civil, na Avenida General Osório, na presença do Comandante Interino Major Rodolpho Athayde. Para isso contou com a escolta do Dr. Mariano Falcão, outra testemunha dos acontecimentos e uns dos que exigiram do guarda 41 a prisão do acusado).

GUARDA 41 – Com sua licença comandante, este é o guarda 33, ele acaba de matar um estudante em frente à Escola Normal.

MAJOR RODOLPHO ATHAYDE - O que ! Como foi isso ? (levanta passando a mão pelos cabelos.

GUARDA 33 - Comandante, eu estava cumprindo ordem do chefe de polícia, a pedido do Monsenhor João Batista, e um destes estudantes comunistas, desobedeceu e ainda me agrediu com outros arruaceiros. Tinha que me defender, e atirei, acertando o provocador.

MAJOR RODOLPHO ATHAYDE - Dr. O Sr. Viu o que aconteceu ? Eu não estou acreditando, no que estou ouvindo.

Dr. MARIANO FALCÃO - Major, infelizmente é verdade, não o que ele diz, apenas o fato. Ali, conversava com um amigo que acabara de sair, O Sr. Pedro Macedo, quando percebi este guarda se dirigindo a um jovem, que não sei de quem se trata. Estava ele, encostada no murro do prédio, ao meu ver nada fazia.

De repente este guarda, tentou, agarrar o rapaz, fiquei sem entender, outros acredito estudantes, avançaram em defesa dele. Ouvi muitas pessoas, gritando para ele soltar o rapaz e outros para ele não atirar. De repente, ouvi o disparo... e o jovem cambaleando e caiu logo em seguida. É esta a história verdadeira, esse guarda é um assassino frio.

MAJOR RODOLPHO ATHAYDE - Ordenança, leve o guarda, para o xadrez e mantenha vigilância na cela.

Olhe aqui guarda 33 – você não sabe ainda o problema que isso vai dar, principalmente para você. Levem ele para cela. Dr. Mariano, obrigado pelas informações, o Sr, pode ir.

Vou ligar para o governador para lhe inteirar dos fatos, isso vai pegar fogo. Os Epitacistas, como o Desembargador Heráclito Cavalcanti vão fazer a festa. Mesmo brigados, são capaz de se juntarem novamente e tocar fogo nessa cidade.

(Dr. Mariano se retira e o Major, faz uma ligação para o Dr. Solon de Lucena)

CENA 17 -

MEDICO - NEXTON LACERDA - (ambos examinam o jovem Sady, que já começa entrar em choque, em razão do tiro).

MÉDICO - ADEMAR LONDRES – O que você acha Nexton, acredito haver uma hemorragia interna.

MEDICO - NEXTON LACERDA é Ademar, temos que remove-lo agora mesmo, vamos leva-lo para a casa do Dr. Francisco Nóbrega, lá bem próximo existe uma farmácia. Pouco adianta leva-lo ao Posto Médico.

MEDICO - ADEMAR LONDRES – É... Sabemos que não existe, uma sala de cirurgia adequada, poucos medicamentos. Olhe um carro do 22 BC – vou para-lo. ( o levam para o interior do veiculo, e saem em disparada).

Socorrido rapidamente por amigos e professores do Lyceu, o rapaz foi levado no automóvel do 22 BC - Batalhão de Caçadores - até a residência do então Juiz Federal, Dr. Francisco de Gouveia Nóbrega, residente na Av. General Osório.

O trajeto até a caso do Dr. Gouveia era rápido, ainda mais feito de carro até a Av. General Osório, alguns quarteirões por traz do Palácio do Governo. Chegando lá, rapidamente, recebeu as primeiras assistências dos médicos Adhemar Londres e Newton de Lacerda.

O estudante Sady Castor foi socorrido pelos médicos e cujos esforços para salvar-lhe a vida, foram em vão. o corpo do inditoso jovem recebeu os últimos sacramentos ministrados pelo Padre José Coutinho. Que próximo dali se encontrava e ao ser avisado, para lá rumou.

Pe. ZÉ COUTINHO - Se ajoelha ao lado do corpo moribundo e inicia os últimos sacramentos ao jovem Sady - Sinal sagrado instituído por Jesus Cristo para distribuição da salvação divina àqueles que, recebendo-o, fazem uma profissão de fé. [São sete: o batismo, a confirmação ou crisma, a eucaristia, a penitência ou confissão, a ordem, o matrimônio e a extrema-unção.

Pe. ZÉ COUTINHO – Por esta santa unção e pelo sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua misericórdia, alivie os teus sofrimentos».

"PER INSTAM SANCTAM UNCTIONEM ET SUAM PIISIMAM MISERICORDIAM ADIUVET TE DOMINUS GRATIA SPIRITUS SANCTI, UT A PECCATIS LIBERATUM TE SALVET ATQUE PROPITIUS ALLEVET".

Quando a notícia se espalhou a notícia da morte de Sady os estudantes “saíram em massa pelas ruas da cidade em protestos veementes contra tão horripilante cena de barbaridade”. Se aglomeraram na frente da escola e passaram a hostilizar sua direção e a sede da guarda civil.

Agravando ainda mais os conflitos entre as duas principais facções políticas do Estado, em uma conjectura política muito delicada naquele momento. Onde os Epitacistas, Heraclistas e o grupo do então governador Sólon de Lucena, brigavam pelo poder.

Após os preparativo do corpo do jovem Sady, foi levado e velado no Lyceu Paraybano, por toda noite, seguido por discursos inflamados de alunos, professores e familiares.

CENA 18 –

O velório de Sady foi um dos raros momentos em que o salão nobre do Lyceu serviu para este fim, ficando lotado. Na ocasião, contaram com a presença de amigos, alunos de outras escolas, professores, jornalistas, familiares e “expoente da sociedade parahybana”, que se revezaram em discursos inflamados, gerando grande comoção.

Por traz da repercussão da morte de Sady Castor e dos desdobramentos por ele originados, estava a atuação de uma “agremiação cívica literária”, organizada política e “ideologicamente”, assessorada por diversos “elementos” políticos oposicionistas ao governo de Sólon de Lucena, portadores de uma visão liberal de sociedade e que alvejavam acender na carreira política, como, por exemplo, figuras como o bacharel Miguel Santa Cruz, João da Mata Correia Lima, e até o ilustre João Duarte Dantas, este último atuando através das paginas do O jornal. Naquele ano de 1923, João da Mata e João Dantas haviam fundado O Jornal e articulavam a fundação de um partido de oposição ao situacionismo, para concorrer a sucessão de Solon de Lucena

FIGURANTES EM NUMERO DE 05 - Ao mesmo tempo em que o corpo era velado, uma comissão de estudantes visitava a sede do jornal A União, a fim de que se fizesse público o convite ao sepultamento na manhã do dia seguinte.

Durante o ato, houve discursos com destaque para os Sr. Silvino Santos, pelo primeiro ano do Lyceu Parahybano, Cezar de Oliveira Lima, pelo corpo discente do mesmo estabelecimento e o próprio Antônio Benvindo, representando o Centro Acadêmico de Recife.

Continua amanhã.......

 

 

Sady Castor e Ágaba, um caso de amor e morte na Paraíba



 Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

Filme curta metragem

Adaptação e roteiro – camilo Macedo

PRODUÇÃO E DIREÇÃO – DANIEL RIZZI

Assistente de Direção –

DIREÇÃO DE ELENCO e roteiro – camilo Macedo

Edição - DANIEL RIZZI

FIGURINO - VIVI Lopes

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Direção Musical -

Fotografia - IGGO NICOLAS DE MACEDO

Desenho e Arte -

Montagem e edição -

Técnico de Som -

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Assistente de Produção de Objetos -

Produção de Locação -

Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

O “inditoso” estudante nasceu em Soledade, município no Estado da Paraíba (Brasil), localizado na microrregião do Curimataú Ocidental, em 15 de fevereiro de 1896. Dos catorze irmãos, Sady era o quinto filho do coronel Emiliano Castor de Araújo e dona Vitória Jacinta Correia Lima

Castor, tradicional família de fazendeiros que, juntamente com os Nóbrega, seus parentes, tinham forte influência nos rumos da política local.

Por esse tempo, mais especificamente em 1922, a sociedade brasileira vivenciava um momento de confluências de insatisfações, colocando o País, pela primeira vez, no centro das discussões políticas, quase simultaneamente em toda a Nação, caracterizadas pela insatisfação política, social e cultural por parte de uma elite urbana e comercial (TRINDADE, 1979).

Alguns costumes, no entanto, insistiam em prevalecer, como, por exemplo, a drástica separação do sexo nos espaços públicos e privados. Nas escolas, a separação de meninas e meninos ainda era um tabu, tida como regra nas instituições educativas do Estado. A influência da Igreja Católica na educação do Estado contribuía sobremaneira na manutenção desse modelo, apesar de já existir debates sobre a coeducação dos sexos.

Lembrando que, naquela época, apesar da separação República - Igreja Católica, está última passou a “auxiliar” o Estado no processo de escolarização da educação brasileira, mesmo com a constituição de 1891 estabelecendo a laicidade do ensino público. Em alguns estados, no entanto, a igreja teve intensa influência nas políticas públicas em educação.

O Monsenhor João Batista Milanez. havia restringido a aproximação masculina (mais especificamente dos estudantes do Lyceu) nas mediações da Escola Normal, a fim de evitar o contato entre moças e rapazes no início, nos intervalos e na saída das aulas. Para que se cumprisse inflexivelmente sua ordem, transmitida em nome da “honrada família paraibana”, o Monsenhor solicitou ao Chefe de Polícia, Dr. Demócrito de Almeida, uma autorização para colocar um guarda civil na porta da Escola.

E assim ficou disponibilizado um agente de segurança do Estado, mais especificamente, da Guarda Civil, exclusivo para vigiar a aproximação de “certos” indivíduos nas proximidades daquele educandário.

Cena 01 -

Mostra o menino Sady, brincando, com amigos na fazenda do seu Pai, Cel. Emiliano). Sua mãe Dona Vitória lhe chama a atenção:

D. Vitoria – Sady, olhe a hora passe já pra dentro, vá se arrumar menino, já devia estar pronto para ir à escola. Vá, passe logo, e venha almoçar. Aprenda a ter responsabilidade, da próxima vez direi a seu Pai.

Sady – Desculpe mãe, perdi a hora, estava brincando, desculpe, não precisa falar pra papai, não vai mais acontecer.

Em 1918 foi sorteado para servir o Exército e incorporado passando a residir na capital. Nessa época, morava numa república de estudantes no mesmo prédio onde também funcionava o jornal Correio da Manhã

CENA - 02

– Sady, em sala de aula, assistindo aula. Em seguida, ele já rapaz, conversa com seu pai. ( O cel. Emiliano, sentando no terraço, com um documento na mão, chega Sady).

Cel. Emiliano – Foi bom você ter chegado, acabei de receber este comunicado do Comandante do Batalhão do Exercito. Você foi escolhido, para servir a pátria, será aluno a oficial. Espero que faça carreira militar.

Sady – Isso é muito bom Pai, cumprirei minha obrigação com a pátria, vou procurar ser um bom militar, saberei honrar o seu nome, mas, seguir a carreira, não tenho certeza. Quando devo me apresentar ?

Cel. Emiliano – aqui estar, na próxima segunda feira, você deve viajar para a capital, para não chegar atrasado logo no primeiro dia. ( Sady se aproxima e pega a correspondência).

CENA 03 -

Sady, se apresenta ao oficial de dia, ao 49º Batalhão de Caçadores, e é encaminhado para fazer os exames primários de saúde, depois recebe o fardamento de oficial aluno.

Meses depois recebe um comunicado do comandante do Batalhão, seria transferido para Recife, ali ficando por meses, depois, durante a gestão de Epitácio Pessoa na Presidência da República (em 1919), foi novamente transferido para o Rio de Janeiro, exercendo a função de telefonista no Catete (e/ou) guarda do então presidente da República.

CENA - 04

- O Tenente aluno, Sady, conversa com um colega de farda, o também tenente aluno Hudson Marinho.

Tenente aluno Hudson Marinho. E aí Sady, pensas em seguir carreira como oficial. Olha só, na verdade só estou aqui, para dá gosto a meu pai, ele é major do exército, servindo no corpo de paraquedista do exercito.

Ainda conversei com minha mãe, ela me pediu por tudo, para não dar um desgosto desse ao meu pai. É bonita a carreira, mais queria mesmo era ser advogado.

Tenente Sady - Pois companheiro, não serei militar de carreira, quando ingressei avisei logo a meu pai, ele também é cel. Servir com honra, eu servirei, seguir carreira é outra história. Terminando meu tempo, voltarei para a Parayba, sonho em ser médico.

Devo tentar o vestibular na Faculdade de Medicina no Recife, além disso o contexto hoje aponta crises econômicas e ideológicas não só na Paraíba, mas em todo o país e tenho notícias do colégio, que há movimentos estudantis, principalmente na capita do Estado.

CENA 05 -

SADY - dar baixa do exército em 1921, E volta a Parayba, desembargando no porto de Cabedelo, dias depois ingressa no serviço público, para trabalhar como funcionário das obras contra as secas promovidas pelos IFOCS, foi enviado para cidade de Barra de Santa Rosa, conheceu, após meses de namoro, noivou com Francisca Amorim, jovem muito prendada e recatada naquela cidade.

( Ao final da tarde, o casal passeia ao lado de Sady, sempre acompanhada de perto por uma serviçal dos seus pais, sentam-se no banco da praça).

FRANCISCA AMORIM – Penso sempre que olho para você, vejo em seus olhos, um futuro ausente, como se este aqui não fosse fazer morada.

SADY – Francisca ! o que estás a dizer, a meses que a ti cortejo, até pedi consentimento ao teu Pai, para que pudéssemos namorar. E pensas assim de mim.

FRANCISCA AMORIM – Não, estou a buscar defeitos em ti Sady, és um homem fidalgo, Cortez, e feliz será a mulher que será tua esposa. Mas com toda minha alma, não foste talhado para viver neste longínqua cidade, como funcionário público.

Falas muito em politica principalmente deste o Grêmio Cívico Literário 24 de Março. Dos movimentos que foram e serão organizados, da importância desta organização estudantil ver-se que estão indo além das tradições “cívicas” e “literárias”, ao se envolver diretamente nas disputas políticas desde 1920.

SADY – O que estás a querer me dizer Francisca...

FRANCISCA AMORIM - Sei que em breves, serás transferido, até mesmo para a capital do Estado, pela influência que teu Pai tem junto ao governo. Pensas em fazer medicina e deverás ir para a cidade do Recife, quando formado, de certos irás para o Rio de Janeiro.

SADY – Em partes tem certa razão, recebi correspondência do meu pai, falava ele que mandou telegrama ao Presidente, solicitando empenho para minha transferência, entretanto, não vejo nisso empecilho para o nosso compromisso.

FRANCISCA AMORIM - A sim Sady, e tu sabes disso, penso que houve uma certa precipitação, ao pedir minha mão em casamento ao meu Pai. Teríamos que namorar como todos e dá tempo ao tempo. Sabes quantos anos é preciso para alguém se formar em medicina e todos que conheci, logo viajaram para a capital federal ou para São Paulo, alguns anos depois voltaram para a Paraíba.

SADY – Tô entendendo, que me põe contra a parede, é isso, sabes que assumi compromisso com teu Pai, com tua família para corteja-la. E insinuas assim, para que eu rompa este compromisso. Penso que a mim não amas mas.

FRANCISCA AMORIM – Não podes pensar de mim assim, a ti muito respeito, sei que assumistes um compromisso com meu Pai, compromisso de amar, me fazer feliz, ter uma família, como sonha toda mulher. Não tens compromisso e tenho certeza que meus pais não iriam querer, ver sua filha, triste, com o marido, sabe Deus por onde. Não há Sady, compromisso para a infelicidade de ninguém.

SADY – Devo entender então Francisca, que estamos terminando nosso noivado.... Vou conversar com teu Pai amanhã para tudo explicar.

Continua amanhã......

 

A soltura de presos e a hipocrisia de nossas autoridades - Camilo Macedo



 O cumprimento de penas no Brasil, não passa de uma grande comédia. Ouvia ontem um integrante da Comissão de Direitos humanos, tentando justificar que a interferência desta, ( sei lá o que), em defesa de um bom tratamento aos milhares de presidiários. Aquela comissão, estaria pensando nos que aqui fora estão. Alguém pode explicar tamanha asneira, ou besteira?

Vi incrédulo um Juiz, determinar a soltura de, mas de 150 presos, por falta de segurança num presido em Manaus. Num pais sério, este magistrado deveria responder por crime de responsabilidade.

O fato das facções se matarem dentro dos cárceres, não impõe a aquele magistrado, tamanha idiotice, ou seja fazer a população de refém. Penso que caberia a ele responsabilizar o estado e não penalizar o cidadão, pois imaginem que, além dos bandidos soltos, ele, ainda libere mais 150 para ruas, que certamente vão assaltar, matar, estuprar e roubar.

Falava o Dr. dos Direitos humanos, que é preciso ressocializar os presos, em verdade esta ressocialização, não deve ser plural, vamos deixar de ser hipócrita e posar para fotos. Existe o preso casual e o reincidente contumaz.

Como você vai reintegrar um marginal com diversas penas a cumprir, vezes em estados diferentes da Federação? Onde suas penas distintas somam 50, 60 anos de reclusão, afora outras dezenas de processos criminais a que responde.

A reintegração do preso na sociedade depende muito do crime por ele cometido, não há reintegração para o criminoso periculoso em cometer novos crimes, sua soltura estará condenando alguém da sociedade a ser sua próxima vitima e, portanto as nossas autoridades antes de pensarem nos criminosos e eventuais reintegração, devem primordialmente pensarem nas suas vítimas.

Supremo Tribunal Federal - Justiça? - Camilo Macedo



Lendo Marcos Antônio Villa, observa ele que João Mangabeira já havia escrito que o judiciário o foi o poder que mais falhou na República, anos se passaram, e nos parece que o quadro que se apresenta é muito pior.

Vendo o orçamento do STF, STJ, STE, STT, GGU, PGR, Congresso Nacional – são maiores do que muitos Estados Brasileiros, municípios seriam uma teria um capital de uma mercadinho de periferia. Isso sem trazer a tona os orçamentos da Câmara Federal e do Senador.

Ouvi um jornalista de uma radio local, abrir a boca para dizer, “ são poderes distintos e estes gastos está lei, assim é legal “ Pode até ser mais não passa de uma imoralidade oficializada.

Quem conhece as sedes dos Poderes a que me refiro, sabe o do que estou falando. Se há luxo em sedes de poderes no mundo, este luxo está no Brasil.

O acesso da Câmara para o Senado e vice e versa, Sr. Jornalista, é feito por uma esteira rolante de 1,5 Km – para que os Srs Parlamentares não cansem as pernas. Ali estão encastelados mais de 3 mil funcionários, com salários nunca inferior a 8 mil reais. Salários mínimos que se estendem a todos os poderes supra citados.

A nação acompanhou estarrecida a grande pizza, levada ao forno pelo STF. O mesmo Supremo que tem mais 200 recepcionistas pelos corredores do prédio, para recepcionar a que e tantos fica difícil saber.

Registra Marcos Antônio Villa, que estes poderes, têm funcionários com salário superiores 10 vezes o teto nacional. Tentam justificar que são vantagens eventuais, vantagens estas que perduram a anos, como vem a ser o caso do STJ.

Por fim, que hoje estar satisfeito que não reclame da lentidão da justiça, a celeridade apregoada pela Conselho Nacional de Justiça, é só em matérias pagas na mídia.
O que dizer de Magistrados envolvidos com gang de traficantes e outros crimes, como pena aplicada é sua aposentadoria compulsória, contudo se diz: Mais ao terminar o processo criminal, poderá ele perder o cargo. De fato. Teria de ser, porém em toda historia só há um único registro da perda do cargo o JUIZ LALAU (Nicolau). Após 10 anos o processo se arrastando quando completou ele 79 anos de idade.

Agora aceitar que bandidos possam legislar no sentido de impor amarras no judiciário e no Ministério Público, só se ver num pais de banana, exemplo recente é do Senador Renan Calheiros, acusados em 12 processos de desvio do dinheiro publico. Processo estes engavetados por mas de 8 anos.

Só agora um foi aceito virando este, digamos cidadão RÉU POR CRIME DE PECULATO, pois as outras acusações deste mesmo processo prescreveram. Perdeu o Estado o direito de aplicar a lei por inercia. E que teve este comportamento os Ministros do STF.

O mundo assistiu sua arrogância e a humilhação a que foi submetido o oficial de Justiça daquela corte, e não se viu uma NOTA de duas linhas, do seu Sindicato em seu apoio.
Mas, não foi só aquele oficial desmoralizado, o judiciário foi a boneca de pano, foi a sandália em areia quente. A fúria daqueles ministros no caso do Senador Delcídio Amaral, apenas por insinuar que falaria com um ou outro ministro, foi arrasadora.
Fúria esta, que no caso de Renan Calheiros, outrora um leão urgindo, ficou reduzido a um miado de qualquer gato em estado de abandono, sendo humilhado por muitos que passam ao largo e vezes até juntam o bichano.

É assim o Brasil, “ um Supremo acovardado”, como disse sua excelência o ex presidente do Brasil. Luiz Lula da Silva. Uma Magistratura formada por juizecos, segundo o Presidente do Senado Renan Calheiros.

E nós pobre mortais, a quem ou em quem confiar no Judiciário, no Ministério Público, Na Câmara Federal, no Senador Federal, na Controladoria Geral da União...

Estamos sós, e povo brasileiro, passivo esperando o carnaval chegar, com muita chuva suor e cerveja, antes um pequeno repouso em berço esplêndido festejando o Natal e Ano Novo, que de novo não virá nada, cada um por si. QUERO IR EMBORA PRA PASSARGADA.

WALTER CARVALHO - Camilo Macedo




WALTER CARVALHO – nasceu em João Pessoa, 1947, é um fotógrafo e cineasta brasileiro. Herdeiro do Cinema Novo, começou no cinema ajudando o irmão — o também cineasta Vladimir Carvalho — como fotógrafo (e sendo muito influenciado por ele). Aos poucos, foi assumindo outros projetos de fotografia em cinema até se tornar, ele próprio, também diretor de cinema.


Sua apurada fotografia cinematográfica tem a marca inconfundível do cinema brasileiro da segunda metade do século 20, assim como testemunha as transformações sociais, políticas e culturais pelas quais o Brasil tem passado nas últimas décadas. Seu filho, Lula Carvalho, também enveredou na carreira cinematográfica e está se tornando um dos mais importantes diretores de fotografia do cinema brasileiro contemporâneo, junto com o pai.


Filmografia - Atuou como cineasta nos seguintes filmes:


2012 — Raul - O Início, o Fim e o Meio - 2010 — Febre do Rato (diretor de fotografia) - 2009 — Budapest (Diretor) 2009 — O Homem que Engarrafava Nuvens (diretor de fotografia) 2007 — Chega de Saudade (diretor de fotografia) 2007 — Baixio das Bestas (produtor associado e diretor de fotografia) 2006 — O Céu de Suely (diretor de fotografia) 2006 — Cleópatra (diretor de fotografia) 2006 — BerlinBall (diretor de fotografia) 2005 — Moacir Arte Bruta (diretor e roteirista) 2005 — Crime Delicado (operador de câmera e diretor de fotografia) 2005 — A Máquina (diretor de fotografia) 2004 — O Veneno da Madrugada (diretor de fotografia) 2004 — Entreatos — Lula a 30 Dias do Poder (diretor de fotografia) 2004 — Cazuza - O Tempo não Pára (co-diretor) 2003 — Lunário Perpétuo (cineasta) 2003 — Glauber o Filme, Labirinto do Brasil (diretor de fotografia) 2003 — Filme de Amor (diretor de fotografia) 2003 — Carandiru (operador de câmera e diretor de fotografia) 2003 — Amarelo Manga (operador de câmera e diretor de fotografia) 2001
Um Crime Nobre (diretor de fotografia) 2001 — Janela da Alma (diretor, fotógrafo e roteirista) 2001 — Amores Possíveis (diretor de fotografia) 2001 — Abril Despedaçado (diretor de fotografia) 2001 — Madame Satã (diretor de fotografia) 2001 — Lavoura Arcaica (diretor de fotografia) 2000 — Passadouro (cineasta) 2000 — Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão (cineasta) 1999 — Texas Hotel (cineasta) 1999 — Notícias de uma Guerra Particular (cineasta) 1998 — Somos Todos Filhos da Terra (cineasta) 1998 — Central do Brasil (diretor de fotografia) 1998 — O Primeiro Dia (cineasta) 1997 — Pequeno Dicionário Amoroso (diretor de fotografia) 1997 — O Amor Está no Ar (cineasta) 1995 — “Cinema de lágrimas” (diretor de fotografia) 1995 — “Terra estrangeira” (diretor de fotografia) 1995 — Un Siècle d’Écrivains (Jorge Amado) (cineasta) 1995 — Socorro Nobre (cineasta) 1995 — Cinema de Lágrimas (cineasta) 1995 — Butterfly (cineasta) 1993 — Agosto (cineasta) 1992 — A Babel da Luz (cineasta) 1991 — Os trapalhões e a Árvore da Juventude (cineasta) 1991 — Conterrãneos Velhos de Guerra (cineasta) 1991 —
Ainda -A República dos Anjos (cineasta) 1991 — A Grande Arte (fotógrafo) 1990 — Uma Escola Atrapalhada (cineasta) 1990 — O Mistério de Robin Hood (cineasta) 1990 — Circulo de Fogo (cineasta) 1990 — Blues (cineasta) 1990 — Assim na Tela como no Céu (cineasta) 1990 — A Paisagem Natural (cineasta) 1989 — Que Bom te Ver Viva (cineasta) 1989 — Césio 137 — O pesadelo de Goiânia (operador de câmera e cineasta) 1988 — Uma Questão de Terra (cineasta) 1988 — O Inspetor (cineasta) 1987 — Terra para Rose (cineasta) 1987 — Rio de Memórias (cineasta de fotografia) 1987 — Os Trapalhões no Auto da Compadecida (cineasta) 1987 — João Cândido, um Almirante Negro (cineasta) 1987 — Dama da Noite (cineasta) 1987 — Alta Rotação (diretor de fotografia e operador de câmera) 1987 — No Rio Vale Tudo (ou Si Tu Vas à Rio... Tu Meurs) (cineasta) 1986 — Geléia Geral (cineasta) 1986 — A Igreja da Libertação (cineasta) 1986 — A Dança dos Bonecos (operador de câmera) 1986 — Com Licença, Eu Vou à Luta (operador de câmera e cineasta) 1985 — O Rei do Rio (operador de câmera) 1985 — Krajcberg — O Poeta dos Vestígios (cineasta) 1984 — Pátio dos Suspiros (operador de câmera - diretor de fotografia) 1984 — Quilombo (operador de câmera) 1984 — Pedro Mico (cineasta) 1984 — A Máfia no Brasil (cineasta) 1983 — Sargento Getúlio (cineasta) 1983 — Cinema Paraibano, Vinte Anos (cineasta) 1983 — A Difícil Viagem (cineasta) 1982 — Sete Dias de Agonia (cineasta) 1982 — Lages, A Força do Povo (fotógrafo) 1982 — Em Cima da Terra, Embaixo do Céu (cineasta) 1982 — A Missa do Galo (cineasta) 1981 — O Homem de Areia (cineasta) 1980 — Flamengo Paixão (operador de câmera) 1980 — Conterrâneos Velhos de Guerra (cineasta) 1979 — Jorge Amado no Cinema (cineasta) 1979 — Boi de Prata (Diretor de Fotografia e Câmera) 1977 — Viola Chinesa (cineasta) 1977 — Que País é Este? (cineasta) 1977 — Antônio Conselheiro e a Guerra dos Pelados (cineasta) 1973 — O Homem do Corpo Fechado (responsável pelo título) 1971 — O País de São Saruê (assistente de direção.

 

Do livro: Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba - Camilo Macedo

WALDEREDO PAIVA DOS SANTOS - Camilo Macedo



 
 Walderedo Paiva dos Santos Nascimento: nasceu em João Pessoa, em 19 de Janeiro de 1936 Filho Francisco Alves dos Santos Nair Paiva dos foi casado com Terezinha de Oliveira Costa Paiva, que faleceu recentemente em nossa capital. Do Casamento nsceram os Filhos: Tatyana de Oliveira Paiva C. Holanda Adriana Patricia de Oliveira Paiva M. de Freitas Rodolfo José de Oliveira Paiva Wendell Rodrigo Costa Paiva Jéssica de Araújo Negreiros Paiva, Walderedo Paiva dos Santos Junior ,Paulo Ricardo Lemos Paiva.
Inicou seus estudos primário em João Pessoa, concluindo no Liceu Paraibano, Formou se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Instituto Paraibano de Educação - IPE/PB (hoje Unipê) tendo colado grau em 24/06/1976. Cursou ainda Filosofia na UFPB mas não concluiu. Exerceu diversas Atividades João Pessoa/PB • Trabalhou no DER – Departamento de Estradas e Rodagens • Trabalhou ainda na Rádio Tabajara.
Foi Ator - Anos 60 e 70 - Teatro dos Estudantes • Advogado – OAB/PB nº 1696 Atuações: Peças • O Pagador de Promessas - de Dias Gomes • O Chapeuzinho Vermelho - de Maria Clara Machado. • Paraí-Be-A-Bá– Paulo Pontes - que ficou em 3º lugar no V Festival Nacional de Teatro Amador, realizado no Rio de Janeiro em 1968 • Eles não Usam Black Tie • Enquanto não arrebenta a derradeira explosão – de Jose Bezerra Filho Filme: • O Salário da Morte é o primeiro Longa-metragem ficcional produzido na Paraíba. Baseado no conto "Fogo", de José Bezerra Filho – gravado em 1971 • Menino de Engenho.
No final dos anos 70 partiu para o território de Rondônia onde seguiu carreira política e jurídica. 1979 – Delegado de Polícia do ex-território de Rondônia 1981 – Fundou a Associação dos Policiais Civis de Rondônia 1982 a 1986 –Deputado Estadual Constituinte, 1983 – Secretário de Estado da Secretária de Interior e Justiça (Seijus) – licenciou-se como Deputado 1991 – Secretário de Estado da Secretaria de Estado de Interior e Justiça (Seijus) 1994 - Secretário de Estado da Secretaria da Segurança Pública como adjunto e 6 meses depois assumiu a titularidade 1999 – Secretário de Estado da Secretaria de Segurança Pública
Tendo sido interinamente, a Superintendência de Justiça e Defesa da Cidadania (Sujudeci), hoje SUPEN - denominação dada pela reforma administrativa. Após a aposentadoria voltou a atuar como Advogado Criminalista – com OAB/RO 282-A. Faleceu em João Pessoa no dia 07 de Abril de 2012.

 

 

NOMES QUE FIZERAM E FAZEM A HISTÓRIA DA PARAÍBA -
Autor - Camilo Macedo

 

MÁRIO MOACIR PORTO - Camilo Macedo



 MÁRIO MOACYR PORTO - nasceu em 03/01/19 em João Pessoa/PB, e faleceu 20/11/1997 - Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife. Mário Moacyr Porto nasceu em João Pessoa, em 3 de janeiro de 1912. Formou-se na Faculdade de Direito do Recife, assumindo, logo em seguida, o cargo de Promotor Público no Rio Grande do Norte, atraves concurso público, ingressou na magistratura paraibana, passando por todas as entrâncias, até chegar ao cargo de Desembargador. No Tribunal de Justiça, ocupou duas vezes a Presidência, destacando-se sua administração pelas melhorias estruturais e pela autoria do Projeto de Lei que consagrou a Lei de Organização e Divisão Judiciária do Estado, além do Regimento da Secretaria do Tribunal de Justiça.

Também se destacou como acadêmico, tendo participado do Congresso Internacional de Direito Comparado, em Hamburgo (AL), onde apresentou tese sobre a “Responsabilidade pela guarda das coisas inanimadas”. Publicou inúmeros artigos nos grandes periódicos e veículos nacionais, projetando-se como proeminente doutrinador nessa área, tendo seu “Traitè de Responsabilité Civil”, publicado na França, alcançado prestígio mundial.


Consagrado Professor de Direito Civil da Universidade Federal da Paraíba – da qual foi, também, fundador e Diretor da Faculdade de Direito, e Reitor – e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, destacou-se, ainda, como Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio Grande do Norte no biênio 1983-1985 e do Tribunal de Ética da Seccional Paraibana da Ordem, órgão que atualmente ostenta seu nome.
Cargos que ocupou na UFPB: Professor fundador da 1ª cadeira de Direito Civil da Faculdade de Direito da Universidade da Paraíba - posse em 19/06/1961 - Diretor da Faculdade de Direito da Paraíba. Reitor – 04/1960 a 04/1964. Sua vocação cultural levou-o a ocupar a Cadeira nº 4, da Academia Paraibana de Letras; imortalizou-se, igualmente, na Academia Norte-riograndense de Letras., é um exemplo, para os Advogados, Juízes e Promotores, que querem passar para a historia, isso se ver e ler, em livros e artigos, foi homenageado com seu nome ao Tribunal de Ética da Seccional Paraibana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PB).


Ainda, incrustado no incomparável acervo que foi doado por sua família ao Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), contendo obras raríssimas, em vários idiomas, inclusive periódicos franceses, boa parte ligados ao Direito Civil, e, finalmente, algumas correspondências que mantinha com renomados juristas europeus. As novas gerações de juristas paraibanos, entretanto, não conhecem tão de perto e talvez de tão longe, toda essa riqueza cultural.


Mário Moacyr também enveredou pela iniciativa privada, mostrando-se um verdadeiro líder: ao aposentar-se da magistratura dedicou-se à atividade empresarial tornando-se Presidente da maior empresa de mineração brasileira, no setor da produção da sheelita, a Mineração Tomaz Salustino S.A., com sede em Currais Novos-RN, que representava, na década de 80, cerca de 97% (noventa e sete por cento) da produção nacional do referido miné.

 

Do livro: Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba de Camilo Macedo

IVAN BEZERRA DE ALBUQUERQUE - Camilo Macedo



 IVAN BEZERRA DE ALBUQUERQUE - nasceu no dia 23 de novembro de 1932, em Itabaiana, interior paraibano, Na adolescência tomava conta de um salão de sinuca e ajudava o pai na loja da fábrica de colchões da família. Sonhava ser músico e estudou com seu conterrâneo Sivuca. Ivan, participou da banda de música da cidade como clarinetista. casado com Maria Dulce, pai de sete filhos: Ivan Júnior, Ivanaldo, Ivanildo, Ivando, Ivana, Ana Maria e Maria Ivone, e avô de oito netos.

Com quatro anos de idade, foi levado por sua mãe até a capital para fazer tratamento do olho direito, sendo examinado pelo Dr. Seixas Maia, para surpresa da família, Ivan Bezerra possuía um tumor interno no globo ocular, sendo em seguida submetido a uma cirurgia, diante do estado avançado acabou perdendo um olho. Em 1950, após receber o primeiro pagamento como músico foi passar férias na casa da avó em João Pessoa, cidade onde passou a residir desde então.


Mas a mudança definitiva para a capital paraibana não foi planejada. Um tio de Ivan Bezzera era funcionário do D.E.R. (Departamento de Estradas e Rodagens) e conseguiu um emprego para ele.


Em 1952, era participante assíduo da roda de bate-papo no Ponto de Cem Reis, onde se destacava com seus comentários abalizados; Ivan Bezerra foi apresentado por Arnaldo Júnior a Otinaldo Lourenço, que lhe convidou para ingressar na rádio Arapuan como noticiarista, tempo depois pelos braços de Clóvis Bezerra entrou na rádio Tabajara, onde se firmou definitivamente como comentarista esportivo.


Trabalhou ainda na rádio Correio, Sanhauá, FM 103 O Norte, e jornais impressos: A União, Tribuna do Povo e Correio da Paraíba. Filho de um mascate com uma professora, sonhava ser músico da Orquestra Tabajara. O que conseguiu foi ser o segundo clarinetista da banda local; funcionário público aposentado do DENIT é comentarista esportivo da rádio Tabajara. Em 1953, Bezerra passou a fazer parte da Rádio Tabajara AM, emissora na qual teve início a carreira como comentarista ao substituir Virgílio Andrade na cobertura de um jogo entre Auto Esporte, de João Pessoa e Náutico do Recife, e de lá para cá nunca deixou o rádio esportivo.


Torcedor do Santos Futebol Clube do saudoso Tereré, e do Clube de Regatas Flamengo, Ivan Bezerra foi árbitro de futebol de salão da Federação Atlética Paraibana, chegando a fazer parte do quadro de arbitragem da CBD - Confederação Brasileira de Desportos. Sócio fundador da ACEP - Associação dos Cronistas Esportivos da Paraíba, o radialista Ivan Bezerra faz parte de todas as diretorias desde a fundação, sendo presidente da entidade por dois mandatos, hoje é membro do Conselho Superior da entidade, homenageado pelos companheiros da ACEP, o estádio de futebol da agremiação leva o seu nome.


Homem de conhecimento notável, Ivan Bezerra gosta de compartilhar as glórias com os amigos, tem consideração com todos, e nos seus comentários faz questão de preservar a parcialidade. Conquistou mais de 100 prêmios, inclusive recebendo os títulos de cidadão Pirariense, Pessoense e Cabedelense. Ivan Bezerra joga Biriba (carteado) desde 1964, entre seus companheiros está o Desembargador Emilio de Farias, Chico Bala e o casal Assis e Alice. Ele faz questão de afirmar, que durante a prática do carteado não existe consumo de cigarro, bebida alcoólica, nem tampouco se joga apostado, o jogo serve apenas de lazer para todos.


Considerado o melhor comentarista esportivo da Paraíba, o “Campeão de Audiência”, como é carinhosamente chamado. Para Ivan Bezerra, um momento que marcou a sua carreira foi ter participado em 1990, com os radialistas Adamastor Chaves e Paulo Costa, da transmissão do jogo dos 50 anos de Pelé, fato ocorrido no estádio Giuseppe Meazza, na cidade de Milão na Itália. “Um ser humano como outro qualquer que procura viver até quando Deus quiser, procurando sempre fazer amigos, tenho a minha opinião e respeito à de todos”, confidenciou Ivan Bezerra.

 

Do livro: Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba de Camilo Macedo

 

 

ITAPUAN BÔTTO TARGINO - Camilo Macedo




ITAPUAN BÔTTO - Itapuan Bôtto Targino nasceu no dia 10 de maio de 1938, na cidade de João Pessoa, Paraíba, filho de Ananias Targino F. Pontes e Maria da Penha Bôtto de Menezes. É casado com Regina Rodrigues Bôtto Targino, de cujo consórcio tem os filhos Marieta, Estevam e Itapuan Filho. Fez seus estudos primários na Escola da professora Maria Adelina Barbosa, o ginasial no Colégio Pio X e concluiu o colegial no Liceu Paraibano, em 1955. Titulou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Paraíba, em 1960, e se formou em Licenciatura em Pedagogia (Habilitação em Administração Escolar) pelo Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba, em 1975.


Ingressou no magistério em 1962, lecionando, na Escola Técnica de Comércio Assis Vidal, as disciplinas História Econômica, Geografia Humana e Legislação Aplicada; foi professor de Didática nos Institutos Paraibanos de Educação (IPÊ); ensinou Direito e Legislação no Colégio Nossa Senhora de Lourdes; na Universidade Federal da Paraíba, lecionou Legislação do Trabalho, no Curso de Auxiliar de Enfermagem do Trabalho; e Legislação do Ensino e Estrutura e funcionamento do Ensino de 1º e 2º Graus, no Centro de Educação; lecionou Educação Moral e Cívica e Organização e Normas na Escola Técnica Federal da Paraíba – ETFPB.


Possui os cursos de Relações Humanas e Técnicas em Comunicação (Conselho Estadual de Desenvolvimento), 1960/1963; Administradores para Formação Profissional (Fundação Getúlio Vargas – Rio), 1968; Gestão de Centros de Formação Profissional (Cintefor/Cenafor-São Paulo), 1982; Treinamento Prático sobre Educação Vocacional e Industrial (Oswego University, New York, USA), 1969; Administração Financeira (MEC, Fortaleza), 1971.


Entre os cargos exercidos, destacam-se: Diretor da Escola Técnica Federal da Paraíba, 1964-1983; Secretário Municipal de Educação e Cultura, João Pessoa, 1983-85 e 1992; Supervisor das Escolas Técnicas Federais, MEC, Brasília, 1969; Oficial de Gabinete do Prefeito Municipal de João Pessoa, 1959; Representante do MEC junto aos Conselhos Regionais do SENAI e SENAC, em Campina Grande e João Pessoa, 1967-72 e 1973/74, e 1973-83, respectivamente; Secretário Geral do Poder Legislativo da Paraíba, 1993-95; Presidente da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (FUNESC), 1995; membro do Conselho Estadual de Cultura da Paraíba; Chefe do Cerimonial do Governo do Estado da Paraíba; Diretor Executivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba.


Possui várias condecorações: Diploma de Menção Honrosa (Conselho Estadual de Cultura), 1970; Medalha Nilo Peçanha, MEC, 1976; Medalha do Sesquicentenário de D. Pedro II, Colégio D. Pedro II, Rio, 1976; Medalha Professora Margarida Schivasappa, Escola Técnica Federal do Pará, 1978; Medalha Escola Técnica do Ceará, Fortaleza, 1979; Medalha de Honra ao Mérito, Escola Técnica Federal do Mato Grosso, Cuiabá, 1979; Medalha do Mérito Tamandaré, Ministério da Marinha, 1983; Medalha Alcides Carneiro, Campanha Nacional das Escolas da Comunidade, 1984; é Cidadão Honorário das cidades de Itaporanga e Picuí e Benemérito da cidade de João Pessoa; possui a Comenda do Mérito Cultural “José Maria dos Santos”, outorgada pelo Instituto Histórico e Geográfico Paraibano.


Já publicou mais de dez obras, dentre outras “Manual do Cerimonial”, “A propósito da educação” e “100 anos do Ensino Fundamental Brasileiro”. São 57 textos que apresentam o pensamento e as impressões do autor sobre os mais variados temas. Segundo o prefaciador, ao fazer a organização dos temas desenvolvidos na obra, Itapuan reflete sobre a vida em exercício permanente, visando ao aperfeiçoamento do ser humano por meio da cultura e abrindo uma nova trilha no campo da formação cultural pedagógica brasileira.


Trabalhos publicados: A Verdade de um Homem Público, 1985; A Propósito de Educação, 1985; Apontamentos de Legislação de Ensino, 1978; Estudos de Recuperação – uma experiência, 1975; Educação Artística - o canto coral nas Escolas Técnicas, 1978; Olavo Bilac e o Serviço Militar Obrigatório, 1978; Escolas Técnicas – Instrumento de Progresso e Desenvolvimento, 1978 Por uma educação integral, 1980; Subsídios para Fixação de Critérios na Distribuição de Recursos às Escolas Técnicas, 1980; A educação como instrumento de Reconstrução Nacional, 1980; Preservação do Patrimônio Ferroviário – As Estações de trem da Paraíba, 2001; Anísio Teixeira – Educador do Século XX, 2001; O Centro Histórico de São João do Rio do Peixe, 2002; Patrimônio Histórico da Paraíba – 2000 – 2002, 2003; Cartilha do Patrimônio – Centro Histórico de João Pessoa, 2003; Município, Municipalismo e Descentralização, 2004: Assim eu disse..., 2005. Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano no dia 18 de julho de 1996.

 

Do livro: Pessoas que fizeram e fazem a história da Paraíba

JOSÉ EDILBERTO COUTINHO - Camilo Macedo



 JOSÉ EDILBERTO COUTINHO: Nasceu em 28 de setembro de 1938, na cidade de Bananeiras, Estado da Paraíba e faleceu na cidade do Recife, em 1995.Era filho do Dr. Francisco Coutinho Filho e D. Otília Cirne Coutinho. Passou a infância e a juventude em constantes mudanças entre os Estados de Pernambuco e Paraná, acompanhando o pai que, sendo funcionário federal, estava sempre prestando serviço a qualquer Estado para o qual fosse designado. Era formado em Direito pela Faculdade do recife, porém, nunca exerceu a profissão de advogado. Sempre teve atração para as letras, principalmente, pelo folclore nordestino, influenciado que era pelas histórias do cotidiano desse povo que lhe eram contadas pelo pai, folclorista de renome.


Era jornalista, diplomado pelo World Press Institute (Instituto Mundial de Imprensa) dos Estados Unidos, tendo escrito nos principais jornais e revistas do Brasil. Durante algum tempo, foi correspondente, na Europa, do Jornal do Brasil e da Revista Manchete e, nos Estados Unidos, dos Diários Associados (O Jornal e O Cruzeiro). Em 1970, transferiu-se, definitivamente, para o Rio de Janeiro. Pela atuação nos meios intelectuais e literários, Edilberto conquistou vários prêmios, tanto no Brasil como no exterior, entre os quais, destacamos: Ensaios de Jornalismo Literário e de Ficção, conferido pela Academia Brasileira de Letras; Crítica Literária, da Associação Paulista de Críticos de Arte;Estudos Brasileiros de Ficção, da Fundação Cultural de Brasília-Conselho Federal de Cultura; Ensaio Biográfico, da Associação Brasileira de Crítica Literária; Ficção, da Fundação de Las Americas, Havana;Maracanã, adeus, na tradução francesa de Jacques Theriot, sob o título Onze au maracanã – Le grand Prix Cultural Latin, Paris, 1986.


Edilberto Coutinho era escritor, jornalista e professor universitário. Era sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano e membro da Academia Brasileira de Literatura. Ingressou na Academia Paraibana de Letras, em 28 de maio de 1982, recepcionado pela acadêmica Elizabeth Marinheiro. Bibliografia: Onda boiadeira e outros contos; Recife, 1954; Contos II, Recife, 1957; Erotismo noromance brasileiro, anos 30 a 60, Rio, 1967; Rondon e a integração amazônica, São Paulo, 1968;Rondon, o civilizador da última fronteira, Rio, 1969; Presença política no Recife, São Paulo, 1969;José Lins do Rego, Brasília 1971; Um negro vai à forra (contos); São Paulo, 1977; Sangue na praça(contos), 1979; Criaturas de papel, Rio, 1980; Maracanã, adeus (onze histórias de futebol), Rio de Janeiro, 1980; Erotismo no conto brasileiro; Rio, 1980; O romance do açúcar: José Lins do Rego, vida e obra, Rio, 1980; Memória demolida (ensaio), Recife: Ed. Piratas, 1982; O jogo terminado(seleta de contos), 1983; O livro de Carlos (Carlos Pena Filho, poesia e vida), Rio, 1983; A imaginação do real, Rio, 1983. Obra póstuma: Bar Savoy.

 

Do livro a ser lançado: Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba

GUILHERME GOMES DA SILVEIRA D’AVILA LINS. - Camilo Macedo



 GUILHERME GOMES DA SILVEIRA D’AVILA LINS. médico, professor universitário e pesquisador de história, nasceu na capital paraibana em 26 de novembro de 1941, filho do também médico e professor universitário Dr. Antonio D’Avila Lins (in memoriam), um dos fundadores do ensino médico na Paraíba, e de D. Helena da Silveira D’Avila Lins (in memoriam), nona neta de Duarte Gomes da Silveira, um dos heróis da conquista da Paraíba em 1585. Casado com a Dra. Rita Maria Cury D’Avila Lins, natural da cidade de Ponta Grossa (PR), médica, psicanalista, filiada à International Psychoanalytical Association (IPA), de cujo matrimônio nasceu Eduardo Cury d’Avila Lins, Bacharel em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Anhembi-Morumbi (SP) com curso de redação publicitária pela Miami ad School ESPM (SP).

Até o quarto ano primário estudou em escola particular, inicialmente, por muito pouco tempo, com D. Camerina Bezerra Cavalcanti e a seguir com D. Francisca de Ascensão Cunha, ambas Professoras Catedráticas, já então aposentada, da antiga Escola Normal da capital paraibana. Na mesma cidade cursou o quinto ano primário no Colégio Pio X (Marista), onde prestou o exame de admissão ao curso ginasial, todo ele cursado lá mesmo. Daí transferiu-se para o Liceu Paraibano onde permaneceu durante todo o primeiro ano colegial (científico). A seguir transferiu-se mais uma vez, então com bolsa de estudos, para o velho Colégio Pedro II (Internato) no Rio de Janeiro, onde concluiu o curso colegial obtendo o título de Bacharel em Ciências e Letras conferido por esse educandário.


Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tendo colado grau de Médico em 1968. Após breve permanência na sua cidade natal rumou para São Paulo (capital) fixando aí residência durante muitos anos, onde passou a exercer a profissão médica e onde fez vários cursos de pós-graduação Lato Sensu e Strictu Sensu, além de várias dezenas de cursos de extensão de curta duração. Seus estudos primários foram feitos com a professora Camerina Bezerra Cavalcanti e Francisca de Ascensão Camarão da Cunha. No Colégio Pio X concluiu o curso ginasial. Cursou a primeira série do curso científico no Liceu Paraibano e as demais séries no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Cursou Medicina na Universidade Federal da Paraíba, onde se formou em 1968.


Fez vários cursos de pós-graduação em gastroenterologia em nível de mestrado e doutorado, em São Paulo. Participou de inúmeros cursos de extensão universitária, simpósios, conferências, etc. Seu vasto currículo na área de Medicina registra a apresentação de várias teses e trabalhos publicados em revistas científicas do país. Exerceu a medicina em São Paulo, por vários anos, e, retornando a João Pessoa, lecionou na Universidade Federal da Paraíba, tendo ocupado várias chefias no Hospital Universitário, onde prestou serviço até a sua aposentadoria.


Na área de História, é um estudioso do período colonial da Paraíba, com mais de 30 anos de pesquisa nesse setor. Entre as várias publicações de sua autoria, podemos citar; O Centenário do Dr. José D’Avila Lins; Levantamento das Publicações dos Diálogos da Grandeza do Brasil, com algumas notas sobre o mais provável autor; João Afonso Pamplona – A instituição do nome que foi o primeiro proprietário de terra da Capitania da Paraíba; Dr. Guilherme Gomes da Silveira – Nótula Genealógica e Biográfica; O Fracasso Holandês na Capitania da Paraíba em 1631; Revisão e Retificação dos sucessivos nomes oficiais da Capital da Paraíba ao longo do tempo; Página da História da Paraíba, no qual faz um estudo profundo sobre a fundação dos dois primeiros engenhos da Paraíba.


Tem ainda a publicar vários trabalhos, destacando-se Gravetos de História, um alentado estudo sobre o Sumário das Armadas, em três volumes. Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano no dia 9 de julho de 1999.


É Membro Efetivo da Academia Paraibana de Filosofia (APF), Membro Titular da Academia Paraibana de Medicina (APMED), Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional da Paraíba (SOBRAMES-PB), Membro Efetivo da União Brasileira de Escritores – Núcleo da Paraíba (UBE-PB) e Membro Fundador da Academia de Letras e Artes do Nordeste – Núcleo da Paraíba (ALANE-PB). Finalmente, no dia 15 de janeiro de 2008 foi eleito Membro Efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL), onde a 09 de maio de 2008 tomou posse da Cadeira N.º 19 (Patrono: Irineu Ferreira Pinto; Fundador: Dr. Durwal Cabral de Almeida e Albuquerque; primeiro sucessor: Dr. Amaury Araújo de Vasconcelos), ocasião em que proferiu o discurso intitulado Imortalidade, uma idealização do ser humano, tendo sido saudado pelo Acadêmico Dr. Manuel Batista de Medeiros.

 

Do livro Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba

 

 

CLEMENTINO GOMES PROCÓPIO - Camilo Macedo



 NOMES QUE FIZERAM E FAZEM A HISTÓRIA DA PARAÍBA - Autor - Camilo Macedo

CLEMENTINO GOMES PROCÓPIO -

O Professor Clementino Procópio, foi um dos grandes baluartes da educação campinense, mesmo não sendo natural da cidade. Oriundo de Bom Jardim, Pernambuco, Professor Clementino Procópio como ficou conhecido, nasceu em 06 de março de 1855. Seu pai era Lourenço Gomes Procópio e sua mãe, Maria Francisco de Brito. Fez Seminário em 1874, porém, não seguiu na Igreja. Morando em Taperoá-PB, veio para Campina Grande no ano de 1877, após uma grande seca ocorrida na Paraíba.


Em Campina, fundou a 05 de julho de 1878, o Colégio São José, localizado a Rua Dom Pedro I, onde hoje se localiza o Quartel de Polícia no Bairro de São José. Como disse Epaminondas Câmara em seu livro Datas Campinenses, “o colégio funcionava sem conforto, fora da cidade”, demonstrando como Campina Grande ainda não era tão grande assim. Todavia, o estabelecimento de ensino marcou época durante mais de 30 anos, sendo alicerce de educação para vários alunos de peso da sociedade paraibana, a exemplo de Argemiro de Figueiredo, Mauro Luna, dentre outros. O jornalista Eurípedes de Oliveira, ex-aluno de Clementino Procópio, relatou em crônica ao Jornal da Paraíba cujo texto, André de Sena transcreveu no livro “Eurípedes Oliveira, jornalista e construtor de Açudes”:


“O mobiliário escolar se compunha de uns bancos de madeira para grupos de cinco ou mais alunos conforme a freqüência. Num dos cantos lá do fundo estava uma jarra com água e alguns copos de flandres. A classe mais adiantada ficava sentada diante de uma mesa larga e comprida onde fazíamos nossos trabalhos de escrita logo que chegávamos. O professor sentava a sua cabeceira, pondo diante de si a palmatória.
Poucas semanas depois eu recebi, cheio de orgulho, o lugar de decurião. Era o premio ao aluno mais cuidadoso e tinha o privilégio de ficar respondendo pelo professor nas suas raras ausências da sala... Começamos as aulas fazendo a escrita ditada ou copiada e nela mesma fazíamos a análise gramatical dum trecho marcado. Depois, enquanto o professor corrigia as escritas, ficávamos estudando as lições do dia... Terminada a correção da escrita ele fazia a chamada. Um a um, íamos receber as notas. Se fosse má, estirávamos a mão e recebíamos dois bolos de palmatória; péssima, receberíamos quatro a teríamos que refazer tudo de novo. Se estivesse certa, ele marcava outra para o dia seguinte.


Depois da escrita era a vez das lições decoradas. Entregávamos o livro com a lição marcada do dia anterior e ficávamos diante dele (Clementino Procópio), de pé, com os braços caídos ao longo do corpo e recitávamos todas as palavras ali impressas, sem esquecer pontuação, notas ou exemplos. Terminada a prova, os bolos de palmatória, dois ou quatro, conforme a nota recebida e voltávamos a estudar até saber recitar tudo na ponta da língua; ás vezes ele voltava às páginas e apenas dizia as primeiras palavras do trecho que nós teríamos de continuar recitando para provar que não tínhamos esquecido as lições anteriores.


Aos sábados havia a sabatina. A classe formava um círculo, ele ao centro, com a palmatória nos joelhos, contava salteado, ora para um, ora para o outro lado, a fim de nos manter atentos a perguntava: o que é verbo? Ou, quantos são os pontos cardeais? Diga a regra para extrair uma raiz quadrada. Onde fica o Cabo da Boa Esperança? Qual é maior, um ângulo agudo ou um ângulo obtuso? Se o aluno titubeava, ele apontava para outro dizendo: ‘ adiante, adiante, adiante, adiante!’, até encontrar quem desse a resposta certa.


Então ele entregava a palmatória e o acertador corria a fila e dava um bolo em cada um dos que estivessem errados. Ai dele, se por descuido ou camaradagem desse um bolo pequeno; ele [o professor] tomava a palmatória e lhe dava um bolo exemplar para não dar mais bolo de compadre. O esforço era grande, pois ninguém gostava de apanhar e era preferível estar preparado para dar em vez de sofrer. Nas nossas reuniões, fazíamos as contas e os que mais davam apontados como bons alunos (...)” (SENA,1999, p.39/40)” Antes de adentrar ao Século 20, Clementino Procópio se envolveria em confusão com o Presidente do Estado da Paraíba. Clementino Procópio também se envolveria com a política, sendo membro do Partido Conservador e exercendo também o jornalismo político.


Este fato inclusive, influenciou seu filho Severino Procópio, que seria prefeito de Campina Grande por duas ocasiões. O dia 27 de maio de 1935 marcou o falecimento de Clementino Procópio. Foi alvo de várias homenagens na cidade, inclusive de Argemiro Figueiredo seu ex-aluno, que na época era o Governador do Estado. Mauro Luna, outro aluno, no dia do enterro disse a seguinte frase: “Clementino preparou espíritos capazes de conviver com o futuro”.Segundo Moacir Andrade em seu livro Vultos Paraibanos, “a banda de música posta em frente ao Cine Fox, tocou uma marcha fúnebre, e dois mil escolares formados, receberam o velho mestre inanimado com silêncio profundo”. Clementino Procópio foi sepultado no cemitério do Monte Santo, com todas as honras merecidas. Atualmente, uma das principais praças de Campina Grande se chama “Clementino Procópio”.

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