IVAN BEZERRA DE ALBUQUERQUE - Camilo Macedo



 IVAN BEZERRA DE ALBUQUERQUE - nasceu no dia 23 de novembro de 1932, em Itabaiana, interior paraibano, Na adolescência tomava conta de um salão de sinuca e ajudava o pai na loja da fábrica de colchões da família. Sonhava ser músico e estudou com seu conterrâneo Sivuca. Ivan, participou da banda de música da cidade como clarinetista. casado com Maria Dulce, pai de sete filhos: Ivan Júnior, Ivanaldo, Ivanildo, Ivando, Ivana, Ana Maria e Maria Ivone, e avô de oito netos.

Com quatro anos de idade, foi levado por sua mãe até a capital para fazer tratamento do olho direito, sendo examinado pelo Dr. Seixas Maia, para surpresa da família, Ivan Bezerra possuía um tumor interno no globo ocular, sendo em seguida submetido a uma cirurgia, diante do estado avançado acabou perdendo um olho. Em 1950, após receber o primeiro pagamento como músico foi passar férias na casa da avó em João Pessoa, cidade onde passou a residir desde então.


Mas a mudança definitiva para a capital paraibana não foi planejada. Um tio de Ivan Bezzera era funcionário do D.E.R. (Departamento de Estradas e Rodagens) e conseguiu um emprego para ele.


Em 1952, era participante assíduo da roda de bate-papo no Ponto de Cem Reis, onde se destacava com seus comentários abalizados; Ivan Bezerra foi apresentado por Arnaldo Júnior a Otinaldo Lourenço, que lhe convidou para ingressar na rádio Arapuan como noticiarista, tempo depois pelos braços de Clóvis Bezerra entrou na rádio Tabajara, onde se firmou definitivamente como comentarista esportivo.


Trabalhou ainda na rádio Correio, Sanhauá, FM 103 O Norte, e jornais impressos: A União, Tribuna do Povo e Correio da Paraíba. Filho de um mascate com uma professora, sonhava ser músico da Orquestra Tabajara. O que conseguiu foi ser o segundo clarinetista da banda local; funcionário público aposentado do DENIT é comentarista esportivo da rádio Tabajara. Em 1953, Bezerra passou a fazer parte da Rádio Tabajara AM, emissora na qual teve início a carreira como comentarista ao substituir Virgílio Andrade na cobertura de um jogo entre Auto Esporte, de João Pessoa e Náutico do Recife, e de lá para cá nunca deixou o rádio esportivo.


Torcedor do Santos Futebol Clube do saudoso Tereré, e do Clube de Regatas Flamengo, Ivan Bezerra foi árbitro de futebol de salão da Federação Atlética Paraibana, chegando a fazer parte do quadro de arbitragem da CBD - Confederação Brasileira de Desportos. Sócio fundador da ACEP - Associação dos Cronistas Esportivos da Paraíba, o radialista Ivan Bezerra faz parte de todas as diretorias desde a fundação, sendo presidente da entidade por dois mandatos, hoje é membro do Conselho Superior da entidade, homenageado pelos companheiros da ACEP, o estádio de futebol da agremiação leva o seu nome.


Homem de conhecimento notável, Ivan Bezerra gosta de compartilhar as glórias com os amigos, tem consideração com todos, e nos seus comentários faz questão de preservar a parcialidade. Conquistou mais de 100 prêmios, inclusive recebendo os títulos de cidadão Pirariense, Pessoense e Cabedelense. Ivan Bezerra joga Biriba (carteado) desde 1964, entre seus companheiros está o Desembargador Emilio de Farias, Chico Bala e o casal Assis e Alice. Ele faz questão de afirmar, que durante a prática do carteado não existe consumo de cigarro, bebida alcoólica, nem tampouco se joga apostado, o jogo serve apenas de lazer para todos.


Considerado o melhor comentarista esportivo da Paraíba, o “Campeão de Audiência”, como é carinhosamente chamado. Para Ivan Bezerra, um momento que marcou a sua carreira foi ter participado em 1990, com os radialistas Adamastor Chaves e Paulo Costa, da transmissão do jogo dos 50 anos de Pelé, fato ocorrido no estádio Giuseppe Meazza, na cidade de Milão na Itália. “Um ser humano como outro qualquer que procura viver até quando Deus quiser, procurando sempre fazer amigos, tenho a minha opinião e respeito à de todos”, confidenciou Ivan Bezerra.

 

Do livro: Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba de Camilo Macedo

 

 

ITAPUAN BÔTTO TARGINO - Camilo Macedo




ITAPUAN BÔTTO - Itapuan Bôtto Targino nasceu no dia 10 de maio de 1938, na cidade de João Pessoa, Paraíba, filho de Ananias Targino F. Pontes e Maria da Penha Bôtto de Menezes. É casado com Regina Rodrigues Bôtto Targino, de cujo consórcio tem os filhos Marieta, Estevam e Itapuan Filho. Fez seus estudos primários na Escola da professora Maria Adelina Barbosa, o ginasial no Colégio Pio X e concluiu o colegial no Liceu Paraibano, em 1955. Titulou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Paraíba, em 1960, e se formou em Licenciatura em Pedagogia (Habilitação em Administração Escolar) pelo Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba, em 1975.


Ingressou no magistério em 1962, lecionando, na Escola Técnica de Comércio Assis Vidal, as disciplinas História Econômica, Geografia Humana e Legislação Aplicada; foi professor de Didática nos Institutos Paraibanos de Educação (IPÊ); ensinou Direito e Legislação no Colégio Nossa Senhora de Lourdes; na Universidade Federal da Paraíba, lecionou Legislação do Trabalho, no Curso de Auxiliar de Enfermagem do Trabalho; e Legislação do Ensino e Estrutura e funcionamento do Ensino de 1º e 2º Graus, no Centro de Educação; lecionou Educação Moral e Cívica e Organização e Normas na Escola Técnica Federal da Paraíba – ETFPB.


Possui os cursos de Relações Humanas e Técnicas em Comunicação (Conselho Estadual de Desenvolvimento), 1960/1963; Administradores para Formação Profissional (Fundação Getúlio Vargas – Rio), 1968; Gestão de Centros de Formação Profissional (Cintefor/Cenafor-São Paulo), 1982; Treinamento Prático sobre Educação Vocacional e Industrial (Oswego University, New York, USA), 1969; Administração Financeira (MEC, Fortaleza), 1971.


Entre os cargos exercidos, destacam-se: Diretor da Escola Técnica Federal da Paraíba, 1964-1983; Secretário Municipal de Educação e Cultura, João Pessoa, 1983-85 e 1992; Supervisor das Escolas Técnicas Federais, MEC, Brasília, 1969; Oficial de Gabinete do Prefeito Municipal de João Pessoa, 1959; Representante do MEC junto aos Conselhos Regionais do SENAI e SENAC, em Campina Grande e João Pessoa, 1967-72 e 1973/74, e 1973-83, respectivamente; Secretário Geral do Poder Legislativo da Paraíba, 1993-95; Presidente da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (FUNESC), 1995; membro do Conselho Estadual de Cultura da Paraíba; Chefe do Cerimonial do Governo do Estado da Paraíba; Diretor Executivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba.


Possui várias condecorações: Diploma de Menção Honrosa (Conselho Estadual de Cultura), 1970; Medalha Nilo Peçanha, MEC, 1976; Medalha do Sesquicentenário de D. Pedro II, Colégio D. Pedro II, Rio, 1976; Medalha Professora Margarida Schivasappa, Escola Técnica Federal do Pará, 1978; Medalha Escola Técnica do Ceará, Fortaleza, 1979; Medalha de Honra ao Mérito, Escola Técnica Federal do Mato Grosso, Cuiabá, 1979; Medalha do Mérito Tamandaré, Ministério da Marinha, 1983; Medalha Alcides Carneiro, Campanha Nacional das Escolas da Comunidade, 1984; é Cidadão Honorário das cidades de Itaporanga e Picuí e Benemérito da cidade de João Pessoa; possui a Comenda do Mérito Cultural “José Maria dos Santos”, outorgada pelo Instituto Histórico e Geográfico Paraibano.


Já publicou mais de dez obras, dentre outras “Manual do Cerimonial”, “A propósito da educação” e “100 anos do Ensino Fundamental Brasileiro”. São 57 textos que apresentam o pensamento e as impressões do autor sobre os mais variados temas. Segundo o prefaciador, ao fazer a organização dos temas desenvolvidos na obra, Itapuan reflete sobre a vida em exercício permanente, visando ao aperfeiçoamento do ser humano por meio da cultura e abrindo uma nova trilha no campo da formação cultural pedagógica brasileira.


Trabalhos publicados: A Verdade de um Homem Público, 1985; A Propósito de Educação, 1985; Apontamentos de Legislação de Ensino, 1978; Estudos de Recuperação – uma experiência, 1975; Educação Artística - o canto coral nas Escolas Técnicas, 1978; Olavo Bilac e o Serviço Militar Obrigatório, 1978; Escolas Técnicas – Instrumento de Progresso e Desenvolvimento, 1978 Por uma educação integral, 1980; Subsídios para Fixação de Critérios na Distribuição de Recursos às Escolas Técnicas, 1980; A educação como instrumento de Reconstrução Nacional, 1980; Preservação do Patrimônio Ferroviário – As Estações de trem da Paraíba, 2001; Anísio Teixeira – Educador do Século XX, 2001; O Centro Histórico de São João do Rio do Peixe, 2002; Patrimônio Histórico da Paraíba – 2000 – 2002, 2003; Cartilha do Patrimônio – Centro Histórico de João Pessoa, 2003; Município, Municipalismo e Descentralização, 2004: Assim eu disse..., 2005. Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano no dia 18 de julho de 1996.

 

Do livro: Pessoas que fizeram e fazem a história da Paraíba

JOSÉ EDILBERTO COUTINHO - Camilo Macedo



 JOSÉ EDILBERTO COUTINHO: Nasceu em 28 de setembro de 1938, na cidade de Bananeiras, Estado da Paraíba e faleceu na cidade do Recife, em 1995.Era filho do Dr. Francisco Coutinho Filho e D. Otília Cirne Coutinho. Passou a infância e a juventude em constantes mudanças entre os Estados de Pernambuco e Paraná, acompanhando o pai que, sendo funcionário federal, estava sempre prestando serviço a qualquer Estado para o qual fosse designado. Era formado em Direito pela Faculdade do recife, porém, nunca exerceu a profissão de advogado. Sempre teve atração para as letras, principalmente, pelo folclore nordestino, influenciado que era pelas histórias do cotidiano desse povo que lhe eram contadas pelo pai, folclorista de renome.


Era jornalista, diplomado pelo World Press Institute (Instituto Mundial de Imprensa) dos Estados Unidos, tendo escrito nos principais jornais e revistas do Brasil. Durante algum tempo, foi correspondente, na Europa, do Jornal do Brasil e da Revista Manchete e, nos Estados Unidos, dos Diários Associados (O Jornal e O Cruzeiro). Em 1970, transferiu-se, definitivamente, para o Rio de Janeiro. Pela atuação nos meios intelectuais e literários, Edilberto conquistou vários prêmios, tanto no Brasil como no exterior, entre os quais, destacamos: Ensaios de Jornalismo Literário e de Ficção, conferido pela Academia Brasileira de Letras; Crítica Literária, da Associação Paulista de Críticos de Arte;Estudos Brasileiros de Ficção, da Fundação Cultural de Brasília-Conselho Federal de Cultura; Ensaio Biográfico, da Associação Brasileira de Crítica Literária; Ficção, da Fundação de Las Americas, Havana;Maracanã, adeus, na tradução francesa de Jacques Theriot, sob o título Onze au maracanã – Le grand Prix Cultural Latin, Paris, 1986.


Edilberto Coutinho era escritor, jornalista e professor universitário. Era sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano e membro da Academia Brasileira de Literatura. Ingressou na Academia Paraibana de Letras, em 28 de maio de 1982, recepcionado pela acadêmica Elizabeth Marinheiro. Bibliografia: Onda boiadeira e outros contos; Recife, 1954; Contos II, Recife, 1957; Erotismo noromance brasileiro, anos 30 a 60, Rio, 1967; Rondon e a integração amazônica, São Paulo, 1968;Rondon, o civilizador da última fronteira, Rio, 1969; Presença política no Recife, São Paulo, 1969;José Lins do Rego, Brasília 1971; Um negro vai à forra (contos); São Paulo, 1977; Sangue na praça(contos), 1979; Criaturas de papel, Rio, 1980; Maracanã, adeus (onze histórias de futebol), Rio de Janeiro, 1980; Erotismo no conto brasileiro; Rio, 1980; O romance do açúcar: José Lins do Rego, vida e obra, Rio, 1980; Memória demolida (ensaio), Recife: Ed. Piratas, 1982; O jogo terminado(seleta de contos), 1983; O livro de Carlos (Carlos Pena Filho, poesia e vida), Rio, 1983; A imaginação do real, Rio, 1983. Obra póstuma: Bar Savoy.

 

Do livro a ser lançado: Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba

GUILHERME GOMES DA SILVEIRA D’AVILA LINS. - Camilo Macedo



 GUILHERME GOMES DA SILVEIRA D’AVILA LINS. médico, professor universitário e pesquisador de história, nasceu na capital paraibana em 26 de novembro de 1941, filho do também médico e professor universitário Dr. Antonio D’Avila Lins (in memoriam), um dos fundadores do ensino médico na Paraíba, e de D. Helena da Silveira D’Avila Lins (in memoriam), nona neta de Duarte Gomes da Silveira, um dos heróis da conquista da Paraíba em 1585. Casado com a Dra. Rita Maria Cury D’Avila Lins, natural da cidade de Ponta Grossa (PR), médica, psicanalista, filiada à International Psychoanalytical Association (IPA), de cujo matrimônio nasceu Eduardo Cury d’Avila Lins, Bacharel em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Anhembi-Morumbi (SP) com curso de redação publicitária pela Miami ad School ESPM (SP).

Até o quarto ano primário estudou em escola particular, inicialmente, por muito pouco tempo, com D. Camerina Bezerra Cavalcanti e a seguir com D. Francisca de Ascensão Cunha, ambas Professoras Catedráticas, já então aposentada, da antiga Escola Normal da capital paraibana. Na mesma cidade cursou o quinto ano primário no Colégio Pio X (Marista), onde prestou o exame de admissão ao curso ginasial, todo ele cursado lá mesmo. Daí transferiu-se para o Liceu Paraibano onde permaneceu durante todo o primeiro ano colegial (científico). A seguir transferiu-se mais uma vez, então com bolsa de estudos, para o velho Colégio Pedro II (Internato) no Rio de Janeiro, onde concluiu o curso colegial obtendo o título de Bacharel em Ciências e Letras conferido por esse educandário.


Ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), tendo colado grau de Médico em 1968. Após breve permanência na sua cidade natal rumou para São Paulo (capital) fixando aí residência durante muitos anos, onde passou a exercer a profissão médica e onde fez vários cursos de pós-graduação Lato Sensu e Strictu Sensu, além de várias dezenas de cursos de extensão de curta duração. Seus estudos primários foram feitos com a professora Camerina Bezerra Cavalcanti e Francisca de Ascensão Camarão da Cunha. No Colégio Pio X concluiu o curso ginasial. Cursou a primeira série do curso científico no Liceu Paraibano e as demais séries no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Cursou Medicina na Universidade Federal da Paraíba, onde se formou em 1968.


Fez vários cursos de pós-graduação em gastroenterologia em nível de mestrado e doutorado, em São Paulo. Participou de inúmeros cursos de extensão universitária, simpósios, conferências, etc. Seu vasto currículo na área de Medicina registra a apresentação de várias teses e trabalhos publicados em revistas científicas do país. Exerceu a medicina em São Paulo, por vários anos, e, retornando a João Pessoa, lecionou na Universidade Federal da Paraíba, tendo ocupado várias chefias no Hospital Universitário, onde prestou serviço até a sua aposentadoria.


Na área de História, é um estudioso do período colonial da Paraíba, com mais de 30 anos de pesquisa nesse setor. Entre as várias publicações de sua autoria, podemos citar; O Centenário do Dr. José D’Avila Lins; Levantamento das Publicações dos Diálogos da Grandeza do Brasil, com algumas notas sobre o mais provável autor; João Afonso Pamplona – A instituição do nome que foi o primeiro proprietário de terra da Capitania da Paraíba; Dr. Guilherme Gomes da Silveira – Nótula Genealógica e Biográfica; O Fracasso Holandês na Capitania da Paraíba em 1631; Revisão e Retificação dos sucessivos nomes oficiais da Capital da Paraíba ao longo do tempo; Página da História da Paraíba, no qual faz um estudo profundo sobre a fundação dos dois primeiros engenhos da Paraíba.


Tem ainda a publicar vários trabalhos, destacando-se Gravetos de História, um alentado estudo sobre o Sumário das Armadas, em três volumes. Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano no dia 9 de julho de 1999.


É Membro Efetivo da Academia Paraibana de Filosofia (APF), Membro Titular da Academia Paraibana de Medicina (APMED), Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional da Paraíba (SOBRAMES-PB), Membro Efetivo da União Brasileira de Escritores – Núcleo da Paraíba (UBE-PB) e Membro Fundador da Academia de Letras e Artes do Nordeste – Núcleo da Paraíba (ALANE-PB). Finalmente, no dia 15 de janeiro de 2008 foi eleito Membro Efetivo da Academia Paraibana de Letras (APL), onde a 09 de maio de 2008 tomou posse da Cadeira N.º 19 (Patrono: Irineu Ferreira Pinto; Fundador: Dr. Durwal Cabral de Almeida e Albuquerque; primeiro sucessor: Dr. Amaury Araújo de Vasconcelos), ocasião em que proferiu o discurso intitulado Imortalidade, uma idealização do ser humano, tendo sido saudado pelo Acadêmico Dr. Manuel Batista de Medeiros.

 

Do livro Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba

 

 

CLEMENTINO GOMES PROCÓPIO - Camilo Macedo



 NOMES QUE FIZERAM E FAZEM A HISTÓRIA DA PARAÍBA - Autor - Camilo Macedo

CLEMENTINO GOMES PROCÓPIO -

O Professor Clementino Procópio, foi um dos grandes baluartes da educação campinense, mesmo não sendo natural da cidade. Oriundo de Bom Jardim, Pernambuco, Professor Clementino Procópio como ficou conhecido, nasceu em 06 de março de 1855. Seu pai era Lourenço Gomes Procópio e sua mãe, Maria Francisco de Brito. Fez Seminário em 1874, porém, não seguiu na Igreja. Morando em Taperoá-PB, veio para Campina Grande no ano de 1877, após uma grande seca ocorrida na Paraíba.


Em Campina, fundou a 05 de julho de 1878, o Colégio São José, localizado a Rua Dom Pedro I, onde hoje se localiza o Quartel de Polícia no Bairro de São José. Como disse Epaminondas Câmara em seu livro Datas Campinenses, “o colégio funcionava sem conforto, fora da cidade”, demonstrando como Campina Grande ainda não era tão grande assim. Todavia, o estabelecimento de ensino marcou época durante mais de 30 anos, sendo alicerce de educação para vários alunos de peso da sociedade paraibana, a exemplo de Argemiro de Figueiredo, Mauro Luna, dentre outros. O jornalista Eurípedes de Oliveira, ex-aluno de Clementino Procópio, relatou em crônica ao Jornal da Paraíba cujo texto, André de Sena transcreveu no livro “Eurípedes Oliveira, jornalista e construtor de Açudes”:


“O mobiliário escolar se compunha de uns bancos de madeira para grupos de cinco ou mais alunos conforme a freqüência. Num dos cantos lá do fundo estava uma jarra com água e alguns copos de flandres. A classe mais adiantada ficava sentada diante de uma mesa larga e comprida onde fazíamos nossos trabalhos de escrita logo que chegávamos. O professor sentava a sua cabeceira, pondo diante de si a palmatória.
Poucas semanas depois eu recebi, cheio de orgulho, o lugar de decurião. Era o premio ao aluno mais cuidadoso e tinha o privilégio de ficar respondendo pelo professor nas suas raras ausências da sala... Começamos as aulas fazendo a escrita ditada ou copiada e nela mesma fazíamos a análise gramatical dum trecho marcado. Depois, enquanto o professor corrigia as escritas, ficávamos estudando as lições do dia... Terminada a correção da escrita ele fazia a chamada. Um a um, íamos receber as notas. Se fosse má, estirávamos a mão e recebíamos dois bolos de palmatória; péssima, receberíamos quatro a teríamos que refazer tudo de novo. Se estivesse certa, ele marcava outra para o dia seguinte.


Depois da escrita era a vez das lições decoradas. Entregávamos o livro com a lição marcada do dia anterior e ficávamos diante dele (Clementino Procópio), de pé, com os braços caídos ao longo do corpo e recitávamos todas as palavras ali impressas, sem esquecer pontuação, notas ou exemplos. Terminada a prova, os bolos de palmatória, dois ou quatro, conforme a nota recebida e voltávamos a estudar até saber recitar tudo na ponta da língua; ás vezes ele voltava às páginas e apenas dizia as primeiras palavras do trecho que nós teríamos de continuar recitando para provar que não tínhamos esquecido as lições anteriores.


Aos sábados havia a sabatina. A classe formava um círculo, ele ao centro, com a palmatória nos joelhos, contava salteado, ora para um, ora para o outro lado, a fim de nos manter atentos a perguntava: o que é verbo? Ou, quantos são os pontos cardeais? Diga a regra para extrair uma raiz quadrada. Onde fica o Cabo da Boa Esperança? Qual é maior, um ângulo agudo ou um ângulo obtuso? Se o aluno titubeava, ele apontava para outro dizendo: ‘ adiante, adiante, adiante, adiante!’, até encontrar quem desse a resposta certa.


Então ele entregava a palmatória e o acertador corria a fila e dava um bolo em cada um dos que estivessem errados. Ai dele, se por descuido ou camaradagem desse um bolo pequeno; ele [o professor] tomava a palmatória e lhe dava um bolo exemplar para não dar mais bolo de compadre. O esforço era grande, pois ninguém gostava de apanhar e era preferível estar preparado para dar em vez de sofrer. Nas nossas reuniões, fazíamos as contas e os que mais davam apontados como bons alunos (...)” (SENA,1999, p.39/40)” Antes de adentrar ao Século 20, Clementino Procópio se envolveria em confusão com o Presidente do Estado da Paraíba. Clementino Procópio também se envolveria com a política, sendo membro do Partido Conservador e exercendo também o jornalismo político.


Este fato inclusive, influenciou seu filho Severino Procópio, que seria prefeito de Campina Grande por duas ocasiões. O dia 27 de maio de 1935 marcou o falecimento de Clementino Procópio. Foi alvo de várias homenagens na cidade, inclusive de Argemiro Figueiredo seu ex-aluno, que na época era o Governador do Estado. Mauro Luna, outro aluno, no dia do enterro disse a seguinte frase: “Clementino preparou espíritos capazes de conviver com o futuro”.Segundo Moacir Andrade em seu livro Vultos Paraibanos, “a banda de música posta em frente ao Cine Fox, tocou uma marcha fúnebre, e dois mil escolares formados, receberam o velho mestre inanimado com silêncio profundo”. Clementino Procópio foi sepultado no cemitério do Monte Santo, com todas as honras merecidas. Atualmente, uma das principais praças de Campina Grande se chama “Clementino Procópio”.

Dorgival Terceiro Neto - Camilo Macedo



 DORGIVAL TERCEIRO NETO- nasceu na Fazenda Santa Maria, em Taperoá, Paraíba, no dia 12 de setembro de 1932 e faleceu em 12 de abril de 2013 - filho de Melquíades Vilar e Eliza Vilar. Fez os cursos de admissão e ginasial no Ginásio Diocesano de Patos, entre 1945 e 1949, no ano de 1950, seguiu para a cidade de João Pessoa, onde fez curso clássico no Liceu Paraibano (1950/52). Em 1957, bacharelou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Paraíba. Sua passagem como redator de A União, na década de 50, é uma lembrança que faz questão de preservar, como uma das melhores épocas de sua vida.


Começou a vida profissional no Departamento de Estradas de Rodagem (DER) como auxiliar de escritório, ascendendo a escriturário, Chefe de Pessoal, Assessor Administrativo e Procurador. Posteriormente, passou a atuar no Tribunal de Justiça como Subsecretário, em substituição ao titular; Secretário Geral da UFPB, antes de sua federalização, no Reitorado do Professor Mário Moacyr Porto, tendo Dorgival contribuído para a concretização do enquadramento da entidade como órgão federal, na instrumentação dos expedientes referentes ao ato.

Exerceu a função de Assessor Especial do antigo Conselho Estadual de Desenvolvimento; Diretor de Crédito de Fomento do Banco do Estado da Paraíba, tendo implantado as Carteiras Especializadas de Crédito Rural, Crédito Industrial e de Operações Especiais; Procurador do Estado da Paraíba; Professor de Direito Civil e de Direito Agrário da UFPB; Prefeito da cidade de João Pessoa; Vice-Governador e, depois, Governador do Estado no período agosto/78 a março/79. Sua carreira na política paraibana tem início no ano de 1971, quando foi nomeado pelo então governador Ernâni Sátiro, prefeito de João Pessoa. Em 1974, terminando seu mandato de prefeito, é eleito indiretamnete vice-governador juntamente com o governador Ivan Bichara, assumindo o cargo de governador em 14 de agosto de 1978 a 15 de março de 1979, passando o cargo para Tarcísio Burity. Deixando o governo, passa a trabalhar no jornal A União e torna-se membro da Academia Paraibana de Letras.


Aposentado do serviço público é advogado militante e jornalista. No jornal A União, foi redator, redator-chefe, secretário e diretor eventual; dedica-se à pesquisa histórica, publicando seus trabalhos na imprensa local. Como professor da Universidade Federal da Paraíba publicou o livro didático Noções preliminares de Direito Agrário, já na 3ª. edição, compêndio também adotado nos Institutos Paraibanos de Educação e na Universidade de Campina Grande.


Assumiu a cadeira de número 07 na Academia Paraibana de Letras, em 17 de junho de 1999, tendo como patrono Arthur Achiles. Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano no dia 29 de janeiro de 1993, sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte. Recebeu a Comenda do Mérito Cultural “José Maria dos Santos”, conferida pelo IHGP, e a Medalha José Américo, conferida pela Fundação Casa de José Américo.


Obras - “Noções preliminares de Direito Agrário”, “Gente de ontem, história de sempre”, “Paraíba de ontem, evocações de hoje” e “Taperoá - crônica para a sua história. Discurso de posse no IHGP. João Pessoa, s/ed., 1993; Discurso de posse na APL. João Pessoa, s/ed., 1999; Celso Mariz. João Pessoa, Empório dos Livros, 1999; Paraíba de Ontem, Evocações de Hoje. João Pessoa, Gráfica Santa Marta, 1999; Taperoá – crônica para a sua história. João Pessoa, Unipê Editora, 2002; Gente de Ontem, história de sempre, coletânea de reportagens sobre fatos merecedores de registro a posteridade.


DUARTE GOMES DA SILVEIRA – nasceu em Olinda, 1555 — feleceu na cidade da Paraíba (Filipeia, 1644), também citado como «Marquês da Copaoba», Cadou-se com Dona Fulgência Tavare, foi um administrador colonial e rico senhor de engenho luso-brasileiro da capitania da Paraíba no século XVI - herói da conquista da Paraíba. Duarte da Silveira construiu com recursos próprios, ainda no século XVI, a Igreja da Misericórdia, onde, após a morte, foram depositados os restos mortais dele e de sua esposa.


Duarte Gomes da Silveira foi um dos principais signatários da conquista e consolidação daCapitania Real da Paraíba, ainda em fins do século XVI. Duarte conheceu, em vida, as duas faces da moeda: da glória do herói ao seu antônimo. Se de um lado é tido como benemérito fundador da Casa de Misericórdia da cidade de Nossa Senhora das Neves, instituidor do Morgado do Salvador do Mundo e homem que não media esforços para o desenvolvimento da cidade, inclusive concorrendo com prêmios aos moradores da cidade, para que edificassem casas de térreo ou assobradado; por outro, tem também seu nome registrado na história como falsário e sonegador de impostos, além de colaborador dos invasores holandeses.


Duarte da Silveira, comandou o Forte de Santo Antonio, na tentativa de evitar a invasão holandesa, em 1631, Era rico proprietário de terras na Paraíba, quando da invasão, conveceu a muitos moradores a aceitar as exigências dos holandeses, evitando assim a perda de tudo, através do saque. Morava em seu palacete, ao lado da catedral hoje basílica, onde funcionou por muitos anos o Colégio N.S. das Neves.


Considerado, ao lado de Frutuoso Barbosa, Martim Leitão, cacique Piragibe e João Tavares, um dos cinco heróis da conquista da Paraíba, distinguiu-se pelo estímulo oferecido ao povoamento da nascente capitania, fosse desenvolvendo a cultura açucareira ao longo das várzeas do rio Paraíba, fosse oferecendo prêmios a quem edificasse casas na cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves. Viveu o bastante para presenciar a invasão holandesa de 1634-54, tendo sido aprisionado pelos flamengos, após ter-lhes emprestado colaboração. Foi sepultado na Igreja da Misericórdia, no centro de João Pessoa, igreja por ele construída em 1595.

GONZAGA RODRIGUES - Camilo Macedo



 CONZAGA RODRIGUES – Luiz Consaga Rodrigues - nasceu em Alagoa Nova, filho único de Manuel Avelino Rodrigues e Dona Antonina Freire Rodrigues, Gonzaga desde cedo mostrou interesse pela literatura. Autodidata, não chegou a terminar o antigo ginasial e nem julgou que isso teria algum peso ou seria algum obstáculo para a sua trajetória como escritor. Conciliou a literatura com o jornalismo quando chegou a João Pessoa. Fez-se um “professor” no batente como repórter, revisor, tradutor de telegramas, autor de ensaios, entre outras funções nas redações dos principais jornais do Estado.
Testemunhou e fez História sendo testemunha ocular de movimentos como a formação das ligas camponesas e se fazendo presente como o homem de pensamentos e ideologias políticas sem militâncias, que dividia idéias e reivindicações com governantes como José Américo de Almeida (1887-1980), José Agripino, Wilson Braga e Tarcísio Burity (1938-2003), entre outros.
Já foi Secretário de Comunicação, presidente da Associação Paraibana de Imprensa (API) e da Academia Paraibana de Letras (APL), onde ocupa uma cadeira de imortal. Mesmo acostumado a dizer que os livros foram sua universidade, foi reconhecido com o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Já com anos de estrada jornalística que ajudou a pavimentar, defendia a instituição e o curso de Comunicação Social e a habilitação acadêmica que só se instalou no Estado no final dos anos 1970.
Sempre sonhou em ser poeta e escrever romances, mas emprestou o seu olhar atento e a sua sensibilidade de analisar o cotidiano para enriquecer a crônica paraibana, ofício que exerce desde 1970. Atualmente suas reflexões e observações podem ser conferidas três vezes por semana nas páginas do JORNAL DA PARAÍBA.
Dentre suas principais publicações, lançou a coletânea de crônicas Notas do Meu Lugar (Acauã), Retrato de Vida (Idéia), uma homenagem ao seu pai, Um sitio que anda comigo, e Café Alvear - Ponto de Encontro Perdido (Textoarte), Notas do meu Lugar, reminiscências sobre as conversas políticas e culturais no Ponto dos Cem Réis entre as décadas de 1960 e 70. dentre outros.
Gonzaga é personagem participante de parte da historia da Paraíba, parte dela estar contada em seu livro Café Alvear. O neguinho, como até hoje cariosamente é chamado, narra ali seus caminhos e as pedra, que lhe furavam os pés, até alcançar seu lugar e em definitivo como jornalista, nas redações dos jornais em nosso Estado. Costume dizer, que sou um homem de sorte, pois tive a honra de conhecer Gonsaga, pouco convivi profissionalmente com o nequinho, exatamente por isso deixei de apreender muita coisa, trilhei como reporter.

 

 

Do livro: Nnomes que fizerame fazem a história da Paraiba de Camilo Macedo

 

CARLOS AUGUSTO ROMERO - Camilo Macedo



 CARLOS ROMERO - Carlos Augusto Romero, nasceu e, 10 de junho de 1924, na cidade de Alagoa Grande, Paraíba, vindo morar em João Pessoa, aos 04 anos de idade, residindo na Rua Nova hoje General Osorio, posteriormente fixou moradia num sitio no Parque Solon de Lucena, (Lagoa), Iniciou seus estudos, na Escola Normal, onde hoje é o tribunal de Justiça, , transferindo posteriormente para o Grupo Escolar Epitacio Pessoa, em tambiá. Concluindo seus estudos no Lyceu Paraibano. Foi casado com Carmeme Coeli, depois casou-se com Alairinda Padilha.

Em 1945 deixou o exercito, seu pai, conseguiu seu primeiro emprego no jornal A União, cujo diretor era o jornalista e escritor João Lelis, ali ficando como revisor, tempos depois foi chamado para ser repórter, ali conehceu o Jornalista Sabino Lopes, que passou a ser seu guia, tempos depois, passou a trabalhar na redação do jornal a União, como redator, e trabalhava também como traditor, das mensagens telegráficas.


Carlos Romero, graduou-se em ciências jurídicas e sociais em alagoas e especialização na UFPB em vários ramos do direito, se tornando professor universitário, foi designado juiz em Santa Rita, convidado pelo Desembargador Osias Gomes, depois deixando o cargo para ser advogado, mais não levava jeito segundo ele. Fez concurso para juiz sendo designado para Alagoa Nova. Deixando novamente o cargo foi ser Promotor de Justiça , nomeado por Jose Americo de Almeida.
Carlos Romero também foi conselheiro membro do Tribunal de Etica da OAB/PB. Membro do conselho de cultura diretor da Radio Tabajara e chefe da casa cível no governo de Pedro Gondim. Voltando-se definitivamente para as letras, sua primeira crônica foi publicada no Jornal a União, com o titulo “ Rua Triste” que falava da Rua Nova.
Carlos escreveu dezenas de artigos e crônicas, e livros, seu primeiro livro foi publicado “ A dança do tempo “ uma coletânea de crônicas que falava do cotidiano da vida familiar, outras obras que se destacaram foram “ O Paoa e a mulher nua “ “ Meu encontro com Kardex “ “ Lições de Viver “ e as plaquetes “ Milagres de Anchieta “ A outra face de Beethoven “ SEU ULTIMO LIVRO PUBLICADO FOI “ Viajar e Sonhar “.


Assumia a cadeira de 27 da APL – Carlos é espirita convicto, inclusive muitos dos seus trabalhos falam do espiritismo. Foi ele, junto com poeta Edson Régis, Silvino Lopes e Simeão Leal, foram os ideliazidores do Correio das Artes. A ideia, surgiu face imperar os cadernos literários nos jornais de outros estados, em Pernambuco, que liderava era o Diario de Pernambuco.


Daí eles lançaram o Correio das Artes, com o aval do então governador Osvaldo Triqueiro de Albuquerque, o Jornal a União era dirigido por Silvio Porto, que passou a agregar imediatamente trabalhos do pintor Hermance Jose. Passando a coloborar com suplemento literário Jos Americo de Almeida. Carlos Romero, traz para seus artigos, crônicas e livros a viajem dentro da viajem, tendo como inspiração a cidade de João Pessoa e o vicio em viajar e conhecer o mundo.

BALDUÍNO LÉLIS DE CARVALHO - Camilo Macedo



 BALDUÍNO LÉLIS DE CARVALHO -

Paraibano, nascido em Taperoá no coração do semi-árido - Cariri Paraibano - dedicou sua vida à Cultura, Arqueologia, Paleontologia e a Preservação da Memória do Povo Paraibano, concluiu apenas o primário na escola Dona Antonia Lelis na sua cidade natal. Autodidata, aprendeu a falar Espanhol, Frances e Italiano e Merrime (Kanella) língua indígena (domínio para conversação). Durante sua vida profissional tornou referência no país e no mundo, quando citado pela Enciclopédia Britânica pela relevância das pesquisas por ele realizadas sobre a cultura pré histórica nos sítios arqueológicos da Itacoatiara do Ingá- PB.


Lecionou na Universidade Federal da Paraíba e do Ceará e na Universidade de Tóquio no Japão, esteve como professor convidado para ministrar palestras sobre baleias pleistocênicas. Aos seus oitenta anos vivendo na pacata cidade de Taperoá, deixa um grande legado para a cultura brasileira, onde pesquisou e implantou 14 museus, chamado pelos “Notáveis” da Paraíba de “O Senhor Museu” .


Na sua lista de museus estão: Museu Escola e Sacro da Paraíba ,Museu Zoobotânico Arruda Câmara,Museu Epitácio Pessoa –Tribunal de justiça da Paraíba,Museu da Terra e do Homem – UNIPE,Museu de Augusto dos Anjos UNIPE ,Memorial de Humberto Nóbrega UNIPE, Memorial da Energia Cruz do Peixe JP ,Museu Histórico de Monteiro ,Museu Nacional dos Carros de Boi – Monteiro ,Memorial de Miguel Guilherme – Sumé ,Museu histórico e cultural de Cabaceira s,Museu Nacional do Bode – Cabaceiras ,Museu Didático e Antropológico da FAFI – UFPB .


Nas suas diversas faces é ator, cineasta, romancista, e artista plástico, nas décadas de 60 e 70 uniram-se a jornalistas, escritores e estudiosos e fundou: Associação Brasileira de Geógrafos ( 1962) , União Brasileira de Escritores –Seção da Paraíba (1963) Centro Brasileiro de Arqueologia (1964) ,Instituto Paraibano de Genealogia e Heráldica (1970) e torna-se sócio da: Associação Brasileira de Museologia (1965) , da Associação dos Membros do ICOM -1970. É Imortalizado pela Academia de Letras Municipais do Brasil e Correspondente do Museu Imperial de Petrópolis. è fundador e vice Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Cariri –IHGC com sede em São João do Cariri onde foi homenageado em vida ,dando o seu nome ao museu da cidade matriarca da região Caririzeira – Museu Balduíno Lelis .


Como pesquisador e folclorista, conterrâneo e amigo de Ariano Suassuna, conviveu com ilustres como, Glaber Rocha, José Lins do Rego, Câmara Cascudo, Luiz Almeida, Assis Chateaubriand e amigo de Jose Américo de Almeida, que em 1957 nomeou-o Promotor Adjunto da Comarca de Taperoá.

Dentre das suas principais pesquisas estão: Cerâmica Popular da Paraíba ,Cerâmica Popular do Ceará - Tabatinga do Aracati 1967 ,Cerâmica utilitária no nordeste PB CE RN MA ,Cerâmica Indígena do Areeiro, Cerâmica Marajoara Poço do Capim - Ilha de Marajó .Levantamento das inscrições Rupestre da Paraíba (1965 a 1969) Exumação da área Arqueológica do ingá , Auxiliar do Prof° Carlos de Paula Couto – diretor do Museu de Paleontologia do Museu Nacional - 1962 ,Ciclo do couro na Paraíba , Teares de algodão e bolandeiras do Cariri e Sertão Paraibano, Levantamento folclórico da Paraíba, Levantamento folclórico -místico e mítico e religioso do Itapicurú para o Dept° de Antropologia da UFPB ,Plantas medicinais usadas no Itapicuri ( colinas) , Traços étnicos ,familiares sócias folclóricos míticos místicos comportamentais de colinas – MA , Casa de Farinhas da Paraíba,mandiocas lendas ,Pesquisa sobre o João redondo – folclore da região canavieira da Paraíba, chefiou a da expedição Alto Tupy – 1964 pelo instituto de antropologia do Cera –UFCE


Como romancista escreveu ainda não publicado: A bota maldita – contos regionais; O Conto dos Contos de Réis; O Causo do Capitão Tranquilino e o Padre Ananias. Atuou no primeiro longa metragem rodado na Paraíba “ Fogo Salário da Morte ,produção de José Bezerra e Solha, também foi dele o papel do Capitão Antonio Silvino no longa “Menino de Engenho”, uma produção de Glaber Rocha e Walter Lima as mais recentes atuação na sétima arte são :São Gregório no filme “São Gerônimo “de João Bressane , o Coronel Bezerra na minissérie o Auto da Compadecida (gravado em Taperoá) e o pai de Padre Rolim no longa “Um Sonho de Inacim –O aprendiz de Padre Rolim , direção de Eliézer Rolim. Fundou também com seus amigos cineastas a Academia Paraibana de Cinema .
E em 1987 diante do êxodo nordestino, cria a Universidade Leiga do Trabalho em pleno coração do cariri. Onde os ofícios são repassados de uma geração para outra e ai sim garantir que a cultura do fazer de hoje e ontem possam acontecer no futuro, hoje a ULT é reconhecida pelo Ministério da Cultura como Pontão de Cultura que capacita e forma os jovens como “Guardiões da Memória” Por esses feitos recebe menções honrosas e Voto de louvor: da Assembléia da PB pela colaboração a cultura da PB -1969, da Câmara municipal da Paraíba serviços prestados a valorização da cultura, em 1966 recebe do voto de louvou do Conselho universitário da UFPB pela implantação do museu didático da FAFI -1966 e Câmara municipal pela implantação do Zoobotanico 1972. Recebe Honra ao mérito no IV Centenário Paraíba e na VI noite da Cultura paraibana, e a Medalha Rui Barbosa do congresso dos Tribunais de Contas do Brasil.
Aos 80 (oitenta ) anos completados no último dia 23 de agosto continua se dedicando as suas pesquisas concentrando suas atividades na criação e implantação do Museu da “Com Ciência” Nordestina, Memorial que contará os hábitos e costumes do cotidiano do povo nordestino, que será instalado na cidade de Taperoá sua Terra Natal. Esse pesquisador, teve a honra ainda muito jovem, ter participado do curso de Extensão Cultural, no Museu Escola Sacro do Estado da Paraíba, criado e ministrado pelo professor Balduino Lellis de Carvalho.

ANTONIO AUGUSTO ARROXELAS MACEDO - Camilo Macedo

 ANTONIO AUGUSTO ARROXELAS MACEDO – nasceu em 6 de fevereiro de 1939, em João Pessoa. Em 1960, ingressou no curso de odontologia e ainda estudante, integrou o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi eleito vereador da Capital em 1963. foi preso e trancafiado proibido de estudar e concluir o curso de direito. Arroxelas, sempre lutou contra as injustiças sociais, os abusos dos poderosos .

Sem no entanto precisar, roubar bancos, sequestrar e explodir bombas, matando inocentes. Foi cassado devido à Resolução da CMJP nº 5, de 3 de abril de 1964. Ele participou da campanha pela Anistia, ajudou a construir, em 1980, a Frente Democrática e em 1982 conquistou novamente uma cadeira na CMJP sendo o vereador eleito mais votado daquele ano. Arroxelas participou da campanha Diretas Já - e foi um dos Vereadores mas atuantes que contribuíram para a redemocratização do Brasil.


Na época do golpe militar de 1964, teve seu mandato de Vereador cassado pela mesa da Câmara Municipal de João Pessoa e não pelos Militares, como tem sido apregoado, ao longo dos anos, em verdade o ex vereador Cabral Batista, a época presidente da Câmara, e amplamente e reconhecidamente favorável e apoiando o golpe militar, após reunir a mesa, tomaram a decisão de cassá-lo. Não há registros de qualquer ordem superior, no caso dos militares, não se sabe sequer de quem foi a idéia da cassação, pelo menos oficialmente.

De acordo com o jornal O Norte de 04 de abril de 1964, segundo o presidente da Câmara, Cabral Batista, “[...] após várias reuniões secretas, os vereadores resolveram por unanimidade cassar o mandato do vereador Antônio Augusto de Arroxelas Macêdo, em face do mesmo ter infringido o artigo 48 da Constituição Federal e o artigo 4º do Regimento interno da casa.” Também foram cassados os suplentes José Gomes da Silva, conhecido como Zé Moscou, e Leonardo Leal. Na solenidade em homenagem a Arroxelas na Câmara Municipal de João Pessoa, a mesma que cassou seu mandato, Ele assim se expressou.

Lutei por uma sociedade mais justa, pelas reformas de base e pela democracia. A lembrança e o esquecimento não são apenas atos da memória humana, mas também fruto das disputas políticas e pelo poder. A quem interessa a pagar da memória a sua própria história? Acredito que ao povo interessa a verdade, e o passado precisa ser superado, mas jamais esquecido.

ARISTIDES DA SILVEIRA LOBO - Camilo Macedo



 ARISTIDES DA SILVEIRA LOBO - Aristides Lobo - Nasceu no dia 12 de fevereiro de 1838 e faleceu dia 23/07/1895. Era filho de Manuel Lobo de Miranda Henriques e D. Ana Norberta da Silveira , filha do Tenente Coronel Francisco José da Silveira, um dos mártires paraibanos da Revolução de 1817. Fez O curso preparatório no “Colégio da Paraíba”, Passou parte da infância no Estado de Alagoas, onde estudou e iniciou a sua vida pública, sendo, por este motivo, considerado por alguns biógrafos, natural daquele Estado, equívoco desfeito por Oscar de Castro e Luiz Pinto, que afirmam, bem fundamentados, ser Aristides Lobo paraibano, nascido no Engenho Tabocas, município de Cruz do Espírito Santo .

Aristides Lobo bacharelou-se em Direito pela tradicional Escola do Recife. Durante a Monarquia, foi Deputado Geral, de 1864 a 1870 e Promotor Público da Corte. Foi Ministro, no Governo Provisório (1889/1890), Deputado à Constituinte, Senador Federal de 1892/1895. Deixou o Partido Liberal integrando-se ao Partido Republicano. Fundou Dirigiu o jornal A República, ao lado de Salvador de Mendonça, Lafayette Coutinho, Pedro Soares de Meireles e Flávio Farnense fundado em 03 de dezembro de 1870
Passa a defender a mudança do regime, com o fim da monarquia. Neste sentido, é publicado o Manifesto de 1870, pelo Clube Republicano e tem início a maciça propaganda dessas ideias por todo o país, ocupando Aristides Lobo papel de destaque dentre os que mais ardorosamente combatiam pela causa. O jornal é empastelado, três anos depois, mas o curso dos fatos veio culminar com a Proclamação, em 1889.
No Governo Republicano, Aristides Lobo foi nomeado Ministro do Interior e Justiça, demitindo-se dia 10 de fevereiro de 1890, após desentendimentos com o Marechal Deodoro da Fonseca, por estar decepcionado com os rumos que a tão sonhada República estava seguindo. Sendo ele um republicano histórico, político combativo e jornalista inteligente, acima de tudo, sincero e coerente com as suas idéias não aceitava os mesmos erros cometidos no Império e apresentados, agora, sob o nome de República. Dirigiu os jornais: A República, O Republicano, O Íris Acadêmico e O Diário Popular, de São Paulo.


Cargos Públicos - Ministro do Interior no Governo Provisório durante dois meses. – Promotor Publico - Juiz em Minas Gerais. Aristides Lobo é considerado um dos “pais” da República brasileira; praticamente há ruas em todas as grandes cidades em sua homenagem, além de diversos prédios públicos. Nos primórdios da Primeira República chegou a figurar num selo de 10 réis. A Academia Paraibana de Letras lhe dedicou o patronato de sua Cadeira número 6.


Rio de Janeiro, A Republica.Colaborou em O CRUZEIRO, no Diário Popular e na província de São Paulo." ( Transcrito do Livro "Biografia de Maçons Brasileiro", de Renato Mauro Schramm, pág. 35. Edição 1999 )

APITO DE OURO - Camilo Macedo



 
APITO DE OURO - Filho de Augusto da Silva e Maria Pessoa da Silva, agricultores em Caiçara, Paraíba, Antônio Augusto da Silva nasceu em 12 de janeiro de 1937, prestou o serviço militar obrigatório no 15º Regimento de Infantaria em 1956 e ingressou na Polícia Militar em 20 de julho de 1959. Como era reservista, no decorrer das décadas de 1960 e 1970 um Soldado ganhou muita notoriedade em João Pessoa, chegando, mais de uma vez, a ser matéria de página inteira em um dos jornais de grande circulação na cidade.
Esse notável policial foi homenageado por Clubes de Serviço e órgãos da imprensa que lhe outorgaram o título de Apito de Ouro, uma alusão ao seu trabalho como guarda de trânsito exercendo o controle de tráfego nos principais cruzamentos do centro da cidade. Essa figura carismática, sorridente, simpática e entusiasmada pelo seu trabalho foi o Soldado Antônio Augusto da Silva, que, por longos anos prestou serviço na Companhia de Trânsito de João Pessoa.

Antes da construção do Viaduto Damásio Franca, no centro da cidade, os veículos vindos da cidade baixa cruzavam a Ruas Duque de Caxias e Visconde de Pelotas, seguindo pela Rua Padre Meira, em direção ao Parque Solon de Lucena. Por essas artérias também circulavam muitos automóveis. Havia, portando, necessidade de um controle dos fluxos desses veículos, principalmente nos horários de maior movimento. O mesmo ocorria em diversos outros cruzamentos, não só no centro, mas em esquinas de ruas como a Epitácio Pessoa e Cruz das Armas,, por exemplo.

Naquela época existiam poucos semáforos instalados na cidade e esse serviço era feito por Policiais Militares, que eram mais conhecidos por Guardas de Trânsito. Esses policiais recebiam treinamentos para executar os convencionais apitos e sinais de braços estabelecidos no Código de Trânsito. Apito de Ouro era sempre escalado para trabalhar em um dos cruzamentos do centro da cidade. E foi nessa atividade que o seu trabalho ganhou popularidade. É que ele, contrariando o que estabelecia o Código de Trânsito, criou uma série de gestos, movimentos e sons no apito, que em seu conjunto parecia uma coreografia.

Apito de Ouro foi promovido a Cabo, por tempo de serviço, no dia 22 de setembro de 1986, e passou para a reserva no dia 28 de janeiro de 1987, com os proventos de 3º Sargento. O Jornal A União, em edição de 27 de outubro de 2013 publicou uma matéria que sintetiza um perfil de Apito de Ouro. Dessa matéria destacamos, e aqui reproduzimos, um precioso texto do Jornalista Gilson Renato, que ainda como criança chegou a ver no Ponto de Cem Reis, uma performance de Apito de Ouro, e guardou na memória.

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