Sady Castor e Ágaba, um caso de amor e morte na Paraíba VI



Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

Filme curta metragem

Adaptação e roteiro – camilo Macedo

PRODUÇÃO E DIREÇÃO – DANIEL RIZZI

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DIREÇÃO DE ELENCO e roteiro – camilo Macedo

Edição - DANIEL RIZZI

FIGURINO - VIVI Lopes

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Fotografia - IGGO NICOLAS DE MACED

Desenho e Arte -

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Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

 O esquife da “pranteada menina”, até o “campo santo”. Numerosas colegas da Escola Normal, e também, os colegas do seu “inditoso noivo, assim como representantes de todas “as classes” (sociais), amigos, parentes e conterrâneos”.124 Segundo o Jornal Correio da Manhã125.

Ao contrario da imprensa oficial, o evento foi amplamente registrado por diversos outros órgãos de imprensa, considerado um acontecimento tão marcante quanto o de Sady. O “préstito”, chega ao cemitério às nove horas da manhã. Ainda segundo o repórter do jornal Correio da Manhã, era intensa a multidão que ali aguardaria a chegada do féretro, sendo conduzida a mão pelos irmãos da “saudosa” vítima.

Sobre o caixão, continua a folha, viam-se muitas grinaldas, outro tanto conduzindo por suas colegas da Escola Normal, que em grande número se incorporaram ao cortejo. Ao ser feita a “inumação”, isto é o ato de baixar o caixão, discursou o estudante do Lyceu Parahybano, Plínio Lemos, “em palavras repassadas de comoção”, referiu-se ao desolador acontecimento, pondo em destaque as “excelsas” virtudes de Ágaba de Medeiros e a “inexcedível” sensibilidade do seu “amantíssimo” coração. O estudante Plínio Lemos terminou depositando uma grinalda sobre o túmulo de Ágaba, feito de saudade da mocidade estudantina da Parahyba.

Em seguida, discursou o professor João Falcão, em nome da Escola Normal, “produzindo uma sensibilizante oração”. As suas colegas da Escola, choravam copiosamente em fato digno de ser registrado ainda mais pela impressionante circunstância: Ágaba foi sepultada numa catacumba contígua à de Sady. O Sr. José Castor Correia Lima, outro irmão de Sady, estava presente havia ido a Cidade visitar o túmulo do irmão em nome da família, mas, de tão emocionado, acabou tendo uma “syncope” de que foi acometido o seu outro “desolado” irmão. Por ironia ou coincidência, ao lado do túmulo de Sady estava aberto outro, como esperando o cadáver frio de Ágaba, para que os dois “infelizes amantes” fossem, enfim, unidos pela morte.126 A Parahyba cobre-se de luto.

Missas e romarias são oferecidas em prol das almas do casal. Anunciada em diversos jornais (A Tarde, Correio da Manhã, Jornal a União e o Jornal O Norte), a missa de sétimo dia de Sady Castor foi realizada na sexta-feira, dia 28 de setembro na Catedral de Nossa 126 Fonte: Arquivo Umberto NóbregaUNIPÊ. Jornal Correio da Manhã [sd]. Provável 09 ou 10 de outubro de 1923. Imagen Anexas 33. Referências: P2070439. 117 Senhora das Neves, sendo celebrada pelos padres José Coutinho, Pedro Cardoso e Sylvio Mello.

A notícia chamava atenção para a “grande comissão de alunas da Escola Normal” seguida de colegas do morto, que se dirigiam para o Cemitério. No local, além de muitas flores, uma coroa com a seguinte inscrição “Ao Sady Castor, eterna saudade das alunas da Escola Normal”. Durante o ato, houve discursos com destaque para os Sr. Silvino Santos, pelo primeiro ano do Lyceu Parahybano, Cezar de Oliveira Lima, pelo corpo discente do mesmo estabelecimento e o próprio Antonio Benvindo, representando o Centro Acadêmico de Recife.

Dias depois, as mesmas alunas iriam convidar “seus colegas do Lyceu e de outros estabelecimentos de ensino, bem como o povo em geral para celebrar outra missa, a de trigésimo dia da morte de Sady”128. O mesmo aconteceu na missa de sétimo dia Ágaba, primeiramente convocada por sua família, onde agradeciam a “todas as pessoas que acompanharam à ultima morada dos restos mortais de sua desventurada filha.

Algumas noticias falam apenas que foram as alunas da Escola Normal que mandaram celebrar a missa, convocando os estudantes e o povo em geral para a celebração de missa. A missa aconteceu no dia 11 de outubro, também na Catedral de Nossa Senhoras das Neves, às sete

horas da manhã, tendo como oficiante o reverendo Padre José Coutinho. A Catedral estava repleta de normalistas e lyceanos notando-se também a presença da “digna família Gonçalves de Medeiros” e de muitas pessoas da “alta sociedade”.

Depois do ato religioso na Catedral, boa parte dos que estavam presentes, principalmente os estudantes, amigos e parentes das vitimas, se dirigiram, em “comovida romaria”, ao cemitério do Senhor da Boa Sentença, onde foram depositar, junto ao túmulo da “infeliz noiva” de Sady Castor, uma “rica” coroa de flores, “derradeiro preito de sua enternecida saudade pela morta querida”. 130 Segundo o Jornal A TARDE, a coroa tinha o seguinte dizer; “Ágaba, imorredouras saudades das alunas da Escola Normal”. As moças do 3º ano da Escola também ofereceram uma “artística” coroa de flores artificiais, tendo a seguinte inscrição: “saudade de suas companheiras de estudo” .

Em seguida, vieram os discursos, falando a “senhorinha” Corina Novais, em nome do 4º ano da Escola Normal, “expressando, “muito comovida, a saudade das suas colegas por aquela que tão cedo se foi, deixando tão profundo sulco de dor nos seus corações”.

Ao terminar, depositou um ramalhete de flores naturais sobre o túmulo. Em seguida falou o acadêmico Antonio Benvindo, “que no feliz improviso, recapitulou com todas os seus dolorosos transes, a tragédia em que desapareceram os dois jovens patrícios”. 132 Suas últimas palavras “arrancaram dos olhos dos presentes muitas lágrimas”.

Por fim usou da palavra a “talentosa” terceiranista, Josepha Coelho, que em nome do corpo discente da Escola Normal e das suas colegas de turma, oferecia suas grinaldas, como “sincera” manifestação de pesar pelo desaparecimento daquela sua colega, que em vida fora uma boa e dedicada companheira e cuja morte causara profunda dor no seio das suas colegas da Escola Normal.

Terminou pedindo aos presentes para, de joelhos, rezarem um terço diante o tumulo de Ágaba, o que foi feito. Depois foram tiradas fotografias da duas sepulturas e das pessoas que se achavam presentes, tendo em seguida se retirado todos “comovidos” e “calmos” do campo Santo, deixando ali os corpos de Sady e Ágaba.

Bentinha Zácara, sobrinha de Ágaba, em entrevista a Amaury Vasconcelos (em 23 de 1996), explica como a família conseguiu o sepultamento cristão. Segundo ela, “como tinha sido suicídio voluntário, tudo de conhecimento público, o laudo cadavérico foi dado como excesso de barbirúticos”, isto é, por excesso de substância sedativa ingerida por engano, cuja pouca margem entre a dosagem terapêutica e tóxica pode ser mortal. A família negou no início, mas depois admitiu um engano (VASCONCELOS, 2009, p. 185).

Por Ramalho Leite

A guarda civil estava encarregada de manter essa determinação. Um sábado à tarde, Sady Castor, aluno do Liceu, pretendeu ir ao e ncontro da sua namorada, a futura professora Àgaba Gonçalves de Medeiros. Foi admoestado pelo Guarda 33, que fazia o papel de “guardião da honra das moças”, um pernambucano batizado Antonio Carlos de Menezes. O estudante resolveu desobedecer à autoridade e ultrapassou a faixa proibida. Surgiu uma discussão entre os dois, resultando daí a morte de Sady, atingido por um tiro certeiro do destemperado guardião da praça.

Os estudantes do Lyceu Parahybano transformaram sua escola em palco de protesto e revolta contra as autoridades estaduais. O presidente Solon de Lucena se fez representar no funeral pelo secretario geral Álvaro de Carvalho, e substituiu o diretor da Escola Normal pelo seu conterrâneo do Bananeiras, o cônego Pedro Anísio.Nesse dia, a terceira escola ent&atilde ;o existente, a Academia de Comercio, liberou seus alunos que, incorporados, compareceram ao funeral.

Mas não terminaria aí essa tragédia que quase derruba o presidente Solon de Lucena. A jovem Ágaba, inconsolável com a perda do namorado, cometeria suicídio alguns dias depois. Em carta, pediu desculpas àquela que seria sua futura sogra e, revelou suas razões: “ Resta-nos confiar na justiça da terra? Não, confiarei na Divina, pois que aquela falha e esta jamais falhará”. E conclui: “Peço-vos que abençoeis aquela que amanhã irá fazer companhia àquele que soube honrar e fazer-se honrar”.

A inconformada normalista pertencia a família importante da nossa sociedade.

A Paraíba, um dos primeiros territórios a serem ocupados pelos colonizadores portugueses, foi anexado em 1534 à Capitania de Itamaracá. Ia da foz do Rio Santa Cruz, hoje Igaraçu,até a Baía da Traição. Cobria, assim, todo o território do atual Estado da Paraíba. Essa capitania foi doada a Pero Lopes de Sousa. Com sua morte, os franceses e potiguares tinham multiplicado sua ação de domínio, inclusive com audacioso avanço ao engenho 57 Fonte: Jornal Correia da Manhã, 25 de setembro de 1923 [s/n] – A IMPRESIONANTE TRAGEDIA DE SABADO: OS FUNERAIS DO ESTUDANTE CASTOR. AS DEMONSTRAÇÕES DE PESAR DA CIDADE. DISCUSOS E NOTAS. Imagens Anexas 22 e 23. Ref. PTDC0042/PTDC0044. 67 Tracunhaém58. O rei de Portuga, D. Sebastião, assombrado com os acontecimentos e para assegurar a tranquilidade dos habitantes de Itamaracá e Olinda, resolveu criar a Capitania Real da Parahyba, em 1574, compreendendo parte das terras da capitania de Itamaracá. Durante a Colônia, sua importância servia para garantir a segurança política e econômica das capitanias mais ricas, mas foi só no século XVII, no apogeu da produção açucareira e da pecuária (e o algodão entre o século XIX e XX), que a região passou a ter destaque no cenário nacional.(FREIRE, 1974). A futura cidade de Parahyba, hoje chamada de João Pessoa, foi fundada em 5 de agosto de 1585, com o nome de Nossa Senhora das Neves. Durante esse tempo, recebeu uma variedade de denominações, tais como: Cidade de Nossa Senhora das Neves, em 1589, Cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves, em 1600, em homenagem ao rei Felipe da Espanha. Logo após a sua conquista pelos Países Baixos, a cidade passou a se chamar Frederikstad, a partir de 1635. Depois do declínio da Nova Holanda e com a saída dos neerlandeses, a Cidade retoma o nome de Cidade de Nossa Senhora das Neves, de 1655 até 1817, quando passou a se chamar Cidade da Parahyba. Segundo alguns historiadores paraibanos, a localidade já nasceu cidade, sem nunca ter passado pela designação de vila, povoado ou aldeia, visto que foi fundada pela Cúpula da Fazenda Real, uma Capitania da Coroa. Chamou-se Capitania da Coroa porque foi conquistada com dinheiro e soldados do Estado independente e administrada por governadores nomeados pelo Rei. Entre as cidade brasileira, é a terceira capital mais antiga do Brasil e também a penúltima a ser fundada na Colônia no século XVI e adentra o período ainda com uma pequena população, de pouco mais de 3.000 mil moradores, em 1808, passando para aproximadamente 52.900 mil, em 1920. (ALMANAQUE, 1922, p38). Apesar do fascínio pela História paraibana do período colonial e monárquico, é o primeiro período republicano que mais interessa contar (1889-1930), essencial para se poder compreender os significados políticos do caso Sady e Ágaba em meio às tensões faccionais da década de 1920. Neste

capitulo, a intenção é não só contextualizar o nascedouro das richas faccionais, mas, principalmente, ambientar o enredo do caso Sady e Ágaba, desde uma visão panorâmica das configurações políticas ao longo da Primeira República, a luz das transformações sociais trazidas pela Modernidade. 58 O ataque ao engenho Trucunhaém, também conhecido como tragédia de Trucunhaém ou chacina de Trucunhaém foi um ataque de índios potiguaras dirigidos ao Engenho Trucunhaém, próximo a Goiana, Pernambuco, ocorrido em 1534. Neste ataque, toda a população colonizadora da região foi dizimada. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ataque_ao_engenho_Tracunha%C3%A9m 68 Segundo Carvalho (2013), do ponto de vista da representação política, a República não significou grande mudança. Ela introduziu a Federação, de acordo com o modelo dos Estados Unidos, em vez do centralismo monárquico do Império. Os presidentes dos estados (antigas províncias) passaram a ser eleitos pela população. A descentralização tinha o efeito positivo de aproximar o governo do povo via eleição de presidentes de Estado e prefeitos; contudo, a descentralização facilitou a formação de sólidas oligarquias estaduais, apoiadas em partidos únicos, também estaduais que, quando vitoriosos, monopolizavam o controle político e econômico, tecendo uma teia de alianças e rivalidades que se estendia do poder local até instâncias políticas e burocráticas dos estados e da União. Durante a maioria desse período, o poder passou a ser controlado por uma aliança entre as oligarquias paulista e mineira, que se expressava no revezamento de representantes desses dois estados na Presidência da República. Com isso, esse período ficou conhecido como a “República dos coronéis”, ou “política dos governadores”. (FAUSTO, 2013). Na Parahyba, assim como no resto do País, durante a Primeira Republica (1891 a 1930), o poder passou a ser exercido pelos coronéis e suas oligarquias59 (GURJÂO, 1999 p. 53 a 95). Os “novos donos do poder”, passaram a governar a nação com base na dominação da política de seu estado, exercendo uma prática política personalista e patrimonialista (FAORO, 2001). Segundo Linda Lewin (1993, p.73), o Estado da Parahyba do Norte passou por três oligarquias: o “venancismo”, comandado por Venâncio Neiva60 (juntamente com Epitácio Pessoa61), primeiro governador republicano do estado, no período de 16 de 59 Em sua configuração original, a palavra oligarquia indica o “governo” (archein) “de poucos” (oligos). Contudo, o pensamento político ligado à oligarquia não esteve rigidamente submetido a essa única forma de compreensão. Na Grécia Antiga, a expressão oligarquia era negativamente empregada para se fazer referência a todo o regime que fosse comandado por pessoas com alto poder aquisitivo. Desta forma, os governos oligárquicos foram confundidos com o governo das elites econômicas.

Apesar dessa acepção, o termo oligarquia poder ser muito bem empregado em outras situações políticas. Quando observamos, por exemplo, que um mesmo partido político ocupa os mais altos escalões de um governo, podemos identificar o desenvolvimento de uma oligarquia. Em geral, a presença das práticas oligárquicas impede que amplas parcelas da população participem do debate político. Dessa forma, podemos ver que a oligarquia diverge do atual sentido dedicado à democracia. Na História do Brasil, o termo oligarquia é costumeiramente empregado para se fazer menção às primeiras décadas do seu regime republicano. Em tal período, compreendido entre 1894 e 1930, os grandes proprietários de terra utilizavam de sua influência política e econômica para determinar os destinos da nação. Apesar da presença de um sistema representativo, a troca de favores, a corrupção do processo eleitoral e outros métodos coercitivos impediam a ascensão de outros grupos políticos. 60 Venâncio Augusto de Magalhães Neiva, foi Juiz de Direito e o primeiro governador republicano da Paraíba, além de responsável pela instalação oficial do Superior Tribunal de Justiça do Estado do Parahyba do Norte. Tinha cerca de 40 anos quando se proclamou a República no Brasil. Antes e depois de exercer o cargo de presidente estadual, foi por cerca de 30 anos juiz (imperial) municipal e juiz de Direito, além de juiz federal na antiga Província e no Estado.

 

Continua amanhã

 

 

Sady Castor e Ágaba, um caso de amor e morte na Paraíba V



 Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

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Adaptação e roteiro – camilo Macedo

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Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

O “inditoso” estudante nasceu em Soledade, município no Estado da Paraíba (Brasil), localizado na microrregião do Curimataú Ocidental, em 15 de fevereiro de 1896. Dos catorze irmãos, Sady era o quinto filho do coronel Emiliano Castor de Araújo e dona Vitória Jacinta Correia Lima

Castor, tradicional família de fazendeiros que, juntamente com os Nóbrega, seus parentes, tinham forte influência nos rumos da política local.

A missa, aconteceu, também na Catedral de Nossa Senhoras das Neves, às sete horas da manhã, tendo como oficiante o reverendo Padre José Coutinho.

O ato religioso, veio os discursos, falando a “senhorinha” Corina Novais, em nome do 4º ano da Escola Normal, Em seguida falou o acadêmico Antônio Benvindo. Por fim usou da palavra a “talentosa” terceiranista, Josepha Coelho.

As cartas deixadas por Ágaba, no entanto, não deixaram mais dúvidas quando a versão de suicídio. Encontradas no dia seguinte de sua morte (07 de outubro de 1923), as cartas estavam sob o colchão de seu leito, dentro de um livro de poesias de uma amiga cuja primeira página ela escrevera, momentos antes de sua morte a frase, “Lembre-se em suas preces de meu Sady.

Daí em diante, o luto dos estudantes contou com o apoio da oposição àquele Governo, principalmente, por seu órgão de imprensa, o jornal A Tarde, que transformou uma revolta estudantil numa plataforma política contra o poder constituído.

Os estudantes do Lyceu Paraibabo, faziam todos os dias manifestações, contra o crime e contra o Governo do Dr. Sólon de Lucena. Esses atos foram duramente censurados pelo Governo de Sólon de Lucena que, para evitar novas manifestações, tomou medidas rigorosas, usando da força policial para coibir aglomerações de estudantes.

Por conta disso, os estudantes impetraram uma ação de habeas corpus, com o objetivo de pôr um fim a tal coação policial nos arredores da escola Normal. Tendo seu despacho favorável, o Governo ordenou, pelo Decreto n° 206, de 25 de setembro de 1923, o fechamento do Lyceu e da Escola Normal por tempo indeterminado, evitando, assim, novas manifestações que porventura viessem a abalar a credibilidade política do Governo.

Foram os estudantes do Grêmio que deflagraram as batalhas entre Governo e oposição, participando ativamente dos protestos e manifestações, incentivando os demais alunos a resistirem às determinações do Governo e estabelecendo relações de reciprocidades com as oposições.

E Foram eles que convocaram os estudantes de outros estados em apoio a sua causa. Enfim, foram os estudantes do Lyceu, mais especificamente, aqueles pertencentes ao Grêmio Cívico Literário 24 de Março, que se rebelaram contra o assassinato do estudante Sady Castor e a coação policial que impedia a livre circulação de pessoal pelas vias públicas da cidade de Parahyba.

Também os estudantes que pediram a punição, não só do guarda, mas do monsenhor, do chefe de polícia e do Presidente do Estado.

O Bacharel João da Mata, impetrou um Habeas Corpus em favor dos alunos do Lyceu a fim de garantir o direito à liberdade de circular nas imediações da Escola Normal,

Os estudantes que derrubaram, com auxílio do Supremo Tribunal de Justiça e de elementos da oposição, a coação policial nas proximidades da Escola Normal e do Lyceu Parahybano, pondo um fim a tal “linha imaginária”.

E foram eles que pediram a reabertura das escolas, fechadas pelo Governo após a ordem de habeas corpus, bem como, foram eles que anos depois pressionarem os governos de João Suassuna e João Pessoa, a não permitir a redução da pena do condenado.

CENA 23 -

O JULGAMENTO DO GUARDA 33 –

O inquérito foi presidido pelo Sr. Dr. Ephygenio Cunha, delegado do terceiro distrito policial do Estado, que ouviu, além de Joaquim Herculano de Figueiredo, Aluisio Xavier e José Pires, chamou também o Dr. Mariano Falcão, Srs. Ricardo Domingues, Raul de Aguiar e Carlos Trigueiro, este último estudante do Lyceu Parahybano e colega de Sady.

TRIBUNAL DO JURI - O Juiz sentado no meio da mesa, ao seu lado o Promotor Público e na outra ponta o advogado de defesa. A sala repleta de membros da sociedade paraibano, em fase a grande repercussão do fato.

Os jurados em numero de 5 – sentados em outra mesa.

( O Guarda em pé em frente para o Juiz, custodiado por dois guardas da força publica )

JUIZ - Seu nome

GUARDA 33 - Antônio Carlos de Menezes,

JUIZ - Onde nasceu –

GUARDA 33 - Em Pernambuco,

JUIZ - Idade –

GUARDA 33 - 33 anos,

JUIZ - Estado Civil, é casado –

GUARDA 33 - Sou sim –

JUIZ - Onde Trabalha -

GUARDA 33 - Na guarda civil, há pelos 7 anos,

JUIZ - Onde prestava seus serviços -

GUARDA 33 - No policiamento daquela localidade, mais especificamente, o espaço entre a Escola Normal e a Praça.

JUIZ - O Sr. Efetuou o disparo, que vitimou o jovem Sady Castor.

GUARDA 33 – Sim, ele me agrediu Dr.

JUIZ - Como se deu esta agressão.

GUARDA 33 – Eu cumpria as ordens do chefe de polícia, a pedido do monsenhor João Batista, esta ordem era para impedir a sem-vergonhice das moças e rapazes que queriam ficar namorando na praça pública.

Mandei ele se retirar dali, o mesmo começou a me atacar com esculambação, me chamou de guardinha, e outras palavras feias Dr. Puxei o cassetete, ai, chegou outros rapazes e me tomaram ameaçando atingir minha cabeça.

Saquei a arma, e eles não recuaram, tentei agarra-lo para leva-lo a prisão, eles tentaram tomar a pistola, ai eu dei o tiro, vi quando ele botou a mão na barriga rodou e caiu.

Chegou um homem, e me deu voz de prisão, foi quando o guarda 42 chegou me tomou a arma e me levou preso.

JUIZ - O sr. Tem mais alguma coisa para dizer em sua defesa ?

GUARDA 33 – Dr. atirei nele cumprindo ordens e para me defender.

JUIZ - O Sr. Já disse isso, sente-se ali.

JUIZ - Com a palavra o advogado de acusação – O Sr. Tem duas horas para apontar os fatos e a culpa do réu aqui presente, seu tempo começa a partir de agora.

Em favor acusado, mais especificamente, o Habeas Corpus impetrado pelo bacharel José Américo de Almeida, em julho de 1925, em favor de seu cliente, Antônio Carlos de Menezes, mais conhecido como o “Guarda 33”.

Antônio Carlos de Menezes, após dois julgamentos, ficou preso até 1930, quando teve sua pena revisada. Foi solto no Governo de João Pessoa, depois de uma grande revisão de processos promovida nos dois anos de sua gestão.

Segundo essa passagem, a autora sugere que Antônio Carlos Milanez, viveu seus últimos anos na miséria, o que é condizente com a versão contada pela irmã de Sady, 24 Dona, Áurea Castor, ao afirmar que o guarda morreu anos depois de ser libertado, vitima de tuberculose em um sanatório da Capital20.

Quanto ao guarda 33, este é apontado por Benvindo como um assassino vil e perigoso, incapaz de exercer a função de mantenedor da ordem pública. A obra execra-o em detrimento aos demais (possíveis) responsáveis (o padre, o chefe de polícia e o próprio Presidente do Estado), razão pela qual tudo o que foi escrito posteriormente sobre o caso seguiu a mesma tendência, condenando como único responsável o guarda civil Antônio Carlos de Menezes –

Segundo Léllis (2009, p.57), em seu Roteiro Cinematográfico sobre o caso, na verdade, outra versão contada com base nas lembranças da família Castor. Nessa obra, há uma só pista sobre o paradeiro do guarda, mas sem comprovação dos fatos. Conta ela que, certo dia, alguns anos depois da tragédia, bateu em sua porta um mendigo, que foi reconhecido pela autora, como sendo Antônio Carlos de Menezes, o famigerado guarda 33, assassino do seu tio Sady Castor.

Voltando à obra de Benvindo, percebe-se que, apesar de o autor não ter dado muita atenção às tensões políticas instauradas após a morte de Sady, ele reforça as evidências da existência de um conflito entre os estudantes e o governo do Estado. Para ele, “o fato já era de amplo conhecimento, bem como as razões de ambos os lados” (Bemvindo, 2009, p. 26)

Talvez o primeiro a escrever sobre este acontecimento tenha sido Apolônio Nóbrega, em seu livro História Republicana da Parahyba (1950), onde trata das consequências políticas que rodearam o caso. Segundo ele, o “assassinato” do estudante Sady Castor foi “um dos acontecimentos que mais abalaram o governo de Sólon de Lucena”.

Muito embora não fosse a peça principal do caso, continha boa parte dela. Havia ali os detalhes do inquérito, os depoimentos das testemunhas e os sucessivos julgamentos do acusado. Pelo volume e conteúdo dos documentos, a importância do processo criminal ultrapassa o âmbito da esfera judiciária, e que pode possibilitar, futuramente, um estudo histórico mais detalhado dos autos do processo.

a polícia da época se caracterizasse muito mais pela truculência do que pelo caráter preventivo. Em síntese, no julgamento de 1924, a Justiça acabou condenando o guarda a uma pena muito maior do que realmente lhe cabia, sentença está que foi gradativamente revisada e reduzida ao longo dos sete anos em que ficou preso.

Ágaba Gonçalves de Medeiros, filha do Cel. José Peregrino Gonçalves de Medeiros, inspetor da alfândega, e “dona” Maria Amélia de Medeiros, carinhosamente chamada de Maroca. Ágaba era uma garota alegre e cheia de vida. Tinha apenas 16 anos. Ela tinha um noivo chamado Sady, que todas as manhãs acompanhava-a à Escola Normal onde ela estudava.

Segundo Apolônio Nóbrega (primo pelo lado dos Nóbrega) Sady Castor era filho de uma família tradicional do interior do Estado (a família Castor). Sady, além de filho de um tradicional proprietário rural do interior que ostentava a patente de “coronel”, ainda tinha parentesco com uma das mais conceituadas famílias do Estado, A “Família Nóbrega”,

Desde este dia, trazia consigo um pequeno frasco de “droga venenosa” - provavelmente barbitúrico ou arsênico – que exibia às suas amigas, dizendo-lhes que se acaso aquela situação se reproduzisse e ela se visse sem Sady, “poria termos à sua vida”. Quando a família tomou conhecimento, tomou-lhe o fatal veneno de suas mãos (IDEM, p.46).

Segundo depoimento durante o processo de formação da culpa, o guarda 4147 apenas ouviu do guarda 33 a expressão de que havia sido agredido, não lhe dizendo como se dera essa agressão e de que espécie fora.

Ainda segundo a mesma testemunha, sempre havia um guarda na porta da Escola Normal para manter a ordem, não sabendo, porém do que se tratava e que não conhecia o estudante, ignorando por isso se havia qualquer intriga ele e o guarda 33. Segundo o guarda 41, o mesmo ignorava e nem ouvi dizer que o estudante, Sady, no momento de ser preso, se prontificou a seguir acompanhado de seus colegas a presença do chefe de policia, como descrito no romance de Benvindo.

No romance (2009, p 57), ao resistir à prisão, Sady e seus colegas queriam conversar com o próprio chefe de policial, o Dr. Demócrito de Almeida. Já para dona Áurea Castor Ramos, Sady pediu que o levasse, mas, de outra forma: acompanhado dos amigos que ali estavam, a exemplo de

48 Já sobre o denunciado, o guarda 41 alegou que conhecia o guarda 33 de muito tempo, afirmando ter o mesmo bom comportamento, nunca tendo sido acusado, por qualquer espécie de crime, a não ser este que depõe.

Para ele, a razão do crime havia sido o fato de o estudante se recusar a seguir preso, resultando numa circunstância fortuita onde foi agredido e desarmado, isto é, no momento em que se empenhava em luta na qual lhe tomaram o quepe e o cassetete. defesa do acusado para tentar, em 1925, a nulidade do processo, para só assim, ser “processado na forma legal e julgado por juiz competente”.

Portanto, a análise das fontes em questão requer atenção, pois elas foram usadas para reforçar os argumentos da defesa em favor do guarda 33. Segundo a primeira testemunha, o guarda 33, ao tentar efetuar a prisão do estudante Sady, havia sido agredido e teve seu cassetete tomado de suas mãos pelo próprio Sady que, em seguida, passou para as mãos dos demais estudantes.

Já a segunda testemunha reforça essa 49 Fonte: Supremo Tribunal Federal dos Estados Unidos do Brasil. Processo 16.037. Recurso de Habeas-Corpus18 de julho de 1925. Titulo de Eleito de Antonio Carlo de Menezes. Imagem Anexa 13. Referência. 63 Figura 2. Fonte: NÓBREGA, Trajano Pires da. A Família Nóbrega. São Paulo: Instituto Genealógico Brasileiro, 1956, p. 152.

afirmação, acrescentando os bons antecedentes do guarda 33, bem como coloca em dúvidas quaisquer desavenças anteriores entre eles. O fato doe o guarda 41 afirmar que, no momento em que efetuou a prissão do acusado, o mesmo estava de posse da referida arma, bem como não ter ele encontrado arma nenhuma junto ao moribundo Sady, não necessariamente desqualifica a primeira testemunha, pois o mesmo ouviu dizer por terceiros, que antes, a referida arma (cassetete) havia sido tomada das mãos do guarda 33 pelos estudantes. Por outras razões que desconheço as demais testemunhas não aparecem nas peças jurídicas encontradas. O incidente também despertou outras ondas de manifestações incitadas pela oposição ao governo, que tiveram grande repercussão em toda a Província, que culminaram provocando a queda do diretor da escola (substituído pelo cônego Pedro Anísio) e quase resultando na deposição do governo de Solon de Lucena.

No caminho de volta, foi interrogada pelo coveiro que, sensibilizado ao ver aquela cena, quis saber quem ela era. E ela responde! “- Eu sou a infeliz 116 Myosotis, de nome comum miosótis, é um gênero de plantas pertencente à família Boraginaceae. Suas flores são também habitualmente chamados não-meesqueças. https://www.google.com.br/#q=mios%C3%B3tis 113 Ágaba Medeiros que será vítima do amor.” E se retirou precipitadamente (VASCONCELOS, 2009, p.83).

Pouco depois, ao chegar a sua casa, se apoderou de algumas substâncias químicas, provavelmente arsênicas, guardadas num deposito mantido por seu pai para revelar “chapas fotográficas”. Após beber o mortífero “veneno”, foi perguntada sobre o que estava tomando. Calma e serena, dissimulou, respondendo que era apenas um pouco de bicarbonato de sódio para curar o estômago de que se sentia mal.

Às 12 horas deste dia (06 de outubro), Ágaba, já com morte dentro de si, recolhe-se aos seus aposentos e registra suas últimas palavras. Escreveu ainda três cartas, “nas justas declarações e sentidas despedidas aos que ficariam abatidos pelo imenso golpe”, das quais duas ficaram desconhecidas do público na sua integra, sabendo-se apenas de seu assunto.

Ao terminar a última, começou a sentir a fatal consequência do veneno. Alarmada, a família recorreu aos recursos médicos do Dr. Teixeira de Vasconcelos que prestou à vítima os primeiros socorros, sendo “secundado” pelo Dr. Adhemar Londres, chamado ao local pelo Sr. Feliz Medeiros, irmão de Ágaba.

Todos os recursos foram improfícuos, e às 16 horas (mais ou menos o mesmo que Sady morreu), veio a falecer a “desditosa senhorinha”, entre “a dor inconsolável da sua desolada família”, exatos 15 dias após a morte de Sady. Segundo Benvindo, Ágaba afirmou até o seu último momento ter tomado bicarbonato, “para assim ocultar a grandeza de sua heroicidade”.

Na sequência, o monsenhor Almeida, vigário capitular de arquidiocese, ainda quis negar sepultura religiosa a Ágaba, por tratar-se de uma suicida, agindo, segundo ele, de conformidade com as prescrições da chamada igreja tridentina.

Logo que foi divulgado o triste fato, a residência do cel. José Medeiros, à rua Duque de Caxias, se encheu dos elementos dos mais “representativos da sociedade”, inclusive, um sem-número de senhorinhas, que, até a hora em que o repórter do Jornal Correio da Manhã esteve por lá, teciam grinaldas de flores para serem depositadas no féretro da saudosa “amiguinha”. Ainda durante o velório, na residência de seus pais, um ato inesperado acontece: Surpreendentemente, penetra a “câmara ardente” uma figura desconhecida “cujas faces cavadas e olhos amortecidos denunciavam a dor, o sofrimento e o desconforto de sua alma agoniada”. Era José Castro Castor, irmão de Sady, que veio se despedir da “noivinha” de seu irmão. A emoção foi tamanha que o moço cai “desfalecido em atonia terrível” (IDEM, p.86).

O enterro foi realizado no dia seguinte, às 8 horas, subindo o féretro da residência dos seus progenitores, em direção ao Cemitério Senhor da Boa Sentença. Uma multidão acompanhou o cortejo; quase toda a Cidade se fez representar. Famílias, em grande número, acompanha

o esquife da “pranteada menina”, até o “campo santo”. Numerosas colegas da Escola Normal, e também, os colegas do seu “inditoso noivo, assim como representantes de todas “as classes” (sociais), amigos, parentes e conterrâneos”.124 Segundo o Jornal Correio da Manhã125.

 Continua amanha.

 

Sady Castor e Ágaba, um caso de amor e morte na Paraíba IV



Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

Filme curta metragem

Adaptação e roteiro – camilo Macedo

PRODUÇÃO E DIREÇÃO – DANIEL RIZZI

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DIREÇÃO DE ELENCO e roteiro – camilo Macedo

Edição - DANIEL RIZZI

FIGURINO - VIVI Lopes

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Fotografia - IGGO NICOLAS DE MACED

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Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

O “inditoso” estudante nasceu em Soledade, município no Estado da Paraíba (Brasil), localizado na microrregião do Curimataú Ocidental, em 15 de fevereiro de 1896. Dos catorze irmãos, Sady era o quinto filho do coronel Emiliano Castor de Araújo e dona Vitória Jacinta Correia Lima

 MAJOR RODOLPHO ATHAYDE - Ordenança, leve o guarda, para o xadrez e mantenha vigilância na cela.

Olhe aqui guarda 33 – você não sabe ainda o problema que isso vai dar, principalmente para você. Levem ele para cela. Dr. Mariano, obrigado pelas informações, o Sr, pode ir.

Vou ligar para o governador para lhe inteirar dos fatos, isso vai pegar fogo. Os Epitacistas, como o Desembargador Heráclito Cavalcanti vão fazer a festa. Mesmo brigados, são capaz de se juntarem novamente e tocar fogo nessa cidade.

(Dr. Mariano se retira e o Major, faz uma ligação para o Dr. Solon de Lucena)

CENA 17 -

MEDICO - NEXTON LACERDA - (ambos examinam o jovem Sady, que já começa entrar em choque, em razão do tiro).

MÉDICO - ADEMAR LONDRES – O que você acha Nexton, acredito haver uma hemorragia interna.

MEDICO - NEXTON LACERDA é Ademar, temos que remove-lo agora mesmo, vamos leva-lo para a casa do Dr. Francisco Nóbrega, lá bem próximo existe uma farmácia. Pouco adianta leva-lo ao Posto Médico.

MEDICO - ADEMAR LONDRES – É... Sabemos que não existe, uma sala de cirurgia adequada, poucos medicamentos. Olhe um carro do 22 BC – vou para-lo. ( o levam para o interior do veiculo, e saem em disparada).

Socorrido rapidamente por amigos e professores do Lyceu, o rapaz foi levado no automóvel do 22 BC - Batalhão de Caçadores - até a residência do então Juiz Federal, Dr. Francisco de Gouveia Nóbrega, residente na Av. General Osório.

O trajeto até a caso do Dr. Gouveia era rápido, ainda mais feito de carro até a Av. General Osório, alguns quarteirões por traz do Palácio do Governo. Chegando lá, rapidamente, recebeu as primeiras assistências dos médicos Adhemar Londres e Newton de Lacerda.

O estudante Sady Castor foi socorrido pelos médicos e cujos esforços para salvar-lhe a vida, foram em vão. o corpo do inditoso jovem recebeu os últimos sacramentos ministrados pelo Padre José Coutinho. Que próximo dali se encontrava e ao ser avisado, para lá rumou.

Pe. ZÉ COUTINHO - Se ajoelha ao lado do corpo moribundo e inicia os últimos sacramentos ao jovem Sady - Sinal sagrado instituído por Jesus Cristo para distribuição da salvação divina àqueles que, recebendo-o, fazem uma profissão de fé. [São sete: o batismo, a confirmação ou crisma, a eucaristia, a penitência ou confissão, a ordem, o matrimônio e a extrema-unção.

Pe. ZÉ COUTINHO – Por esta santa unção e pelo sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua misericórdia, alivie os teus sofrimentos».

"PER INSTAM SANCTAM UNCTIONEM ET SUAM PIISIMAM MISERICORDIAM ADIUVET TE DOMINUS GRATIA SPIRITUS SANCTI, UT A PECCATIS LIBERATUM TE SALVET ATQUE PROPITIUS ALLEVET".

Quando a notícia se espalhou a notícia da morte de Sady os estudantes “saíram em massa pelas ruas da cidade em protestos veementes contra tão horripilante cena de barbaridade”. Se aglomeraram na frente da escola e passaram a hostilizar sua direção e a sede da guarda civil.

Agravando ainda mais os conflitos entre as duas principais facções políticas do Estado, em uma conjectura política muito delicada naquele momento. Onde os Epitacistas, Heraclistas e o grupo do então governador Sólon de Lucena, brigavam pelo poder.

Após os preparativo do corpo do jovem Sady, foi levado e velado no Lyceu Paraybano, por toda noite, seguido por discursos inflamados de alunos, professores e familiares.

CENA 18 –

O velório de Sady foi um dos raros momentos em que o salão nobre do Lyceu serviu para este fim, ficando lotado. Na ocasião, contaram com a presença de amigos, alunos de outras escolas, professores, jornalistas, familiares e “expoente da sociedade parahybana”, que se revezaram em discursos inflamados, gerando grande comoção.

Por traz da repercussão da morte de Sady Castor e dos desdobramentos por ele originados, estava a atuação de uma “agremiação cívica literária”, organizada política e “ideologicamente”, assessorada por diversos “elementos” políticos oposicionistas ao governo de Sólon de Lucena, portadores de uma visão liberal de sociedade e que alvejavam acender na carreira política, como, por exemplo, figuras como o bacharel Miguel Santa Cruz, João da Mata Correia Lima, e até o ilustre João Duarte Dantas, este último atuando através das paginas do O jornal. Naquele ano de 1923, João da Mata e João Dantas haviam fundado O Jornal e articulavam a fundação de um partido de oposição ao situacionismo, para concorrer a sucessão de Solon de Lucena

FIGURANTES EM NUMERO DE 05 - Ao mesmo tempo em que o corpo era velado, uma comissão de estudantes visitava a sede do jornal A União, a fim de que se fizesse público o convite ao sepultamento na manhã do dia seguinte.

Durante o ato, houve discursos com destaque para os Sr. Silvino Santos, pelo primeiro ano do Lyceu Parahybano, Cezar de Oliveira Lima, pelo corpo discente do mesmo estabelecimento e o próprio Antônio Benvindo, representando o Centro Acadêmico de Recife

O corpo foi velado por toda a noite de sábado e na manhã de domingo, coberto de flores, e coroas com mensagem “lembranças dos alunos do Lyceu Parahybano: Homenagem do

Corpo Docente do Lyceu Parahybano; Ao Sady Castor, lembranças da Diretoria do Lyceu Parahybano”, além de inúmeras outras coroas.

Por voltas das 08h00min da manhã, o cortejo sai da porta do Lyceu em direção ao Cemitério Senhor da Boa Sentença, sendo presenciado por uma multidão de pessoas, acompanhada pela banda de música do exército que executou as machas do estilo.

Entre as pessoas ali presentes, o repórter do jornal Correio da Manhã registra os nomes do Sr. Severino de Lucena, oficial do gabinete da Presidência do Estado, representando o presidente Sólon de Lucena (que se encontrava adoentado), autoridades e funcionários públicos, professores e alunos de varias escolas, oficiais do exército, advogados, médicos, negociantes, operários, sacerdotes e muitas crianças54. A comoção tomou conta de todos os presentes. Acompanhando o cortejo, a banda de música do 22 BC - Batalhão de Caçadores - tocou várias machas fúnebres.

O Dr. Lindolpho Correia, diretor do Lyceu Parahybano, recebia copiosos votos de pesar, entre os quais os de Srs. Drs. Baete Neves, encarregada do Serviço de Esgoto desta Capital e Octávio Rocha, da Profilaxia Rural. Após os discursos e aplausos, a encomendação do corpo e bênção do túmulo foram feitas pelo Reverendo Monsenhor Odilon Coitinho, auxiliado pelo cônego Pedro Anysio. O Cemitério se tornou intransitável.

No cemitério, ao baixar o corpo à sepultura, falou em nome do corpo discente o estudante César de Oliveira Lima e, em seguida, o professor Miguel Santa Cruz, em nome do corpo docente do Lyceu, seguindo pelo Coronel José Peregrino de Medeiros (pai de Ágaba), pela loja maçônica – Regeneração do Norte. Todos os oradores estavam sensivelmente.

De volta à Cidade, “já era noite quando levada por uma força irresistível”, fora visitar o local do sinistro, em frente a Escola Normal, “terminou chorando e apontando para a ferida” que o projétil fizera na balaustrada da escadaria externa da Escola Normal.

(Dias depois, por volta das oito horas da manhã, estava diante do tumulo de Sady, rezando e chorando. Passados alguns instantes, “Ágaba ergueu-se, se bateu na parede do tumulo e disse com a voz forte, porém entrecortada de soluções que morriam na garganta:

CENA 19 -

MONSENHOR JOÃO BATISTA - (Entra no gabinete do Dr. Sólon de Lucena), Presidente... que a paz do Sr. Esteja contigo.

DR. SÓLON DE LUCENA – Como vai monsenhor, queira sentar-se, que dias estamos passando em ! Terrível esta situação, a morte de rapaz foi um golpe, não só em nosso governo, na igreja, na sociedade, que estar inconfortável.

Como se não bastasse esta tragédia, a oposição, se aproveita e aliado a certos órgãos da imprensa ligado a Heráclito Cavalcanti, fazem campanha com a morte desse pobre rapaz. É lamentável, lamentável. Mas me diga, o que o traz aqui Monsenhor.

MONSENHOR JOÃO BATISTA – Sr. Presidente... Deixo de fazer qual comentários a respeito, tenho passado noites sem dormir, ninguém sabe como estou me sentindo, digo apenas que nunca dei ordens para o uso de arma, principalmente atirar nesse rapaz ou em qualquer outro.

DR. SÓLON DE LUCENA – Claro que não, foi um ato insensato desse guarda, quem poderia imaginar um ato desse, chama-se ele reforço da guarda.

MONSENHOR JOÃO BATISTA - Sr. Presidente... Sob a orientação dos meus superiores, entrego este requerimento, requerendo na forma da lei, uma licença de 2 meses, para tratamento de saúde. Aqui estar Presidente.

DR. SÓLON DE LUCENA – O Presidente ler rapidamente e chama o chefe de gabinete, após assinar autorizando.

Mande agora mesmo protocolar e publicar no diário oficial.

Em que mais meu governo pode servi-lo monsenhor...

MONSENHOR JOÃO BATISTA - Nada Sr. Presidente, muito lhe agradeço, vou me recolher em minhas orações, para que Deus me tire desse suplicio, e que der um eterno descanso a alma daquele pobre rapaz.

( Se levanta e vai saindo, o Presidente lhe acompanha até a porta).

Durante esse período, recebeu copiosas visitas, principalmente de comitivas de alunas da Escola Normal, como mostra a notícia do jornal A União do dia 28 de setembro de 1923 As alunas do 4 ano da Escola Normal fizeram ontem pela manhã, incorporadas, visitas a ilustre sacerdote monsenhor João Batista, diretor daquele conceituado educandário desta capital.

Meses depois, ele voltou as suas funções, permanecendo até o fim do quatriênio João Suasuna. Poucos anos depois faleceu, em 12 de janeiro de 1930, às 15 horas, em sua residência, à Avenida João Machado, vítima de “cruel enfermidade” que o prendia ao leito desde muito tempo.

Segundo os jornais da época, a sua morte causou profunda consternação em todos os círculos da Capital, provocando verdadeira romaria de amigos e pessoas das suas relações que se iam inteirar da marcha da sua agonia.

Assim, ciente de que a vida desse religioso e educador não pode ser resumida a estes poucos parágrafos, dada a importância que o teve para a educação parahybana naquele 95 Fonte: Diário Official do Estado.

O certo é que o mesmo ficou extremamente abatido, sendo dia depois exonerado, a pedido próprio, de ambos os cargos que exercia (diretor da Escola Normal e diretor interino da Instrução Pública) e em seu lugar foi nomeado o cônego Pedro Anísio Bezerra Dantas, como

diretor interino da Escola Normal, exercendo, também, interinamente, o cargo de diretor geral da Instrução Publica.

CENA 20 -

Ágaba - Por volta das oito horas da manhã, estava diante do tumulo de Sady, rezando e chorando. Passados alguns instantes, “Ágaba ergueu-se, se bateu na parede do tumulo e disse com a voz forte, porém entrecortada de soluções que morriam na garganta:

ÁGABA -Adeus, Sady, até amanhã por essas horas!”.

No caminho de volta, foi interrogada pelo coveiro que, sensibilizado ao ver aquela cena, quis saber quem ela era.

COVEIRO – Bom dia senhorita, quem és tu jovem, a anos que aqui trabalho, nunca vi tanto sofrimento. ( ela responde! )-

ÁGABA - Eu sou a infeliz ! Ágaba Medeiros que será vítima do amor.”

Se retirando precipitadamente).

CENA 21 -

A MORTE DE ÁGABA –

(Ágaba vai se encontrar com uma amiga confidente e marcam encontro na Pça Aristides Lobo, sentadas passam a conversar, Ágaba aos prantos).

AMIGA 01 – Ágaba, minha amiga, você tem reagir, existem desígnios de Deus que não compreendemos, apenas nos acostumamos com eles.

ÁGABA - Deus não poderia ter feito isso com Sady e a mim, não existe mas motivo algum para continuar vivendo, a vida terminou para mim, preciso me encontrar com Sady.

AMIGA 01 – Ágaba, o que estás a dizer, nem pense numa loucura dessa, podes imaginar a dor que causarias aos teus pais, aos teus amigos. Vais a Igreja, fazes orações amiga.

ÁGABA - Igreja, que Igreja, a mesma que me tirou o único amor da minha vida, sabes quem está lá aquele Monsenhor assassino.

AMIGA 01 – Não ! ele foi substituído pelo Monsenhor Pedro Anísio.

ÁGABA – Agradeço minha amiga, vou para casa, peço que em suas orações, pois se ainda acreditas, que peça por Sady.

AMIGA 01 – Espera Ágaba, vou ti acompanhar até em casa...

ÁGABA – Não, vou sozinha, preciso pensar, o que farei da minha vida. Obrigado por tudo.

( caminhou a passos lentos, em direção a sua casa, sob o olhar de sua amiga)

Pouco depois, ao chegar à sua casa, se apoderou de algumas substâncias químicas, provavelmente arsênicas, guardadas num deposito mantido por seu pai para revelar “chapas fotográficas”.

Após beber o mortífero “veneno”, foi perguntada sobre o que estava tomando. Calma e serena, dissimulou, respondendo que era apenas um pouco de bicarbonato de sódio para curar o estômago de que se sentia mal.

Às 12 horas deste dia (06 de outubro), Ágaba, já com morte dentro de si, recolhe-se aos seus aposentos e registra suas últimas palavras. Escreveu ainda três cartas, “nas justas declarações e sentidas despedidas aos que ficariam abatidos pelo imenso golpe”, das quais duas ficaram desconhecidas do público na sua integra, sabendo-se apenas de seu assunto.

Ao terminar a última, começou a sentir a fatal consequência do veneno. Alarmada, a família recorreu aos recursos médicos do Dr. Teixeira de Vasconcelos que prestou à vítima os primeiros socorros, sendo “secundado” pelo Dr. Adhemar Londres, chamado ao local pelo Sr. Feliz Medeiros, irmão de Ágaba.

Todos os recursos foram improfícuos, e às 16 horas (mais ou menos o mesmo que Sady morreu), veio a falecer a “desditosa senhorinha”, entre “a dor inconsolável da sua desolada família”, exatos 15 dias após a morte de Sady. Segundo Benvindo, Ágaba

afirmou até o seu último momento ter tomado bicarbonato, “para assim ocultar a grandeza de sua heroicidade”.

A segundo carta era endereçada à família de Sady, especificamente, a mãe dele, que não a conhecia pessoalmente.

“Parahyba, 6 de outubro de 1923.

Minha mãezinha,

Peço-vos desculpas de assim vos tratar, mas os laços que me prendiam ao vosso filhinho, permitem que assim vos trate. É lamentável dizer-vos o estado em que me acho desde o desaparecimento de meu inesquecido mui amado Sady. Peço-vos perdão de minha ousadia, mas, venho, por meio desta, dizer-vos que comungo convosco da mesma dor.

Ah! se não fosse ferir o vosso e o meu coração relataria o modo, os sentimentos daquele que tão cedo foi arrebatado do meio honrado em que vivia. Não sei por onde se acha a mala daquele que espero que Deus tenha em sua companhia; queria que vos interessásseis em mandar buscar. Resta-nos confiar na justiça da terra? Não, confiarei na Divina, pois que aquela falha e esta não falhará jamais.

Confiando no vosso coração, espero não se zangará quando esta receber. Peço-vos que abençoeis aquela que amanhã irá fazer companhia àquele que soube honrar e fazer-se honrar.

Abraçai as maninhas pela desventurada

Ágaba Medeiros”

A família tenta esconder as verdadeiras causas da morte da jovem, com vistas a garantir o enterro em solo sagrado, como prega o direito canônico da Igreja Católico. Para a Igreja daquela época e até bem pouco tempo, o suicídio era um grave empecilho para ser enterrado em “solo sagrado”.

CENA 22 –

PADRE 01 – Monsenhor Pedro Anísio, estamos diante de uma impedimento para aceitar o corpo desta jovem no campo santo. As leis da Santa Igreja (cânones 1184/5) vedam conceder exéquias eclesiásticas aos “pecadores manifestos” — como é o caso dos suicidas — “a não ser que antes da morte tivessem dado algum sinal de arrependimento”.

E não foi o caso dessa moça. Todos nesta cidade, comentam que ela se matou.

MONSENHOR PEDRO ANÍSIO - Padre, devemos aguardar, ter cautela, em tomando esta decisão esta cidade pega fogo. Há notícia também que ela tomou, um remédio errado. É o que afirma o Dr. Teixeira de Vasconcelos.

Ele é o médico, foi quem a atendeu de imediato. Já mandei saber a verdade dos fatos, minha decisão será com base, em suas informações.

No mesmo instante entra na sala o Padre encarregado pelo Monsenhor Pedro, em apurar junto ao médico a verdade dos fatos.

PADRE 02 – Monsenhor, com sua licença... Lá estive, o Teixeira de Vasconcelos, afirmou que em verdade, os indícios, são de troca de remédios, não encontrando ele, fatos ou provas que apontem para o suicídio. Apontando ele no Atestado de Óbito, intoxicação por uso indevido de medicamentos.

MONSENHOR PEDRO ANÍSIO - Além do mais a imprensa já noticiou o fato, Vejam o que diz o Jornal a A União na edição de hoje 07.10.1923, a morte jovem jovem:

“Hontem às 18 horas, mais ou menos, sentindo-se mal do estômago, a senhorita Àgaba diluiu num copo d´água uma droga qualquer, e julgando tratar-se de bicarbonato de sódio, ingeriu a solução. Ocorre que a infeliz moça por um equivoco fatal, trocara os vidros do medicamentos, tomando arsênico em vez de bicarbonato”.

Em assim sendo, está decidido, a jovem terá ela as exéquias eclesiásticas, eu mesmo me encarregarei deste procedimento. E não se fala mais nisso. Mande chamar o Pe. Zé Coutinho.

O enterro foi realizado no dia seguinte, às 8 horas, subindo o féretro da residência dos seus progenitores, em direção ao Cemitério Senhor da Boa Sentença. Uma multidão acompanhou o cortejo; quase toda a Cidade se fez representar.

Famílias, em grande número, acompanharam o esquife da “pranteada menina”, até o “campo santo”. Numerosas colegas da Escola Normal, e também, os colegas do seu “inditoso noivo, assim como representantes de todas “as classes” (sociais), amigos, parentes e conterrâneos”.

Discursou o estudante do Lyceu Parahybano, Plínio Lemos, Em seguida, discursou o professor João Falcão, em nome da Escola Normal, “produzindo uma sensibilizante oração”

 

Sady Castor e Ágaba, um caso de amor e morte na Paraíba - III



 Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

Filme curta metragem

Adaptação e roteiro – camilo Macedo

PRODUÇÃO E DIREÇÃO – DANIEL RIZZI

Assistente de Direção –

DIREÇÃO DE ELENCO e roteiro – camilo Macedo

Edição - DANIEL RIZZI

FIGURINO - VIVI Lopes

Maquiagem -

Direção Musical -

Fotografia - IGGO NICOLAS DE MACED

Desenho e Arte -

Montagem e edição -

Técnico de Som -

Produtora de Objetos -

Assistente de Produção de Objetos -

Produção de Locação -

Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

CENA 15 –

O CRIME - Na ocasião, o estudante Sady Castor tinha “estacionado seu carro” de frente à escola, na calçada da Praça, aguardando o término das aulas da Escola Normal. Esperava a saída de Ágaba Medeiros.

Onde é abordado pelo guarda-civil número 33, Antônio Carlos de Menezes, incumbido naquela ocasião de “vigiar e punir” qualquer aproximação masculina às moças da Escola Normal.

Então, teve início uma áspera discussão entre os dois, culminando na morte do estudante, atingido com um tiro no abdome.

GUARDA 33 - Ei rapaz, quantas vezes devo lhe dizer, que é proibido ficar aqui, soltando gracinhas as moças de família.

SADY – Você tá me vendo fazendo graça para alguém... Estou apenas esperando minha noiva, que não tarda em sair, ao termino da aula. e vou acompanha-la até sua residência.

GUARDA 33 - Aqui você não acompanha ninguém, faz chispando daqui agora mesmo. Tenho ordens e estas serão cumprindo, andando, vai circulando.

SADY – Com você pensa que está falando, me respeite seu puxa saco do Monsenhor João Batista, aqui é um lugar público, ele manda lá dentro e na Igreja, aqui não, tenho o direito de andar e estar na via pública.

Tenho ordem do chefe de policia, para cumprir a determinação do Monsenhor João Batista, e aqui você não fica. Ordem é ordem.

A discussão chamou a atenção de pessoas que transitavam pelas imediações da praça, paravam para ver a discursão, alguns funcionários da Escola Normal, passaram a observar pela janela da secretaria o que se passava. O funcionário público do Estado, Joaquim Herculano de Figueiredo, que, no momento da discussão entre o guarda e o estudante, estava no interior da secretária da Escola Normal.

Narrar o que aconteceu. Conta que, ao ouvir alguns “rumores” do lado de fora da escola, foi até à janela e notou que em frente à mesma, junto aos portões do Jardim Público, havia qualquer coisa entre um guarda civil e um rapaz.

Em seguida, volta-se para dentro da escola, chamando a atenção de outros funcionários – mais especificamente, o bibliotecário arquivista Aluísio Xavier e José Pires -

avisando-os do que acabara de ver. Em seguida, todos se dirigiram para a balaustrada em frente à entrada principal.

GUARDA 33 – Pois bem, se não quer cumprir a ordem, você está preso por desacato a autoridade. ( o guarda pega-o pela cola do paletó).

Você deve ser um destes comunistas que andam por ai. (Sady, tenta se desvencilhar das mãos do Guarda 33 – Já com a ajuda de alguns colegas, consegue tomar o cassetete de uma da sua mão).

JOAQUIM HERCULANO – Alguém tem que intervir, isso pode acabar mal. Ei não atire no rapaz.

ALUISIO XAVIER – O que é isso, o que tá acontecendo, eu falei para o monsenhor Batista, que esta ordem ia acabar em confusão.

JOSE PIRES – Ta maluco seu guarda, guarde esta arma. Eu vou lá ( Saia da sacada da janela).

O guarda 33 insiste na prisão ao estudante que se recusava seguir preso, o guarda investe para Sady Castor, procurando agarra-lo pela gola do paletó; que o estudante se desvencilhou das mãos do guarda, e já com outros colegas avançam para o guarda. Ali estavam Plínio Lemos, Adalberto Cézar, Nilton Lacerda, Nenézio Palmeira e irmão.

FIGURANATES - I – Preso nada, solta ele. ( e avançam contra o guarda 33 – Sady aproveita e toma o cassetete do guarda e avança contra ele). FIGURANATES - I – Solta o cassete Sady, não bata nele, se não você perde a razão.

FIGURANTES II E III – (avançam também contra o guarda 33).

GUARDA 33 - ( recua e saca uma pistola, e tenta agarrar Sady, pela gola do paletó ).

GUARDA 33 - Segurando–lhe sempre na gravata, conseguiu encostar a rama na região umbilical, mais ou menos e detonou a arma, digo, detonou a mesma arma.

Aconselhado pelos colegas em não bater no guarda Sady, joga o cassetete no chão.

O guarde 33 – saca da arma e aponta para Sady, que se atraca com ele e rolam pelo chão, aos gritos funcionários da Escola Normal, e os transeuntes gritam para que o guarda não atire no rapaz, ele encosta a pistola na barriga de Sady e efetua o disparo.

O estampido do tiro causou espanto e horror a todos por perto. O guarda ainda com a arma na mão recua alguns passos, enquanto que, Sady, ferido, com a mão sobre a ferida, cambaleia por alguns segundos e cai dizendo: “matou-me”.

Um guarda próximo, mais especificamente, aqueles de plantão nas proximidades do Palácio do Governo, esquina com a Escola Normal, veio em seu auxilio. 42 após o disparo, o guarda 33 tentou evadir-se do local do crime, no entanto, naquele exato momento chegava outro guarda civil.

O Guarda 33 foi “preso em flagrante pelo Dr. Mariano Falcão,

DR. MARIANO FALÇÃO – Onde pensa que vai, o Sr. Está preso, não tente fugir, não me responsabilizo pela sua segurança.

Neste momento, chega o guarda civil de primeira classe, n. 41, Nicolau Florentino das Neves, saltava do bonde bem frente à Escola Normal, para render o guarda ali destacado.

Nesse momento, o guarda 33 se aproximou do guarda 41, dizendo ter sido agredido nas imediações na praça. Em seguida, olhou o estudante estava caído.

O guarda 41 viu o moço ferido na altura do umbigo postado no chão, com metade do corpo sobre o calçamento e metade sobre a calçada, cercado de pessoas que tentavam socorrê-lo, passando a ouvir das mesmas que o autor do disparo fora o guarda 33.

Sabendo quem teria sido o responsável pelo disparo, o guarda 41 deu voz de prisão ao guarda 33, tomando lhe sua pistola “Mauser ”44, que realmente se achava com uma cápsula deflagrada.

CENA 16 -

Ágaba, que se encontrava assistindo aula, ao saber do ocorrido, tentou correr em direção ao local do fato, quando foi contida pelas colegas em seguida desmaiou.

GUARDA 41 - Meu deus, você ficou louco 33 – Você está preso, me entregue a pistola, (Houve um inicio de tensão entras as pessoas presentes, que clamavam por justiça, obrigando o guarda 41 a conduzir imediatamente o acusado preso).

GUARDA 41 - Vamos se ponha a andar, e entre neste carro de aluguel. Voce não só acabou com a vida desse rapaz, acabou com a sua também.

( O guarda 33, assustado, entre o carro de aluguel e é conduzido ao quartel da guarda civil, na Avenida General Osório, na presença do Comandante Interino Major Rodolpho Athayde. Para isso contou com a escolta do Dr. Mariano Falcão, outra testemunha dos acontecimentos e uns dos que exigiram do guarda 41 a prisão do acusado).

GUARDA 41 – Com sua licença comandante, este é o guarda 33, ele acaba de matar um estudante em frente à Escola Normal.

MAJOR RODOLPHO ATHAYDE - O que ! Como foi isso ? (levanta passando a mão pelos cabelos.

GUARDA 33 - Comandante, eu estava cumprindo ordem do chefe de polícia, a pedido do Monsenhor João Batista, e um destes estudantes comunistas, desobedeceu e ainda me agrediu com outros arruaceiros. Tinha que me defender, e atirei, acertando o provocador.

MAJOR RODOLPHO ATHAYDE - Dr. O Sr. Viu o que aconteceu ? Eu não estou acreditando, no que estou ouvindo.

Dr. MARIANO FALCÃO - Major, infelizmente é verdade, não o que ele diz, apenas o fato. Ali, conversava com um amigo que acabara de sair, O Sr. Pedro Macedo, quando percebi este guarda se dirigindo a um jovem, que não sei de quem se trata. Estava ele, encostada no murro do prédio, ao meu ver nada fazia.

De repente este guarda, tentou, agarrar o rapaz, fiquei sem entender, outros acredito estudantes, avançaram em defesa dele. Ouvi muitas pessoas, gritando para ele soltar o rapaz e outros para ele não atirar. De repente, ouvi o disparo... e o jovem cambaleando e caiu logo em seguida. É esta a história verdadeira, esse guarda é um assassino frio.

MAJOR RODOLPHO ATHAYDE - Ordenança, leve o guarda, para o xadrez e mantenha vigilância na cela.

Olhe aqui guarda 33 – você não sabe ainda o problema que isso vai dar, principalmente para você. Levem ele para cela. Dr. Mariano, obrigado pelas informações, o Sr, pode ir.

Vou ligar para o governador para lhe inteirar dos fatos, isso vai pegar fogo. Os Epitacistas, como o Desembargador Heráclito Cavalcanti vão fazer a festa. Mesmo brigados, são capaz de se juntarem novamente e tocar fogo nessa cidade.

(Dr. Mariano se retira e o Major, faz uma ligação para o Dr. Solon de Lucena)

CENA 17 -

MEDICO - NEXTON LACERDA - (ambos examinam o jovem Sady, que já começa entrar em choque, em razão do tiro).

MÉDICO - ADEMAR LONDRES – O que você acha Nexton, acredito haver uma hemorragia interna.

MEDICO - NEXTON LACERDA é Ademar, temos que remove-lo agora mesmo, vamos leva-lo para a casa do Dr. Francisco Nóbrega, lá bem próximo existe uma farmácia. Pouco adianta leva-lo ao Posto Médico.

MEDICO - ADEMAR LONDRES – É... Sabemos que não existe, uma sala de cirurgia adequada, poucos medicamentos. Olhe um carro do 22 BC – vou para-lo. ( o levam para o interior do veiculo, e saem em disparada).

Socorrido rapidamente por amigos e professores do Lyceu, o rapaz foi levado no automóvel do 22 BC - Batalhão de Caçadores - até a residência do então Juiz Federal, Dr. Francisco de Gouveia Nóbrega, residente na Av. General Osório.

O trajeto até a caso do Dr. Gouveia era rápido, ainda mais feito de carro até a Av. General Osório, alguns quarteirões por traz do Palácio do Governo. Chegando lá, rapidamente, recebeu as primeiras assistências dos médicos Adhemar Londres e Newton de Lacerda.

O estudante Sady Castor foi socorrido pelos médicos e cujos esforços para salvar-lhe a vida, foram em vão. o corpo do inditoso jovem recebeu os últimos sacramentos ministrados pelo Padre José Coutinho. Que próximo dali se encontrava e ao ser avisado, para lá rumou.

Pe. ZÉ COUTINHO - Se ajoelha ao lado do corpo moribundo e inicia os últimos sacramentos ao jovem Sady - Sinal sagrado instituído por Jesus Cristo para distribuição da salvação divina àqueles que, recebendo-o, fazem uma profissão de fé. [São sete: o batismo, a confirmação ou crisma, a eucaristia, a penitência ou confissão, a ordem, o matrimônio e a extrema-unção.

Pe. ZÉ COUTINHO – Por esta santa unção e pelo sua infinita misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve e, na sua misericórdia, alivie os teus sofrimentos».

"PER INSTAM SANCTAM UNCTIONEM ET SUAM PIISIMAM MISERICORDIAM ADIUVET TE DOMINUS GRATIA SPIRITUS SANCTI, UT A PECCATIS LIBERATUM TE SALVET ATQUE PROPITIUS ALLEVET".

Quando a notícia se espalhou a notícia da morte de Sady os estudantes “saíram em massa pelas ruas da cidade em protestos veementes contra tão horripilante cena de barbaridade”. Se aglomeraram na frente da escola e passaram a hostilizar sua direção e a sede da guarda civil.

Agravando ainda mais os conflitos entre as duas principais facções políticas do Estado, em uma conjectura política muito delicada naquele momento. Onde os Epitacistas, Heraclistas e o grupo do então governador Sólon de Lucena, brigavam pelo poder.

Após os preparativo do corpo do jovem Sady, foi levado e velado no Lyceu Paraybano, por toda noite, seguido por discursos inflamados de alunos, professores e familiares.

CENA 18 –

O velório de Sady foi um dos raros momentos em que o salão nobre do Lyceu serviu para este fim, ficando lotado. Na ocasião, contaram com a presença de amigos, alunos de outras escolas, professores, jornalistas, familiares e “expoente da sociedade parahybana”, que se revezaram em discursos inflamados, gerando grande comoção.

Por traz da repercussão da morte de Sady Castor e dos desdobramentos por ele originados, estava a atuação de uma “agremiação cívica literária”, organizada política e “ideologicamente”, assessorada por diversos “elementos” políticos oposicionistas ao governo de Sólon de Lucena, portadores de uma visão liberal de sociedade e que alvejavam acender na carreira política, como, por exemplo, figuras como o bacharel Miguel Santa Cruz, João da Mata Correia Lima, e até o ilustre João Duarte Dantas, este último atuando através das paginas do O jornal. Naquele ano de 1923, João da Mata e João Dantas haviam fundado O Jornal e articulavam a fundação de um partido de oposição ao situacionismo, para concorrer a sucessão de Solon de Lucena

FIGURANTES EM NUMERO DE 05 - Ao mesmo tempo em que o corpo era velado, uma comissão de estudantes visitava a sede do jornal A União, a fim de que se fizesse público o convite ao sepultamento na manhã do dia seguinte.

Durante o ato, houve discursos com destaque para os Sr. Silvino Santos, pelo primeiro ano do Lyceu Parahybano, Cezar de Oliveira Lima, pelo corpo discente do mesmo estabelecimento e o próprio Antônio Benvindo, representando o Centro Acadêmico de Recife.

Continua amanhã.......

 

 

Sady Castor e Ágaba, um caso de amor e morte na Paraíba



 Pesquisa pela Tese de FAVIANNI DA SILVA apresentada à Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Educação Brasileira da Universidade Federal do Ceará, como requisito para à obtenção do título de doutor em Educação Brasileira. Área de concentração História e Memória da Educação. Orientador: Prof. Dr. José Gerardo Vasconcelos.

E artigo do Jornalista e escritor Ramalho Leite.

Filme curta metragem

Adaptação e roteiro – camilo Macedo

PRODUÇÃO E DIREÇÃO – DANIEL RIZZI

Assistente de Direção –

DIREÇÃO DE ELENCO e roteiro – camilo Macedo

Edição - DANIEL RIZZI

FIGURINO - VIVI Lopes

Maquiagem -

Direção Musical -

Fotografia - IGGO NICOLAS DE MACEDO

Desenho e Arte -

Montagem e edição -

Técnico de Som -

Produtora de Objetos -

Assistente de Produção de Objetos -

Produção de Locação -

Narra a história de um crime ocorrido no dia 22 de setembro de 1923, na cidade de Parahyba, capital do Estado da Parahyba do Norte, com repercussão nos anos seguintes. A escolha do tema não foi ao acaso: entre o crime e as ações do Grêmio existe uma relação explicita; já entre o crime e as tensões políticas, há uma relação mais sutil, tecida com fios tênues que se desdobram em aspectos de uma cultura histórica, específica do lugar e da época pesquisada. tendo como fio condutor a participação do Grêmio Cívico Literário 24 de Março Lyceu Parahybano nos protestos e manifestações desencadeadas pelo assassinato do “inditoso” Sady Castor.

O “inditoso” estudante nasceu em Soledade, município no Estado da Paraíba (Brasil), localizado na microrregião do Curimataú Ocidental, em 15 de fevereiro de 1896. Dos catorze irmãos, Sady era o quinto filho do coronel Emiliano Castor de Araújo e dona Vitória Jacinta Correia Lima

Castor, tradicional família de fazendeiros que, juntamente com os Nóbrega, seus parentes, tinham forte influência nos rumos da política local.

Por esse tempo, mais especificamente em 1922, a sociedade brasileira vivenciava um momento de confluências de insatisfações, colocando o País, pela primeira vez, no centro das discussões políticas, quase simultaneamente em toda a Nação, caracterizadas pela insatisfação política, social e cultural por parte de uma elite urbana e comercial (TRINDADE, 1979).

Alguns costumes, no entanto, insistiam em prevalecer, como, por exemplo, a drástica separação do sexo nos espaços públicos e privados. Nas escolas, a separação de meninas e meninos ainda era um tabu, tida como regra nas instituições educativas do Estado. A influência da Igreja Católica na educação do Estado contribuía sobremaneira na manutenção desse modelo, apesar de já existir debates sobre a coeducação dos sexos.

Lembrando que, naquela época, apesar da separação República - Igreja Católica, está última passou a “auxiliar” o Estado no processo de escolarização da educação brasileira, mesmo com a constituição de 1891 estabelecendo a laicidade do ensino público. Em alguns estados, no entanto, a igreja teve intensa influência nas políticas públicas em educação.

O Monsenhor João Batista Milanez. havia restringido a aproximação masculina (mais especificamente dos estudantes do Lyceu) nas mediações da Escola Normal, a fim de evitar o contato entre moças e rapazes no início, nos intervalos e na saída das aulas. Para que se cumprisse inflexivelmente sua ordem, transmitida em nome da “honrada família paraibana”, o Monsenhor solicitou ao Chefe de Polícia, Dr. Demócrito de Almeida, uma autorização para colocar um guarda civil na porta da Escola.

E assim ficou disponibilizado um agente de segurança do Estado, mais especificamente, da Guarda Civil, exclusivo para vigiar a aproximação de “certos” indivíduos nas proximidades daquele educandário.

Cena 01 -

Mostra o menino Sady, brincando, com amigos na fazenda do seu Pai, Cel. Emiliano). Sua mãe Dona Vitória lhe chama a atenção:

D. Vitoria – Sady, olhe a hora passe já pra dentro, vá se arrumar menino, já devia estar pronto para ir à escola. Vá, passe logo, e venha almoçar. Aprenda a ter responsabilidade, da próxima vez direi a seu Pai.

Sady – Desculpe mãe, perdi a hora, estava brincando, desculpe, não precisa falar pra papai, não vai mais acontecer.

Em 1918 foi sorteado para servir o Exército e incorporado passando a residir na capital. Nessa época, morava numa república de estudantes no mesmo prédio onde também funcionava o jornal Correio da Manhã

CENA - 02

– Sady, em sala de aula, assistindo aula. Em seguida, ele já rapaz, conversa com seu pai. ( O cel. Emiliano, sentando no terraço, com um documento na mão, chega Sady).

Cel. Emiliano – Foi bom você ter chegado, acabei de receber este comunicado do Comandante do Batalhão do Exercito. Você foi escolhido, para servir a pátria, será aluno a oficial. Espero que faça carreira militar.

Sady – Isso é muito bom Pai, cumprirei minha obrigação com a pátria, vou procurar ser um bom militar, saberei honrar o seu nome, mas, seguir a carreira, não tenho certeza. Quando devo me apresentar ?

Cel. Emiliano – aqui estar, na próxima segunda feira, você deve viajar para a capital, para não chegar atrasado logo no primeiro dia. ( Sady se aproxima e pega a correspondência).

CENA 03 -

Sady, se apresenta ao oficial de dia, ao 49º Batalhão de Caçadores, e é encaminhado para fazer os exames primários de saúde, depois recebe o fardamento de oficial aluno.

Meses depois recebe um comunicado do comandante do Batalhão, seria transferido para Recife, ali ficando por meses, depois, durante a gestão de Epitácio Pessoa na Presidência da República (em 1919), foi novamente transferido para o Rio de Janeiro, exercendo a função de telefonista no Catete (e/ou) guarda do então presidente da República.

CENA - 04

- O Tenente aluno, Sady, conversa com um colega de farda, o também tenente aluno Hudson Marinho.

Tenente aluno Hudson Marinho. E aí Sady, pensas em seguir carreira como oficial. Olha só, na verdade só estou aqui, para dá gosto a meu pai, ele é major do exército, servindo no corpo de paraquedista do exercito.

Ainda conversei com minha mãe, ela me pediu por tudo, para não dar um desgosto desse ao meu pai. É bonita a carreira, mais queria mesmo era ser advogado.

Tenente Sady - Pois companheiro, não serei militar de carreira, quando ingressei avisei logo a meu pai, ele também é cel. Servir com honra, eu servirei, seguir carreira é outra história. Terminando meu tempo, voltarei para a Parayba, sonho em ser médico.

Devo tentar o vestibular na Faculdade de Medicina no Recife, além disso o contexto hoje aponta crises econômicas e ideológicas não só na Paraíba, mas em todo o país e tenho notícias do colégio, que há movimentos estudantis, principalmente na capita do Estado.

CENA 05 -

SADY - dar baixa do exército em 1921, E volta a Parayba, desembargando no porto de Cabedelo, dias depois ingressa no serviço público, para trabalhar como funcionário das obras contra as secas promovidas pelos IFOCS, foi enviado para cidade de Barra de Santa Rosa, conheceu, após meses de namoro, noivou com Francisca Amorim, jovem muito prendada e recatada naquela cidade.

( Ao final da tarde, o casal passeia ao lado de Sady, sempre acompanhada de perto por uma serviçal dos seus pais, sentam-se no banco da praça).

FRANCISCA AMORIM – Penso sempre que olho para você, vejo em seus olhos, um futuro ausente, como se este aqui não fosse fazer morada.

SADY – Francisca ! o que estás a dizer, a meses que a ti cortejo, até pedi consentimento ao teu Pai, para que pudéssemos namorar. E pensas assim de mim.

FRANCISCA AMORIM – Não, estou a buscar defeitos em ti Sady, és um homem fidalgo, Cortez, e feliz será a mulher que será tua esposa. Mas com toda minha alma, não foste talhado para viver neste longínqua cidade, como funcionário público.

Falas muito em politica principalmente deste o Grêmio Cívico Literário 24 de Março. Dos movimentos que foram e serão organizados, da importância desta organização estudantil ver-se que estão indo além das tradições “cívicas” e “literárias”, ao se envolver diretamente nas disputas políticas desde 1920.

SADY – O que estás a querer me dizer Francisca...

FRANCISCA AMORIM - Sei que em breves, serás transferido, até mesmo para a capital do Estado, pela influência que teu Pai tem junto ao governo. Pensas em fazer medicina e deverás ir para a cidade do Recife, quando formado, de certos irás para o Rio de Janeiro.

SADY – Em partes tem certa razão, recebi correspondência do meu pai, falava ele que mandou telegrama ao Presidente, solicitando empenho para minha transferência, entretanto, não vejo nisso empecilho para o nosso compromisso.

FRANCISCA AMORIM - A sim Sady, e tu sabes disso, penso que houve uma certa precipitação, ao pedir minha mão em casamento ao meu Pai. Teríamos que namorar como todos e dá tempo ao tempo. Sabes quantos anos é preciso para alguém se formar em medicina e todos que conheci, logo viajaram para a capital federal ou para São Paulo, alguns anos depois voltaram para a Paraíba.

SADY – Tô entendendo, que me põe contra a parede, é isso, sabes que assumi compromisso com teu Pai, com tua família para corteja-la. E insinuas assim, para que eu rompa este compromisso. Penso que a mim não amas mas.

FRANCISCA AMORIM – Não podes pensar de mim assim, a ti muito respeito, sei que assumistes um compromisso com meu Pai, compromisso de amar, me fazer feliz, ter uma família, como sonha toda mulher. Não tens compromisso e tenho certeza que meus pais não iriam querer, ver sua filha, triste, com o marido, sabe Deus por onde. Não há Sady, compromisso para a infelicidade de ninguém.

SADY – Devo entender então Francisca, que estamos terminando nosso noivado.... Vou conversar com teu Pai amanhã para tudo explicar.

Continua amanhã......

 

A soltura de presos e a hipocrisia de nossas autoridades - Camilo Macedo



 O cumprimento de penas no Brasil, não passa de uma grande comédia. Ouvia ontem um integrante da Comissão de Direitos humanos, tentando justificar que a interferência desta, ( sei lá o que), em defesa de um bom tratamento aos milhares de presidiários. Aquela comissão, estaria pensando nos que aqui fora estão. Alguém pode explicar tamanha asneira, ou besteira?

Vi incrédulo um Juiz, determinar a soltura de, mas de 150 presos, por falta de segurança num presido em Manaus. Num pais sério, este magistrado deveria responder por crime de responsabilidade.

O fato das facções se matarem dentro dos cárceres, não impõe a aquele magistrado, tamanha idiotice, ou seja fazer a população de refém. Penso que caberia a ele responsabilizar o estado e não penalizar o cidadão, pois imaginem que, além dos bandidos soltos, ele, ainda libere mais 150 para ruas, que certamente vão assaltar, matar, estuprar e roubar.

Falava o Dr. dos Direitos humanos, que é preciso ressocializar os presos, em verdade esta ressocialização, não deve ser plural, vamos deixar de ser hipócrita e posar para fotos. Existe o preso casual e o reincidente contumaz.

Como você vai reintegrar um marginal com diversas penas a cumprir, vezes em estados diferentes da Federação? Onde suas penas distintas somam 50, 60 anos de reclusão, afora outras dezenas de processos criminais a que responde.

A reintegração do preso na sociedade depende muito do crime por ele cometido, não há reintegração para o criminoso periculoso em cometer novos crimes, sua soltura estará condenando alguém da sociedade a ser sua próxima vitima e, portanto as nossas autoridades antes de pensarem nos criminosos e eventuais reintegração, devem primordialmente pensarem nas suas vítimas.

Supremo Tribunal Federal - Justiça? - Camilo Macedo



Lendo Marcos Antônio Villa, observa ele que João Mangabeira já havia escrito que o judiciário o foi o poder que mais falhou na República, anos se passaram, e nos parece que o quadro que se apresenta é muito pior.

Vendo o orçamento do STF, STJ, STE, STT, GGU, PGR, Congresso Nacional – são maiores do que muitos Estados Brasileiros, municípios seriam uma teria um capital de uma mercadinho de periferia. Isso sem trazer a tona os orçamentos da Câmara Federal e do Senador.

Ouvi um jornalista de uma radio local, abrir a boca para dizer, “ são poderes distintos e estes gastos está lei, assim é legal “ Pode até ser mais não passa de uma imoralidade oficializada.

Quem conhece as sedes dos Poderes a que me refiro, sabe o do que estou falando. Se há luxo em sedes de poderes no mundo, este luxo está no Brasil.

O acesso da Câmara para o Senado e vice e versa, Sr. Jornalista, é feito por uma esteira rolante de 1,5 Km – para que os Srs Parlamentares não cansem as pernas. Ali estão encastelados mais de 3 mil funcionários, com salários nunca inferior a 8 mil reais. Salários mínimos que se estendem a todos os poderes supra citados.

A nação acompanhou estarrecida a grande pizza, levada ao forno pelo STF. O mesmo Supremo que tem mais 200 recepcionistas pelos corredores do prédio, para recepcionar a que e tantos fica difícil saber.

Registra Marcos Antônio Villa, que estes poderes, têm funcionários com salário superiores 10 vezes o teto nacional. Tentam justificar que são vantagens eventuais, vantagens estas que perduram a anos, como vem a ser o caso do STJ.

Por fim, que hoje estar satisfeito que não reclame da lentidão da justiça, a celeridade apregoada pela Conselho Nacional de Justiça, é só em matérias pagas na mídia.
O que dizer de Magistrados envolvidos com gang de traficantes e outros crimes, como pena aplicada é sua aposentadoria compulsória, contudo se diz: Mais ao terminar o processo criminal, poderá ele perder o cargo. De fato. Teria de ser, porém em toda historia só há um único registro da perda do cargo o JUIZ LALAU (Nicolau). Após 10 anos o processo se arrastando quando completou ele 79 anos de idade.

Agora aceitar que bandidos possam legislar no sentido de impor amarras no judiciário e no Ministério Público, só se ver num pais de banana, exemplo recente é do Senador Renan Calheiros, acusados em 12 processos de desvio do dinheiro publico. Processo estes engavetados por mas de 8 anos.

Só agora um foi aceito virando este, digamos cidadão RÉU POR CRIME DE PECULATO, pois as outras acusações deste mesmo processo prescreveram. Perdeu o Estado o direito de aplicar a lei por inercia. E que teve este comportamento os Ministros do STF.

O mundo assistiu sua arrogância e a humilhação a que foi submetido o oficial de Justiça daquela corte, e não se viu uma NOTA de duas linhas, do seu Sindicato em seu apoio.
Mas, não foi só aquele oficial desmoralizado, o judiciário foi a boneca de pano, foi a sandália em areia quente. A fúria daqueles ministros no caso do Senador Delcídio Amaral, apenas por insinuar que falaria com um ou outro ministro, foi arrasadora.
Fúria esta, que no caso de Renan Calheiros, outrora um leão urgindo, ficou reduzido a um miado de qualquer gato em estado de abandono, sendo humilhado por muitos que passam ao largo e vezes até juntam o bichano.

É assim o Brasil, “ um Supremo acovardado”, como disse sua excelência o ex presidente do Brasil. Luiz Lula da Silva. Uma Magistratura formada por juizecos, segundo o Presidente do Senado Renan Calheiros.

E nós pobre mortais, a quem ou em quem confiar no Judiciário, no Ministério Público, Na Câmara Federal, no Senador Federal, na Controladoria Geral da União...

Estamos sós, e povo brasileiro, passivo esperando o carnaval chegar, com muita chuva suor e cerveja, antes um pequeno repouso em berço esplêndido festejando o Natal e Ano Novo, que de novo não virá nada, cada um por si. QUERO IR EMBORA PRA PASSARGADA.

WALTER CARVALHO - Camilo Macedo




WALTER CARVALHO – nasceu em João Pessoa, 1947, é um fotógrafo e cineasta brasileiro. Herdeiro do Cinema Novo, começou no cinema ajudando o irmão — o também cineasta Vladimir Carvalho — como fotógrafo (e sendo muito influenciado por ele). Aos poucos, foi assumindo outros projetos de fotografia em cinema até se tornar, ele próprio, também diretor de cinema.


Sua apurada fotografia cinematográfica tem a marca inconfundível do cinema brasileiro da segunda metade do século 20, assim como testemunha as transformações sociais, políticas e culturais pelas quais o Brasil tem passado nas últimas décadas. Seu filho, Lula Carvalho, também enveredou na carreira cinematográfica e está se tornando um dos mais importantes diretores de fotografia do cinema brasileiro contemporâneo, junto com o pai.


Filmografia - Atuou como cineasta nos seguintes filmes:


2012 — Raul - O Início, o Fim e o Meio - 2010 — Febre do Rato (diretor de fotografia) - 2009 — Budapest (Diretor) 2009 — O Homem que Engarrafava Nuvens (diretor de fotografia) 2007 — Chega de Saudade (diretor de fotografia) 2007 — Baixio das Bestas (produtor associado e diretor de fotografia) 2006 — O Céu de Suely (diretor de fotografia) 2006 — Cleópatra (diretor de fotografia) 2006 — BerlinBall (diretor de fotografia) 2005 — Moacir Arte Bruta (diretor e roteirista) 2005 — Crime Delicado (operador de câmera e diretor de fotografia) 2005 — A Máquina (diretor de fotografia) 2004 — O Veneno da Madrugada (diretor de fotografia) 2004 — Entreatos — Lula a 30 Dias do Poder (diretor de fotografia) 2004 — Cazuza - O Tempo não Pára (co-diretor) 2003 — Lunário Perpétuo (cineasta) 2003 — Glauber o Filme, Labirinto do Brasil (diretor de fotografia) 2003 — Filme de Amor (diretor de fotografia) 2003 — Carandiru (operador de câmera e diretor de fotografia) 2003 — Amarelo Manga (operador de câmera e diretor de fotografia) 2001
Um Crime Nobre (diretor de fotografia) 2001 — Janela da Alma (diretor, fotógrafo e roteirista) 2001 — Amores Possíveis (diretor de fotografia) 2001 — Abril Despedaçado (diretor de fotografia) 2001 — Madame Satã (diretor de fotografia) 2001 — Lavoura Arcaica (diretor de fotografia) 2000 — Passadouro (cineasta) 2000 — Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão (cineasta) 1999 — Texas Hotel (cineasta) 1999 — Notícias de uma Guerra Particular (cineasta) 1998 — Somos Todos Filhos da Terra (cineasta) 1998 — Central do Brasil (diretor de fotografia) 1998 — O Primeiro Dia (cineasta) 1997 — Pequeno Dicionário Amoroso (diretor de fotografia) 1997 — O Amor Está no Ar (cineasta) 1995 — “Cinema de lágrimas” (diretor de fotografia) 1995 — “Terra estrangeira” (diretor de fotografia) 1995 — Un Siècle d’Écrivains (Jorge Amado) (cineasta) 1995 — Socorro Nobre (cineasta) 1995 — Cinema de Lágrimas (cineasta) 1995 — Butterfly (cineasta) 1993 — Agosto (cineasta) 1992 — A Babel da Luz (cineasta) 1991 — Os trapalhões e a Árvore da Juventude (cineasta) 1991 — Conterrãneos Velhos de Guerra (cineasta) 1991 —
Ainda -A República dos Anjos (cineasta) 1991 — A Grande Arte (fotógrafo) 1990 — Uma Escola Atrapalhada (cineasta) 1990 — O Mistério de Robin Hood (cineasta) 1990 — Circulo de Fogo (cineasta) 1990 — Blues (cineasta) 1990 — Assim na Tela como no Céu (cineasta) 1990 — A Paisagem Natural (cineasta) 1989 — Que Bom te Ver Viva (cineasta) 1989 — Césio 137 — O pesadelo de Goiânia (operador de câmera e cineasta) 1988 — Uma Questão de Terra (cineasta) 1988 — O Inspetor (cineasta) 1987 — Terra para Rose (cineasta) 1987 — Rio de Memórias (cineasta de fotografia) 1987 — Os Trapalhões no Auto da Compadecida (cineasta) 1987 — João Cândido, um Almirante Negro (cineasta) 1987 — Dama da Noite (cineasta) 1987 — Alta Rotação (diretor de fotografia e operador de câmera) 1987 — No Rio Vale Tudo (ou Si Tu Vas à Rio... Tu Meurs) (cineasta) 1986 — Geléia Geral (cineasta) 1986 — A Igreja da Libertação (cineasta) 1986 — A Dança dos Bonecos (operador de câmera) 1986 — Com Licença, Eu Vou à Luta (operador de câmera e cineasta) 1985 — O Rei do Rio (operador de câmera) 1985 — Krajcberg — O Poeta dos Vestígios (cineasta) 1984 — Pátio dos Suspiros (operador de câmera - diretor de fotografia) 1984 — Quilombo (operador de câmera) 1984 — Pedro Mico (cineasta) 1984 — A Máfia no Brasil (cineasta) 1983 — Sargento Getúlio (cineasta) 1983 — Cinema Paraibano, Vinte Anos (cineasta) 1983 — A Difícil Viagem (cineasta) 1982 — Sete Dias de Agonia (cineasta) 1982 — Lages, A Força do Povo (fotógrafo) 1982 — Em Cima da Terra, Embaixo do Céu (cineasta) 1982 — A Missa do Galo (cineasta) 1981 — O Homem de Areia (cineasta) 1980 — Flamengo Paixão (operador de câmera) 1980 — Conterrâneos Velhos de Guerra (cineasta) 1979 — Jorge Amado no Cinema (cineasta) 1979 — Boi de Prata (Diretor de Fotografia e Câmera) 1977 — Viola Chinesa (cineasta) 1977 — Que País é Este? (cineasta) 1977 — Antônio Conselheiro e a Guerra dos Pelados (cineasta) 1973 — O Homem do Corpo Fechado (responsável pelo título) 1971 — O País de São Saruê (assistente de direção.

 

Do livro: Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba - Camilo Macedo

WALDEREDO PAIVA DOS SANTOS - Camilo Macedo



 
 Walderedo Paiva dos Santos Nascimento: nasceu em João Pessoa, em 19 de Janeiro de 1936 Filho Francisco Alves dos Santos Nair Paiva dos foi casado com Terezinha de Oliveira Costa Paiva, que faleceu recentemente em nossa capital. Do Casamento nsceram os Filhos: Tatyana de Oliveira Paiva C. Holanda Adriana Patricia de Oliveira Paiva M. de Freitas Rodolfo José de Oliveira Paiva Wendell Rodrigo Costa Paiva Jéssica de Araújo Negreiros Paiva, Walderedo Paiva dos Santos Junior ,Paulo Ricardo Lemos Paiva.
Inicou seus estudos primário em João Pessoa, concluindo no Liceu Paraibano, Formou se em Direito pela Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Instituto Paraibano de Educação - IPE/PB (hoje Unipê) tendo colado grau em 24/06/1976. Cursou ainda Filosofia na UFPB mas não concluiu. Exerceu diversas Atividades João Pessoa/PB • Trabalhou no DER – Departamento de Estradas e Rodagens • Trabalhou ainda na Rádio Tabajara.
Foi Ator - Anos 60 e 70 - Teatro dos Estudantes • Advogado – OAB/PB nº 1696 Atuações: Peças • O Pagador de Promessas - de Dias Gomes • O Chapeuzinho Vermelho - de Maria Clara Machado. • Paraí-Be-A-Bá– Paulo Pontes - que ficou em 3º lugar no V Festival Nacional de Teatro Amador, realizado no Rio de Janeiro em 1968 • Eles não Usam Black Tie • Enquanto não arrebenta a derradeira explosão – de Jose Bezerra Filho Filme: • O Salário da Morte é o primeiro Longa-metragem ficcional produzido na Paraíba. Baseado no conto "Fogo", de José Bezerra Filho – gravado em 1971 • Menino de Engenho.
No final dos anos 70 partiu para o território de Rondônia onde seguiu carreira política e jurídica. 1979 – Delegado de Polícia do ex-território de Rondônia 1981 – Fundou a Associação dos Policiais Civis de Rondônia 1982 a 1986 –Deputado Estadual Constituinte, 1983 – Secretário de Estado da Secretária de Interior e Justiça (Seijus) – licenciou-se como Deputado 1991 – Secretário de Estado da Secretaria de Estado de Interior e Justiça (Seijus) 1994 - Secretário de Estado da Secretaria da Segurança Pública como adjunto e 6 meses depois assumiu a titularidade 1999 – Secretário de Estado da Secretaria de Segurança Pública
Tendo sido interinamente, a Superintendência de Justiça e Defesa da Cidadania (Sujudeci), hoje SUPEN - denominação dada pela reforma administrativa. Após a aposentadoria voltou a atuar como Advogado Criminalista – com OAB/RO 282-A. Faleceu em João Pessoa no dia 07 de Abril de 2012.

 

 

NOMES QUE FIZERAM E FAZEM A HISTÓRIA DA PARAÍBA -
Autor - Camilo Macedo

 

MÁRIO MOACIR PORTO - Camilo Macedo



 MÁRIO MOACYR PORTO - nasceu em 03/01/19 em João Pessoa/PB, e faleceu 20/11/1997 - Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Recife. Mário Moacyr Porto nasceu em João Pessoa, em 3 de janeiro de 1912. Formou-se na Faculdade de Direito do Recife, assumindo, logo em seguida, o cargo de Promotor Público no Rio Grande do Norte, atraves concurso público, ingressou na magistratura paraibana, passando por todas as entrâncias, até chegar ao cargo de Desembargador. No Tribunal de Justiça, ocupou duas vezes a Presidência, destacando-se sua administração pelas melhorias estruturais e pela autoria do Projeto de Lei que consagrou a Lei de Organização e Divisão Judiciária do Estado, além do Regimento da Secretaria do Tribunal de Justiça.

Também se destacou como acadêmico, tendo participado do Congresso Internacional de Direito Comparado, em Hamburgo (AL), onde apresentou tese sobre a “Responsabilidade pela guarda das coisas inanimadas”. Publicou inúmeros artigos nos grandes periódicos e veículos nacionais, projetando-se como proeminente doutrinador nessa área, tendo seu “Traitè de Responsabilité Civil”, publicado na França, alcançado prestígio mundial.


Consagrado Professor de Direito Civil da Universidade Federal da Paraíba – da qual foi, também, fundador e Diretor da Faculdade de Direito, e Reitor – e da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, destacou-se, ainda, como Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Rio Grande do Norte no biênio 1983-1985 e do Tribunal de Ética da Seccional Paraibana da Ordem, órgão que atualmente ostenta seu nome.
Cargos que ocupou na UFPB: Professor fundador da 1ª cadeira de Direito Civil da Faculdade de Direito da Universidade da Paraíba - posse em 19/06/1961 - Diretor da Faculdade de Direito da Paraíba. Reitor – 04/1960 a 04/1964. Sua vocação cultural levou-o a ocupar a Cadeira nº 4, da Academia Paraibana de Letras; imortalizou-se, igualmente, na Academia Norte-riograndense de Letras., é um exemplo, para os Advogados, Juízes e Promotores, que querem passar para a historia, isso se ver e ler, em livros e artigos, foi homenageado com seu nome ao Tribunal de Ética da Seccional Paraibana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PB).


Ainda, incrustado no incomparável acervo que foi doado por sua família ao Centro Universitário de João Pessoa (UNIPÊ), contendo obras raríssimas, em vários idiomas, inclusive periódicos franceses, boa parte ligados ao Direito Civil, e, finalmente, algumas correspondências que mantinha com renomados juristas europeus. As novas gerações de juristas paraibanos, entretanto, não conhecem tão de perto e talvez de tão longe, toda essa riqueza cultural.


Mário Moacyr também enveredou pela iniciativa privada, mostrando-se um verdadeiro líder: ao aposentar-se da magistratura dedicou-se à atividade empresarial tornando-se Presidente da maior empresa de mineração brasileira, no setor da produção da sheelita, a Mineração Tomaz Salustino S.A., com sede em Currais Novos-RN, que representava, na década de 80, cerca de 97% (noventa e sete por cento) da produção nacional do referido miné.

 

Do livro: Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba de Camilo Macedo

IVAN BEZERRA DE ALBUQUERQUE - Camilo Macedo



 IVAN BEZERRA DE ALBUQUERQUE - nasceu no dia 23 de novembro de 1932, em Itabaiana, interior paraibano, Na adolescência tomava conta de um salão de sinuca e ajudava o pai na loja da fábrica de colchões da família. Sonhava ser músico e estudou com seu conterrâneo Sivuca. Ivan, participou da banda de música da cidade como clarinetista. casado com Maria Dulce, pai de sete filhos: Ivan Júnior, Ivanaldo, Ivanildo, Ivando, Ivana, Ana Maria e Maria Ivone, e avô de oito netos.

Com quatro anos de idade, foi levado por sua mãe até a capital para fazer tratamento do olho direito, sendo examinado pelo Dr. Seixas Maia, para surpresa da família, Ivan Bezerra possuía um tumor interno no globo ocular, sendo em seguida submetido a uma cirurgia, diante do estado avançado acabou perdendo um olho. Em 1950, após receber o primeiro pagamento como músico foi passar férias na casa da avó em João Pessoa, cidade onde passou a residir desde então.


Mas a mudança definitiva para a capital paraibana não foi planejada. Um tio de Ivan Bezzera era funcionário do D.E.R. (Departamento de Estradas e Rodagens) e conseguiu um emprego para ele.


Em 1952, era participante assíduo da roda de bate-papo no Ponto de Cem Reis, onde se destacava com seus comentários abalizados; Ivan Bezerra foi apresentado por Arnaldo Júnior a Otinaldo Lourenço, que lhe convidou para ingressar na rádio Arapuan como noticiarista, tempo depois pelos braços de Clóvis Bezerra entrou na rádio Tabajara, onde se firmou definitivamente como comentarista esportivo.


Trabalhou ainda na rádio Correio, Sanhauá, FM 103 O Norte, e jornais impressos: A União, Tribuna do Povo e Correio da Paraíba. Filho de um mascate com uma professora, sonhava ser músico da Orquestra Tabajara. O que conseguiu foi ser o segundo clarinetista da banda local; funcionário público aposentado do DENIT é comentarista esportivo da rádio Tabajara. Em 1953, Bezerra passou a fazer parte da Rádio Tabajara AM, emissora na qual teve início a carreira como comentarista ao substituir Virgílio Andrade na cobertura de um jogo entre Auto Esporte, de João Pessoa e Náutico do Recife, e de lá para cá nunca deixou o rádio esportivo.


Torcedor do Santos Futebol Clube do saudoso Tereré, e do Clube de Regatas Flamengo, Ivan Bezerra foi árbitro de futebol de salão da Federação Atlética Paraibana, chegando a fazer parte do quadro de arbitragem da CBD - Confederação Brasileira de Desportos. Sócio fundador da ACEP - Associação dos Cronistas Esportivos da Paraíba, o radialista Ivan Bezerra faz parte de todas as diretorias desde a fundação, sendo presidente da entidade por dois mandatos, hoje é membro do Conselho Superior da entidade, homenageado pelos companheiros da ACEP, o estádio de futebol da agremiação leva o seu nome.


Homem de conhecimento notável, Ivan Bezerra gosta de compartilhar as glórias com os amigos, tem consideração com todos, e nos seus comentários faz questão de preservar a parcialidade. Conquistou mais de 100 prêmios, inclusive recebendo os títulos de cidadão Pirariense, Pessoense e Cabedelense. Ivan Bezerra joga Biriba (carteado) desde 1964, entre seus companheiros está o Desembargador Emilio de Farias, Chico Bala e o casal Assis e Alice. Ele faz questão de afirmar, que durante a prática do carteado não existe consumo de cigarro, bebida alcoólica, nem tampouco se joga apostado, o jogo serve apenas de lazer para todos.


Considerado o melhor comentarista esportivo da Paraíba, o “Campeão de Audiência”, como é carinhosamente chamado. Para Ivan Bezerra, um momento que marcou a sua carreira foi ter participado em 1990, com os radialistas Adamastor Chaves e Paulo Costa, da transmissão do jogo dos 50 anos de Pelé, fato ocorrido no estádio Giuseppe Meazza, na cidade de Milão na Itália. “Um ser humano como outro qualquer que procura viver até quando Deus quiser, procurando sempre fazer amigos, tenho a minha opinião e respeito à de todos”, confidenciou Ivan Bezerra.

 

Do livro: Nomes que fizeram e fazem a história da Paraíba de Camilo Macedo

 

 

ITAPUAN BÔTTO TARGINO - Camilo Macedo




ITAPUAN BÔTTO - Itapuan Bôtto Targino nasceu no dia 10 de maio de 1938, na cidade de João Pessoa, Paraíba, filho de Ananias Targino F. Pontes e Maria da Penha Bôtto de Menezes. É casado com Regina Rodrigues Bôtto Targino, de cujo consórcio tem os filhos Marieta, Estevam e Itapuan Filho. Fez seus estudos primários na Escola da professora Maria Adelina Barbosa, o ginasial no Colégio Pio X e concluiu o colegial no Liceu Paraibano, em 1955. Titulou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Paraíba, em 1960, e se formou em Licenciatura em Pedagogia (Habilitação em Administração Escolar) pelo Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba, em 1975.


Ingressou no magistério em 1962, lecionando, na Escola Técnica de Comércio Assis Vidal, as disciplinas História Econômica, Geografia Humana e Legislação Aplicada; foi professor de Didática nos Institutos Paraibanos de Educação (IPÊ); ensinou Direito e Legislação no Colégio Nossa Senhora de Lourdes; na Universidade Federal da Paraíba, lecionou Legislação do Trabalho, no Curso de Auxiliar de Enfermagem do Trabalho; e Legislação do Ensino e Estrutura e funcionamento do Ensino de 1º e 2º Graus, no Centro de Educação; lecionou Educação Moral e Cívica e Organização e Normas na Escola Técnica Federal da Paraíba – ETFPB.


Possui os cursos de Relações Humanas e Técnicas em Comunicação (Conselho Estadual de Desenvolvimento), 1960/1963; Administradores para Formação Profissional (Fundação Getúlio Vargas – Rio), 1968; Gestão de Centros de Formação Profissional (Cintefor/Cenafor-São Paulo), 1982; Treinamento Prático sobre Educação Vocacional e Industrial (Oswego University, New York, USA), 1969; Administração Financeira (MEC, Fortaleza), 1971.


Entre os cargos exercidos, destacam-se: Diretor da Escola Técnica Federal da Paraíba, 1964-1983; Secretário Municipal de Educação e Cultura, João Pessoa, 1983-85 e 1992; Supervisor das Escolas Técnicas Federais, MEC, Brasília, 1969; Oficial de Gabinete do Prefeito Municipal de João Pessoa, 1959; Representante do MEC junto aos Conselhos Regionais do SENAI e SENAC, em Campina Grande e João Pessoa, 1967-72 e 1973/74, e 1973-83, respectivamente; Secretário Geral do Poder Legislativo da Paraíba, 1993-95; Presidente da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (FUNESC), 1995; membro do Conselho Estadual de Cultura da Paraíba; Chefe do Cerimonial do Governo do Estado da Paraíba; Diretor Executivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba.


Possui várias condecorações: Diploma de Menção Honrosa (Conselho Estadual de Cultura), 1970; Medalha Nilo Peçanha, MEC, 1976; Medalha do Sesquicentenário de D. Pedro II, Colégio D. Pedro II, Rio, 1976; Medalha Professora Margarida Schivasappa, Escola Técnica Federal do Pará, 1978; Medalha Escola Técnica do Ceará, Fortaleza, 1979; Medalha de Honra ao Mérito, Escola Técnica Federal do Mato Grosso, Cuiabá, 1979; Medalha do Mérito Tamandaré, Ministério da Marinha, 1983; Medalha Alcides Carneiro, Campanha Nacional das Escolas da Comunidade, 1984; é Cidadão Honorário das cidades de Itaporanga e Picuí e Benemérito da cidade de João Pessoa; possui a Comenda do Mérito Cultural “José Maria dos Santos”, outorgada pelo Instituto Histórico e Geográfico Paraibano.


Já publicou mais de dez obras, dentre outras “Manual do Cerimonial”, “A propósito da educação” e “100 anos do Ensino Fundamental Brasileiro”. São 57 textos que apresentam o pensamento e as impressões do autor sobre os mais variados temas. Segundo o prefaciador, ao fazer a organização dos temas desenvolvidos na obra, Itapuan reflete sobre a vida em exercício permanente, visando ao aperfeiçoamento do ser humano por meio da cultura e abrindo uma nova trilha no campo da formação cultural pedagógica brasileira.


Trabalhos publicados: A Verdade de um Homem Público, 1985; A Propósito de Educação, 1985; Apontamentos de Legislação de Ensino, 1978; Estudos de Recuperação – uma experiência, 1975; Educação Artística - o canto coral nas Escolas Técnicas, 1978; Olavo Bilac e o Serviço Militar Obrigatório, 1978; Escolas Técnicas – Instrumento de Progresso e Desenvolvimento, 1978 Por uma educação integral, 1980; Subsídios para Fixação de Critérios na Distribuição de Recursos às Escolas Técnicas, 1980; A educação como instrumento de Reconstrução Nacional, 1980; Preservação do Patrimônio Ferroviário – As Estações de trem da Paraíba, 2001; Anísio Teixeira – Educador do Século XX, 2001; O Centro Histórico de São João do Rio do Peixe, 2002; Patrimônio Histórico da Paraíba – 2000 – 2002, 2003; Cartilha do Patrimônio – Centro Histórico de João Pessoa, 2003; Município, Municipalismo e Descentralização, 2004: Assim eu disse..., 2005. Ingressou no Instituto Histórico e Geográfico Paraibano no dia 18 de julho de 1996.

 

Do livro: Pessoas que fizeram e fazem a história da Paraíba

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